Você que me lê, me ajuda a nascer.

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

domingo, fevereiro 21, 2016

Segurança.

Eu te amo.
Foi a última frase ao telefone.
As pessoas falam de beijinhos roubados e eu penso nele.
Falam em peripécias de amor e eu só penso nele.
Nele e na grande TV que vamos comprar para passar o dia estirados vendo pencas de filmes.
Nossas brigas mais sérias são para definir a grade de programação.
Parece que eu sinto que agora que...
... eu encontrei aonde repousar.


Deadpool.


sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Poemar.

A poética narrativa infantojuvenil Poemar: historinha da Mãe Negra Iemanjá é um convite para as crianças de ontem, hoje e amanhã para um profundo mergulho nas águas que representam a beleza da bravura e singeleza da mãe-rainha Iemanjá, desde as origens do seu culto na África, em Abeokutá, até a sua chegada às águas das terras de cá, as brasileiras. A obra explora um universo literário que sendo da criança também é do adulto. Este elemento está associado à marcante inspiração da literatura clariciana na vida do poeta Marlon Marcos, já que para ele, Clarice Lispector representa em sua vida uma das principais fontes teóricas de escrita literária.




MARlon MARcos, como uma predestinação, nasceu às margens da Baía de Todos os Santos e foi batizado com um nome que guarda a multiplicação da morada da Mãe Negra, o Mar (Okún), já que é filho da Iyá Ogunté, juntamente com o Babá Oguian. Ele é graduado em História e Jornalismo, mestre em Estudos Étnicos e Africanos e está cursando bacharelado em Ciências Sociais e doutorado em Antropologia. O seu legado acadêmico e de produção artístico-literária demonstra o seu desejo em ressaltar as riquezas deixadas pelos nossos ancestrais africanos, principalmente, através da religiosidade, em específico, o Candomblé.

Extraído do Correio Nagô.

O Regresso.


quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Assim.

Foi assim no meio de uma tarde bem quente que eu me descobri apaixonada.
Uma sinaleira fechada e um amigo me cutucando para mostrar um homem lindo do outro lado da rua e eu pensei nele na hora.
Em como ele tem aquela cor pele cabelo olhos sorriso bico tudo pra mim.
E eu não preciso mais ser cutucada por aí. 

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Decifra-me ou devoro-te.

Eu deveria ter lido esse livro antes. Um livro com histórias orais de meninos em situação de rua em Salvador. Surge logo depois da defesa de doutorado da autora tese que se chamou O rango e a utopia: história oral de vida das famílias dos meninos de rua e recolheu histórias de crianças (até agora não encontrei meninas) que na década de noventa passavam parte de seu dia nas ruas de Salvador.


Meu pai disse que homem que rouba merece morrer. Tem uns caras aí que dizem que se a gente não roubar aí é que vai morrer mesmo
Joca (11 anos)

Nós fizemos essa música que eu gosto muito de cantar com meus amigos do grupo:

Superfantástico da mente
polícia atrás da gente
com bala e canhão
subo a ladeira da Montanha
piranha se assanha
pega ladrão! ...
Luiz (11 anos)

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

sábado, fevereiro 06, 2016

De óculos.


Macunaíma.

Disseram que era pra ler e eu tou lendo. Eu estava achando bom, mas cansei. Vou terminar só porque dez entre dez pessoas dizem que é um romance de formação e todo aquele blá-blá-blá sobre a formação do Brasil e do povo brasileiro, que tem de ler, o mesmo que dizem pro romance de Gilberto Freire,  o tal Casa-Grande e Senzala. Ops! Esse não é romance, é um livro de sociologia... falha nossa. 
Eu sempre pirei em Macunaíma porque foi Otelo quem fez no cinema,  sempre pirei pra ler só por causa disso. Por isso é tão importante nos sentir representados,  isso me fez querer ler Macunaíma,  e talvez eu gostasse mais ainda de ler se não tivesse passado minha adolescência lendo livros como A servidão humana, de um cara chamado Somerset Maugham (que nunca mais nem ouvi falar...) e Papillon... 
 Grande Otelo em cena de Macunaíma, 1969.


Mas taí, Mário de Andrade era negro e eu só descobri isso muito tempo depois. Ele também é um cara importante na minha área pelo que fez com relação à educação da infância em São Paulo, os tais parques infantis. Ainda hoje em São Paulo é possível estudar em escolas da rede municipal com a estrutura dos parques infantis de Mário, taí uma boa coisa,  reformar essas escolas, tombar,  pra voltar a ser referência. 




(botei mário de andrade parques infantis são paulo no Google e saiu isso tudo aí)

Cabra bom esse seu Mário. 















Acabei achando até uma exposição sobre o assunto

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Rebelião Escrava no Brasil: a história do levante dos Malês em 1835.

Pois bem. Fiquei de escrever aqui sobre os livros que ando lendo. 

Um deles agora é o de João José Reis (ed. revista e ampliada, 2003, Companhia da Letras) - o nome está no post do título - e é um clássico sobre a rebelião dos Malês. Leitura obrigatória para saber mais sobre mim. Selecionei duas passagens que me fizeram bem de ler (ainda estou no começo, mas fiquei com ganas de escrever)

O que se suspeita que fosse a distribuição de riqueza numa sociedade escravista, agora pode ser aproximadamente avaliado em números. Os 10% mais ricos controlavam 67% da riqueza. Se isolarmos apenas os 5% do topo, verificamos que possuíam 53% da riqueza. E se destacarmos os dez indivíduos mais ricos da amostra, eles despontam como proprietários de 37% dos bens inventariados. Essas dez pessoas representam apenas 2,3% da amostra de 395 [pessoas]. Aí se encontravam os mais poderosos senhores de engenho [leia-se escravocratas] e os grandes negociantes. (p. 30)

[...] alguns cativos ousaram ocupar cadeiras e participar dos debates no recinto da Câmara Municipal. A história de um deles é contada pelo secretário dessa casa, Attaide Seixas: "e reparando eu em um negro José Inácio,  cativo de Felix da Silva Monteiro, sentado nas cadeiras da Câmara,  perguntei-lhe quem era,  respondeu-me que era um Cidadão como eu, e mostrou-me uma faca de ponta batendo com ela sobre a mesa". (p. 66)

Me leva embora.

É sim. Não posso fingir que não. Ouço essa música e fico assim...
Me leva embora


(Uma música inspirada em Cantiga de Ninar Malvina, poema de Jorge Amado que abre o terceiro capítulo de Gabriela, com música de Caymmi. Grifei em negrito as partes que viraram música)

Dorme, menina dormida
Teu lindo sonho a sonhar.
No teu leito adormecida
Partirás a navegar.

Estou presa em meu jardim
Com flores acorrentadas.
Acudam! Vão me afogar.
Acudam! Vão me matar.
Acudam! Vão me casar.
Numa casa me enterrar
Na cozinha a cozinhar
Na arrumação a arrumar
No piano a dedilhar
Na missa a me confessar.
Acudam! Vão me casar
Na cama me engravidar.

No teu leito adormecida
Partirás a navegar.

Meu marido, meu senhor
Na minha vida a mandar.
A mandar na minha roupa
No meu perfume a mandar.
A mandar no meu desejo
No meu dormir a mandar.
A mandar nesse meu corpo
Nessa minh’alma a mandar.
Direito meu a chorar.
Direito dele a matar.

No teu leito adormecida
Partirás a navegar

Acudam! Me levem embora
Quero marido pra amar
Não quero pra respeitar
Quem seja ele – que importa?
Moço pobre ou moço rico
Bonito, feio, mulato
Me leva embora daqui,
Escrava não quero ser.
Acudam! Me levem embora.

No teu leito adormecida
Partirás a navegar.

A navegar partirei
Acompanhada ou sozinha
Abençoada ou maldita
A navegar partirei.
Partirei pra me entregar
A navegar partirei.
Partirei pra trabalhar
A navegar partirei.
Partirei pra me encontrar
Para jamais partirei.

Dorme menina dormida
Teu lindo sonho a sonhar.

Um suspiro.

Não. Não mais.
Ligar, procurar, escrever, atender, responder. 
Não.
Não posso mais, eu gosto demais, eu vou sofrer demais.
Eu vou procurar outras pessoas e coisas, eu não vou mais.

Eu não vou aceitar mais.
Eu consigo. 
Um suspiro.

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Perigo.

Eu gostaria muito que as pessoas me dissessem que eu pisei na bola, sem precisar ameaças, sem me fazer parecer politicamente incorreta, sem usar jargões ou aspas, sem mais nada além de querer dizer que eu pisei na bola. É difícil, eu sei. Normalmente quando a gente pisa na bola, a pessoa se chateia do outro lado e pode vir uma bomba qualquer. Mas ainda acho que prefiro uma bomba de chateação do que ameaça, estranheza, perigo, coisas assim, que te deixam sem saber se pedir desculpas é melhor que ficar em silêncio. 
Fico em silêncio, pedindo desculpas a mim mesma, então.
Desculpas por acreditar de novo, isso não.
Desculpas por deixar de fora a leveza da vida para empacar diante do peso que certas palavras trazem. Palavras que tem por trás delas, uma boca, pessoa, gentes, história. Desculpas por achar que desistir, às vezes, é errado. Mas não posso seguir com quem quer ficar. 
Fico em silêncio, pedindo desculpas a mim mesma, então. 

Charlie Brown, o filme.


terça-feira, fevereiro 02, 2016

Creed: nascido para lutar.




Alguém pode me contar o motivo desse filme não ter nenhuma indicação ao Oscar??? E ainda tem gente dizendo que Spike Lee é radical quando fala que o Oscar é racista...