Você que me lê, me ajuda a nascer.

domingo, janeiro 31, 2016

(pausa)

Momento-dança
Menino-criança
Vida-balança
Momento-dança
Infância
Menino-criança
(não se embaça a esperança)

Eles, nós (eus)

Eu queria rasgar a carne, não sentir nada naquele segundo antes da dor chegar e me tomar por inteiro.
E ao ver o sangue que jorraria da carne rasgada, sorrir de prazer ao sentir, só por sentir.
Pra ter certeza que sentir é melhor do que saber.

As pessoas confundindo amor com compromisso.
Esquecendo de viver o que é necessário para ser feliz.



quarta-feira, janeiro 20, 2016

Apenas o começo.





Apenas o começo", de Jean-Pierre Pozzi e Pierre Barougier, se passa em um jardim de infância em Mee-sur-Seine, localizado em uma área de educação prioritária chamada Seine-et-Marne. Lá, um professor prepara um workshop para fazer as crianças, a partir de 3 anos de idade, refletirem sobre questões filosóficas que preocupam os seres humanos ao longo de suas vidas: o amor, a liberdade, a autoridade, a diferença ou inteligência.
Dá pra assistir na Tv Escola. Só fazer o cadastro e botar o nome que ele aparece. 


Novidade.

Um email com quatro palavras e todos os suspiros do mundo. 
Passei a noite lendo antigos posts, todos os que fiz para ele, todos os emails que ainda tenho, fotos, velhas e novas. Foram muitas palavras - e muitas imagens, mas agora uma pequena frase feita com quatro palavras viraram minha cabeça.
Eu ainda lembro do dia em que o telefone tocou e do outro lado ele me disse não. Mas só depois de dois anos eu descobri que esse não tinha uma razão de ser. A vida continuou, eu fiz escolhas - ele tinha feito outras tantas - nossos tempos nunca mais se encontraram. Ano passado, decidi não encontrá-lo mais. Não poderia suportar ver ele e o que tinha se tornado, pelas escolhas que tinha feito. Não que algo de ruim tenha acontecido. Nada disso. É que o que a gente tinha havia se perdido demais, ou estava escondido demais, vai saber. 

você entrou no trem, e eu na estação

Uma coisa assim. Era estranho, não queria ser para ele qualquer uma. Porque eu não era, sabia, mas parecia. E tudo que eu não precisava era parecer qualquer uma, não naqueles tempos em que nos reencontramos. 
E agora estou aqui, sem saber do que se trata tanto mistério. Mas acho que tenho medo de saber. Queria passar mais uns dias sorvendo a alegria da lembrança, sentindo a delícia que seria ouvir o que espero, uma surpresa, a surpresa. 
Mas, de qualquer modo, fosse o que fosse, seria bom poder vê-lo novamente, só pra ouvir. Mesmo que o final da história não fosse assim tão feliz. 

Os oito odiados.


Homem negro, inferno branco.

terça-feira, janeiro 19, 2016

As sufragistas.

O que eu faria se eu pudesse votar? Não sei, nunca pensei que isso aconteceria, Maud Watts.


Coco antes de Chanel.

É a segunda vez que eu vejo esse filme, mas a mesma frase me tomou:


Eu sempre soube que não seria esposa de ninguém. Mas às vezes me esqueço, Coco Chanel.

Z.


sexta-feira, janeiro 15, 2016

Meio Sol Amarelo.



Tá bem, todo mundo já leu. Mas eu não estou nem aí. Li todos os outros livros de Chimamanda antes do primeiro que a consagrou. Fiquei torcendo o nariz porque era famoso. Mas taí, gostei muito. 

No site da editora, o resumo é assim:

Filha de uma família rica e importante da Nigéria, Olanna rejeita participar do jogo do poder que seu pai lhe reservara em Lagos. Parte, então, para Nsukka, a fim de lecionar na universidade local e viver perto do amante, o revolucionário nacionalista Odenigbo. Sua irmã Kainene de certo modo encampa seu destino. Com seu jeito altivo e pragmático, ela circula pela alta roda flertando com militares e fechando contratos milionários. Gêmeas não idênticas, elas representam os dois lados de uma nação dividida, mas presa a indissolúveis laços germanos - condição que explode na sangrenta guerra que se segue à tentativa de secessão e criação do estado independente de Biafra.
Contado por meio de três pontos de vista - além do de Olanna, a narrativa concentra-se nas perspectivas do namorado de Kainene, o jornalista britânico Richard Churchill, e de Ugwu, um garoto que trabalha como criado de Odenigbo -,Meio sol amarelo enfeixa várias pontas do conflito que matou milhares de pessoas, em virtude da guerra, da fome e da doença. O romance é mais do que um relato de fatos impressionantes: é o retrato vivo do caos vislumbrado através do drama de pessoas forçadas a tomar decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e família, lealdade e traição.

É isso aí. Mas se eu fosse fazer o meu resumo, eu escreveria assim:

Nunca achei que ia aprender mais sobre a Biafra num livro de literatura do que na escola.

Tem coisas que eu não gosto no livro. Mas é tudo birra minha e eu não vou ficar comentando. Ela escreve bem, se é isso que importa. Eu gosto, muito embora nunca vá desbancar Toni Morrison. Há algumas coisas que para mim não funcionam na trama, mas tudo bem. São só meus olhos de escritora frustrada achando que eu faria diferente. 

Fizeram o filme também. Eu nunca gosto dos filmes que fazem dos livros (em parte porque eu acho muita cara de pau de diretor de filme que já pega roteiro pronto). Mas eu vi que quem faz Olanna é Thandie Newton. E vocês sabem de meu amor por Thandie. Sendo assim... vamos caçar para ver. 


                                                           Chimamanda, ela. 

segunda-feira, janeiro 11, 2016

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Tiresia.


Pompêo.



Foi em 2012. 


Assim que terminei de escrever a dissertação que falava das mulheres negras professoras, recebi um convite por uma rede social de ninguém mais do que Antonio Pompêo. Ele tinha lido alguma coisa em algum lugar e me deu os parabéns pelo tema, falou que queria a dissertação para ler, interessou-se em conversarmos para um possível documentário. 




Não levei muito a sério. Afinal, era ele. Ele. O homem que eu tinha crescido vendo em Quilombo (1984) e Tenda dos Milagres (1985), o homem que por acaso eu nunca mais vi desde 2003 na TV' estava ali, falando comigo. Morava em São Paulo e contei-lhe de meu amor pelo Rio. Foi quando ele emendou que poderíamos nos ver qualquer dia, deu-me seu celular. Desacreditei menos ainda, mas um dia liguei. Falamos coisas da vida, falamos nada, conversamos amenidades. Sobre o Rio, sobre a dissertação, sobre quando nos veríamos. Eu nunca soube como lidar com isso, deixava pra lá, acho que eu tratava como um sonho bonito que a gente acorda com sorriso no rosto e levanta da cama para ir viver a vida real. 








O tempo passou e eu me desconectei da rede social. Nos falamos mais algumas vezes sobre coisas amenas, sobre nossas vidas, ríamos de coisas simples. Eu ainda não acreditava, mas a voz era inconfundível. Trocávamos sms e até alguns whattsapp's, no curto tempo em que me atrevi a ter uma conta. Mas eu acho que nunca levei a sério. Esse ano, ao voltar para o Facebook, ele me achou novamente. Temos muitos amigos em comum por ali, não seria difícil. Voltamos a nos falar algumas vezes, revi algumas coisas que ele fez, sempre falava da minha admiração. Ele respondia agradecido e risonho, simples, o que me fazia desacreditar cada vez menos que era ele. 

Não contei isso pra ninguém. Achei que ninguém ia acreditar em mim. Acreditar que era ele. Mesmo que eu ligasse e botasse ele na linha, eu achava que iam pensar que era uma brincadeira. Coisa de fã. Foi um respeito quase sagrado que não me fez chegar mais perto dele. 








Aí ontem, a notícia. Fiquei chocada. Tentei recuperar nossas conversas, fiquei lendo por muito tempo, noite adentro. Não sei no que desacreditava mais: na sua morte ou no fato de que ele foi uma pessoa tão perto de mim. Ele era perto quando a gente não se conhecia, me ajudou a me ver na tevê e quando se tornou além de perto, real, eu não soube o que fazer direito. 

Não é que ele era um deus ou coisa assim. Ele era Pompêo e merecia toda a minha admiração por ser quem é. Pelo que eu vi, ouvi e o pouco que eu conheci. Sou eu que sou boba demais para lidar com algumas coisas. Ou talvez, vai saber, eu sempre acho que as pessoas que eu quero perto são imortais. 

terça-feira, janeiro 05, 2016

Leiturinhas.


                                                                           (esse era o tempo em que se passava umas tardes e uns dias todos em Itapuã)

Tenho lido muita coisa boa ultimamente. Visto muita coisa boa também. Acho que vou começar a postar tudo tudo tudo que leio e assim vocês poderão me acompanhar melhor.
Um dos últimos artigos que li me deu uma sensação de lucidez porque é daqueles que a gente pensa: "Puxa, não penso isso sozinha...". O artigo é de 2005 e fala sobre as chamadas revitalizações dos espaços urbanos. Pensando em Salvador (a autora fala justamente da nossa cidade!), achei que caiu como uma luva.
Uns excertos pra dar vontade de ler:



A tão sonhada (re)vitalização urbana – o sentido de revitalização aqui não seria mais o econômico, mas sim o de vitalidade, como vida decorrente da presença de um público e atividades diversificadas – só poderia se realizar de forma não espetacular quando ocorrer uma apropriação popular e participativa do espaço público. O que evidentemente não pode ser completamente planejado, predeterminado ou formalizado. A maior questão das intervenções não estaria na requalificação em si do espaço físico, material – pura construção de cenários – mas sim no tipo de uso que se faz do espaço público, ou seja, na própria apropriação pública desses espaços. Somente através de uma participação efetiva o espaço público pode deixar de ser cenário e se transformar em verdadeiro palco urbano: espaço de trocas, conflitos e encontros. Quais seriam então algumas alternativas ao espetáculo urbano? Tenho algumas pistas: a participação, a experiência efetiva e a vivência dos espaços urbanos. Estas alternativas passariam necessariamente pela própria experiência física da cidade, que é quase impossível ou totalmente artificial nas cidades espetacularizadas. E mais do que isso, passariam pela experiência corporal, sensorial, podendo ser até mesmo erótica, da cidade. Só a experiência sensorial, individual ou coletiva, que não se deixaria espetacularizar, não se deixaria reduzir a simples imagens. A cidade não só deixaria de ser cenário e passaria a ser palco mas, mais do que isso, ela passaria a ser um corpo, um outro corpo. É dessa relação entre o corpo físico do cidadão (ou do arquiteto-urbanista, que evidentemente não pode deixar de ser cidadão também) e esse “outro corpo urbano” que poderia surgir uma outra forma de apreensão da cidade. (p. 19-20)



JACQUES, Paula B. Errâncias urbanas: a arte de andar pela cidade. Revista Arqtexto, UFGRS-Rio Grande do Sul, n. 07, p. 16-25, 2005. 

Pega tudo aqui:
http://www.ufrgs.br/propar/publicacoes/ARQtextos/PDFs_revista_7/7_Paola%20Berenstein%20Jacques.pdf



                                                                                                                                   (Itapuã não é mais aquela, olha a cara dela)

O capital.


Inverno da alma.


domingo, janeiro 03, 2016

Paz.

Meu telefone toca e eu nunca atendo.
Eu nem queria celular mesmo.