Você que me lê, me ajuda a nascer.

terça-feira, agosto 15, 2017

Lita Cerqueira.

Venha cá, porque é que quase ninguém que eu conheço conhece Lita? Rapaz, as fotos de crianças mais lindas que eu já vi na Bahia há quase 25 anos. Que onda.
Deliciem-se.





Revista e Cadernos Kawè.

Recomendo:
Revista Kawè
Cadernos Kawè

Menina fantasiada, por Lita Cerqueira. 

Produção acadêmica.

Eu deveria fazer isso aqui faz tempo. Divulgar o que tenho escrito por aí, mas sempre esqueço.
Aí vão então os links para os últimos artigos:




Querendo, vai no Lattes

Agora eu quero só você.



Por mim.

Não posso reclamar de nada.

Felicidade não avisa que vai chegar. Ela vem devagar, suave, como quando uma criança bem pequena com aquelas mãozinhas [bem mais] pequenas toca o seu dedinho mindinho e tira uma casquinha inexistente que está ali e só ela vê, você se arrepia com a energia boa que vem dela, a felicidade é uma cócega que te cega de ver o que tem de ruim no mundo, a felicidade começa na casquinha, no dedinho, mas não para, basta você saber ver.

Eu não sei ver, eu não sei sentir, eu não sei. Mas eu tou aprendendo, como quando eu deixo que aquela criança aqui dentro toque meu coração-mindinho e, encontrando uma casquinha que existe, a tire por inteiro, renovando minhas energias com vida. 

segunda-feira, agosto 14, 2017

Presente.

Recebi essa mensagem assim, hoje, assim:


Bateu uma vontade de te agradecer... Agradecer por ter me ensinado coisas que nunca me esqueci, agradecer por ter me ajudado a formar a minha personalidade, por ter sido tão ótima professora, por todo o carinho que sempre demonstrou, mas hoje, principalmente queria agradecer por ter me dado meus primeiros livros sem figura, por ter me incentivado tanto à leitura, pq se dou conta dos livros da faculdade hoje, foi porque aprendi contigo o prazer de ler, sejam histórias fictícias ou significado das palavras no dicionário. Obrigada por tudo

Chorei, chorei. Felicidade de ser professora de crianças.

sexta-feira, agosto 11, 2017

Ex.

Um ex amor me ligou e disse ter visto no blog que escrevi coisas de amor e pensou 'ah, lá vai ela de novo, tá apaixonada'. Como se ele pudesse dizer alguma coisa, rum. Mas ele pode. Ou podia, ou poderia. Nem eu sei mais. 

Eu vivo apaixonada, ele não sabia? Ele achava que era especial, único. Na verdade, acho que ele sabia que não era... mas ele queria acreditar nisso, deixa ele [deixei]. Eu não acredito em coisas únicas, só acredito em multidão. Melhor amiga? Não tenho, eu amo muita gente. Eu quero muita gente, eu gosto é de gente. 

O certo é que eu poderia me apaixonar por ele de novo, sim, poderia. Mas não é assim que acontece, espera aí. Não é assim fácil, a minha paixão precisa de uma história, com tempo de conversa, com ficar junto, estar perto, agarrado, grudado, com música, som, com amor.

Eu sempre estou procurando gentes pra isso. 

segunda-feira, julho 31, 2017

Lud.

Difícil escolher uma música de Lud que eu goste mais. Gosto de Lud. Gosto muito!
Nem sei porque não escrevi isso aqui antes. Estou tão feliz, quero enlouquecer à luz da Lua!


Manuel Neto, fotógrafo.

Foi em Sintra que te conheci. Mas trouxe você comigo.


Divinas Divas.


domingo, julho 30, 2017

Disponível [pro amor]

Depois de conhecer ele, eu não quero menos. Menos do que os beijos apaixonados que ele me deu logo no primeiro dia, depois dos arrepios. Beijos como se a vida fosse acabar logo depois e, se ela vai acabar, vamos nos apaixonar.
Depois de conhecer ele e ele ter aceito o jogo de enfiar no dedo um anel de papel feito com um guardanapo, não quero menos do que um homem engraçado, que me faça rir e que ria também das próprias desgraças.
(depois de saber que ele ainda tem o anel, guardado no bolso de alguma camisa, eu não quero menos).
Depois de conhecer ele, e conhecer um homem que roda mais alguns quilômetros pra cuidar de você, eu não quero menos.

Eu não quero menos. Quero vê-lo de novo.

quarta-feira, julho 26, 2017

Problema meu.

Foi quando eu vi uma chave por fora da porta e disse pra ele que eu precisava falar pra dona da casa que ela tinha esquecido a chave para fora e ele me respondeu

isso não é problema seu

e eu disse

mas pra mim isso é comum, no Brasil a gente...

e ele retrucou

mas você não está no Brasil 

e eu re-retruquei

mas eu continuo sendo brasileira em qualquer lugar que eu vá

... que eu descobri que a Bahia já me deu régua e compasso e meu caminho pelo mundo, eu mesmo faço.

Apostando tudo.


segunda-feira, julho 03, 2017

Meu amor é marisqueiro.

Meu amor é daqueles que cata marisco
Afunda a mão na lama preta, se suja e se confunde com o pretume da lama, o problema, a solução, a dor e a delícia

Enfia a mão mais um pouco, sente algo, algo se mexendo
É meu coração quase parando, mas ainda batendo

Meu amor é marisqueiro, meu amor é marisqueira
Acorda cedo pra assuntar a natureza alheia
Enfia a mão e braço inteiro, profundamente
No encanto e no rabo do teu olho
Na beleza que é não te ver sofrer
Ver teus dentes, carne, ver teu amargo sorriso
Que existe e segura a lágrima que nunca desce
De um pedaço teu que eu nunca vejo

Meu amor é daquele que leva pra casa marisco
Ostra, lambreta, sururu e siri
Leva o cansaço do dia, mas uma comida pra ti
Comida de alma, comida de vida
Leva a vontade de fazer tua tristeza um dia esquecida

Dormir intensamente depois do amor mariscado
Pra acordar cedo na certeza da cheia, do profundo, da lambreta, do pretume.
Do amor, da alma.
Do amor.

Teoria do amor, por Mainha Gal.

O gostar é côncavo, o amor é convexo

Aguardem.

sexta-feira, junho 30, 2017

Maya Angelou - E ainda resisto.


Betty e Coretta.



[fica batendo, parado, naquela estação]



E eu vou ficar aqui, no mesmo lugar
Parada, até te encontrar de novo
Enquanto o mundo gira

E eu vou ficar lá, no mesmo lugar
Caminhando, até te encontrar de novo, enquanto o mundo para.

quinta-feira, junho 29, 2017

Respiração.

Um passo, outro passo, paciência.
É como quando você ver o mar, você quer correr, mas aí para, para devagar ir sorvendo a delícia de olhar pra o azul e sentir por mais tempo a sensação da areia nos pés, afundar os pés na areia, aquela coisa irregular, é preciso equilíbrio para chegar até o mar, mas você não tem, nem sempre a gente tem, mas você vai e vai, olhando em frente, sempre em frente.
E quando olha pro lado, ou deitado lá na areia, ele está.
Um passo, outro passo [respira] paciência.



quarta-feira, junho 28, 2017

Moana.


Meu amor.


Um beijo na testa e seu corpo treme todo?
Diz minha amiga

se isso não é amor, nada mais é

Mas não foi pelo beijo na testa. Foi porque eu disse pra ela que eu disse a ele que eu

quero ele com todos os problemas que ele tem, até porque o que pode parecer problema, pra mim tudo bem. Que eu estou feliz por saber que gosto tanto dele assim - eu dizia isso sorrindo -, que é bom gostar, que eu quero ficar perto, que não importa a bagunça e a confusão, que eu quero, que agora eu quero, que eu sei querer, que antes eu não sabia, que eu quero agora porque não quis antes, porque tem tempo, porque eu sou feliz sentindo isso, porque nem sei explicar mas estou bem e eu quero e pela primeira vez eu quero, quero viver junto, ter uma vida, viver a dois, estar perto, chegar perto, dividir coisas, com ele eu quero, só com ele agora eu quero, eu quero.

De novo.

Passavam das 23h quando ele segurou a minha mão. Ele segurou ou fui eu quem segurei? Eu não sei. Mas eu sei que eu queria isso.
Estávamos ali, na entrada do metrô. Era noite, pouca gente na rua. Um homem e uma mulher juntos e parece "natural" segurar a mão do outro, sei lá se para mostrar que se está junto, para cuidar, para ficar perto, eu não sei direito. Mas, estávamos juntos? Eu não sei (mas eu sei que eu queria isso).
Ele envolveu minha mão na sua - ah, que mãos - e disse:

faz tanto tempo que eu não faço isso

E me deixou desconcertada. Quando eu fico assim eu falo de outra coisa, pergunto sobre como se faz para chegar na entrada do metrô, sei lá. Mas ele sempre fala algo, nunca deixa em branco, sempre preenche o momento com alguma frase, e eu sem jeito, toda cheia das palavras, nessas horas por vezes fico sem saber como fazer quando é alguém que me diz um carinho.

Nossas mãos dadas e eu sentia voar baixo pelo chão, segura por aquele fio de energia que nos unia assim, depois de tantos anos longe. Eu poderia parar ali e ficar só de mãos dadas com ele até acordar de novo. Sentamos no metrô e ele lembrou uma foto de beijo nossa num outro metrô, foto essa que nem existe mais. Muita coisa foi jogada fora depois de tudo. Muita coisa foi embora, inclusive o tempo. Muita coisa ficou, inclusive o frio na barriga quando ele encostou a cabeça no meu ombro. Eu estava desconcertada, mas ainda assim eu queria que ele repetisse a pergunta que me fez ainda no terminal de ônibus porque eu sabia que ele ia me dar um beijo, ele disse, olhando nos meus olhos

posso fazer uma coisa?

Mas eu de novo escorreguei, mudei de assunto e perguntei sobre o ônibus que a gente deveria tomar, ele não voltou a pergunta, porque não tinha como, ele notou que mudei de assunto, ele não sabia se deveria. Ele não perguntou mais, mas ao sair do metrô ele segurou de novo a minha mão e entrelaçou os dedos e de novo esfriou minha barriga por dentro, eu nem sei do beijo, só sabia que eu não queria que chegasse a hora de parar no próximo ponto, queria caminhar com ele toda a noite só pra segurar na sua mão por mais tempo, queria ir pra frente, em linha reta ou sinuosa, mas com ele.

E depois de sete anos eu descobri que é o que eu mais quero agora, por mais que pareça estranho e eu tenha dito que não aos quatro cantos por tanto tempo, eu nem estou com vergonha de ter mudado de ideia, de novo.


Foto extraída desse site.

segunda-feira, junho 19, 2017

Por amor.

Hoje encontrei-me novamente com uma moça, depois de 10 anos. 18 anos tem ela agora. 
Tínhamos nos conhecido em 2007, quando fui sua professora na segunda série (hoje terceiro ano).
Éramos muito próximas, ela morava bem perto da minha casa e fiz amizade com muita gente da família, mãe, avó, irmã.

Conversamos por algumas horas, tantas coisas. Tantas palavras. Olhares, beijos, afagos, sorrisos, abraços, eu não saberia dizer o que senti naquele tempo em que passamos juntas. Orgulho, vontade de voltar no tempo, de parar, vontade de continuar. Olhava para ela falando coisas tão inteligentes e dizendo que eu fui importante na sua vida, isso me deixava tão feliz e animada, me dava vontade de viver ainda mais e conhecer mais gente, falar mais coisas, ouvir outras tantas, continuar vivendo, continuar acreditando, sorrindo.

Perguntei para ela porque eu era tão especial e porque ela lembrava tanto de mim e ela me contou coisas que nem eu mesma lembrava que fazia! Fiquei emocionada e comovida, um encontro com ela e com uma pessoa que eu fui a dez anos atrás. Novamente, fiz as pazes comigo mesmo, fui feliz demais, chorei, sorri.

Dessas belezas que é participar, estar dentro da vida de outras pessoas. Não tem coisa mais legal do mundo do que estar viva e presente.

sexta-feira, junho 16, 2017

Um amor.

Eu senti um amor tão grande por ele, liguei e disse tudo que sentia e o quanto ele sempre seria especial na minha vida inteira, que as conversas com ele eram maravilhosas, que eu adorava o senso de autocrítica dele e tudo mais que ele tinha, a risada, a voz, tudo que eu tinha conhecido, eu disse tudo assim de uma vez e ele disse que ficava sem jeito com isso e como eu assustava com essa intensidade toda, que não estava acostumado com isso, não sabia como lidar.

A ligação precisou ser desligada, meus amigos chegaram e eu queria estar com eles.
E nunca mais, nunca mais mesmo, a gente se falou. Mas tudo que eu disse a ele é verdade.

quarta-feira, junho 07, 2017

terça-feira, maio 30, 2017

... e lá vamos nós.

vlut 
vlat 
zum
eu sempre estou indo pra um lugar, algum

segunda-feira, maio 29, 2017

Sobre o amor que se pode ver (tocar, sentir, cheirar).

Sentei-me ao lado da van em que pude ver o marido da professora de natação e seu filhote lá do outro lado da rua, oito da noite, esperando-a chegar.
O menino de três anos corria para lá e para cá, serelepe, parecia certo de que aquela van trazia a mulher que lhe botou no mundo, mulher esta esperada por seu pai todos os dias, mesmo horário, mesmo lugar.
Senti a lágrima brotando no canto do olho sorrateira, no mesmo dia em que decidi pôr fim a uma ideia maluca de fazer dar certo um amor solitário por alguém descorajoso.

Ela não saiu, a lágrima. A professora me deu tchau, segui viagem, com aquela imagem na cabeça. Pai e filho que esperavam uma das mulheres de suas vidas. Não chorei, mas senti tanto aquela imagem que até agora posso ouvir os ecos e gritos do neném que apontava para a van, o pai de braços cruzados, sorriso no rosto, esperando, esperando. 

Um amor concreto, feito de esperas, de estradas com mato e última van. Um amor. 

sábado, maio 27, 2017

é só isso, acabou, não tem mais jeito

quinta-feira, maio 25, 2017

(Des)coragens.

Ele por fim falou o que é que acontecia consigo.
Disse tudo, assim, na lata, sem pestanejar.
Foi quando precisei de um pouquinho de atenção e cuidado e ele não apareceu que pensei que ele sabia como deixar o jogo sem precisar nem tirar a camisa. 

Mas ele enfim me disse, com todas as letras, algo honesto mas não por isso menos doído. 

Ele disse que não tinha coragem de deixar a vida dele, isso era aventura demais. 
E essa descoragem foi tomando conta de sua cara, seu corpo, coração, vida.
Nada mais era feito, por medo das consequências, medo de não dar certo, medo de não conseguir voltar para onde estava, medo do medo, só medo, medão.

E nada o demovia do medo, nada o fazia pensar diferente, pelo menos não até hoje. Aceitava as coisas como vinham e muitas vezes, por aceitar, nunca descobria como poderia ser melhor de verdade. 

Assim que foi definhando aos poucos e em poucos dias virou mais uma história pra contar. 

sábado, maio 20, 2017

A vendedora de quebra-queixos.

Ela entrou na van e eu olhei para ela, olhar cansado.
Passava das sete da noite, era noite. Estava escuro. Ela entrou, não há passagem para circular, a van muito apertada e ela para ali, na frente. 
Oferece o quebra-queixo. Para, espera que alguém compre. Não parece ter pressa.

E, nesse momento, entre o momento em que ela ofereceu o quebra-queixo pela primeira vez e até quando o primeiro moço que estava na cadeira de uma das primeiras fileiras da van levantou a mão e disse quero um, meu coração foi tomado de amor por ela, um amor miúdo, mas satisfeito, amor. 

Eu não sei o motivo, eu não entendo quando e porque isso acontece, só sei que acontece e meus olhos enchem de água assim, uma aguinha pouca, mas presente. Um sorriso me confunde os sentidos, eu estendo a mão, um pouco hipnotizada, quero um, eu disse. Comprei, ela procura o troco na sua pochete com moedas, me entrega. Repete o oferecimento, mais gentes compram, ela pede que alguém da van lhe troque vinte reais para que possa vender mais um, não sei o que acontece ela passou por mim, está atrás de mim, não vejo. Fico feliz por ela vender alguns quebra-queixos, fico feliz por entender sua pausa e sua espera, sua calma. É muito rápido, mas tudo naquela van parece acontecer muito devagar, como o rosto dela parado, esperando compradores, pensativa, na frente da van. 

Vê-la ali tão jovem, tão linda, tão pano na cabeça sem ser fashion, tão absorta em seus pensamentos enquanto esperava, tão doce, tão negra, tão mulher, tão do interior, tão... me deu tanta gana de continuar a viver que eu nem consigo terminar esse texto.

quinta-feira, maio 18, 2017

No corpo.

Ouço as mulheres falando.
Uma delas conta histórias de amor. 
Diz que foi a primeira mulher do seu novo namorado, ele com 32 anos. Que ensinou pra ele tudo que ele gosta.
Ela tem 49 anos e faz amor quase todos os dias, quase.

Disse que tem pressão arterial, diabete, é gorda, mas 

sente tanta coisa ainda naquele corpo que ainda não quer parar

Fiquei com essa frase na cabeça o dia inteiro.

Sente tanta coisa no corpo que ainda não quer parar

Tem mais poesia pra hoje?
Acho que não precisa. Ela me lembra Toni Morisson, quando diz sobre nossa carne e como ela precisa (e quer) ser amada.

segunda-feira, maio 15, 2017

domingo, maio 14, 2017

Adolescências.

Mais uma vez, eu em casa, passava da meia noite. Ouço uma cantoria. Levanto pra ver e na rua meninos negros jovens, tem entre 13-16 anos. Cantam:

deixa, deixa mesmo de ser importante
vai deixando a gente pra outra hora
vai tentar abrir a porta esse amor
[...]

Um deles, o que vai à frente, grava tudo. Este parece mais sério e compenetrado, olha para a câmera. Os outros, amigos, parecem fazer aquilo para ajuda-lo a dizer alguma coisa para alguém. Um deles me vê. Continua a descer a rua e cantar, me dá um tchauzinho e eu retribuo, sorrio para ele.

Acho uma cena tão linda. Meninos jovens negros cantando o amor numa cidade pequena do recôncavo baiano. Pode não ser nada mas, ainda assim, por também não ser nada, é tudo.

(porque quando eu vejo na TV' e em todos os lugares, esses meninos só são maus e perigosos, eles só aprontam coisas ruins e nada que preste, e eu vi, EU VI meninos negros cantando o amor e se declarando, ajudando o amigo a declarar o amor, eu sou feliz, eu acredito no amor e na vida, eu já disse isso)

Vidas negras importam, amores importam, declarações importam.

sábado, maio 13, 2017

do you believe in life after love?

[sim, eu acredito em vida e amor, nessa ordem e em outras]

sexta-feira, maio 12, 2017

I'm black man in a white world, Michael Kiwanuka.


Eu não sei quem me apresentou Michael (acho que foi um exnamorado, não tenho certeza), mas ele é meu novo Ben Harper. Ouvindo seguidamente, eu preciso de todos os cds.

Mães.

Sou mais feliz ouvindo mulheres pretas conversando na entrada da escola sobre como criar suas crianças, todos os dias.
Elas dizem
não segura ela, deixa ela chorar um pouco, senão você sempre vai ter que ficar com ela no colo
vai, deixa

Do outro lado da rua eu passo, dou bom-dia, sou feliz.
Trabalhar num lugar onde as mães das crianças já são amigas antes delas entrarem na escola e

eu levo ela hoje pra mãe, passo na frente da casa
eu vim aqui porque vi todo mundo saindo e não vi a mãe dele, eu levo, eu moro aqui do lado, depois ela pega ele lá

Me faz mais forte que antes, me faz acreditar um pouquinho mais naquele largo sorriso que minha vizinha que nunca me viu na vida me deu depois de um bom dia. 

quinta-feira, maio 11, 2017

Ficando velha.

Descobri que tou ficando velha quando chorei com isso.

terça-feira, maio 09, 2017

E fim.

24 horas depois, não há mais nada aqui.
Saudade de um tempo em que não pensei no que iria ser, só pensava em ouvir uma voz, um sorriso, imaginar um rosto.

24 horas depois, não há mais nada aqui.
Mas também não há nenhum vazio.
Uma sensação de paz... um sentimento de que ainda pode ser verdade.
De que a vida é mais, as pessoas são mais. 
O tempo é mais, o amor é mais. E o sexo (vulgo fazer amor)?

O sexo é tempo, amor, verdade, pessoas e vida.
Vou repetir de novo: o sexo é tempo, amor, verdade, pessoas e vida. 

Se não tiver isso, não é fazer amor. FAZER AMOR, tem expressão mais bonita que essa pra dizer de corpos que conversam? 

24 horas depois, não há mais nada aqui.


segunda-feira, maio 08, 2017

cê vai se arrepender de não abrir os braços para mim

Flor da noite.


Quando acabou, essa música surgiu na lista. Era pra ser assim. 

sábado, maio 06, 2017

Amizades, amores e que tais.

Ele me disse que

poxa, Migh, é que eu já te amo, eu não posso me apaixonar por você

Engraçado, sorrimos. Mas nos amamos mesmo. Gosto de quando nos falamos e ele me diz eu te amo, eu também o amo, eu também digo, eu repito. Amar é bom,

amor é remédio de louco pra recuperar a razão

Não sei o que seria de mim sem meus amores amizades. 



terça-feira, maio 02, 2017

eu lhe disse que não bulisse
você buliu, assanhou
essa menina quando se assanha [...]

segunda-feira, maio 01, 2017

Visagem.

Dia desses, em casa, ouvi aqui de dentro um barulho de berimbau. Espiei pela janela e do primeiro andar vi do outro lado um senhorzinho todo de branco tocando um. Parecia visagem, corri a mão na máquina de fotografia.
Era tarde da noite, só ele, a lua e o berimbau. Ele passou devagar, tocando.
E eu fiquei paralisada. Toda vez que me sento nesta poltrona, na janela, sinto o som do berimbau subindo a rua. Lembro do rosto do senhorzinho que me fitou de longe e logo continuou sua caminhada sem se importar comigo. 

Foi sumindo na rua, tocando o berimbau.
Não tirei foto nenhuma, mas a imagem não sai da minha cabeça.

Get on Up.


Benjamim Clementine.


Você, camarote. Eu, pipoca.

E foi no dia mesmo que eu disse que na metáfora do Carnaval ele era camarote e eu pipoca que outro homem me disse que não sabia explicar, mas sentia muita energia vinda de mim, que eu levava a vida de forma intensa e isso era empolgante. Li a mensagem sorrindo envaidecida, mas é realmente isso que eu acho de mim. Uma energia empolgante em forma de gente, principalmente apaixonada. 

Claro que ele não concordou com minha analogia carnavalesca e resmungou que eu era Barra e não Campo Grande. "Não mesmo", pensei comigo. Mesmo que eu não tenha sido a pessoa mais carnaval do mundo e nunca ter ido à Barra no carnaval, eu sei que não sou Barra, talvez também por nunca ter ido. 

Agora, a graça na vida está não quando vejo a banda passar. Quero fazer parte da banda. 

Crianças Black Panthers (Exposição Todo poder ao povo!)




(Quando você tem pessoas que te ama, você não precisa estar no lugar e nem ter smartphone legal. Elas lembram de você o tempo todo. Ere, meu amor)

Sem ar.

E numa manhã dessas, bem cedinho, eu disse tudo de uma vez:

Não te acho sonhador, te admiro por ser lutador, é diferente de ser sonhador. Tu não desistiu, não desistiu da vida, ama seu filho e vê nisso motivo de aguentar as coisas da vida que não gosta, lutador por guerrear mesmo com as poucas armas que tem e ao mesmo tempo é sensível para sentir - e expressar! - emoções tão profundas... eu te admiro por ser um homem comum e em sendo comum, és extraordinário, tu escapa às definições que existem para te classificar. Quem te vê aí no trabalho pode não conseguir saber como você é lindo dentro e é isso que me aproxima de você, essa luz e essa força, tão certa, mas tão escondida... Te vejo como uma pedra preciosa não lapidada, mas que não precisa ser lapidada para ser mais linda. Você só precisa de espaço e tempo para aparecer e brilhar. Essa sua luz, ao invés de ofuscar meu olhar, me hipnotizou



Pros outros, Paula Matos.


pros outros pros outros pros outros

sábado, abril 29, 2017

Frente a frente.

você me põe de frente comigo mesmo

Ele me disse de um jeito despretensioso, como se não fosse nada, como se pensar assim não fosse algo rebuscado e profundo. Eu agora fico repetindo que ele me disse isso para todo mundo, achei tão forte, eu só pensei que eu queria dar um beijo nele, apertando os lábios, não de língua, só apertar o meu corpo de encontro ao dele, sentir sua pele, seu calor, seu cheiro, respiração. Aquele momento em que a sinfonia acontece. 

Estou apaixonada. 

A late night kiss in Harlem (photo by George S. Zimbel): 1951

quinta-feira, abril 27, 2017

Run to you, senhora Withney Houston.



Que esse não seja o hino das mulheres negras.

Noname.


É possível ser linda e demais de linda por mais de uma vez e sempre?

segunda-feira, abril 24, 2017

Esperando o caminhão do lixo.

Ele, homem negro. Jovem. 
Fazendo o serviço que muitos e muitas de nós fazemos desde sempre. 
Passa na rua dia sim, dia não.
Usa um óculos escuros, tem sempre um fone de ouvido.

Sobe, desce. Leva o lixo das casas, mas não parece ter perdido a coragem.

Ela, mulher negra. Mais jovem ainda. Na hora que o caminhão passa em sua porta, se posiciona, parece feliz. Ele vem subindo, junto com o caminhão de lixo. Recolhe o que há na rua, acena para algumas pessoas, está de luvas.
É uma cena linda. Eu o vejo, ele subindo. Eu a vejo, ela esperando ele chegar. 

Então acontece. Ele passa em frente a porta dela, ela sorri, chega perto. Ele lhe dá um beijo na boca, com cuidado para não tocá-la. Ela balança o corpo daquele jeito que fazemos quando não conseguimos aguentar a felicidade dentro.

Conversam um pouco e eu que tudo observo, já lavo minha alma com essa dose de alegria de manhã cedo. Mais beijos, mais balanços, ele corre, há que se pegar o lixo e dar-lhe alguma atenção, ele tem cuidado para não tocar-lhe, mas ainda assim não desiste dos beijos. Ela respeita o limite da roupa e da luva, não avança, embora pareça desejar muito. Imagino que aquele balanço intenso é parte do controle que faz para não agarrá-lo.

Um código de corpo que só tem amor.

Ela é jovem e há tanta vida nela que eu remocei alguns anos só de vê-la apaixonada e feliz. Ela é tanto sorriso e balanço que dá para limpar a cidade inteira de desamor e pessimismo. Ele? Ele é quem limpa a cidade da sujeira toda mesmo, ele não é poesia, não, mas, ainda assim, é por ele que o amor se faz 

Toda a rua sabem quando brigam e quando fazem as pazes, ela está lá, ela não está lá, ele não tira os fones, ele não para. Ele e ela me fazem mais corajosa de viver minha própria vida, minhas escolhas. Sem vergonha nem medo.

Sou mais forte vendo o amor ali, esperando o caminhão do lixo. E descobri assim que, ao invés de esperar o caminhão do lixo, o que eu estou esperando agora é ver o amor acontecer, dia sim, dia não, do lado da minha casa. 

sábado, abril 22, 2017

Una.


Tank and the Bangas.


Uma coisa boa leva a outra boa que leva que leva leva 

Cold War, Kiah Victoria.


go, let it go, let it go

Conselhos e café.

No café da manhã, um homem me conta que não dá mais, não dá para continuar a conhecer aquela mulher, há problemas.
Ele me relata o que há, eu digo que não há. Falo que é possível, conto histórias, mostro como com vontade a coisa pode ir, se são esses os problemas que ele e ela têm, a gente resolve, dá pra resolver. 

Eu lembro de mim mesma e penso no que eu gostaria, mas também lhe digo que viver junto sempre tem lá suas coisas, mas é preciso querer. Acho que o difícil é saber se há querer. Mas se há, aqueles dois problemas não serão problemas. 
Ele fica em silêncio. Ele ouve. Ele diz

você tem razão

E suspira. Eu digo para mandar-lhe flores e não desistir. Ele sorri. Faz-se um silêncio, mas é de paz. Vou embora, ele aperta minha mão, tem o rosto sereno, cansado, mas sereno. 

Eu vou embora, falando de outras coisas. Quebrando o silêncio de paz, levando um pouco de amor.

sexta-feira, abril 21, 2017

Sentido.

Eu quero mais, mais do que ele poderia pensar que poderia me dar.
Ele não sabe a medida do que eu quero sentir (nem eu sei, vai saber).
Mas ainda está aqui. E diz querer aprender. 

Não vou ensinar.
Só vou fechar os olhos, respirar fundo e segurar na sua mão. 

Alguém assim.

eu fico feliz quando falo com você porque você é feliz com o que tem, é difícil encontrar alguém assim

Ele disse isso e depois me disse a verdade. Disse que não poderia segurar minha mão e nem estar comigo quando eu quisesse companhia para olhar o mar. Ainda assim, acreditei nele, porque eu sou feliz, mesmo sem ele aqui, mesmo só tendo conhecido ele e sorrido com o fato de ele ser ele, só isso.
 


quarta-feira, abril 19, 2017

A vida é leve.

Chove, eu tenho uma sombrinha e divido com a moça que desce comigo da van.
Há um homem e ele vai conosco conversando, tem o mesmo nome do primeiro menino por quem me apaixonei quando tinha seis anos.
Na viagem, passamos o tempo falando sobre a vida, ele me pergunta o que eu quero, eu digo, ele sorri, ele me agradece por fazê-lo sorrir num dia ruim. Eu digo "todos temos dias ruins" e ele sorri de novo, um sorriso meio amargo, parece lembrar do que não foi bom.
Está cansado, suspira. Me conta do que fez e não fez quando era jovem, ali naquela mesma cidade, que eu ainda estou por conhecer.
E me faz sentir o prazer de falar e ouvir, de saber sobre alguém que eu sei que não vai fazer parte da minha vida, mas foi inteira, enquanto esteve ali.

terça-feira, abril 18, 2017

Pão quente.


O amor pode estar longe, mas é sempre quente.
Quente como pão quente saído de um forno quente numa cidade fria.
Um pão quente que faz muçulmanos e cristãos sentarem-se à mesa e entenderem-se em línguas diferentes.
Mas, não é o pão quente.
É o amor (que também é quente).

Dias melhores já chegaram.

É quando o tempo não passa nem devagar, nem rápido que você imagina ter chegado num momento da sua vida em que você se sente extremamente feliz todo o tempo. O tempo de acordar cedo, fazer tantas coisas e sair para trabalhar, conversar com o vizinho, oferecer um pedaço de bolo.
Voltar em casa, almoçar. Ou ir na casa de alguém almoçar. Depois voltar para o trabalho e dizer para alguém que foi dormir sorrindo lembrando da cara dela.
O tempo passa, nem rápido, nem devagar.
Ele só passa, porque ele é rei, ele sempre passa.
Mas você sabe que você é feliz quando não espera mais sábado ou feriado para acordar cantando uma música que te faz bem.

sexta-feira, abril 14, 2017

quinta-feira, abril 13, 2017

Lost & Found.


Tenho vergonha por você ser quem me fez/ sentir como me sinto

Tudo tão muito e fim

O mais doído é que tantas gentes me machucaram
Tantas gentes me feriram
Tantas coisas me marcaram

E foram os silêncios que me fizeram sentir solidão

Stop where you are.


[Acenda uma fogueira onde você está]

Coisas bunitas, Sara Tavares.


Yolo yolo.


[Donald]

Ciclo.

E depois de sete anos, a imagem volta ao lugar de nunca deveria ter saído.
A imagem que me capturou, que me fez melhor, que me fez mais sorrir do que chorar.
A imagem que me aproximou agora é a que me afasta, que me entristece.

Melhor longe do que mágoa.

E o que era concreto, dissolveu-se na poeira.

Mundo novo.

As pessoas marcam, se marcam. Na história, pela vida. Se deixam levar, levam também. As pessoas nunca são só as pessoas. São coisas, bichos, plantas e lugares. As pessoas não conseguem deixar de ser.
Tem gente doída da vida mesmo, que te encontra e só quer paz. Mas isso não é coisa que se dá assim, que se compra. Demora para entender que dizer não, hoje não, já muda muito. Tem dias que eu não consigo dizer não. Mas tem dias que eu me admiro de gentes sem conseguir.

domingo, abril 09, 2017

É isso.


Trança.

- Você trança cabelo?
- Tranço, vem aqui.
- Quanto é?
(Silêncio) - Não sei, nunca cobrei. É como?


Flor da (cor) da pele.

Ando à flor da pele... não, danço à flor da pele.

Eu fechei a porta. Bati o pé, botei uma pedra. Não vou ficar aqui com nada que me faça mal.

Eu aceito que a gente sempre aprende, que a gente erra, que a gente pode se enganar. Eu aceito desculpas, eu peço, porque eu já sei, nessa idade, que não sei tudo. Eu tenho vergonhas, eu fico sem jeito, eu fico com raiva de coisas estúpidas, eu volto atrás, eu demoro, eu vou rápido. 

Mas, não. Não tudo, não sempre, não de todo mundo, não de quem você ouviu e leu eu te amo. Não, não agora, talvez depois. O que me entristece são os silêncios para sempre. Para sempre é tempo demais. Alguém que não te diz pelo menos não, agora não, eu não posso, está doendo, estou confuso, estou com medo. Eu fico triste de ter amado ou amar alguém que simplesmente some sem dizer nada, como se desse para ler nos silêncios as palavras todas que ela não consegue nem se ouvir dizer. Eu não quero ter más lembranças de gentes que eu amo.

Então, melhor fechar a porta.

Porque ela ficou aberta tempo demais e muita poeira entrou. E cobriu meu coração de terra, tanta terra que daria para enterrar o sentimento. Mas eu não quero enterrar nada. Eu quero continuar ouvindo uma música e sorrir um sorriso bobo, pensando em quando a gente dançou aquela música um dia.

Eu também tenho direitos. Um deles é escolher ser feliz e dizer não.

Que no fim das contas, pode ser um enorme sim.

Não me pegue, não/ me deixe à vontade


Confiança.


sábado, abril 08, 2017

Miudezas.

É quando o coração fica miúdo, moído, que se tem certeza que doeu.

Ele me escreveu, um e-mail com mais de duas frases, contou histórias. Não acreditei. Respondi, fui educada, mas não fingi um flerte, seria mentira.

Minha cabeça, meu coração, não quer passear entre os passados delirantes e felizes e nem pelos mornos e calmos, meu coração só quer bater, sem pensar, só bater. Quero ver, ser vista, amar, ser amada. Simples? Parece que não.

Eu chorei um monte de lágrimas, pelas incompetências todas que me ocorreram. Aquelas que não soube fincar pé e brigar, outras que eu tive preguiça. Mentira, nunca é preguiça, às vezes é só porque eu quero um colo. Chorei voltando para casa, na van. Não procurei esconder, todos viram. Não ligo de amar, de sentir. Ainda que de um jeito miúdo, sem alarde, mas amo. Um amor que espera, que não cobra, só ama. Não sei o que fazer com ele.

Vou dormir, então. 

Descontrário.

U-hu, eu nao quero você como eu quero. 

quinta-feira, abril 06, 2017

Mudança.

A gente se muda e a nossa escrita se muda com a gente.
Outros sons, barulhos, novos vizinhos, outros interesses.

E isso aparece na palavra, no texto, nos poros, na pele.

Sou feliz, assim.

A um passo do estrelato.


Definitivamente, documentário musical é o que eu mais amo na vida (depois de livros escritos por mulheres, crianças e comida).

quarta-feira, abril 05, 2017

Nomes.

Quero uma filha pra chamar de Lúcida.

terça-feira, abril 04, 2017

A cidade e o tempo.


O tempo é um bicho engraçado, fugidio, rasteiro.

Mudar de cidade e aprender os tempos do lugar é sempre um desafio gostoso de viver, dá agonia de saber como vai ser, mas quando acontece, a gente se perde (e também se acha).

Estou vivendo numa avenida de uma pequena cidade. Há o barulho dos carros, das motos. Das motos, das motocas, motocicletas, muitas. Sempre. Tantas.

Há as pessoas passando, aquelas que ficam com seu grito indescritível:


Ó o quiabo novinho, freguesa

Olha a poooooolpa!


E as pessoas que passam conversando alto, tomando parte de quem passa, de quem fica, de quem não voltou. Gesticulam, falam da vida, se espantam, chamam atenção, conversam, sorriem, puxam papo.

O moço me viu duas vezes, na primeira eu queria informação sobre carreto, na segunda perguntou se eu consegui mudar. Contei minha história, descobri que o moço do carreto era seu parente, me convidou pra uma festinha no final de semana. A mãe dele passava e chamou os dois, vem aqui, Miro, traz ela, comi arroz doce quando era quase meio dia. Mas não importa, amo arroz doce, amo casa dos outros, amo conhecer gente nova.

Ela é uma senhora, mas também tem uma moto. Me mostrou a moto, o capacete, riu da minha cara quando eu disse que não sabia guiar nem bicicleta. Disse que ia me ensinar, pra aparecer na pracinha que ela está ensinando a neta aos sábados pela manhã.

Vim embora sem querer vir. Só vim.

Como o tempo.

domingo, abril 02, 2017

Sem ar.

Queria poder abrir o peito, para respirar.
Por vezes tenho sonhos que quando me lembro no outro dia, tenho um mal-estar. Lembro e esqueço novamente mas, quando lembro, sinto como se o sonho, quando sonhei, estava sendo real.

Meu corpo não cabe em mim, preciso respirar.
Não saberia explicar a sensação melhor que isso.
Hoje acordei assim, vi um filme e, mesmo sem caber em mim, mergulhei mais para dentro. Há histórias que nos tocam e fazem a gente olhar pra dentro e para os lados. Às vezes, a gente não encontra ninguém. Para dizer o que somos, o que não somos. Que o amor vai vencer, que não somos perfeitas, mas elas estarão ali.

E a gente tem medo, ou se anestesia da vida, de sentir.

Não sei muito de mim, e descubro que sempre sei menos ainda, quando me sinto assim, sem ar. Penso nas coisas que eu fiz ou não fiz, porque fiz, se faria diferente... e não tenho certeza de nada.

Eu aprendi a falar menos, ouvir mais. Não consigo sempre, mas isso também dói. Falar menos, ouvir mais, também tem dores. Nada te livra dessa coisa chamada (con)viver. Mas é justamente aí, eu não quero que seja um fardo, quero que seja leve, mas não. Vejo que na maioria das vezes em que as pessoas relevam algo que acreditam ter doído nelas, aquilo ali fica, cresce, machuca mais. Não é 'deixa pra lá' e acabou. É 'deixa pra lá', mas ela mesma ainda está sentindo doer, e muito. E aí, quando outra coisa acontece, ela embola as coisas, mistura a zanga de antes com a atual, mistura as frustrações todas, não sara, não passa. Porque ela 'deixou pra lá'.

Uma vez, briguei com um amigo. Eu o amava muito, e nós ficamos sem nos falar. Ele lutou pela nossa amizade, e soube reconhecer que errou. Eu estava machucada, não me enganei. Não deixei pra lá, senti minha raiva, minha zanga. Quando me curei, voltamos a nos falar. Eu sei que ele é uma das pessoas que mais me ama no mundo.

Eu não estou dizendo que eu sou perfeita, não. Eu estou dizendo que gosto de mexer no que está quieto mesmo, porque desconfio que debaixo daquela calmaria toda tem um mar revolto. E esse mar é que não me deixa respirar. Só que esse mar revolto, só dá pra enfrentar junto. Se as pessoas não quiserem lidar com ele, não adianta a gente ir sozinha... e a gente vai, navegando nas águas paradas, com aquele mar revolto por baixo.

Mexer no que está quieto dói pra todo mundo, mas dói menos do que olhar para as pessoas com aquela coisa que você não consegue lidar e vai deixando lá no fundo, debaixo do tapete... e aquilo cresce, dói, eu não quero isso. 

Fences.


sábado, abril 01, 2017

Outro Milton (Nascimento).


legenda: Foto 3x4 de Milton Nascimento com aproximadamente 10 anos.
Rio de Janeiro, RJ, s/d.
personagem: Milton Nascimento
Retrato de Milton Nascimento com aproximadamente 10 anos. Apesar da foto ter sido feita no Rio de Janeiro, o menino Bituca (apelido extraído do nome “Botocudo”, tribo indígena) já residia em Três Pontas, MG, terra de seus pais adotivos.

Ciência-Poesia.



É de manhã e eu lendo ciência-poesia.

Para isso, é fundamental viver a própria existência como algo de unitário e verdadeiro, mas também como um paradoxo: obedecer para subsistir e resistir para poder pensar o futuro. Então a existência é produtora da sua própria pedagogia. (Milton Santos, Por uma outra globalização, Ed. Record, 2007, p. 116)

quinta-feira, março 30, 2017

Rede Extremo Sul.

Quer ver beleza e luta? Vem aqui, ó. Ah, e aqui.


quarta-feira, março 29, 2017

Era o Hotel Cambridge.


Leia para ela.

Recebi no email, achei uma lindeza:

Prezadas docentes e alunas,

A Pró-Reitoria de Graduação concedeu à Faculdade de Educação uma bolsa para aluno de pós-graduação com disponibilidade para atuar como ledora de textos para uma aluna com deficiência visual.  
A bolsa, no valor mensal de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), será concedida de imediato, pelo período de 3 meses (abril, maio e junho)
Os interessados devem fazer sua inscrição na secretaria da Direção da Faculdade de Educação até 2a.feira, dia 3 de abril, informando: nome completo, CPF e RG; endereço, telefone e e-mail; curso de pós-graduação no qual está matriculado; e número USP. 
A todos que puderem colaborar, pedimos a gentileza de fazer rápida divulgação, pois a aluna precisa terminar sua licenciatura neste semestre.
Grata pela atenção.

domingo, março 26, 2017

Trovão.

Um código sem aviso
Suas batidas na parede
E a certeza do seu corpo, retorcido de desejo
Eu ali, pele e sorriso, a brasa

Ele trovão, eu terra
Na espera do encontro relâmpago
...

Entre nós, só luz (e lençóis brancos)





Maxixe, minha áfrica de amor.

quinta-feira, março 23, 2017

Não me conheço.

Eu prometo que vou tentar, fazer tudo certo.
Amar e só amar. Sem me perguntar os motivos todos.
Me deixar sentir, lavar a alma da mágoa e do medo.
Sorrir, viver, desfrutar, sorver.
Ser.
Eu prometo que vou tentar, fazer tudo certo.

(se eu sumir, é porque deu certo)

quarta-feira, março 22, 2017

Fenda.

Bem que eu queria
a viva voz
te anunciar o meu amor
e colocar na mesa dos teus braços
o meu destino.
Mas a timidez prende-me os gestos
do profundo apreço
congela-me os movimentos,
embaraça-me as palavras,
meu desejo se amedronta.
Emudeço.

Geni Guimarães, (Balé das emoções, 1993, p. 16)


segunda-feira, março 20, 2017

Pergunte a eles.

Os homens brancos não entendem. As mulheres brancas também não. Os homens negros, pergunte a eles.
Mas nós, mulheres negras, inventamos outros jeitos de viver essa vida sacana e nem sempre dá pra explicar com letras inventadas por outras pessoas que nem nos conhecem o que a gente fez para chegar aqui.
Se falamos, vitimismo.
Se calamos, soberba.
Se gritamos, loucura.
Se morremos, desistimos.


Por isso, eu só quero ser eu (com os outros). Às vezes, eu brinco de explicar, mas dá um trabalho danado. Porque eu sei as coisas que eu sei na carne, eu sinto elas. Eu nunca sei se expliquei, mas eu sei porque eu sinto. Você, nunca vai saber não sendo eu, nós, mulheres negras.

sábado, março 18, 2017

Carta.

Encontrei uma carta que escrevi para ele e não mandei. Não escrevi com essa intenção. Só precisava botar pra fora um monte de agonia que tinha dentro do peito.

Engraçado. Agora, de longe, reli e me deu paz.
A carta resume a nossa história até quase hoje. Me li e me vi, me entendi. Me libertei?

Melhor não mexer com o que tá quieto.