Você que me lê, me ajuda a nascer.

quinta-feira, dezembro 07, 2017

Maxwell, Lake by the ocean.



E de lá de longe ele cuida de mim. Cotidiano amor.

sábado, dezembro 02, 2017

Cómo?

Eu me pergunto, como pessoas que estão tão tão longe enchem seu coração de vida e umas que estão tão tão perto te fazem tão triste? Eu não sei explicar, mas com ele é mais que leveza, ele me faz flutuar e tão bem e tão feliz que nem sei.

Nem sei mesmo.

O sorriso dele e as palavras dele e tudo como foi e é me fazem mais feliz para continuar. Eu tenho medo? Tantas vezes eu tive medo, mas agora eu só estou feliz demais por ele existir . Ele tem medo? Diz que tem, que não quer sofrer. Mas amor não faz mal e nem faz sofrer, o que faz sofrer é falta de amor. Então, tá, vamos nos permitir. 

É um presente no presente e eu não penso no futuro. 

Te quiero.

Ele me disse te quiero. E desligou o telefone, foi dormir. Já são mais de quatro horas da manhã do lado de lá. Pensei um pouco e perguntei se te quiero era como eu te amo pra gente aqui. Ele me respondeu com um sim, um sim.

Falei que bonito, você consegue sentir amor por mim assim de tão longe, que bonito. Ele ainda que me agradeceu. Eu não preciso de mais nada para apagar todas as dores que passei há pouco com alguém que até hoje parece não ter entendido como me fez mal. Um passo, outro passo, paciência.

Esse moço me remoça as esperanças de vida me dizendo todas as coisas que me diz, casando comigo todas as noites lá de longe, sendo tão leve que suas palavras bonitas cabem a qualquer hora no meu dia, dentro de mim, do meu coração.

E tudo que eu queria agora era poder dormir abraçada com ele, sentindo sua respiração. 

segunda-feira, novembro 27, 2017

Par de brincos.

Faz tempo que não compro brincos. Entrei na loja e logo depois vejo um senhor alto negro, ele está conversando com uma senhora, alta e negra também. Ela tem a cabeça raspada. Achei que era mais jovem, o senhor a tratava com todo o carinho do mundo, amor pra lá, amor pra cá.

esse combina com você

E mostrava para ela todo faceiro.

leva esse amor

Fiquei ali ouvindo aquelas coisas e esqueci de procurar os pares que tanto queria. Ela estava ao meu lado e ele no meio de nós. Ela tinha certeza do que queria, mas ele também tinha a certeza que poderia ajudar. Ela escolheu, depois trocamos de lugar. Vimos os mesmos brincos, escolhemos pares diferentes. 

Quando cheguei ao caixa, lá estava o casal a pagar, ele desembolsando o valor correspondente enquanto ela vasculhava algo de seu interesse ali por perto. Ele com o dinheiro na mão perguntava

é só isso, meu amor?

Ela deu um resmungo e voltou para perto dele. Foi só aí que pude ver seu rosto melhor. Apesar de encará-la muitas vezes, ela não olhava para mim. Era muito bonita, assim como ele, que não vi completamente, mas por quem já estava apaixonada. Encarei, encarei. Mas pareciam ver apenas um ao outro. 

E foi assim que eu me senti de novo feliz por estar aqui e poder ver isso de perto. Tudo por causa de um par de brincos. 


segunda-feira, novembro 20, 2017

Luís.

Era uma festa, a mulher foi embora e ele repetiu o que havia me dito há uns minutos atrás, para umas moças bonitas que com ele tomavam cerveja.
Declarou amor e amor à mulher com quem é casado faz pouco mas já vive junto há anos. Disse que amava, que não queria mais mulher nenhuma na vida, que ela o completa. Que é feliz, que ela pode não ser perfeita mas ainda assim é a mulher que ele quer pra ele. As mulheres ali ouvindo com ele e balançando a cabeça diziam que bom que ele existia. 

Eu emocionada fiquei ali lavando pratos e ouvindo tudo. Sou feliz de conhecer homens pretos que reconhecem seus erros e falam de amor assim em público, sem pudor algum. Fui tomada por um amor bobo e o abracei, achando aquilo tudo mais um presente de aniversário. 

No mesmo dia, conversando com um outro homem que danou a falar do que sentia pela mulher de quem ama mas não convive bem comecei a achar que a vida ainda tem coisa pra me dizer por aí.

Ainda é bom estar aqui. 


Música.

Ela entra e rasga meu peito. Não consigo segurar o choro.
Me sinto só, me sinto triste, me sinto perdida, me sinto com medo, não sei se estou indo pelo caminho certo.
Passei muito tempo da vida fazendo a mesma coisa e dando certo que agora tenho medo de tudo que não seja o que eu não conheço. 
Ainda sinto arrepios quando falo o que eu penso. Ainda acredito nas pessoas e não conseguiria viver algo que eu não sinta tesão de fazer. Ainda. 

Eu quero viver assim pra sempre. 

domingo, novembro 19, 2017

Hey, black child.


Hey, Black child
  Countee Collen

Do you know who you are
Who you really are
Do you know you can be
What you want to be
If you try to be
What you can be

Hey Black Child
Do you know where you are going
Where you're really going
Do you know you can learn
What you want to learn
If you try to learn
What you can learn

Hey Black Child
Do you know you are strong
I mean really strong
Do you know you can do
What you want to do
If you try to do
What you can do

Hey Black Child
Be what you can be
Learn what you must learn
Do what you can do
And tomorrow your nation
Will be what you what it to be

Filosofia do vizinho (para a vida).


terça-feira, novembro 14, 2017

sábado, novembro 11, 2017

Pavão.




Não tem como não ser feliz em Santo Amaro, BA.

Sem querer.

Há cerca de dois meses atrás, conheci alguém que imaginei coisas. Iludi-me com uma ideia de companhia que nunca aconteceu. Imaginei uma história em que ficávamos juntos não só no final, mas antes, durante e até o final. 

Eu imaginei sozinha, mas também fui alimentada por mensagens, sorrisos e mãos. Eu quis acreditar, porque entendi que estar acompanhada é melhor do que estar só. Esqueci-me de que tem um jeito de estar só ser melhor do que acompanhada, e era desse jeito que eu estava passando os meus dias. 

Era um peso. Era difícil, mas eu não queria desistir, eu queria provar para sei lá quem que eu conseguia lidar com aquilo, mas doía, me machucava, eu chorava, sentia dores e angústia. E tentei, tentei. Por pouco tempo, mas tentei, de um jeito tão intenso que fez parecer anos. 

Sem querer, esbarrei em mensagens que trocávamos no início de tudo. Elas eram tão leves, bonitas, tinham um interesse de descobrir mais da gente, tinham beleza. Depois, tudo foi ficando chato e o interesse parecia específico, daqueles que também pode se chamar aproveitamento, daqueles que faz você se perguntar se houve algum carinho, algum dia. 

E quando olho para trás eu vejo que isso só durou mais tempo porque eu não queria admitir que eu tinha me enganado, que não era ele a pessoa que iria me fazer companhia num sábado à noite, que ele não era bem humorado o suficiente para me fazer sorrir por horas, que não era ele quem ia ser sensível para entender o que eu precisava, não era ele. Não é, nunca foi, mas eu queria que fosse e não queria assumir que errei. Quanto orgulho que nunca serve para nada, que só retardou uma história que nem seria história tivesse eu fechado a porta assim que minha intuição pressentiu sofrimento. Porque é que a gente faz isso com a gente, com tanta gente bonita lá do lado de fora do nosso coração?

E, de novo, não foi só por ele, foi também por mim, pelos meus egos, pelas coisas que eu defini como sendo aquelas que eu quero, por ser metódica, por traçar planos demais é que fiquei nessa mais tempo do que eu deveria. Preciso sempre admitir a parte que me cabe nessa coisa toda. É para isso que eu escrevo aqui. 

Foi a tão pouco tempo que começou e há tão pouco tempo eu disse não. Eu não me permiti mais esperar respostas que nunca vinham, consideração, respeito. Eu hoje ainda sinto marcas, no corpo, dessa história pesada e angustiada. Não quero mais, porque me amo demais para permitir que alguém invada minha paz assim. 

Estou ocupada em ser feliz. Vou fazer 37 anos daqui a pouco, tou com pressa.

quarta-feira, novembro 08, 2017

terça-feira, novembro 07, 2017

Oriente.


Eu viajo nessa música
Mas é tudo culpa da Therezópolis com 9,5 de álcool. 
eu tenho um desejo quase secreto de saber quem é que me lê eu
eu tenho uma vontade louca de saber se as pessoas me leem mesmo ou só fingem eu

...

vocês precisavam estar aqui nesse mesmo lugar que eu estou para ouvir o som do cachorro latindo e as pessoas passando e conversando sobre a vida e eu ouvindo para entender porque eu voltei para a bahia


eu fui da bahia
e um dia eu voltei pra cá



Pequena poesia.

Um bebê chora. 
E eu tomo cerveja.
Estivesse mais sóbria eu faria uma poesia.
Mas eu só tenho alegria.

Desde cedo ando eufórica pela casa. 
Desde cedo tenho os braços abertos e alma cheia de vida.

Daqui a pouco é meu aniversário e eu me sinto a pessoa mais sortuda do mundo.
Por ter amigos e amigas, por falar com (quase) todos os homens que amei e amo, por simplesmente poder escrever essas palavrinhas aqui. 

Reviso um texto, tomo cerveja e ouço um bebê chorar. Passei o dia de biquíni lavando roupa e escutando Pablo Vittar. Eu preciso de mais?

Não, mas tem. Tem gentes me ligando, mensageando, eu excluindo, gentes tentando. Tem visitas de mototaxi para saber da minha vida, que vida, eu amo a vida.

Sim, eu não estou sóbria. Estou feliz, porém. A cada ano que passa eu adoro mais fazer aniversários.

segunda-feira, novembro 06, 2017

Não mais.

Eu digo que ele só entra até ali, não mais.
Não sei se nunca mais, mas não mais.
Não quero, não vou permitir que ele me faça mal. Não posso, porque me amo, mas também porque o amo. 
De repente descobri que o amor não precisa de quase nada para ficar aqui, para renascer, para fazer valer a pena todas as bobagens. Mas não se trata de dizer não para o amor, se trata de dizer não para não faça isso comigo.
Não acredito em mérito, mas me acho legal demais para ter de passar por isso (de novo de novo de novo).

Il a déjà tes yeux.



domingo, novembro 05, 2017

He heals me, India Arie.


Obrigada, India Arie. Eu acredito nisso também. 

Equilíbrio.

É preciso descobrir o que nos faz bem, as pessoas que nos fazem bem. 
Mainha me diz "mas você é compreensiva demais, manda ele às favas", e eu digo que não gostaria que fizessem isso comigo, que não conversassem, que me desprezassem, então nunca faço isso com ninguém, mas ela diz que tem gente que merece, mas eu penso que se eu pensar assim, alguém também vai pensar que eu mereço.
Entramos num debate que nunca tem fim, mas eu gosto.
Eu aprendi também com ela a ser assim e hoje ela me diz que eu sou mais besta do que ela.
Tenho de concordar que quando chega a hora de enxotar algumas pessoas da nossa vida, não há outro jeito. E isso não tem a ver com desistir delas, tem a ver com descobrir que elas nos desequilibram, que a energia delas não vai com a gente, é preciso aprender que "eu quero ter um milhão de amigos" é só uma música de Roberto Carlos, é melhor ficar só com quem faz a gente bem.
E pra mim, fazer bem é não apertar minha mente, não me agoniar nem me ansiar, é não atravessar minha frequência. Eu sei quem faz isso comigo e eu não quero mais.
De hoje pra frente, não. 

Chamada.

Harpo, Harpo, Harpo.

sábado, novembro 04, 2017

Interessa?

Não me interessa ficar quietinha esperando o amor passar. 
Não me interessa, mas dói também. 
Às vezes eu escrevo sobre como eu prefiro sentir, e quando eu lembro disso eu vejo que ainda lembro das mãos dele nas minhas costas, me abraçando. Nesses dias em que escrevi isso, eu falava do abraço e não da tristeza, que é quando há os silêncios. 
Sei que tem coisas que fazem silêncios. Tem falta de sentir, falta de dinheiro, outros tempos. Tudo isso eu sei. Tudo isso eu sinto.
E tem coisas que doem.
Mas não sei se interessa.

sexta-feira, novembro 03, 2017

Mãos.

A gente nunca sabe quando vai dar certo. Mas é preciso continuar tentando. Eu sempre me vejo começando de novo. 
De novo eu olhei para as mãos. Eu não sei porque não notei isso no primeiro dia, eu estive encabulada demais para olhar para qualquer coisa, eu achei que tinha desejo demais nos meus olhos e evitei encarar, evitei que meus olhos pudessem dizer o que eu não queria que ele soubesse.
Que mãos bonitas, eu pensei. Mas não é só as mãos, é o que a pessoa faz com elas, como ela usa, mesmo sem saber que fica mais sexy pondo as mãos na boca e me fazendo perguntas ele segue fazendo e me faz ficar com desejos. Eu disparo a falar e sei que quando estou assim é porque quero disfarçar o desejo, tento respirar entre uma frase e outra, mas ele me pergunta outra coisa de novo e lá vou eu falando sem parar...
Acho que ele percebeu, pelo jeito como me olha ele sabe o que eu quero. Mas continua lá mexendo as mãos e me fazendo perguntas.
Quando sinto seu abraço, eu entendo porque as mãos me fascinaram tanto. Às vezes, a gente vai longe para receber um carinho que faz a sua vida valer mais a pena. E foi assim mesmo que eu me senti naquela hora em que ele me apertou contra o peito e me conteve com sua mãos.
Que mãos bonitas, eu disse.
E ele me sorriu assim.

quinta-feira, outubro 26, 2017

Email racista.

Recebi esse email em reposta à matéria que o Jornal da USP publicou sobre a tese. Na íntegra, sem correções e sem considerações, que eu não estou com paciência:

Você se tocou que o que está propondo nada mais é que todos os negros devem voltar para a África, pois eles não se adaptam a nossa cultura, assim eles viveriam melhores dentro da sua própria cultura? Você percebeu que estamos no Brasil uma terra de índios e não de portugueses africanos ou asiáticos e europeus? Bom provavelmente você deve ser ateia. Assim fraternidade e desenvolvimento mutuo, não faz parte da sua expectativa de vida, Você trata a vida como algo privado seu. Vira ermitão ou cria um quilombola para eles e você pode estudar magnificamente essas estupidez. Minha filha se eu estivesse na bancada te dava zero. A ideia é integrar o ser humano não importando a cor da pele ou se os olhos são azuis. Sou brancão feito alemão, ou boto cor de rosa se preferir, minha neta é negra, meus sobrinhos são negros. E veja tenho amigos negro, gozava deles? Sem sombra de dúvida e eles gozavam de mim. Sabe que um que a gente cham de macaquito, carinhosamente quito, ele é negro, mas me contaram como surgiu o apelido. Um europeu chamado Pompeo viu ele trepado no telhado da casa para pegar uma pipa ou quadrado que era assim no meu tempo e afalou olha lá o macaquito. O apelido pegou. E ele hoje é um advogado, casou com uma brancona teve creio que 3 filhos e um deles assumiu a banca do pai. Hoje ele está aposentado no interior de São Paulo. Um outro que se formou em engenharia que é o irmão caçula na família, fez uma antena parabólica ou desenvolveu a muito tempo montou uma fábrica delas e acabou vendendo a fábrica para alguma multinacional que o assumiu como empregado, Hoje mora em Interlagos e está muito bem, porém perdi o contato. O irmão mais velho foi para sertãozinho e quando estudávamos eu de manhã química e ele desenho industrial eu passava pela casa dele e iamos os dois pegar ônibus as 5 da manhã na paes de barros , um bairro fabril na época ele ia para a DF Vasconcelos e eu para a Alcan em Sto. Andre. Ele começou a trabalhar com 7 anos pois o pai tinha morrido e creio que era taxista, não lembro e ele teve que ajudar a mão como boy Eu estou falando dos anos 50 , ele tem a minha idade do glorioso ano de 51. A grande maioria da turma havia nascido nesse ano. Percebe que isso que colocou é mentira. Você contatou um fato onde segregaram uma parte da população e fez um aquário dando a essas crianças um ambiente controlado. Só poderiam se sair bem, não existe contestação da sua conduta. Eu não li a sua matéria toda, pois deu asco pelo teu preconceito. Bullying é o nome que foi importado dos estados unidos para justamente dar maior poder político ao PT de conseguir votos vendendo uma atitude natural de desenvolvimento humano natural uma conotação de revolta ou injustiça, que não é e ainda fazer o negro parecer coitadinho. Triste isso, coitado ele se torna quando vocês ficam encendo a cabeça deles com "coitadices" e assim eles passam a preferir encostar no governo do que lutar para vencer o preconceito dos outros O Pitta como prefeito foi uma bosta, mas era negão, muito legal, Torci por ele, pois isso faria o pessoal respeitar mais o negro de uma forma geral. Mas ele era malufista, só podia dar no que deu. O Obama graças a Deus fez alguma coisa muito importante para o EUA e assim melhorou a visão de alguma forma sobre o negro e agora com a Anta do Trump, pode-se perder tudo isso. Filha quem não presta não presta e não importa a cor. Japonês sempre tem sucesso, pois eles batalham para isso e vencem as barreiras. Tem um amigo meu na net que foi ao Japão e agora com 55 anos está estudando direito e tem uma fabriquinha de doce japonês. Eu por ser brancão estou em uma condição muito pior, mesmo aposentado. 
Voltando ao Bullying. Se você teve biologia na escola vai lembrar do macho alfa, no gorila, macaco no veado, no boi, e tantos outros animais. Pois é o homem veio dessa linhagem e assim também valoriza o líder, não pela força, mas pela inteligencia e a capacidade de poder contornar as intempéries da vida preservando todos. Veja como os líderes foram feitos. Hitler foi um deles, mas ele na sua loucura interpretou um Fuhrer e fez isso tão bem que todos acreditaram nele, pois ele vendeu esperança para o alemão e morte para os judeus , ciganos, homossexual e quem não fosse com a cara dele ou dos amigos. Isso não é líder é ator. Como o Lulla e o Dória agora. Entende o que você esta´fazendo com essa pesquisa canhestra. Acho interessante o aquário, mas isso não tem realismo no cotidiano. Entre os meninos deve haver bullying ou então está reservado aos brancos como a alma desgarrada do paraíso, como se fossem os judeus de Hitler. Acorda pra "gospir" filha e repensa o que fez com a pesquisa qeu talvez poderia ser ótima.

A pessoa assina como Bolinha França e o email é bolinha1951ahn@gmail.com. Fiquem à vontade. 

quarta-feira, outubro 25, 2017

Jornal da USP - Míghian Danae Ferreira Nunes

Saiu matéria sobre a pesquisa que eu fiz para a tese aqui.


terça-feira, outubro 24, 2017

Richard Prior: Live in Concert.





Assisti esse stand-up que está inteiro no Netflix. Você assiste e entende onde Chris Rock bebeu. O cara tá com Huey Newton na plateia, pense. Nem tudo é bom, mas ri MUITO. 

segunda-feira, outubro 23, 2017

A morte e vida de Marsha P. Jonhson.


Michael Kiwanuka, Love & Hate.



Você não vê que eu sou muito mais do que meus erros

Tank and Bangas, Oh, I Heart.


Tank and Bangas, Drummers.


Bonita.

Olhei-me no espelho de fora da casa que mesmo partido me mostrou uma mulher bonita, forte. Me senti linda na luz do fim da tarde. Estava com brincos que um exnamorado me trouxe do Uruguai fazem alguns anos. Quando ele me deu, já éramos ex e eu sou feliz de estarmos presentes um na vida do outro até hoje, ainda que não sempre, ainda que não do mesmo jeito. Não precisa ser na mesma intensidade, mas eu gosto de levar as pessoas comigo, todas elas. Isso bagunça às vezes, mas eu não desisto. 

A verdade é que essa beleza do cansaço de tentar sempre e de novo que alumiou hoje nunca me deixa. É tão bom me ver bonita depois de tantos anos, mesmo partida por dentro, remexida, carente, surpresa com as surpresas de desconhecer as pessoas, é tão bom. Chego mais perto, vejo um fio a mais na sobrancelha, mas tudo bem, tenho astigmatismo, de longe nem faz diferença. 

O erê de minha vizinha mandou me chamar, disse que queria me conhecer. Me abraçou e me disse que quando eu precisar, só chamar e ele aparece. As folhas do Bembé de Santo Amaro me enchem de perfume e esperança. Acreditar, enfim. 


domingo, outubro 22, 2017

Andra Day diz a que vem.


(ela tem um sinal de catapora no mesmo lugar que eu! amo cicatrizes)

sábado, outubro 21, 2017

Sozinha.

O que você faz quando se sente só? 

Eu ouço músicas e choro. Ah, também fico lendo e-mails antigos de pessoas que declararam seu amor por mim. 
Vejo um filme, como alguma coisa.

E penso na solidão de ter feito escolhas que muita gente que está junto não faria. 
Suspiro.
Levanto da cama, vou ao banheiro. 

Leio mais alguns e-mails de alguma história antiga, releio posts de amor aqui do blog. 
Ouço música e danço.
Mando mensagens para pessoas que eu queria que estivessem comigo, chamo elas para me encontrarem e me fazerem sorrir.

Escrevo aqui, escrevo num caderno que agora tenho para escrever coisas à mão. Faz um bem danado, releio o que escrevo e me sinto melhor.
Aí o sono chega, eu durmo e de manhã o sol já me faz melhor.
Eu sou feita de sol, eu preciso de sol, ele por si só(l) me dá alegria e eu acordo cantando. 

Aí eu esqueço um tempão que dessa coisa ruim que é sentir falta de alguém. 

sexta-feira, outubro 20, 2017

Believe, Cher.


Ouvindo (e chorando) de novo.

Confusão.

Hoje lembrei de uma menina que fez parte da etnografia que fiz em 2015. Certa vez a peguei debaixo da mesa e perguntei para ela o que ela estava fazendo lá embaixo. Ela me disse que estava "confusão". Hoje, no meio do dia, no trabalho, cercada de crianças embaixo da mesa, perguntei a elas se elas estavam confusão.

Eu àquela altura me perguntei o que eu fazia quando eu estava confusão. Eu ainda não sei, não aprendi direito. Eu converso com gentes que me amam, elas me dizem coisas. Mas tenho medos de só aceitar aquilo que quero e continuar fazendo o que não quero mudar. Tenho medo mas ainda assim me arrisco, eu fico entre o discurso mainstream e aquilo que meu coração diz, às vezes eles não conversam, aí vem confusão. Eu ainda não sei o que fazer mas faço. É por isso que essa cena de Falling me pegou tanto:


Boa noite pra nós.

Falling.


Que filme bonito. 

quinta-feira, outubro 19, 2017

Three Little Birds, Gilberto Gil (Bob Marley).



Eu amo Gil e amo essa letra. Toda vez que eu tou assim meio tristinha eu lembro dessa música eu penso que eu sou um desses três passarinhos cantando para mim mesma, minha consciência é um passarinho:

this is my message to you-you-you

E aí eu consigo sorrir e continuar. 

quarta-feira, outubro 18, 2017

Escrever.

É muito bom ter um blog. Todas as vezes em que estou triste, perdida, confusa ou radiante eu venho aqui e escrevo umas tantas palavras, que às vezes nem parecem ter total sentido para mim e nem para quem lê. Depois, lendo lá de longe, eu consigo capturar as sensações que tive ao escrever, eu lembro dos tempos em que escrevi, eu me reanimo, eu vejo que aprendi, eu vejo que superei. Ou eu não vejo nada. Mas o momento mesmo da escrita é maravilhoso. Como agora.

Às vezes a vontade é de dizer algo para alguém, de descobrir coisas, de procurar intriga, de fofocar. De falar mal das pessoas, de reclamar, de pedir atenção e cuidado. Aí eu venho aqui e escrevo e passa. E passa. Aquela dorzinha chata demora um pouco mais, coração apertado de medo de não ter feito a coisa certa, mas a vontade de dizer algo para alguém passa e eu sigo. 

todas essas que aí estão atravancando o meu caminho, elas passarão, eu passarinha
(Adaptado de Mário Quintana)

                                                            (Dona Maya Angelou, me dá forças)

Olhando pra Don.


Força estranha.


Eu sempre gostei dessa música. Sempre. Não sei, eu ouço e sinto tantas coisas. Força estranha mesmo. 

eu pus os meus pés no riacho, e acho que nunca os tirei

Eu nunca aprendi a viver direito as coisas que vem, mesmo querendo dizer que eu vivo as coisas como elas vem. Mas, uma coisa não exclui a outra, eu sigo vivendo as coisas como elas vem, mas eu acho que ainda não sei direito fazer isso. Só isso. 

Eu penso que por isso uma força me leva a continuar, uma força que às vezes é estranha mesmo. Eu não sei de onde ela vem e nem porque ela vem, mas vem. E me mantém de pé. Sei que tem muita gente à minha frente e atrás de mim, por mim, comigo. Eu sinto isso. Mas ainda assim, não sei explicar, não. 

Mas nem acho que tudo é explicável. Tem coisas que eu só quero viver mesmo. Sentir, respirar, tocar, cheirar.

terça-feira, outubro 17, 2017

Black Panthers: Vanguarda da revolução.




Eco.

Não te precipites em tomar decisões agora, não perdes nada por tentar
Ele me disse, além-mar.
Respirei fundo, havia lido aquele email tantas vezes e não tinha me atentado que ele havia escrito algo que meu coração, meu corpo, tinha sentido muito nesses últimos dias.

Serão dos ecos que os meus sentimentos calam essas confirmações, será, será?
Estou aqui, presente, para sentir as dores, vivas pulsantes.
Mas também estou aqui, presente, para receber o amor que me cabe, que me querem dar, que me sentem.
Não fugirei do amor, antes abrirei meu braços, presente.

Não te precipites em tomar decisões agora, não perdes nada por tentar

Outra face.


Desse lugar.


segunda-feira, outubro 16, 2017

Girls on fire, Alicia Keys.


Follow.

É aí que você descobre que o professor que você quer encontrar no pós-doutorado te segue numa rede social internacional acadêmica e você fica boba demais.



Não.

E de repente, eu vi. 
Eu me vi.
Vi uma moça feliz com a certeza de que pessoas bonitas ainda existem no mundo. Mas eu queria parar o tempo e queria que ele fosse inteiro meu. Um "eu te devoro" que não deixava espaço para respirar. E eu dizia que não, eu fingia para ele e para mim que eu não estava sendo pesada, que era só uma intensidade diferente, mas não. Não era.

Era vontade, de verdade, que desse certo. Só que era uma vontade represada de muito tempo, de muitas gente que passaram por aqui e não conseguiram me fazer feliz como ele me faz. Aí eu quis, eu quis demais, quis como se fosse a última coisa, quis como se fosse a primeira vez.

E fiz muita coisa demais. Falei demais, pedi demais, esperei demais... explodi em sentimentos, em lágrimas, em emoções e palavras. Foi tudo demais e eu mesma não me queria assim. Aprendi. Tenho vergonhas, aquelas que a gente sente quando lembra de uma coisa ou palavra que parece não combinar com a gente mas a gente fez, a gente falou e pensou.

Sei que sou mais do que isso, medos e angústias. Sei que sou inteira e não só um pedaço dessa crise. Mas não sei o que poderá ser, não sei. Só posso saber o de agora: agora é paz, por aceitar a crise que fui. Agora é crise, por não saber se poderei ser paz.

Mas, apesar de tudo, agora ainda é vontade, mas com calma e amor.



sexta-feira, outubro 13, 2017

Casa Comigo, Anselmo Ralph.


Me sinto só e Anselmo vem ter comigo. Recupero as forças, eu acredito nele.

Tio Carlinhos.

Faz muito tempo que não o vejo. Hoje recebi a notícia que meu tio, casado com a irmã da minha mãe, morreu. Sim, morreu de um jeito tão doloroso que preciso parar de escrever para limpar os olhos da água que está jorrando deles aqui, no meio do dia, sem pedir licença. 
Meu tio Carlinhos. Eu não vou vê-lo mais. Eu não estou preparada para isso. Ele foi muito importante na minha vida num tempo em que passamos muitas necessidades. Eu ia sempre a sua casa para passar as férias ou algum feriado especial. Ele nunca rejeitou nossas visitas e eu lembro de sua insistência em me ensinar a andar de bicicleta. 
Um dia, ele acordou determinado a fazer isso acontecer. E em frente de casa, com uma bicicleta enorme, teve toda a paciência do mundo para passar um dia inteiro tentando fazer isso. Todas as pessoas riram; meus primos, seus filhos, passavam por mim andando em outras bicicletas e rindo, rindo. Eu estava achando engraçado, mas também me cansei e quis parar. Ele, não. Almoçamos e voltamos a tentar. 
Eu fui bem, mas tinha muito medo. Eu já era adolescente e não acreditava que poderia aprender a andar de bicicleta depois de velha. Mas ele, ele mesmo acreditou em mim. E eu nunca esqueci disso. Se eu aprendi? Tecnicamente, não. Mas entendi a mensagem. 
Se eu tenho lembranças chatas dele? Claro, todo mundo tem lembranças boas e ruins de todas as pessoas com quem convivem. Só que eu, desde lá, me apresso em não guardar o que não gostei e sou habituada a ser feliz e ver o que realmente vale a pena. Apesar disso, eu havia esquecido de algo muito importante é que ele fez por mim também, relembrando a mesma mensagem que me passou quando foi meu professor e bicicletar.
Minha mãe e minha tia, dias desses conversando, relembraram que foi ele quem me levou à prova do vestibular em 1998, quando eu tinha 18 anos e não sabia andar direito pela cidade. Eu não lembrava disso. Dessa época, eu só me lembrava do dia em que fui me inscrever e estive sozinha até às 23h30 na rua com muito medo de voltar pra casa, porque meu pai não se dignou nem a me buscar no ponto, quem dirás ficar na fila comigo. Chorei e fiquei mal por isso. Talvez esse tenha sido o motivo que fez meu tio me acompanhar no dia da prova, vai saber. Só sei que ele foi. Não lembro, mas ainda bem que eu tenho minha mãe para me lembrar dessas coisas e limpar meu coração de qualquer dor que exista aqui dentro, a dor de me sentir só numa fila para inscrição no vestibular. 
A mensagem do meu tio, nessas duas lembranças que agora ficam ainda mais comigo é "eu acredito em você". E isso às vezes é mais importante do que a gente mesmo acreditar na gente. A gente só é a gente mesmo junto de pessoas que nos amam. 
Tio Carlinhos, eu queria que você estivesse aqui agora. Eu ia te contar que ainda não aprendi a andar de bicicleta, mas está nos meus planos comprar uma no mês que vem. É curioso, porque eu tinha imaginado te encontrar ainda esse ano e fazer alguma piada com isso. 
Obrigada.  

quinta-feira, outubro 12, 2017

Eryka Hachebe.

Eu nunca teria um Instagram. Ainda mais depois desse

Aprendências.

Eu não achei que esse ano seria um ano de aprendências. Aprender a viver junto, a fazer coisas, a conversar mais e melhor, a descobrir sobre mim. Claro, parece clichê, todo o dia a gente aprende. Mas eu digo, não achei que com essa mudança toda, de vida, de casa, de trabalho, de relações, eu ia descobrir como eu posso ser esnobe e presunçosa, como eu posso ser burra e exigente e mandona, eu não sabia. Eu sei que eu erro, mas é tão delícia ser contestada, ser confrontada, me dizerem coisas que me calam, é tão gostoso estar errada e poder entender isso e pedir desculpas, no fim eu me sinto mais forte e mais bonita. 

E é não saber que me anima e me desafia a continuar nessa toada, é gostoso ver que as pessoas não sabem de mim e pensam que sabem, eu mesma também me invento, mas gosto de histórias, de conversa e novidade, por isso ainda estou aprendendo sobre como sou com as outras pessoas, com elas e por elas. 

Estou tão feliz. Encontrei paz.


quarta-feira, outubro 11, 2017

Fotos Antigas III.

... sempre doeu...










Fotos Antigas II.

... porque era muito amor...





Fotos antigas I.

Das fotos que nunca publiquei, porque era muito amor e sempre doeu.







terça-feira, outubro 10, 2017

Infantil.

Ela me disse que eu era infantil só porque me pegou dando língua para ela.
Retruquei dizendo que não ligava de ser infantil e ser feliz, que eu era criança mesmo e acabou.

Fiquei matutando isso, conversei com minha amiga de sete anos. Ela sorriu e me disse que ia falar para a mãe dela para ela não falar assim comigo. 

E me deu língua. 

Menina Mulher da Pele Preta.


É quando você acorda pela manhã com uma mensagem de bom dia bem de longe, e pede dengo e você ganha ligações e músicas que dizem o que as pessoas pensam de você que você acredita que amizade vale mais do que dinheiro, de verdade.

Não há o que pague pedir ajuda e ser atendida. Não há como agradecer quando você sempre descobre que nunca fica sozinha. Nunca. 

Caio, Isadora, Alex e Juarez, eu amo vocês. 
Sempre. 

domingo, outubro 08, 2017

Não me procure mais.

Me deixa em paz
Não me procura mais
Finge que eu não existo
Muda de calçada
Não fala comigo
Não me mande mensagens

E nem pense em me visitar

Me deixa em mais
Não me procura paz
Finge que eu não calçada
Muda de existo
Não fala com mensagens
Não me mande comigo

E nem pense em me confundir

Agradeça (e como India Arie me salvou).


Baixei umas músicas num aplicativo no smartphone que eu ganhei (sim, estou adorando isso!) e, nesse final de semana, fui salva por India Arie. O cd' é Songversation: Medicine e eu fiquei sabendo de uma das músicas do cd' por causa de um filme que postei aqui. Pus o cd' e me apaixonei por todas as outras músicas. Eu recomendo: procurem o cd' Songversation: Medicine, ouçam todas as faixas e sejam felizes.

Se salvem, se salvem das mentiras. Se salvem das feridas. Façam suturas com a poesia, a música e o amor. Eu poderia falar de todas as músicas, porque todas me salvaram de algum modo, seja pela dor ou pelo amor de ser quem eu sou ou aquilo que eu quero ser. Mas eu vou escrever umas palavrinhas lindas que na voz de India curam tudo. 

Agradeça
Diga amor
Namaste
Axé 
Agradeça
(da música Give Thanks)

Obrigada, India Arie. O cd' é esse. Corram atrás.

Ah, e just let it go, viu?

A mulher que me salvou, India Arie.

terça-feira, outubro 03, 2017

De que é feito o que vai no coração?

Alguém ou alguma coisa veio aqui e diminuiu a dor. A ansiedade, a incerteza. Veio aqui, arrancou qualquer coisa que poderia me fazer mal e deixou só paz. A quem ou o que fez isso, eu só posso dizer obrigada e fique mais um pouco por aqui. 

Eu tenho muito a fazer mas meu coração não quer descansar. Ele me dá trabalhos extras como me preocupar com alguém que parece não saber que para bater, meu coração precisa desandar. Desandar de ouvir as belezas que é estar viva, que é amar, que é acreditar, belezas que devem ser ditas, sussurradas, confirmadas, todos os dias. Meu coração precisa de um motor feito de palavras também. As ações que o movem são assim todas desenhadas de palavras, ele gosta de texto. 


sábado, setembro 30, 2017

Christian Scott aTunde Adjuah: Tiny Desk Concert: NPR


Esse canal no Youtube é massa demais. A gente encontra cada coisa maravilhosa. Rapaz. A vida é realmente boa (especialmente se você está apaixonada). 

quinta-feira, setembro 28, 2017

quarta-feira, setembro 27, 2017

Labrinth, Jealous.



[não é bem assim, não, mas eu amo a voz desse moço nessa música. e sua cara linda e preta com esse bico]

Inspiração.

Há pessoas e coisas e tempos e eventos e sons e cheiros que me fazem escrever mais. Eu gosto disso, gosto de escrever. Acho mesmo que me ajuda a nascer. Mas há quem pense que pode saber tudo sobre mim lendo coisas aqui. Não. 

Bom, eu sou aqui. Mas eu sou também uma alguém que não se diz aqui. E essa só é possível de saber quando você acorda comigo, falando sobre o mesmo assunto da noite passada sem nem parecer que passou uma noite no meio.

Uma eu fazendo comida e ouvindo música e dançando e tomando cerveja. Uma eu fazendo a unha e durando quatro horas para terminar tudo porque eu converso muito. Uma eu que chora vendo filmes. Uma eu que... bom, uma eu que não está aqui nas letras, que só tem quando você encosta junto de mim e sente meu cheiro, vê meu sorriso e prova do sabor.


Cabelo.

Senti uma mãozinha puxar minha blusa e olhei para o lado.

Ei, você já é grande e seu cabelo é igual ao meu, não precisa alisar quando cresce?

Sorri e expliquei-lhe que não, que ela poderia continuar com ele como ele era.

Tá vendo, ela disse olhando para a amiga, eu disse pra mainha

Continuei meu caminho, sabendo dos motivos pelos quais valem conservar a minha juba.


terça-feira, setembro 26, 2017

Erika.

Minha ídola tem sete anos. Erika, muito prazer. Antes preciso dizer que pedi sua autorização para escrever um post sobre ela aqui. 

Eu a conheço há alguns meses, é irmã de uma bebê da nossa turma na escola. Nos vemos sempre às saídas e ela me animou a começar a capoeira. Agora que somos irmãs no aprendizado, ela se achou no direito de se aboletar na minha casa e passar a maior parte do tempo aqui, inclusive dizendo o que quer fazer ou comer quando bem quer e entende. Uma das últimas coisas que fez foi marcar com marca texto colorido uma das cópias da tese que achou dando sopa por aí (agora mesmo está folheando um caderno velho de planos de aula. 

Sua mãe nunca veio aqui, embora me conheça o suficiente para me confiar sua filha. Mas não é disso que eu quero falar. Quero falar de uma menina de seis anos que maneja muito bem aquilo que conhece e vai para lá e para cá na rua, com as pessoas, nas coisas que quer fazer, independente da idade que lhe dizem ter. Fica à minha sacada dando oi para as pessoas que passam. 

Erika, se você vai fazer essa sujeira aí vai lavar os pratos

Qual não foi minha surpresa quando cheguei à pia e lá estava ela, cumprindo o "acordo" que a obriguei a fazer. Não pude reclamar, ela sujou e limpou boa parte. Com ela, preciso descobrir jeitos mais eficazes de dizer não. 

Quando ela me grita na rua "Migh", eu adoro. Porque ela nem liga pra celular, eu a amo. 

Erika, muito prazer.




Nome de bairro.

Voltamos juntos todas as vezes da hidroginástica. É um senhor de quase 70 anos, daqueles homens negros enormes para quem ninguém dá mais de 50 anos, olhando assim rapidamente. Ele fala comigo sempre como se tivéssemos acabado de terminar o assunto do dia anterior e, nos vinte minutos em que ficamos juntos, eu sou uma boa ouvinte, estimulando-o a falar sobre sua vida e os problemas que tem. 

Ele não sabe nada sobre mim e nem finge interesse, só quer falar. Eu do meu jeito gosto tanto das histórias que não importo com a desimportância. A companhia dele me agrada imensamente. Ele conhece quase todo mundo que cruza nosso caminho e seu apelido é o nome de um bairro da cidade em que nos encontramos. Não preciso de mais nada, só de ouvi-lo falar e falar já sou feliz demais. Me divirto com sua lógica de tempo e reclamações que a mim parecem algumas vezes sem propósito, mas que fazem todo sentido na vida de um homem negro que parece viver mais só do que gostaria. 

Penso no meu pai. Quiçá ele encontre uma boa ouvinte por aí. 

Crescer.

Estávamos em meio ao samba de roda conversando e eu perguntei a ela sobre ser grande. Ela me disse, quase em segredo

eu tenho medo de crescer

Essas palavras ecoaram na minha mente, eu tenho medo de crescer. Ditos por uma menina de 12 anos, eu tenho medo de crescer. Nunca esperava ouvir isso de uma menina negra de 12 anos, mas achei tão lindo e forte que vim correndo escrever aqui, para não esquecer. Porque talvez um dia eu também tenha tido medo, ou ainda tenha, vá saber. 

segunda-feira, setembro 25, 2017

Fé e desejo.

Quando você sente vontade de alguém, mas há outras coisas em jogo e é preciso escolher, não é fácil dizer sim para o amor. Mas há amor em todo os caminhos que você escolher, então fica mais difícil decidir, e não há como ter tudo na vida, não há como. 

É preciso ter fé, mas é preciso desejar também. Que fazer? Chorar? Esquecer? 
Não sei, não me perguntem. Ainda não decidi se o que vou fazer hoje é chorar ou esquecer. 

domingo, setembro 24, 2017

Olhar (namorar).

Quando ele me olha, me namora com um olhar sereno e profundo, que me diz o que ele gostaria de estar fazendo comigo naquele exato instante além de segurar minha mão.

Quando ele me olha, não arrepio. Sinto dentro algo mais forte, leio tudo que ele não diz (porque não pode, porque não deve?) nos seus olhos. Eu poderia chegar mais perto, mas, mesmo de longe, vejo tudo porque vejo seus olhos. Eles não me escondem o que doem, não me escondem tristezas e os impedimentos.

Eles são espelhos de dentro. Eu sei. 

Mudanças II.

As pessoas mudam umas às outras

Ele me disse abraçado a mim, olhando bem dentro dos meus olhos. Demoramos nos olhando um ao outro, como se quiséssemos ter certeza de que sabíamos que estávamos ali só a nos olhar, como se quiséssemos dizer um ao outro sem dizer "eu vejo você", e conseguimos. Ao menos eu senti o calor de seu olhar em minhas mãos, meu coração.


sexta-feira, setembro 22, 2017

Só.

Quero ficar no meu canto, quieta. Sentindo as minhas dores, para saber onde (e como) doem.
Estou confusa, decepcionada, um pouco machucada até. 
Talvez por mim mesma, pelas ilusões que ainda me permito viver, mesmo sabendo que não há nenhuma garantia de que ela vai durar mais do que alguns dias. 

Quero me conhecer, até o fundo, ir ao fundo, profundo, mas sei também que às vezes só consigo isso com a outra pessoa, ao meu lado, me animando a ir mais, ouvindo e falando, uns beijinhos pelo meio.

Ainda não consegui de todo abandonar o projeto de ser mais, com alguém. Ainda não consegui abandonar a espera, a esperança. Ainda não. Mas sei também que não sou assim comigo, não me firo tanto assim. 

Prefiro começar de novo. 

quinta-feira, setembro 21, 2017

Verdade.

O que é a verdade?
A verdade não existe, é o que dizem.
Mas a verdade existe, em alguns contextos. Quer saber? Eu explico melhor em dois tempos. 
Quando você trabalha em equipe e as pessoas não estão dispostas mesmo quando estão presentes, ali, do lado. A verdade é que você trabalha sozinha.
Quando uma pessoa diz que quer te ver e não faz nada para isso.
A verdade é que ela não te colocou como alguém importante o suficiente para mudar os planos dela, nem por algumas horas. 
Quando uma pessoa te diz que fez uma coisa - como encerar o chão - e não encerou.
A verdade é que ela está mentindo.

Entendeu? Hoje foi um dia desses, dia das verdades. 

Quem me conhece de perto, sabe que eu não sou docinha. Eu defendo minhas opiniões e sou bastante agressiva - no sentido de argumentar, reclamar, bater o pé, dizer o que acho e o que sinto - e isso pode parecer incômodo para pessoas que preferem a calmaria. Tenho até o jeito meio estouvado para fazer isso, e se a pessoa só me vê nesse momento, nem vai saber que também posso ser amor e pedaços de bolo enrolados num guardanapo para o chá da tarde. 

Paz sem voz não é paz, é medo, tem na música do Rapa. É isso mesmo, eu não tenho medo de errar sendo excessiva, mas eu tenho medo de morrer com as palavras dentro de mim, eu solto elas todas, como pássaros elas não gostam de viver em gaiolas, eu falo o que penso, nem sempre penso, mas falo. Isso é 'certo'? Isso é 'bom'? Isso é 'honesto'? Não sei, não estou preocupada com isso, não quero ter razão e nem ser 'perfeita'. Quero dormir em paz um sono pesado e gostoso.

Eu olho para dentro de mim e vejo que, convivendo comigo, você pode me ver errar muitas vezes, mas vai me ver poucas vezes com palavras encolhidas, pedindo desesperadamente para que sejam soltas. 


quarta-feira, setembro 20, 2017

Textão (vem ni mim).

Sabe porque eu gosto de pagode romântico? É um dos lugares onde você mais ouve homem falando sobre o que sente. Dá-lhe texto, é tanto amor que fica mais difícil de decorar que música dos Racionais (mas vem ni mim).


[e a única saída é terminar] 
[ mas o que ele esqueceu de cantar é que quando se termina, também se começa]

Maria Rita, Não vale a pena.


é uma pena, mas você não vale a pena
não vale uma fisgada dessa dor
não cabe como rima de um poema (de tão pequena)

terça-feira, setembro 19, 2017

Cabeça cheia.

É quando o dia inteirinho passa e você pensa em como é bom fazer o que faz, viver o que vive, que fica fácil esquecer o que dói.

Sou feliz porque sou com os outros. A senhora do meu trabalho me abraça e me diz, "você é ótima e quem não gosta de você é besta". Enche meus olhinhos de uma água salgadinha que me faz pensar que a felicidade talvez não seja só feita de doce. 

Capoeira.

Minha primeira aula de capoeira e as crianças novamente me ensinando a aprender. Eu cheguei até lá através da irmã de uma bebê da turma que eu sou professora, ela tem oito anos. A mãe reclama que não aguenta mais levá-la para lá e para cá para fazer as coisas que ela quer participar. Ela quer participar de tudo, de tudo. Grupo de samba, aula de capoeira, canto... e a mãe passa o dia a ir para lá e para cá, esperando ela terminar suas aulas de tudo, das coisas que escolhe. 

Cheguei e outra menina me recebeu, por sinal conhecia essa minha outra amiga, ela também oito anos. Me ajudou a aprender muita coisa e me incentivou dizendo que estou bem para a minha primeira aula. Fez par comigo e gingamos juntas. Eu não quero sair de perto das crianças nunca na vida.

O que eu quero mais? Perto de casa tem roda de capoeira, terreiro de candomblé. Gentes pretas que além de me darem bom dia me chamam de 'nega' só de me ver sorrir. Tem criança indo sozinha para a escola, junto com as amizades, me dando tchau e sorrindo para mim. Tem varal no meio da rua, secando as roupas das vizinhança.

Eu não poderia ser mais feliz.