Você que me lê, me ajuda a nascer.

terça-feira, maio 30, 2017

... e lá vamos nós.

vlut 
vlat 
zum
eu sempre estou indo pra um lugar, algum

segunda-feira, maio 29, 2017

Sobre o amor que se pode ver (tocar, sentir, cheirar).

Sentei-me ao lado da van em que pude ver o marido da professora de natação e seu filhote lá do outro lado da rua, oito da noite, esperando-a chegar.
O menino de três anos corria para lá e para cá, serelepe, parecia certo de que aquela van trazia a mulher que lhe botou no mundo, mulher esta esperada por seu pai todos os dias, mesmo horário, mesmo lugar.
Senti a lágrima brotando no canto do olho sorrateira, no mesmo dia em que decidi pôr fim a uma ideia maluca de fazer dar certo um amor solitário por alguém descorajoso.

Ela não saiu, a lágrima. A professora me deu tchau, segui viagem, com aquela imagem na cabeça. Pai e filho que esperavam uma das mulheres de suas vidas. Não chorei, mas senti tanto aquela imagem que até agora posso ouvir os ecos e gritos do neném que apontava para a van, o pai de braços cruzados, sorriso no rosto, esperando, esperando. 

Um amor concreto, feito de esperas, de estradas com mato e última van. Um amor. 

sábado, maio 27, 2017

é só isso, acabou, não tem mais jeito

quinta-feira, maio 25, 2017

(Des)coragens.

Ele por fim falou o que é que acontecia consigo.
Disse tudo, assim, na lata, sem pestanejar.
Foi quando precisei de um pouquinho de atenção e cuidado e ele não apareceu que pensei que ele sabia como deixar o jogo sem precisar nem tirar a camisa. 

Mas ele enfim me disse, com todas as letras, algo honesto mas não por isso menos doído. 

Ele disse que não tinha coragem de deixar a vida dele, isso era aventura demais. 
E essa descoragem foi tomando conta de sua cara, seu corpo, coração, vida.
Nada mais era feito, por medo das consequências, medo de não dar certo, medo de não conseguir voltar para onde estava, medo do medo, só medo, medão.

E nada o demovia do medo, nada o fazia pensar diferente, pelo menos não até hoje. Aceitava as coisas como vinham e muitas vezes, por aceitar, nunca descobria como poderia ser melhor de verdade. 

Assim que foi definhando aos poucos e em poucos dias virou mais uma história pra contar. 

sábado, maio 20, 2017

A vendedora de quebra-queixos.

Ela entrou na van e eu olhei para ela, olhar cansado.
Passava das sete da noite, era noite. Estava escuro. Ela entrou, não há passagem para circular, a van muito apertada e ela para ali, na frente. 
Oferece o quebra-queixo. Para, espera que alguém compre. Não parece ter pressa.

E, nesse momento, entre o momento em que ela ofereceu o quebra-queixo pela primeira vez e até quando o primeiro moço que estava na cadeira de uma das primeiras fileiras da van levantou a mão e disse quero um, meu coração foi tomado de amor por ela, um amor miúdo, mas satisfeito, amor. 

Eu não sei o motivo, eu não entendo quando e porque isso acontece, só sei que acontece e meus olhos enchem de água assim, uma aguinha pouca, mas presente. Um sorriso me confunde os sentidos, eu estendo a mão, um pouco hipnotizada, quero um, eu disse. Comprei, ela procura o troco na sua pochete com moedas, me entrega. Repete o oferecimento, mais gentes compram, ela pede que alguém da van lhe troque vinte reais para que possa vender mais um, não sei o que acontece ela passou por mim, está atrás de mim, não vejo. Fico feliz por ela vender alguns quebra-queixos, fico feliz por entender sua pausa e sua espera, sua calma. É muito rápido, mas tudo naquela van parece acontecer muito devagar, como o rosto dela parado, esperando compradores, pensativa, na frente da van. 

Vê-la ali tão jovem, tão linda, tão pano na cabeça sem ser fashion, tão absorta em seus pensamentos enquanto esperava, tão doce, tão negra, tão mulher, tão do interior, tão... me deu tanta gana de continuar a viver que eu nem consigo terminar esse texto.

quinta-feira, maio 18, 2017

No corpo.

Ouço as mulheres falando.
Uma delas conta histórias de amor. 
Diz que foi a primeira mulher do seu novo namorado, ele com 32 anos. Que ensinou pra ele tudo que ele gosta.
Ela tem 49 anos e faz amor quase todos os dias, quase.

Disse que tem pressão arterial, diabete, é gorda, mas 

sente tanta coisa ainda naquele corpo que ainda não quer parar

Fiquei com essa frase na cabeça o dia inteiro.

Sente tanta coisa no corpo que ainda não quer parar

Tem mais poesia pra hoje?
Acho que não precisa. Ela me lembra Toni Morisson, quando diz sobre nossa carne e como ela precisa (e quer) ser amada.

segunda-feira, maio 15, 2017

domingo, maio 14, 2017

Adolescências.

Mais uma vez, eu em casa, passava da meia noite. Ouço uma cantoria. Levanto pra ver e na rua meninos negros jovens, tem entre 13-16 anos. Cantam:

deixa, deixa mesmo de ser importante
vai deixando a gente pra outra hora
vai tentar abrir a porta esse amor
[...]

Um deles, o que vai à frente, grava tudo. Este parece mais sério e compenetrado, olha para a câmera. Os outros, amigos, parecem fazer aquilo para ajuda-lo a dizer alguma coisa para alguém. Um deles me vê. Continua a descer a rua e cantar, me dá um tchauzinho e eu retribuo, sorrio para ele.

Acho uma cena tão linda. Meninos jovens negros cantando o amor numa cidade pequena do recôncavo baiano. Pode não ser nada mas, ainda assim, por também não ser nada, é tudo.

(porque quando eu vejo na TV' e em todos os lugares, esses meninos só são maus e perigosos, eles só aprontam coisas ruins e nada que preste, e eu vi, EU VI meninos negros cantando o amor e se declarando, ajudando o amigo a declarar o amor, eu sou feliz, eu acredito no amor e na vida, eu já disse isso)

Vidas negras importam, amores importam, declarações importam.

sábado, maio 13, 2017

do you believe in life after love?

[sim, eu acredito em vida e amor, nessa ordem e em outras]

sexta-feira, maio 12, 2017

I'm black man in a white world, Michael Kiwanuka.


Eu não sei quem me apresentou Michael (acho que foi um exnamorado, não tenho certeza), mas ele é meu novo Ben Harper. Ouvindo seguidamente, eu preciso de todos os cds.

Mães.

Sou mais feliz ouvindo mulheres pretas conversando na entrada da escola sobre como criar suas crianças, todos os dias.
Elas dizem
não segura ela, deixa ela chorar um pouco, senão você sempre vai ter que ficar com ela no colo
vai, deixa

Do outro lado da rua eu passo, dou bom-dia, sou feliz.
Trabalhar num lugar onde as mães das crianças já são amigas antes delas entrarem na escola e

eu levo ela hoje pra mãe, passo na frente da casa
eu vim aqui porque vi todo mundo saindo e não vi a mãe dele, eu levo, eu moro aqui do lado, depois ela pega ele lá

Me faz mais forte que antes, me faz acreditar um pouquinho mais naquele largo sorriso que minha vizinha que nunca me viu na vida me deu depois de um bom dia. 

quinta-feira, maio 11, 2017

Ficando velha.

Descobri que tou ficando velha quando chorei com isso.

terça-feira, maio 09, 2017

E fim.

24 horas depois, não há mais nada aqui.
Saudade de um tempo em que não pensei no que iria ser, só pensava em ouvir uma voz, um sorriso, imaginar um rosto.

24 horas depois, não há mais nada aqui.
Mas também não há nenhum vazio.
Uma sensação de paz... um sentimento de que ainda pode ser verdade.
De que a vida é mais, as pessoas são mais. 
O tempo é mais, o amor é mais. E o sexo (vulgo fazer amor)?

O sexo é tempo, amor, verdade, pessoas e vida.
Vou repetir de novo: o sexo é tempo, amor, verdade, pessoas e vida. 

Se não tiver isso, não é fazer amor. FAZER AMOR, tem expressão mais bonita que essa pra dizer de corpos que conversam? 

24 horas depois, não há mais nada aqui.


segunda-feira, maio 08, 2017

cê vai se arrepender de não abrir os braços para mim

Flor da noite.


Quando acabou, essa música surgiu na lista. Era pra ser assim. 

sábado, maio 06, 2017

Amizades, amores e que tais.

Ele me disse que

poxa, Migh, é que eu já te amo, eu não posso me apaixonar por você

Engraçado, sorrimos. Mas nos amamos mesmo. Gosto de quando nos falamos e ele me diz eu te amo, eu também o amo, eu também digo, eu repito. Amar é bom,

amor é remédio de louco pra recuperar a razão

Não sei o que seria de mim sem meus amores amizades. 



terça-feira, maio 02, 2017

eu lhe disse que não bulisse
você buliu, assanhou
essa menina quando se assanha [...]

segunda-feira, maio 01, 2017

Visagem.

Dia desses, em casa, ouvi aqui de dentro um barulho de berimbau. Espiei pela janela e do primeiro andar vi do outro lado um senhorzinho todo de branco tocando um. Parecia visagem, corri a mão na máquina de fotografia.
Era tarde da noite, só ele, a lua e o berimbau. Ele passou devagar, tocando.
E eu fiquei paralisada. Toda vez que me sento nesta poltrona, na janela, sinto o som do berimbau subindo a rua. Lembro do rosto do senhorzinho que me fitou de longe e logo continuou sua caminhada sem se importar comigo. 

Foi sumindo na rua, tocando o berimbau.
Não tirei foto nenhuma, mas a imagem não sai da minha cabeça.

Get on Up.


Benjamim Clementine.


Você, camarote. Eu, pipoca.

E foi no dia mesmo que eu disse que na metáfora do Carnaval ele era camarote e eu pipoca que outro homem me disse que não sabia explicar, mas sentia muita energia vinda de mim, que eu levava a vida de forma intensa e isso era empolgante. Li a mensagem sorrindo envaidecida, mas é realmente isso que eu acho de mim. Uma energia empolgante em forma de gente, principalmente apaixonada. 

Claro que ele não concordou com minha analogia carnavalesca e resmungou que eu era Barra e não Campo Grande. "Não mesmo", pensei comigo. Mesmo que eu não tenha sido a pessoa mais carnaval do mundo e nunca ter ido à Barra no carnaval, eu sei que não sou Barra, talvez também por nunca ter ido. 

Agora, a graça na vida está não quando vejo a banda passar. Quero fazer parte da banda. 

Crianças Black Panthers (Exposição Todo poder ao povo!)




(Quando você tem pessoas que te ama, você não precisa estar no lugar e nem ter smartphone legal. Elas lembram de você o tempo todo. Ere, meu amor)

Sem ar.

E numa manhã dessas, bem cedinho, eu disse tudo de uma vez:

Não te acho sonhador, te admiro por ser lutador, é diferente de ser sonhador. Tu não desistiu, não desistiu da vida, ama seu filho e vê nisso motivo de aguentar as coisas da vida que não gosta, lutador por guerrear mesmo com as poucas armas que tem e ao mesmo tempo é sensível para sentir - e expressar! - emoções tão profundas... eu te admiro por ser um homem comum e em sendo comum, és extraordinário, tu escapa às definições que existem para te classificar. Quem te vê aí no trabalho pode não conseguir saber como você é lindo dentro e é isso que me aproxima de você, essa luz e essa força, tão certa, mas tão escondida... Te vejo como uma pedra preciosa não lapidada, mas que não precisa ser lapidada para ser mais linda. Você só precisa de espaço e tempo para aparecer e brilhar. Essa sua luz, ao invés de ofuscar meu olhar, me hipnotizou



Pros outros, Paula Matos.


pros outros pros outros pros outros