Você que me lê, me ajuda a nascer.

domingo, março 05, 2017

Eu tenho um entojo de umas invenções. 
Vejam vocês, agora todo mundo falar de descolonizar isso, descolonizar aquilo... A colonização é um fenômeno que não deveria ser banalizado. Eu entendo ele como um processo de dominação e exploração bastante violento para ser transformado num adjetivo e caber em qualquer coisa. Aí, que acontece? A colonização deixa de ser esse monstro e acaba nomeando práticas menos ofensivas da relação entre as pessoas. Tem gente que fala, por exemplo, em 'descolonizar a infância'. Nunca entendo direito o termo: os adultos colonizam as crianças, é isso? Nós as dominamos e as exploramos? Como vamos viver num mundo onde não sabemos diferenciar colonização de 'adultocentrismo', 'etnocentrismo', 'racismo'?

Empoderamento é outra palavra que dá nos nervos. Talvez não tenha sido criada com essa intenção que vemos sendo usada hoje, mas o fato é que tem gente que realmente acredita que é empoderada - cheia de poder - e pode empoderar alguém. O lance todo é que esse papo é furado e a gente já sabe a muito tempo que o poder não é algo que você tem, ele circula, ele é exercido, logo, você não se empodera; no máximo, você pode ter, em determinadas situações, ações, táticas e estratégias que te façam chegar em determinados espaços e tal. Se a gente ficar com essa ideia de que somos empoderadas quando conseguimos alguma coisa, não demora e a gente toma uma queda bem grandona. A ideia de empoderamento, além de individualizar as conquistas, fazem a gente achar que elas são estáveis. Que nada. Ter auto-estima, por exemplo, não é ser empoderada, ter auto-estima é ter auto-estima. E isso é massa, mas não, não é ter poder.   

Rapaz [moça], hoje em dia, até o que é sólido está desmanchando no ar.

2 comentários:

Azul Rasgado disse...

os tempos sao liquidos

Migh Danae. disse...

Os tempos são tudos: sólidos, líquidos, gasosos. Eu tou confusão. Sorte tenho você, para amar. O amor é carne.