Você que me lê, me ajuda a nascer.

sábado, setembro 30, 2017

Christian Scott aTunde Adjuah: Tiny Desk Concert: NPR


Esse canal no Youtube é massa demais. A gente encontra cada coisa maravilhosa. Rapaz. A vida é realmente boa (especialmente se você está apaixonada). 

quinta-feira, setembro 28, 2017

quarta-feira, setembro 27, 2017

Labrinth, Jealous.



[não é bem assim, não, mas eu amo a voz desse moço nessa música. e sua cara linda e preta com esse bico]

Inspiração.

Há pessoas e coisas e tempos e eventos e sons e cheiros que me fazem escrever mais. Eu gosto disso, gosto de escrever. Acho mesmo que me ajuda a nascer. Mas há quem pense que pode saber tudo sobre mim lendo coisas aqui. Não. 

Bom, eu sou aqui. Mas eu sou também uma alguém que não se diz aqui. E essa só é possível de saber quando você acorda comigo, falando sobre o mesmo assunto da noite passada sem nem parecer que passou uma noite no meio.

Uma eu fazendo comida e ouvindo música e dançando e tomando cerveja. Uma eu fazendo a unha e durando quatro horas para terminar tudo porque eu converso muito. Uma eu que chora vendo filmes. Uma eu que... bom, uma eu que não está aqui nas letras, que só tem quando você encosta junto de mim e sente meu cheiro, vê meu sorriso e prova do sabor.


Cabelo.

Senti uma mãozinha puxar minha blusa e olhei para o lado.

Ei, você já é grande e seu cabelo é igual ao meu, não precisa alisar quando cresce?

Sorri e expliquei-lhe que não, que ela poderia continuar com ele como ele era.

Tá vendo, ela disse olhando para a amiga, eu disse pra mainha

Continuei meu caminho, sabendo dos motivos pelos quais valem conservar a minha juba.


terça-feira, setembro 26, 2017

Erika.

Minha ídola tem sete anos. Erika, muito prazer. Antes preciso dizer que pedi sua autorização para escrever um post sobre ela aqui. 

Eu a conheço há alguns meses, é irmã de uma bebê da nossa turma na escola. Nos vemos sempre às saídas e ela me animou a começar a capoeira. Agora que somos irmãs no aprendizado, ela se achou no direito de se aboletar na minha casa e passar a maior parte do tempo aqui, inclusive dizendo o que quer fazer ou comer quando bem quer e entende. Uma das últimas coisas que fez foi marcar com marca texto colorido uma das cópias da tese que achou dando sopa por aí (agora mesmo está folheando um caderno velho de planos de aula. 

Sua mãe nunca veio aqui, embora me conheça o suficiente para me confiar sua filha. Mas não é disso que eu quero falar. Quero falar de uma menina de seis anos que maneja muito bem aquilo que conhece e vai para lá e para cá na rua, com as pessoas, nas coisas que quer fazer, independente da idade que lhe dizem ter. Fica à minha sacada dando oi para as pessoas que passam. 

Erika, se você vai fazer essa sujeira aí vai lavar os pratos

Qual não foi minha surpresa quando cheguei à pia e lá estava ela, cumprindo o "acordo" que a obriguei a fazer. Não pude reclamar, ela sujou e limpou boa parte. Com ela, preciso descobrir jeitos mais eficazes de dizer não. 

Quando ela me grita na rua "Migh", eu adoro. Porque ela nem liga pra celular, eu a amo. 

Erika, muito prazer.




Nome de bairro.

Voltamos juntos todas as vezes da hidroginástica. É um senhor de quase 70 anos, daqueles homens negros enormes para quem ninguém dá mais de 50 anos, olhando assim rapidamente. Ele fala comigo sempre como se tivéssemos acabado de terminar o assunto do dia anterior e, nos vinte minutos em que ficamos juntos, eu sou uma boa ouvinte, estimulando-o a falar sobre sua vida e os problemas que tem. 

Ele não sabe nada sobre mim e nem finge interesse, só quer falar. Eu do meu jeito gosto tanto das histórias que não importo com a desimportância. A companhia dele me agrada imensamente. Ele conhece quase todo mundo que cruza nosso caminho e seu apelido é o nome de um bairro da cidade em que nos encontramos. Não preciso de mais nada, só de ouvi-lo falar e falar já sou feliz demais. Me divirto com sua lógica de tempo e reclamações que a mim parecem algumas vezes sem propósito, mas que fazem todo sentido na vida de um homem negro que parece viver mais só do que gostaria. 

Penso no meu pai. Quiçá ele encontre uma boa ouvinte por aí. 

Crescer.

Estávamos em meio ao samba de roda conversando e eu perguntei a ela sobre ser grande. Ela me disse, quase em segredo

eu tenho medo de crescer

Essas palavras ecoaram na minha mente, eu tenho medo de crescer. Ditos por uma menina de 12 anos, eu tenho medo de crescer. Nunca esperava ouvir isso de uma menina negra de 12 anos, mas achei tão lindo e forte que vim correndo escrever aqui, para não esquecer. Porque talvez um dia eu também tenha tido medo, ou ainda tenha, vá saber. 

segunda-feira, setembro 25, 2017

Fé e desejo.

Quando você sente vontade de alguém, mas há outras coisas em jogo e é preciso escolher, não é fácil dizer sim para o amor. Mas há amor em todo os caminhos que você escolher, então fica mais difícil decidir, e não há como ter tudo na vida, não há como. 

É preciso ter fé, mas é preciso desejar também. Que fazer? Chorar? Esquecer? 
Não sei, não me perguntem. Ainda não decidi se o que vou fazer hoje é chorar ou esquecer. 

domingo, setembro 24, 2017

Olhar (namorar).

Quando ele me olha, me namora com um olhar sereno e profundo, que me diz o que ele gostaria de estar fazendo comigo naquele exato instante além de segurar minha mão.

Quando ele me olha, não arrepio. Sinto dentro algo mais forte, leio tudo que ele não diz (porque não pode, porque não deve?) nos seus olhos. Eu poderia chegar mais perto, mas, mesmo de longe, vejo tudo porque vejo seus olhos. Eles não me escondem o que doem, não me escondem tristezas e os impedimentos.

Eles são espelhos de dentro. Eu sei. 

Mudanças II.

As pessoas mudam umas às outras

Ele me disse abraçado a mim, olhando bem dentro dos meus olhos. Demoramos nos olhando um ao outro, como se quiséssemos ter certeza de que sabíamos que estávamos ali só a nos olhar, como se quiséssemos dizer um ao outro sem dizer "eu vejo você", e conseguimos. Ao menos eu senti o calor de seu olhar em minhas mãos, meu coração.


sexta-feira, setembro 22, 2017

Só.

Quero ficar no meu canto, quieta. Sentindo as minhas dores, para saber onde (e como) doem.
Estou confusa, decepcionada, um pouco machucada até. 
Talvez por mim mesma, pelas ilusões que ainda me permito viver, mesmo sabendo que não há nenhuma garantia de que ela vai durar mais do que alguns dias. 

Quero me conhecer, até o fundo, ir ao fundo, profundo, mas sei também que às vezes só consigo isso com a outra pessoa, ao meu lado, me animando a ir mais, ouvindo e falando, uns beijinhos pelo meio.

Ainda não consegui de todo abandonar o projeto de ser mais, com alguém. Ainda não consegui abandonar a espera, a esperança. Ainda não. Mas sei também que não sou assim comigo, não me firo tanto assim. 

Prefiro começar de novo. 

quinta-feira, setembro 21, 2017

Verdade.

O que é a verdade?
A verdade não existe, é o que dizem.
Mas a verdade existe, em alguns contextos. Quer saber? Eu explico melhor em dois tempos. 
Quando você trabalha em equipe e as pessoas não estão dispostas mesmo quando estão presentes, ali, do lado. A verdade é que você trabalha sozinha.
Quando uma pessoa diz que quer te ver e não faz nada para isso.
A verdade é que ela não te colocou como alguém importante o suficiente para mudar os planos dela, nem por algumas horas. 
Quando uma pessoa te diz que fez uma coisa - como encerar o chão - e não encerou.
A verdade é que ela está mentindo.

Entendeu? Hoje foi um dia desses, dia das verdades. 

Quem me conhece de perto, sabe que eu não sou docinha. Eu defendo minhas opiniões e sou bastante agressiva - no sentido de argumentar, reclamar, bater o pé, dizer o que acho e o que sinto - e isso pode parecer incômodo para pessoas que preferem a calmaria. Tenho até o jeito meio estouvado para fazer isso, e se a pessoa só me vê nesse momento, nem vai saber que também posso ser amor e pedaços de bolo enrolados num guardanapo para o chá da tarde. 

Paz sem voz não é paz, é medo, tem na música do Rapa. É isso mesmo, eu não tenho medo de errar sendo excessiva, mas eu tenho medo de morrer com as palavras dentro de mim, eu solto elas todas, como pássaros elas não gostam de viver em gaiolas, eu falo o que penso, nem sempre penso, mas falo. Isso é 'certo'? Isso é 'bom'? Isso é 'honesto'? Não sei, não estou preocupada com isso, não quero ter razão e nem ser 'perfeita'. Quero dormir em paz um sono pesado e gostoso.

Eu olho para dentro de mim e vejo que, convivendo comigo, você pode me ver errar muitas vezes, mas vai me ver poucas vezes com palavras encolhidas, pedindo desesperadamente para que sejam soltas. 


quarta-feira, setembro 20, 2017

Textão (vem ni mim).

Sabe porque eu gosto de pagode romântico? É um dos lugares onde você mais ouve homem falando sobre o que sente. Dá-lhe texto, é tanto amor que fica mais difícil de decorar que música dos Racionais (mas vem ni mim).


[e a única saída é terminar] 
[ mas o que ele esqueceu de cantar é que quando se termina, também se começa]

Maria Rita, Não vale a pena.


é uma pena, mas você não vale a pena
não vale uma fisgada dessa dor
não cabe como rima de um poema (de tão pequena)

terça-feira, setembro 19, 2017

Cabeça cheia.

É quando o dia inteirinho passa e você pensa em como é bom fazer o que faz, viver o que vive, que fica fácil esquecer o que dói.

Sou feliz porque sou com os outros. A senhora do meu trabalho me abraça e me diz, "você é ótima e quem não gosta de você é besta". Enche meus olhinhos de uma água salgadinha que me faz pensar que a felicidade talvez não seja só feita de doce. 

Capoeira.

Minha primeira aula de capoeira e as crianças novamente me ensinando a aprender. Eu cheguei até lá através da irmã de uma bebê da turma que eu sou professora, ela tem oito anos. A mãe reclama que não aguenta mais levá-la para lá e para cá para fazer as coisas que ela quer participar. Ela quer participar de tudo, de tudo. Grupo de samba, aula de capoeira, canto... e a mãe passa o dia a ir para lá e para cá, esperando ela terminar suas aulas de tudo, das coisas que escolhe. 

Cheguei e outra menina me recebeu, por sinal conhecia essa minha outra amiga, ela também oito anos. Me ajudou a aprender muita coisa e me incentivou dizendo que estou bem para a minha primeira aula. Fez par comigo e gingamos juntas. Eu não quero sair de perto das crianças nunca na vida.

O que eu quero mais? Perto de casa tem roda de capoeira, terreiro de candomblé. Gentes pretas que além de me darem bom dia me chamam de 'nega' só de me ver sorrir. Tem criança indo sozinha para a escola, junto com as amizades, me dando tchau e sorrindo para mim. Tem varal no meio da rua, secando as roupas das vizinhança.

Eu não poderia ser mais feliz. 

segunda-feira, setembro 18, 2017

Beijo na testa.

Um beijo na testa e tantas incompreensões, tantos interesses que não o de estar junto, viver junto, fazer junto. Um beijo na testa que poderia abrir portas, poderia abrir o coração, mas ele que só faz doer mais o que está doendo no coração.

Um beijo na testa que lembra de como foi bom namorar, ficar perto, sentir o perfume, mas é só para fazer dizer, fazer dizer, já viu isso? Alguém que diz tanto mas só diz que passa a fazer as coisas como se o que dissesse ela realmente fizesse.

Esses beijos na testa enganam, amansam um coração cansado. Mas não por muito tempo. 

Mudanças.

Eu passei a vida inteira me mudando. De casa, de cidade, de escola. A vida inteira. Nasci numa cidade que nem conheço direito, Itabuna. Rodei Bahia e depois conheci também outros estados. Tive tantos endereços nesta vida que quando tenho de confirmar cadastro por telefone, tenho sempre que lembrar CEP antigo e nome de rua de meses ou anos atrás. Mudar não é novidade para mim. Por isso topo sempre, mudar.

Eu gosto da viagem, de começar de novo, de arrumar as coisas, de novas amizades, de descobrir o que a cidade e as pessoas dali tem para me oferecer. Nunca digo não porque tem mudança no meio, porque tive que aprender desde cedo a mudar, por necessidade mesmo, pela vida que minha família levava. 

Mas nem por isso acho fácil. Fácil, o que é fácil? Não sei ainda o que é. Só sei que eu vou viver coisas, todas que tenho para viver, não sei serão fáceis, mas eu quero me por à prova de mim mesma, eu quero, eu preciso, para continuar, para ver no sorriso das pessoas uma luz especial. Tem coisas que são chatas, a gente sempre perde algo em meio a tantas mudanças, não só material - aquele espelho que você amava que se parte - mas também as amizades que ficam, as lembranças que se tem do cachorro quente que você amava, do sorvete, ah, da pracinha que você sentava com as amigas, das piadas em frente a qualquer lugar que você amava, dessas coisas. Dá saudade de tudo isso, uma saudade doída, tem músicas que fazem lembrar esses tempos, aquelas casas, saudades. 

Mas essa mudança de lugar, esses deslocamentos, me ajudaram a me preparar para as mudanças cotidianas, mudanças de pessoas e coisas, receber as diferenças, tentar entender como as pessoas estão pensando, colocar-se no lugar delas, tentar ver o que para elas é difícil ou fácil de fazer, de entender, e porque não, de mudar também. Eu não sei se consigo, eu respiro fundo, eu começo de novo, eu mudo as coisas de lugar na minha cabeça, no meu coração, só não gosto de apagar as pessoas da minha vida assim, por umas bestagens. Acho que tudo dá pra resolver conversando, olhando no olho, pegando na mão. Muitas vezes, quando acredito que minhas palavras não alcançam, eu choro. Choro porque é um jeito de dizer que eu quero que dê certo, que a gente fique bem, mas eu não sei como fazer. 

Não quero, não gosto de mágoa e nem ressentimento. (Re)ssentir, sentir de novo. É magoar, é ferida. Não é bom. Eu fico tentando entender porque as pessoas tomam certas decisões ou agem diferente do que eu faria, para não julgá-las como sacripantas, como nossa raiva e estresse de todo o santo dia nos faz ver, logo de cara. Não é fácil, mas mudar sempre me ajudou a continuar acreditando, esperançar que depois do choro, a alegria vai realmente vir pela manhã.


sábado, setembro 16, 2017

Cidadã de São Francisco do Conde.

6h24 da matina. É sábado.

Ela passa na rua e quando passa em frente à minha casa, diz:

Migh, acorda! Minha prozinha... tá na hora!

Estava acordada, deitada na cama, sorrindo um sorriso bobo. Foi aí que me dei conta que virei moradora da cidade, sendo acordada por alguém que levanta cedo, antes de mim, para ir trabalhar. 

Cheguei no trabalho e disse a ela que a tinha ouvido gritar meu nome, abracei-lhe, adorei a pirraça logo pela manhã. Senti-me parte dessas bobagens que é fazer parte da vida de alguém, de um lugar, uma cidade. 
Que pena, às vezes ser feliz é tão fácil e as pessoas complicam. 

quarta-feira, setembro 13, 2017

Bruna Tatiana, Meu Tudo.


Companhia.

Porque é tão difícil às vezes? Eu explico bem devagar, eu não quero me prender a ninguém por rótulos, eu quero gostar e gostando conhecer mais e sempre de alguém e quando chegar bem perto querer mais, mas muita gente quer o nome, quer a foto, quer mão dada, quer aparecer. Muita gente não sabe nem o que quer, só quer o que todo mundo quer porque fica mais fácil. 

Eu de minha parte quero companhia. Um alguém assim para fazer coisas juntos, para pensar coisas juntos. Para interferir na minha vida, para mudar, para me fazer perder prazos, para me fazer ganhar peso, para me fazer sorrir e chorar, para me fazer importante, para me fazer reconhecer erros, para. Uma companhia para me mudar a vida, mas não para controlar minha vida (porque essa nem eu quero controlar, eu sonho com isso). É complicado de entender? Não quero responder às coisas como todas as outras pessoas respondem, eu quero encontrar o meu caminho, eu quero encontrar alguém para andar junto, me comprometer, mas com o sentimento. Com sentimento. 

Não importa se seremos amigos, amantes ou casamento, quero companhia. Não prevejo futuros, não sei o que vai ser depois de sermos companhia um do outro. Não sei. As pessoas procuram um namoro-refúgio, alguém que possa dar respostas, e eu não sei de nada. De nada mesmo. Assim como ela, que me pergunta e procura acalmar seu coração inquieto e cheia de interrogações, estou perdida e não sei onde vou chegar direito toda vez que teimo em acreditar nas pessoas e ter fé na vida. Vou indo perdida e me encontro no caminho, me perco de novo, saio da rota, fico insegura, mas não desisto. Eu não quero desistir.



terça-feira, setembro 12, 2017

I Choose You, Kiana Ledé.


Ele me disse

Sabe, a música fala coisas, os filmes também, achei que você ia fazer isso naquele dia

Então, lá vai.

Traquinagem.

As amizades se juntaram e me deram um smartphone. Assim, no meio da festa. Isso mesmo. Fiquei assim, sem graça. 
Odiei, mas foi a coisa mais esperta que poderiam fazer. Pessoas que me amam me deram a coisa que eu mais odeio no mundo e agora eu não poderia deixar de ter um whattsapp para falar com essas amizades que reclamam não conseguir me encontrar (é mentira, é mentira). Como fazer desfeita para pessoas que eu tanto amo? É isso, vou ter de aprender a usar essa porcaria.

Tá, saí do Facebook e do Messenger. Menos pior. 

Eu amo essas amizades demais, demais. Mas não me manda "seja bem-vinda" que eu bloqueio.

(Não poderia deixar de escrever aqui o nome delas: Hugo, Fábio, Diego, Fernando, Everaldo, Anderson e Hegel)


(cena do crime, sacolinha com o "presente")

Quem é você?

Alguém que me toma os sentidos quando aparece. Aparece e eu só quero saber de você.
Quem é você, que não se mostra mas eu quero saber.
Quem é você?
Diga o seu nome que eu quero te aprender.

Venha quente que eu preciso de calor.

segunda-feira, setembro 11, 2017

Últimos dias em Havana.


Uma das coisas mais bonitas que eu já vi na vida. Fiquei meio catatônica.

domingo, setembro 10, 2017

Sobre ontem à noite.

Mas eu tou tão feliz
Dizem que o amor atrai

sexta-feira, setembro 08, 2017

Raiz.


A vida pode mudar completamente, isso todo mundo sabe, eu também. O mais gostoso é a gente sempre se surpreender, mesmo sabendo do final e do que vai acontecer. Como criança quando a gente repete a brincadeira e continua a dar a mesma risada gostosa de sempre. É assim que eu quero viver.

Voltar a fazer coisas simples, como festas em família, rir de bobagens, fazer novos amigos, se apaixonar (de novo)... Todas essas coisas que eu gosto e que eu nunca me canso de fazer. Como é que    é que a gente sobrevive? Como é que é que a gente continua vivo? Essas perguntas martelam-me a cabeça. Meu pai dizia, quando a gente vivia mais perto

do tempo que eu nasci, ainda estou vivo 

Eu sempre achei isso fantástico, eu sempre achei isso enigmático, eu ainda não tenho as respostas. Mas algumas coisas eu acho que a simplicidade e o amor podem ajudar a responder.

quarta-feira, setembro 06, 2017

Sorriso Maroto, Dependente.


Mãos.

Ele fala e encosta as mãos no meu peito. Eu não sei explicar como é, mas vou tentar: sabe quando as pessoas falam com as mãos e fazem gestos para explicar o que está falando? Sim, ele faz isso, mas, ao invés de fazer isso no ar, ele vai gesticulando com as mãos encostadas ao meu colo e eu, que amo mãos, que amo ficar perto e grudada todo o tempo, me arrepio. E ele está explicando alguma coisa muito importante e eu sorrio e falo

ai, adoro isso

o quê?, falando também com as mãos, sempre encostadas ao meu colo

isso, isso

o quê?, e também sorri, mexendo mais as mãos

assim, encostando as mãos no meu colo como você está fazendo agora

Ele sorri, e volta a falar a tal coisa séria, mas sem tirar as mãos de perto de mim, agora sabendo dos meus arrepios. Não tem como ser mais feliz, olhando para ele, sentindo suas mãos. 

terça-feira, setembro 05, 2017

Luto (luto).

Recebi um sms no meio da tarde

Migh, aconteceu uma coisa chata. Meu pai acabou de falecer. Estou indo para Salvador agora

Comecei a chorar no mesmo instante em que li a mensagem, não consegui controlar a emoção de saber que seu pai se foi. Conheci-o a pouco tempo e gostei muito dele, minha mãe também. Morreu assim, sem esperar. Tinha pressão alta. Tinha uma vida em família. Não consigo nem terminar de escrever. 

Não sei, mas ultimamente tenho me emocionado mais com essas situações de morte do que antes. Não chorei pessoas que morreram na minha família (acho que só meu irmão), mas choro quando alguém que eu conheço morre, ou mesmo quando é apenas alguém parente de alguém que eu conheço. Fico assim, pensando em mim, nas minhas pessoas que amo e como vou ficar.

Minha outra colega logo ligou pro pai dela, deu vontade de falar com ele. Ela já perdeu a mãe faz um tempo. Eu liguei para minha mãe e chorei. Ela não deve ter entendido muito, porque acho que faz tempo que não me vê chorar. Não sei. 

Só sei que a vida é um sopro. Essa frase é clichê, mas essa sensação que senti hoje sobre esse assunto me fez ver o tanto de tempo que vivo perdendo com tanta bobagem, como mentiras e imbecis. 


Lixo.

Há situações que nos mostram não apenas o pior das pessoas, mas também o melhor da nossa vida.
Conheci um rapaz há pouco tempo que mentiu quase o tempo inteiro em que esteve comigo. Descobri isso hoje, mas ao invés de ficar mal, descobri que estou tão chocada com as mentiras dele simplesmente porque, aos 36 anos, ele é o primeiro cara com quem eu tive esse tipo de experiência. Tenho amigas que conhecem caras-lixo como ele desde a adolescência, e acabam tendo experiências tristes e ruins desde muito cedo.

No meu caso, não foi assim. Eu tive experiências ótimas de relacionamento e por isso que nunca imaginei que era verdade que um cara poderia realmente mentir tanto para você e para outras pessoas. Eu sei, eu sei que existe. Mas eu mesma não pude experimentar isso antes de agora. É... realmente chocante e eu penso como seria se eu tivesse apenas 16 anos. A coisa mais triste que me aconteceu nessa época foi um namorado que eu amava muito terminar comigo porque ele queria transar e eu não. Sofri, chorei, mas ele me disse que ia terminar comigo por causa disso, e fim. Não foi escroto, não mentiu, me contou tudo, até com quem ia sair. Foi duro à época, mas não me marcou assim de um jeito doído como poderia ter sido um cara mentiroso e canalha. 

Sou solidária às mulheres que vivem com homens mentirosos. Elas tem o meu apoio e compreensão. Eu espero que elas sejam felizes e possam libertar-se disso. Justo hoje, quando eu volto para casa e há um bilhete no portão que diz 

Migh, passei pra te ver, você não estava. Sei que poderia ter te mandado um sms, mas sei também que você gosta de bilhetinhos no portão. Nos vemos mais tarde

Eu me sinto tão agradecida por ser amada de verdade por tantas pessoas que essa pequena pulga do lixo que tentou manchar as minhas histórias de amor não fez nem sombra na minha felicidade. 

segunda-feira, setembro 04, 2017

Mentira.

A gente fala que entende, mas é mentira. Quando a pessoa que a gente gosta fala que quer ficar sozinho, a gente desliga o telefone sem entender direito porque acha que aquilo só acontece em novela.

por favor, me deixa só

E minha alma, meu espírito quer gritar e dizer não, não, nãooooo, mas a racionalidade ocidental-cartesiana disse que existe uma coisa chamada individualidade, então, vamos respeitar e blábláblá. Mentira. Eu nunca quero ficar só. Eu fico, mas se tiver gente quando eu estou triste eu sempre quero, sempre, mesmo quando eu não quero.

Nunca acredite quando eu disser que quero ficar só, sempre será mentira. Quando eu disser isso, chegue mais perto, porque se eu disser isso eu estarei mesmo precisando de um colo.

Karaokê.


Não posso esquecer que um dia fiz isso e alguém bateu palmas.
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Renovar.

você me dá tanta energia

Ele disse, me olhando de um jeito tão sereno que mudou minha ideia sobre o que é ser forte e sobre o que é dar e receber força, energia. Quando sei que alguém sente energia comigo isso me dá ainda mais energia para continuar, para dar mais de mim para alguém e também para mim mesma.

Ter energia e ser serena não precisam andar separado. Assim como assumir defeitos, chateações, raivas não me separam da pessoa melhor que quero ser. Eu aprendi isso falando do embrulho de ontem, abrindo meu coração sobre como me sinto. Isso não é fácil, mas eu quero lidar comigo mesma e quero alguém que também tenha a serenidade de esperar meu tempo, um tempo que às vezes nem eu mesma quero esperar.

Eu sei que posso, novamente, dormir em paz.



domingo, setembro 03, 2017

Nota de mil rúpias.


Major, Why I love you.


Gilberto Gil.

Só chamei porque te amo

Algum motivo melhor?
Eu ouço essa música desde que eu morava sozinha lá no Grajaú. Hoje, de novo, ela toca aqui na vitrola de casa, no LP de Gil. Não é a mesma nostalgia e nem o mesmo lugar, mas estou sozinha novamente. 

Quando a saudade vem não tem explicação

Mas agora não é saudade de ninguém, é saudade de uma sentir vontade de querer de novo, é vontade, vontade.



Lembranças.

we can be aurora (Kiah Victoria)

Algumas coisas lembram outras. Nesse caso, músicas que lembram sensações, palavras. 
Quando eu sinto um embrulho no estômago por não falar o que eu deveria dizer, eu lembro dessa sensação quando ouço algumas músicas mas nunca é o mesmo quando é o embrulho, ele me sufoca quando eu tento esconder o que sinto. E eu ouço a música que me lembra o embrulho e também sinto o embrulho de mais uma coisa que eu não disse, mas eu deveria dizer, porque eu deveria, eu não conseguiria porque eu sei que vai passar e eu não digo, às vezes eu não digo o que eu queria dizer.

Alguém pode acreditar numa Migh dessa?

i am descending (Iyeoka)

sábado, setembro 02, 2017

Yuna, Crush. (feat Usher)


India Arie, I am light.


Stacy Barthe, Extraordinary Love.


Cynthia Erivo, Fly Before You Fall.


Nos bastidores da fama.


Amel Larrieux, Don't Let me Down.


Esqueçam tudo que eu disse que amo ouvir. Concentrem-se nessa música para sempre. Para sempre. 

Coincidência.

A vida é essa coisa cheia de novas histórias, enquanto você dorme ela parece inventar coisas para manter seu dia ocupado, nessas coisas que ela inventa tem montes de coincidências. Não acredito em nenhuma mas coleciono todas. 

Há algumas que vão direto ao coração e falam de amor sem nem precisar explicar de que lado ele bate. Eu ando vivendo dessas coincidências que devagar vão entrando e pé ante pé te tomam por inteira, corpo que sente no lábio que treme, na respiração ofegante, no dia que termina bom porque tem mais coincidência, tem vontade de falar mais, de esperar sem (des)esperar. 

Vou dormir, que a noite parece curta quando se é feliz 24 horas. 

sexta-feira, setembro 01, 2017

Aplicativos (ou Sobre como eu acho que sigo sendo eu mesma).

A gente nunca sabe onde tudo que a gente faz vai nos levar.

Gostamos de algumas palavras, algumas pessoas nos olham de um jeito que ninguém mais olha, outras tantas tem um sorriso que te deixa em paz, que te faz melhor só de saber que existe. Nada disso te responde sobre o futuro.

Mas porque o futuro é tão importante assim?

Para mim ele não existe. Eu não vivo pensando nele porque tento eliminar a ansiedade. Eu não quero dizer que eu não sou ansiosa porque isso parece pretensão demais, não é mesmo? Eu só estou dizendo que eu tento eliminar, só tento. Descobri que aplicativos me deixam ansiosa; li uma entrevista de Juliano Cazarré e vi que não era a única. As pessoas me perguntam 'porque?' e eu respondo que não sei direito, mas me agonia aquela coisa de um programinha que acha que vai resolver sua vida, seja para achar um endereço ou um namorado. Sei que uso alguns, não há como (apps de banco e para regular a vida menstrual), mas isso e o máximo que eu posso ter para usar assim.

Busco eliminar as coisas que me dão agonia e sei que morar longe do trabalho, por exemplo, me deixaria chateada. Gosto da ideia de almoçar em casa, tirar uma soneca de vinte minutos ou lavar uma roupa no meio do dia, responder e-mails ou simplesmente arrumar meus cds. Isso me faz bem e eu não quero abrir mão disso. Isso me faz mais calma? Acho que sim. O resultado é que quando tenho todas essas coisas juntas, eu consigo me concentrar, planejar, sentir minha vida mais intensamente, se é que consigo me explicar bem.

As pessoas acham às vezes que pequenas mudanças ou saber mais sobre você não tem tanta diferença assim; mas acho que descobrir sobre a gente mesmo e respeitar os próprios limites vale a pena e é uma coisa que eu tento fazer. Eu não poderia deixar de ouvir música, por exemplo. Eu não poderia viver com alguém com quem eu não pudesse falar sobre música, cantar pela casa ou mesmo dançar. Eu não poderia deixar de aprender sobre mim para ser melhor e para viver melhor nesse mundo.

Minhas dores de estômago quase acabaram. Faz muito tempo que eu não tenho uma delas. Ela acontece às vezes, mas eu olho para mim e para os meus hábitos e logo descubro o que está acontecendo. Foi o que eu disse para um médico e ele disse "é isso mesmo, se todo mundo fizesse isso, seria mais fácil para a gente detectar algumas coisas". Então, é por isso que eu finco pé em algumas coisas que parecem chatices ou bobagens para outras pessoas, como não ter um smartphone ou whattsapp. Eu também pretendo excluir essa porcaria chamada Facebook, mas a verdade é que se tornou uma forma de comunicação e não apenas um lugar onde se postam idiotices. As pessoas veem as mensagens - minhas amigas me mostraram uma bolinha agoniante que aparece no canto da tela do celular - mais do que atendem telefones. Como é estranho alguém que fala contigo escrevendo por horas mas diz não gostar de falar ao telefone. Há gentes que controlam as pessoas pela hora que se entrou ou saiu dos apps. Deprimente.

Eu prefiro pagar uma conta de telefone que me dá ligação ilimitada a permitir esse tipo de invasão na minha vida. Já que sei não posso controlar tudo, mas se for para alguma coisa ou alguém controlar parte da minha vida, que não sejam os app's. Eu prefiro falar ao telefone, antes de qualquer coisa. Eu prefiro visitas em casa. Eu prefiro.

Mas um amigo me diz

você não acredita em futuro, você está cheia de futuro!

Sorri e é engraçado mesmo. Acontece que ele me fez pensar melhor sobre o assunto e eu acho que dizer que não acredito no futuro é enfrentar uma ideia de expectativa que a gente alicerça nossa vida. Eu quero estar pronta e receber melhor os imprevistos. Como agora, justamente agora, que a vida me dá a chance de novamente sorrir com alguém até uma da manhã numa sexta-feira à noite.