Você que me lê, me ajuda a nascer.

quarta-feira, agosto 31, 2016

Montanha Cega.


Não consegui achar o trailer do filme... pena. Forte, mas necessário. 

segunda-feira, agosto 29, 2016

domingo, agosto 28, 2016

Vício.



"Meu vício é trabalhar. Estou em abstinência". Frase de muro, Salvador, BA.

segunda-feira, agosto 22, 2016

Homens brancos.

(foto de Sasha Kargaltsev, Saiba mais aqui)

(esse é um texto que fala das coisas que eu penso, das coisas que eu sinto. Não tem a pretensão de universalizar nada, é só como eu consegui analisar o que sinto a partir das minhas relações com as pessoas)

Eu nunca vi muita televisão. Quando eu era pequena, nem tinha uma em casa. Não sei se por isso, nunca gostei muito de ver TV’, achava muito fora da minha realidade. Ainda hoje, o máximo que consigo ficar ali, na frente da tela, é no máximo uns 30 minutos. Fui ao cinema pela primeira vez com 18 anos e com o passar do tempo, meu olhar tem sido orientado para buscar filmes que falem sobre coisas com as quais me relaciono. Procuro não ver mais esses filmes que não mostram realidades para além de uma família branca, porque não, o mundo não é assim em nenhum lugar que eu conheço e se é em algum lugar, eu não estou interessada em conhecer.

Digo isso pra explicar parte do que sinto em relação aos homens brancos. Apesar do homem branco ser a norma – aquele cara que todo mundo quer namorar – para mim ele não fazia parte do meu sonho de príncipe encantado (eu me apaixonei por Michael Jackson em Bad quando eu tinha 14 anos!), porque ele não existia nos lugares que eu circulei quando era adolescente. Pode ser bem certo que ele não quereria nada comigo se existisse e me conhecesse, mas eu não estive tão perto deles para saber disso na adolescência e assim, como nem estavam presentes, não fui rejeitada por eles e nem me senti mal por algo que eu nem soube que poderia acontecer. 

Fui rejeitada e amada por homens negros. Lembro com carinho inclusive de um rapaz negro cor da noite – Rômulo – por quem fui perdidamente apaixonada por anos e que quando declarei o meu amor, me disse que nunca tinha percebido (depois de conversar com uma amiga, lembrei que tive uma paixãozinha por meninos brancos com 13, 14 anos. Mas nota: eu os achava fofos e inofensivos, não homens. Pelo menos é assim que eu me lembro deles). Eu tinha 16 anos e ainda hoje lembro com carinho de ter sido Rômulo o primeiro cara por quem me apaixonei. Era tudo gente preta, até que me mudei de cidade com 23 anos e depois de um tempo tive mais contato com homens brancos. Descobri o que pensavam de mim e como me hipersexualizavam. Aí entendi outras coisas, mas eu já tinha passado da fase de me sentir feia ou inferior apenas porque um cara branco não queria ficar comigo. Aí, eu já sabia como o racismo funcionava, eu já refletia sobre isso. Não é que ele tinha parado de funcionar comigo, mas eu já tinha mais de 25 anos e ele não me atingiu como atinge as meninas e adolescentes negras, naquela fase em que a gente só precisa se apaixonar e quebrar a cara por mil coisas, menos por causa de coisas como racismo e questões de classe.

Aí comecei a pensar sobre isso e descobri coisas. Que eu me lembre, assim, de cara, todos os homens brancos que eu conheci na minha vida – TODOS – tinham uma situação social econômica melhor que a minha e que a de meus amigos e namorados negros. Assim, estes meninos (eu não consegui escrever homem aqui, deixei como veio) sempre tiveram um melhor suporte das famílias para se tornarem quem são. Suporte financeiro, mas também mais carinho e uma base emocional mais sólida, com mães declarando amor e a necessidade de tê-los perto, o que mudava substancialmente o modo como eles se colocavam nas relações comigo.

Me vi pensando nisso agora porque antes de me relacionar com um homem branco – eu tive um namorado branco apenas – e conhecer alguns outros, eles não eram referência para mim. Durante toda a minha vida, foram os homens negros que constituíram a imagem de homem que eu tenho na minha cabeça. Os homens negros eram os piores e os melhores, não havia comparação com outro grupo racial. Isso tudo eu tou sabendo agora, depois de muito tempo vivendo sobre a terra e percebendo que todas as minhas referências mais próximas foram sempre de pessoas negras. Assim, esperava que o homem branco que eu conheci melhor fosse HOMEM como eu achava que um HOMEM TEM DE SER. E aí me peguei perguntando, será que eu não estava sendo sexista ao dizer que eu esperava UM jeito de ser HOMEM? Me perguntei e descobri uma resposta.

Basicamente, assim como eu penso de mulheres, para mim os homens são HOMENS QUANDO SÃO pessoas que tomam as rédeas de sua própria vida. Isso pode acontecer de várias maneiras, não há um só jeito de ser HOMEM e não precisa usar azul, arrotar na mesa ou falar palavrão. Pode usar echarpe e brinco nas orelhas, pode usar rosa e chorar. Mas para ser homem, assim como para ser mulher, eu sinto que é preciso enfrentar a vida (inclusive, conheço HOMENS NEGROS GAYS e digo que não conheço HOMENS BRANCOS).

Passei a ver homens brancos como não-homens porque todos que conheci pareciam não ter crescido, não por nenhum outro estereótipo como serem mais delicados ou coisa do tipo. Não consigo desejar esses rapazes porque gosto de gente que eu posso admirar, e não admiro gente sem coragem de enfrentar as coisas, homem ou mulher (prova disse que minha paixão atual é Claressa Shields. Meu desejo por ela não é sexual, mas um desejo que envolve força, energia, tesão de viver). Descobri assim que homem branco, diferente do que muita gente diz por aí, não me atrai. Quando isso acontece, é porque ele tem características que admiro, como coragem pra enfrentar a vida, o que pra mim, é coisa de homem preto que, querendo ou não, foi jogado nesse mundão aí sem nenhum manual de sobrevivência. Curiosamente, quando presto atenção em homens brancos, é quando eles tem características de HOMEM que, para mim, são os negros (percebo também que quando dou trela para um deles, tem a ver com a relação de poder que se estabelece ao estar sendo cortejada por um deles e, mesmo que isso não envolva desejo sexual, é excitante). Tudo isso demonstra como raça importa.

Num primeiro momento, entendi que essas qualidades poderiam fazer os homens brancos mais “sensíveis”. Mas não era bem sensibilidade o que eles possuíam. Eles não aguentavam certas coisas, certos perrengues, porque aqueles que eu conheci nunca tiveram de passar por eles, tinham um suporte que de certa forma não os ajudavam a descobrir quem eram e a prosseguir nessa longa estrada de aprender mais sobre eles mesmos e se verem em situações de adversidade – que nem precisa ser não ter grana ou não ter amor, mas pode ser sei lá, algo como enfrentar a morte de um ente querido ou ter coragem para ir naquela entrevista chata de emprego.

A falsa impressão de possuírem mais sensibilidade inicialmente me conectou a eles, porque imaginei que ser mais sensível conteria uma centelha de reflexão sobre a condição da mulher e em especial da mulher negra, algo que alguns homens negros não possuíam – pelo machismo, sexismo e racismo que infelizmente nos consome. Eles não precisavam ser machões, poderiam chorar e continuar sendo homens sem serem questionados como os homens negros, eu achei que esse privilégio de ser homem branco poderia nos fazer encontrar, no meio do caminho havia sensibilidade e acolhimento, havia acolhimento e sensibilidade no meio do caminho. 

Ledo engano. Porque isso que chamei de sensibilidade não é bem sensibilidade... É alguma coisa que tem a ver com o fato de não terem necessitado crescer e enfrentar a vida, por terem o suporte da mamãe e da família, às vezes. Continuam adolescentes, presos à barra da saia da mamãe (para os homens brancos que não tiveram nada disso, não posso opinar. Como eu disse, estou falando dos que eu conheci. Não havia nenhum entre eles que tinha sido, por exemplo, uma criança indesejada. Mesmo que isso tudo possa ser contestado, o que eu estou querendo dizer aqui é que, para mim, homens brancos que fugiram a esse modelo não estavam agindo como homens brancos e é aqui que reside a diferença de análise).

Claro que meus modos de ver homens e mulheres tem sexismo e machismo no meio, não duvido. Mas existe algo nisso tudo que escapa às definições que temos sobre o que é ser homem e o que é ser mulher: estou dizendo que, para mim, nas minhas relações interpessoais, ser HOMEM não é ser homem branco (e isso muda tudo, altera o que dizem por aí. Mas eu sei que tem mais gente que sente coisas parecidas com as minhas). Não tenho dúvidas que o sujeito universal seja o homem branco, mas é certo que eu consegui dissolver em parte sua presença na minha vida cotidiana. Ao tornar o homem negro HOMEM, eu também não resolvi nada, apenas sinto que consegui, 35 anos depois da minha existência, promover uma rotação de perspectiva emocional. 

Acho que isso só foi possível porque vivi muito tempo entre as pessoas que pareciam comigo, sem buscar referências em coisas fora do meu contexto. Eu conheço homens negros que admiro e uns que não, mas a verdade é que essa visão me faz humanizá-los, vê-los como pessoas, não esperar deles apenas violência ou sacanagens. São pessoas, com os erros e acertos de ser. Quando gosto ou desgosto, não é em relação ao que eles poderiam ser se fossem brancos, mas o que poderiam ser se pudessem ser visto como pessoas (e é lógico que eu sei que a branquitude é um dos lugares em que se pode acessar a humanidade em nossa sociedade racista, só estou dizendo que acho que pouco a pouco, eu consegui ver os homens negros também como um ponto de conexão). Acho que é por isso também que ainda acredito no amor (e estou completamente apaixonada por um deles agora mesmo).

(com isso tudo, quero dizer que entendo que a luta feminista negra só será possível de ser feita junto com os homens negros, acreditando que eles, assim como nós, precisam ser amados).



domingo, agosto 21, 2016

Todos se van.


Filme péssimo, propaganda anti-Cuba e revolucionário burguês demais pro meu gosto.

Science launches the 2016 ‘Dance Your Ph.D.’ contest


Jun. 2, 2016 , 8:30 AM


Calling all scientists! We want to know what your Ph.D. research was about. Or, if you're a current Ph.D. student, what are you working on now? But forget the PowerPoint slideshow. We don't even want to hear you talk. We want to see you dance.

The ninth annual Science/AAAS Dance Your Ph.D. contest is open! Got a free weekend this summer? Get together with your friends and labmates and make a dance video. It can be any style, from ballet and breakdancing to your own highly abstract interpretive dance. The final product should be not only fun to watch but helpful for others to gain an understanding of your scientific research. If you can pull that off, you can win a portion of the $2500 cash prize.

The deadline for submissions is 30 September. To enter the contest, and to see examples of past winners for inspiration, visit the contest homepage.

Good luck, scientists. Get your #DanceYourPhD on!

Mais aqui.

sexta-feira, agosto 19, 2016

T-Rex.


Estou completamente apaixonada por Claressa Shields. Hoje, quando ela se torna campeã olímpica pela segunda vez, aos 21 anos, eu fico ainda mais feliz. Linda. Maravilhosa. Doce e forte, não necessariamente nessa mesma ordem.

sexta-feira, agosto 12, 2016

quarta-feira, agosto 03, 2016