Você que me lê, me ajuda a nascer.

terça-feira, junho 30, 2015

domingo, junho 28, 2015

O olho mais azul.

Toni Morrison 

Ela. Dona Toni. Uma das poucas que eu chamo de Dona. Dona porque dona das palavras e manda nos meus sentimentos. Quando a leio me leio.

O olho mais azul é seu primeiro romance e foi publicado em 1970. De lá pra cá muita água já rolou e Toni só melhorou. Nessa edição um posfácio ma-ra-vi-lho-so alimenta minha alma (e me dá mais munição pra tese). 


Ela diz

O olho mais azul foi minha tentativa de dizer alguma coisa sobre isso [sobre o fato de uma colega sua de escola querer ter o olho azul]; dizer sobre algo que ela não tinha, ou talvez nunca viesse a ter, a experiência do que possuía e também porque rezava por uma alteração tão radical. Implícita em seu desejo estava a aversão por si mesma, de origem racial. E vinte depois eu continuava me perguntando como é que se aprende isso. Quem disse a ela? Quem a fez sentir que era melhor ser uma aberração do que ser quem ela era? Quem a tinha olhado e a achado tão deficiente, um peso tão pequeno na escala da beleza? Este romance busca relances do olhar que a condenou (p; 210). 

Eu deveria ter contado sobre o livro antes de botar o que Toni disse, mas não consegui. O livro é a história de Peccola Breedlove, uma menina de doze anos com uma família com problemas de relacionamento, resumindo bem grosso modo a história toda. Porque não é bem a história que faz sentido apenas quando Toni conta é como ela conta que faz você pensar que talvez nunca tenha lido um livro tão bom. Eu deveria ter começado por este antes de ler todas as outras coisas dela. Eu a teria entendido mais e teria entendido também o próprio caminho que percorreu durante suas escritas. Mas, tudo bem. Ainda tenho mais uns 100 anos de vida para reler Toni. E não, eu não precisaria de ler mais outras pessoas se pudesse lê-la de novo.

O livro é contado por Claudia, menina negra que recebe Peccola por um tempo em sua casa, quando o pai desta - Cholly - põe fogo na casa e ela precisa de um lar para morar enquanto a família se organiza novamente. 

Curiosamente, tenho lido livros que falam de crianças a partir do ponto de vista delas mesmas ultimamente, mesmo sem buscar diretamente isso nos livros de literatura que tenho escolhido. Organizei, por isso, um roteiro literário-sentimental para a escrita de tese que, depois de pronto, publicarei aqui.

Vai um pedaço do livro?

Depois cresceram. Entraram devagar na vida pela porta dos fundos. Todo mundo podia lhes dar ordens. As mulheres brancas diziam "Faça isso". As crianças brancas diziam "Me dá aquilo". Os homens brancos diziam "Venha cá". Os homens negros diziam "Deita". As únicas pessoas de quem não precisavam receber ordens eram as crianças e as outras mulheres negras. Mas ela pegaram tudo isso e recriaram à sua própria imagem. Administravam a casa dos brancos, e sabiam disso. Quando os brancos espancavam os seus homens, elas limpavam o sangue e iam para casa receber maus-tratos da vítima. Batiam nos filhos como uma mão e com a outra roubavam para eles. As mãos que cortavam árvores também cortavam cordões umbilicais, as mãos que torciam o pescoço de galinhas e abatiam porcos também cuidavam de violetas africanas até que florissem; os braços que carregavam feixes, fardos e sacos também embalavam bebês (p. 139).

Há críticas sobre a literatura de Toni (assim como a de Walker) sobre a forma como elas representam homens negros. Mas isso é papo pra outra história e para o próximo livro...


Dona Toni

sábado, junho 27, 2015

Crianças cuidando de crianças.







Todas as fotos são de Alma Gottlieb. Vai aqui e vê se não é mesmo. 

domingo, junho 21, 2015

Bem ali.




Eu preciso dizer que te amo
te ganhar ou perder
sem engano

quarta-feira, junho 10, 2015

Eu pensei estar seca.
Mas não é isso.
É que só quero ele.
Só estou apaixonada por ele.
Estou fingindo para mim mesma que consigo viver com isso (e sem ele).

As lágrimas que correm pelo meu rosto agora lavam a secura da alma e do orgulho.
Mas não sei o que fazer.
Eu não irei.
Ele não voltará.
Deixa assim. Já me sinto melhor.
Não estou oca nem seca.

Só estou apaixonada por ele. 

sábado, junho 06, 2015

Seca.

A fonte secou.
Não quero choro.
Não quero vela.
Me deixem no meu canto
Quieta.

Não sinto nada

sexta-feira, junho 05, 2015

Minhas carteirinhas de estudante.



Remexendo nos papeis achei umas coisas antigas e revivi histórias. 
Saudades. 

Irreversível.



quinta-feira, junho 04, 2015

quarta-feira, junho 03, 2015

Que bom te ver viva.


Criança e Infâncias.

Um projeto que conheci faz um tempo e esqueci de divulgar. Contou com a colaboração de minha querida professora Ione Jovino.
Imagens de Crianças e Infâncias é o nome do projeto. Tem gente que torce o nariz pro nome infância no plural, eu ando às voltas para saber se a infância existe para todo mundo...
Selecionei algumas imagens que adoro tanto:




segunda-feira, junho 01, 2015

De pivetes a meninos de rua: um estudo sobre o Projeto Axé e os significados da Infância.





Resumo no site da editora:

Tendo a infância como objeto de investigação, a proposta desta obra é analisar o discurso e a atuação da instituição Projeto Axé, no período de maio de 1993 a janeiro de 1997, colocando o foco desta análise nas noções de infância aí subjacentes.

Ellen Oléria.

Ela canta
Eu quero ver quando Zumbi chegar
E dá aquela gargalhada situada e cheia de (nossa) intenção.
Jorge Ben fez bem, Ellen Oléria re-b(r)ocou. 

Precisamos de novos nomes.

                                    Capa do livro de Noviolet.

Eu gosto de livrarias e bibliotecas, fuçando e a gente encontra coisa boa demais da conta. Passei caçando livros de autoras que eu não conhecia e fora do eixo europeu clássico, me bato com o livro Precisamos de novos nomes de Noviolet Bulamayo. Li a sinopse e vi a história de uma menina do Zimbábue que ia pros Estados Unidos (como alguns outros livros que eu já tinha lido e comentado aqui), torci o nariz mas comprei assim mesmo.

                                                 Noviolet Bulamayo

O nariz teve de destorcer. Não havia entendido que a história era de Darling e sua trupe ainda no Zimbábue e que depois ia para os EUA. Aí tudo mudou de figura e Noviolet virou minha escritora de 2015. Ela escreve das crianças como criança, o que me fez apaixonar. As conversas, o tempo, as amizades, Noviolet consegue me fazer fechar os olhos e lembrar dos sonhos que eu tinha quando ainda era uma menininha de nove anos, do cheiro de jaca no quintal de casa, do abacate com açúcar ainda dentro da casca, das brigas com minha irmã, dos sonhos de "quando eu crescer eu vou".
Passagens como 

Ninguém sabe onde o corpo do meu avô está. Então, agora o pessoal da igreja diz que o espírito dele está dentro de mim e não vai sair até ele ser enterrado direito. O problema é que eu mesma nunca cheguei a ver ou sentir  o espírito para saber se é verdade ou se as pessoas estão só mentindo,  o que os adultos fazem às vezes só porque são adultos. (p. 26)

Depois da cortina fica o calendário; é velho, mas a Mother of Bones guarda porque tem Jesus Cristo ali. Ele tem cabelo de mulher e está sorrindo,  tímido,  a cabeça inclinada um pouco para o lado; dá para perceber que realmente queria ficar bem na foto. Ele antes olhos azuis,  mas pintei de marrom assim como os meus e os de todo mundo, para que ele ficasse normal. (p. 28)

Ela (Mother) já está cantando sua canção favorita da igreja, a que ela sempre canta quando começamos a subida. Ela canta errado,  porque não sabe todas as palavras em inglês,  porque não fala inglês direito porque não foi à escola,  mas não corrijo porque você não pode dizer nada aos adultos. (p. 34)

estão pelo livro inteiro. E no capítulo Como eles foram embora,  Darling descreve pungentemente sua ida para os EUA. No outro capítulo ela já está lá, com os tios. Sem mais, doído assim.

Olhe para eles indo embora aos bandos, os Filhos da terra,  olhe só para eles indo embora aos bandos. Os que não tem nada estão cruzando fronteiras. Os quem tem ambições estão cruzando fronteiras. Os que tem força estão cruzando fronteiras. Os que tem esperança estão cruzando fronteiras. Os que sofreram perdas estão cruzando fronteiras. Os que sentem dor estão cruzando fronteiras. Caminhando, correndo, emigrando, indo, desertando, andando, abandonando, fugindo, escapando, - para toda parte, para países próximos e distantes, para países de que nunca se ouviu falar, para países cujos nomes não sabem pronunciar. Estão indo embora aos bandos. (p. 131)

                                                                                                                                         A lindona Noviolet.

Ah, só pra dizer: Bulamayo é a segunda maior cidade do Zimbábue. 
Em tempo: a editora podia ter copiado a capa mais bonitinha do livro e não essa com um avião e com a palavra romance escrita. Oxe, precisa dizer? Nem sei se é romance...