Você que me lê, me ajuda a nascer.

sábado, dezembro 26, 2015

O diário de Bitita.


Por razões de pesquisa hoje o livro de Carolina Maria de Jesus que me interessa mais é com certeza o Diário de Bitita. Não sei se por isso gosto mais dele do que aquele mais famoso, o tal Quarto de Despejo... 



Reeditado recentemente pela editora Sesi-SP, o livro foi publicado em 1982 primeiro em francês (no Brasil, o livro foi publicado em 1986). Nele, Carolina relata parte de sua vida ainda criança, suas sensações em relação à vida em que vivia ainda em Sacramento (MG) e cidades por onde passou por conta das agruras a que esteve submetida. Apesar de não poder ser precisa com relação até que idade Carolina relata sua infância no livro, ouso dizer que é possível escutar a voz de uma Carolina de pelo menos 15 anos. 


O livro me tomou por inteira porque lembra uma discussão que venho travando sobre consciência racial com pessoas mais próximas. É certo que muitas pessoas acreditam que pessoas tornadas pobres não tem consciência (e menos ainda as crianças). Ainda que Carolina tenha escrito este livro não quando era criança, ela busca retratar o que pensava quando ainda era muito pequena, o que nos dá margem para pensar que mesmo que tenha sido uma invenção, uma construção já feita quando era mais velha, ainda assim faz-nos repensar sobre a ideia de consciência que temos, muito relacionada à uma ideia abstrata e representativa de consciência e não uma consciência forjada na experiência.
Há muitas passagens no livro que me deixaram sem fôlego e me fizeram acreditar que a pesquisa de doutorado que desenvolvo não é uma maluquice sem precedente.
 Aqui reproduzo algumas passagens e apontamentos feitos por Bitita que dão pano pra manga:

Bitita x gênero

- Mamãe, eu quero virar homem! Não gosto de ser mulher! Vamos, mamãe! Faça eu virar homem! [...]
- Porque você quer virar homem?
- Quero ter a força que tem o homem [...] O homem que trabalha ganha mais dinheiro do que uma mulher e fica rico e pode comprar uma casa bonita para morar (p. 16-17)

Bitita x liberdade sexual (machismo)

E eu fiquei pensando: "É melhor ser meretriz, ela canta vai aos bailes, viaja, sorri. Pode beijar os homens. Veste vestidos de seda, pode cortar os cabelos, pintar o rosto, andar nos carros de praça e não precisa obedecer a ninguém!" (p. 83)

Bitita x pobreza

Era difícil morrer um rico, porque assim que eles adoeciam procuravam um médico. Quando o pobre arranjava dinheiro para ir ao médico, já era tarde demais. (p. 79)
Não me agradava o modo de vida dos pobres. Não podia nem classificar aquilo de vida, sofriam mais do que os animais. (p. 98-99)
As crianças ricas quando adoeciam era por causa da tosse. As pobres eram anêmicas, raquíticas, por andarem descalças. (p. 99)

Bitita x racismo

Observava as consequências de todos os atos que praticamos. Quando os negros bebiam, eu pensava: "Porque é que só os pretos bebem?". Mas os brancos bebiam dentro de suas casas. Se um branco cambaleava na rua diziam que era indisposição, mal-estar. Se um branco bebia nos bares era repreendido: - Você está imitando os negros? Arranjou um negro para ser seu professor? (p. 55)

Quando havia um conflito , quem ia preso era o negro. E muitas vezes o negro estava apenas olhando. Os soldados não podiam prender os brancos, então prendiam os pretos. Ter uma pele branca era um escudo, um salvo-conduto.
(p. 55)
Bitita x beleza (e racismo!)

- Sabe, Carolina, você vem trabalhar pra mim, e quando eu for a Uberaba eu compro um vestido novo pra você, vou comprar um remédio pra você ficar branca e arranjar outro remédio para o seu cabelo ficar escorrido. Depois vou arranjar um doutor para afilar o seu nariz. Pensei:
[...] "E quando eu ficar com os cabelos escorridos e o nariz afilado, quero ir a Sacramento para os meus parentes me verem. Será que vou ficar bonita? 
Durante seis meses trabalhei para Dona Maria Cândida. [...] Rejubilei interiormente quando ela me disse que ia a Uberaba. Fiquei aguardando o retorno com ansiedade. Ela permaneceu dois dias fora. [...] mas fiquei decepcionada. Ela não trazia pacotes. Então ela enganou-me! Pensei nos seis meses que trabalhei para ela sem receber um tostão. Minha mãe dizia que o protesto ainda não estava ao dispor dos pretos.  (p. 136-137)

Além dessas questões, Bitita também questiona a autoridade das pessoas adultas em relação às crianças e o motivo dessa relação ser tão naturalizada:

Como é horrível ser criança! Não tem permissão para fazer isto ou aquilo. Que mundo é este, temos que aceitar as imposições, sendo assim, o homem não é livre. (p. 77)


Bitita cunha a expressão semilivre para falar sobre a forma como via a participação das crianças, das mulheres e da população negra na sociedade que ela estava vivendo. Taí, semilivre. Boa e fantástica definição. Como Carolina de Jesus sempre é. 

Carolina e os filhos (sem data)

Agora é procurar pra ler! 

Invade e... fim.

Ouvindo Moacir Santos e lembrando de coisas que eu nunca quero esquecer. E eu pensei que é melhor assim. Sentir saudade de coisas do que querer esquecer o que se viveu. Ficar com aquela vontade de mais. Ficar na dúvida porque se é feliz lá e cá. Essa coisa é gostosa de sentir.

Eu queria tanto mas tanto estar aqui e agora eu lembro de que lá eu também fui feliz e estive bem. Assim está sendo gostoso (re)descobrir quem sou. Muita coisa mudou e muita coisa está bem igual.

Mas eu estou feliz. 

Eu disse não para algumas coisas que me deixaram com medo e insegura. É estranho dizer não para coisas que te fazem mal mas que também te fazem muito bem. Acho que eu nunca fui muito romântica mesmo. Meu amor é pragmático demais para quem um dia já viajou para o outro lado do oceano só para dizer oi.

Eu ainda não acredito completamente em mim. 

O livro de Eli.


quarta-feira, dezembro 16, 2015

terça-feira, dezembro 15, 2015

domingo, dezembro 13, 2015

Meio Billie Meio Holliday.

Eu fiquei assim.
Perdida. Com medo e confusa.
Ouvindo as palavras nas músicas que Billie canta eu fiquei mais triste quando a noite caiu inteira sobre mim.
Eu sozinha só um travesseiro transpassando
Entre as pernas
A nudez
Eu e a tristeza de ter perdido e estar perdida mais uma vez.

Acordo. Remédio. Levanto e coço a cabeça.
Vou ao banheiro e penso
No medo na dor na confusão

Ainda não passou.

Lady Sing the Blues: a história de Billie Holiday.


sábado, dezembro 12, 2015

Cinzas.



Cinzas é um filme que trata do cotidiano de Toni, um personagem fictício, mas que se assemelha a vivência de muitos outros personagens reais. Com Guilherme Silva Zitta Carmo Kadu Fragoso Ive Carvalho, Deusi Magalhães, Valéria Fonseca, Angel Marques e Max Ruy.

Dirigido por Larissa Fulana de Tal.


O Clã.


sábado, dezembro 05, 2015

terça-feira, novembro 17, 2015

É sagrado
Mas isso era antes
De ter me apaixonado

É segredo
Mas só depois
Do primeiro beijo

Insiste
Não me desiste
Meu colo precisava de uma cabeça pousando
Meu calor precisava de uma brasa pra encostar

Pode entrar, não tenha pressa.


quinta-feira, novembro 12, 2015

terça-feira, novembro 10, 2015

Sounding the alarm.


Eu quero flores.





No dia em que ouço sobre o mapa da violência e de como o número de mulheres negras mortas aumentou significativamente eu ouço de mainha uma história triste. Uma história, mais histórias, muitas histórias.
De uma mulher negra trabalhadora bem perto de nós, que há 12 anos sofre violências tantas de um cara que deveria ser seu companheiro. Mainha e eu discutimos sobre o fato de ela ter gostado dele e por muito tempo ter acreditado que ele poderia mudar. Eu acredito que ela acreditou e eu acredito que ela está cansada. Eu acredito que ela não quer mais, mas ele não quer saber disso e entrou em sua casa para estuprá-la há duas semanas atrás.
Poderia ser amor. Mas não é mais. Ela tem o direito de ter amado quem a machucou? Claro. Vejo mulheres condenando mulheres que amam homens que a bateram, mas eu acho que é possível, afinal, não dá pra desistir de alguém assim, de alguém que já te fez muito feliz. Você abre o olho no outro dia e acha que não, não pode ser verdade, ele só precisa de mais uma chance e... quando você vê, muito tempo se passou... você sente vergonha, você não quer pedir ajuda, as pessoas te julgam... e mais tempo se passou. Você descobre que a vida também bate, você pensa e pesa se aquele tapa uma vez por semana pela pseudo-proteção que ele te dá compensa e quando vê... mais alguns anos.
Aí um dia você acorda e quer ajuda e quer ir embora e tem o direito. 
Não posso julgar. Não tenho o direito. Não passei a vida que ela passou, seria fácil só apontar o dedo.
Ela agora não tem muitas escolhas. Precisa ir embora, se esconder, dizer não à vida que vive agora e ir embora, medida protetiva. É doloroso, mas é o único jeito. Isso também dói e eu espero que ela tenha coragem. A gente fica em parte esperando que as coisas mudem e não tomamos algumas decisões que pensamos que não precisarão ser tomadas. 

Queria poder dar um abraço nela agora, dizer alguma coisa. Digo pra mainha o que eu quero dizer pra ela, porque ela não me contou nada e eu não sei. Eu sempre a vejo sorrindo quando desço do ônibus quando volto da faculdade. Eu nunca saberia nada.

Eu mulher negra
Míghian Danae

Eu cinquenta por cento mais vezes violada por esses programas universalistas que "esquecem" da raça ao implementar políticas públicas no Brasil
Eu parada violada
Eu curtida currada
Eu correndo sofrendo
Eu morrendo (vivendo)

Eu parada violada
Quando caminho na cidade sabendo das coisas que sei
Vejo mulheres negras como eu 
Iguaizinhas a mim e fazendo coisas e querendo ser respeitadas

Mas são vistas como um pedaço de carne
Embaladas pelo vácuo das demonizações racistas da minha pele olhos e cabelos

Eu curtida currada
Quando na rede social faço (só) sucesso em ocasiões específicas aquelas definidas por pessoas que nem me conhecem

Eu correndo sofrendo
Correndo para continuar viva
Correndo dos estereótipos 
Correndo das piadinhas sexi-racistas

Eu morrendo (vivendo)
Em combate também sucumbindo
Levantando caindo
Chorando (sorrindo)
Me deixem em paz
Eu quero viver a minha vida
Com as minhas pessoas escolhidas

Eu não sou legal
Não preciso ser 
Eu quero ser o que eu quiser
Me deixem em paz


Fotos tiradas daqui.

domingo, novembro 08, 2015

quarta-feira, novembro 04, 2015

Até parece.

Quem me procura aqui no blog só acha postagem de filme e deve achar que eu só faço isso da vida.
Não é. .
Bem verdade que eu vejo muitos filmes. Eu estou sempre com alguns por ver. Agora no DVD está "O assassinato de Jesse James" e no Netflix eu vejo "Sounding the Alarm" e "Pixo". Tudo de vez assim mesmo. Eu gosto. Eu sou viciada mesmo. 
Não vejo a hora. Eu aposentada vendo pencas de filmes por dia. Coisas de cinco seis dez. Levanta só pra trocar de filme ou ir ao banheiro. 
Eu escrevo outras coisas mas elas se perdem nos rascunhos. Eu parei de escrever aqui e voltei a escrever cartas. Eu sempre gostei.
Eu queria que quando eu morresse todo mundo que recebeu carta minha e se conhecesse se juntasse e publicasse minhas cartas. Tem umas que eu adoro reler e quando eu vou na casa da pessoa que recebeu eu peço pra ver. Rever. É engraçado. Uma coisa feita por você mas que nunca foi sua.
Só pra recapitular: tá tudo bem. Eu é que ando mais pra dentro que pra blog. 

Passei muito tempo da minha vida querendo voltar pra Salvador. Agora que estou aqui não quero fazer muita coisa. Cada vez sou mais feliz com menos.

A morte de J. P. Cuenca.


segunda-feira, novembro 02, 2015

segunda-feira, outubro 26, 2015

sexta-feira, outubro 16, 2015

Reino Unido.

E o reino dele só seria unido
Se tivesse rainha e princesa
Mas não tem nada
Só um reizinho na barriga de um cabeça dura.

Submundo do hiphop.


segunda-feira, outubro 12, 2015

Porque?

Deitada no sofá num dia de domingo como eu sempre quero estar na minha vida ele chega entre o arroz e o peixe que vai fritar e eu pergunto:
- Porque você gosta de mim?
- Porque você é você.
Me dá um beijo e eu caio no sono de novo.

Vaidade.


sexta-feira, setembro 25, 2015

segunda-feira, setembro 21, 2015

segunda-feira, setembro 07, 2015

É sim de verdade.

Quando eu lembro dele eu acho que todas as vezes que eu escrevi que estava apaixonada não eram de verdade. Mas não é porque eu não tenha amado. É porque sempre foi tão fácil dizer e me ver apaixonada. E agora?
Agora eu não vejo nada não sei de nada não acredito em nada nem em mim tou desconfiada com medo assustada mas não da paixão nem dele é de mim é de mim. E eu que pareço sempre segura de mim e do que sinto tombei.

Tombei no amor. Mas que é bom é. Pelo menos não caí de cara no chão. Ele está ali segurando minha mão [caído de amores também].


segunda-feira, agosto 31, 2015

A máfia só mata no verão.


Tempo passa tempo

No sonho ele está mais velho
Cultiva barba e bigode
Sorri
Eu não acredito
Ele volta
Eu não acredito
E acordo

quinta-feira, agosto 20, 2015

Daymé Arocena.

A música que vai embalar as horas de arguição. Daymé me salva.

domingo, agosto 16, 2015

Cena de cinema.

- A questão é que conhecer você não estava nos meus planos (eu)
- Nem nos meus (ele).
Silêncio.
Gargalhada
Beijos (nós)

terça-feira, agosto 11, 2015

quarta-feira, julho 29, 2015

Meu número.

Ele foi meu último pensamento ontem à noite e o primeiro na manhã de hoje.
Aí descobri que eu queria mesmo ter passado todo esse tempo com ele.
Sei lá porque.
E nem quero saber.
Só gosto e quero mais.
Só falo e sorrio mais depois que ele chegou.

A gente se abraça e ele me diz eu gosto muito de você.
Eu digo eu também eu gosto muito de você.
E ele continua o abraço e diz eu também.
E não para não para não para.

Só para para me ouvir dizer para
Mas fica aqui
Aperta forte minha mão
Repete que tá apaixonado muitas vezes
Muitas vezes
Muitas vezes

domingo, julho 26, 2015

Empatia (quase dor).

Foi quando ele disse que olhou no meu olho e viu que eu também senti a mesma dor que ele sentiu que eu comecei a chorar.
E meu pai Oxalá veio e levou toda a dor que sentimos juntos.

quinta-feira, julho 23, 2015

Decote.

Estava num show com tantas gentes. E a música o som a percussão a luz a sombra e minha cabeça pensando nele. Meu corpo lembrando dele. E foi quando senti um frio na parte das costas em que havia uma fenda no vestido que pensei que, se ele estivesse ali, estaria bem naquela hora deslizando a mão deliciosamente no meu decote, sem nenhum decoro (mas com muita discrição).

Senti vontade dele enfim. 

quinta-feira, julho 16, 2015

(postagem sem título)

Novos sentimentos. Corpos velhos.
Sensações estranhas em coisas que já fiz várias vezes misturadas com umas que nem tanto.
O que é?
Não sei. Estou na dúvida entre estar apaixonada ou desconfiada.
Mas ele me beija na hora certa do sorriso e me abraça quando eu penso que não.

Ele sabe.

Ele faz certinho. Mas ele não faz pra fazer certo. Ele só faz e eu acho certinho (é por isso que pode ser paixão).
E quando acorda de bico e eu falando como se nem tivesse dormido.
E quando me avisa que tem defeitos e lista todos.
Eu realmente não sei onde isso vai parar.

Mr. Dynamite - The rise of James Brown.


sexta-feira, julho 10, 2015

Crianças negras (produção acadêmica).

Escrevi um texto, saiu aqui:

http://www.unesp.br/portal#!/debate-academico/producoes-academicas-sobre-criancas-negras/

Foto: Wilson Souza, Lar Santa Madalena - Luanda, Angola.

Um segredo.

Eu queria ter pra ele a melhor Migh.
Porque ele merece.
Só porque me faz acreditar de novo.
Mas ela parece ter sumido.
Ainda assim ele está aqui.

terça-feira, junho 30, 2015

domingo, junho 28, 2015

O olho mais azul.

Toni Morrison 

Ela. Dona Toni. Uma das poucas que eu chamo de Dona. Dona porque dona das palavras e manda nos meus sentimentos. Quando a leio me leio.

O olho mais azul é seu primeiro romance e foi publicado em 1970. De lá pra cá muita água já rolou e Toni só melhorou. Nessa edição um posfácio ma-ra-vi-lho-so alimenta minha alma (e me dá mais munição pra tese). 


Ela diz

O olho mais azul foi minha tentativa de dizer alguma coisa sobre isso [sobre o fato de uma colega sua de escola querer ter o olho azul]; dizer sobre algo que ela não tinha, ou talvez nunca viesse a ter, a experiência do que possuía e também porque rezava por uma alteração tão radical. Implícita em seu desejo estava a aversão por si mesma, de origem racial. E vinte depois eu continuava me perguntando como é que se aprende isso. Quem disse a ela? Quem a fez sentir que era melhor ser uma aberração do que ser quem ela era? Quem a tinha olhado e a achado tão deficiente, um peso tão pequeno na escala da beleza? Este romance busca relances do olhar que a condenou (p; 210). 

Eu deveria ter contado sobre o livro antes de botar o que Toni disse, mas não consegui. O livro é a história de Peccola Breedlove, uma menina de doze anos com uma família com problemas de relacionamento, resumindo bem grosso modo a história toda. Porque não é bem a história que faz sentido apenas quando Toni conta é como ela conta que faz você pensar que talvez nunca tenha lido um livro tão bom. Eu deveria ter começado por este antes de ler todas as outras coisas dela. Eu a teria entendido mais e teria entendido também o próprio caminho que percorreu durante suas escritas. Mas, tudo bem. Ainda tenho mais uns 100 anos de vida para reler Toni. E não, eu não precisaria de ler mais outras pessoas se pudesse lê-la de novo.

O livro é contado por Claudia, menina negra que recebe Peccola por um tempo em sua casa, quando o pai desta - Cholly - põe fogo na casa e ela precisa de um lar para morar enquanto a família se organiza novamente. 

Curiosamente, tenho lido livros que falam de crianças a partir do ponto de vista delas mesmas ultimamente, mesmo sem buscar diretamente isso nos livros de literatura que tenho escolhido. Organizei, por isso, um roteiro literário-sentimental para a escrita de tese que, depois de pronto, publicarei aqui.

Vai um pedaço do livro?

Depois cresceram. Entraram devagar na vida pela porta dos fundos. Todo mundo podia lhes dar ordens. As mulheres brancas diziam "Faça isso". As crianças brancas diziam "Me dá aquilo". Os homens brancos diziam "Venha cá". Os homens negros diziam "Deita". As únicas pessoas de quem não precisavam receber ordens eram as crianças e as outras mulheres negras. Mas ela pegaram tudo isso e recriaram à sua própria imagem. Administravam a casa dos brancos, e sabiam disso. Quando os brancos espancavam os seus homens, elas limpavam o sangue e iam para casa receber maus-tratos da vítima. Batiam nos filhos como uma mão e com a outra roubavam para eles. As mãos que cortavam árvores também cortavam cordões umbilicais, as mãos que torciam o pescoço de galinhas e abatiam porcos também cuidavam de violetas africanas até que florissem; os braços que carregavam feixes, fardos e sacos também embalavam bebês (p. 139).

Há críticas sobre a literatura de Toni (assim como a de Walker) sobre a forma como elas representam homens negros. Mas isso é papo pra outra história e para o próximo livro...


Dona Toni

sábado, junho 27, 2015

Crianças cuidando de crianças.







Todas as fotos são de Alma Gottlieb. Vai aqui e vê se não é mesmo. 

domingo, junho 21, 2015

Bem ali.




Eu preciso dizer que te amo
te ganhar ou perder
sem engano

quarta-feira, junho 10, 2015

Eu pensei estar seca.
Mas não é isso.
É que só quero ele.
Só estou apaixonada por ele.
Estou fingindo para mim mesma que consigo viver com isso (e sem ele).

As lágrimas que correm pelo meu rosto agora lavam a secura da alma e do orgulho.
Mas não sei o que fazer.
Eu não irei.
Ele não voltará.
Deixa assim. Já me sinto melhor.
Não estou oca nem seca.

Só estou apaixonada por ele. 

sábado, junho 06, 2015

Seca.

A fonte secou.
Não quero choro.
Não quero vela.
Me deixem no meu canto
Quieta.

Não sinto nada

sexta-feira, junho 05, 2015

Minhas carteirinhas de estudante.



Remexendo nos papeis achei umas coisas antigas e revivi histórias. 
Saudades. 

Irreversível.



quinta-feira, junho 04, 2015

quarta-feira, junho 03, 2015

Que bom te ver viva.


Criança e Infâncias.

Um projeto que conheci faz um tempo e esqueci de divulgar. Contou com a colaboração de minha querida professora Ione Jovino.
Imagens de Crianças e Infâncias é o nome do projeto. Tem gente que torce o nariz pro nome infância no plural, eu ando às voltas para saber se a infância existe para todo mundo...
Selecionei algumas imagens que adoro tanto:




segunda-feira, junho 01, 2015

De pivetes a meninos de rua: um estudo sobre o Projeto Axé e os significados da Infância.





Resumo no site da editora:

Tendo a infância como objeto de investigação, a proposta desta obra é analisar o discurso e a atuação da instituição Projeto Axé, no período de maio de 1993 a janeiro de 1997, colocando o foco desta análise nas noções de infância aí subjacentes.

Ellen Oléria.

Ela canta
Eu quero ver quando Zumbi chegar
E dá aquela gargalhada situada e cheia de (nossa) intenção.
Jorge Ben fez bem, Ellen Oléria re-b(r)ocou. 

Precisamos de novos nomes.

                                    Capa do livro de Noviolet.

Eu gosto de livrarias e bibliotecas, fuçando e a gente encontra coisa boa demais da conta. Passei caçando livros de autoras que eu não conhecia e fora do eixo europeu clássico, me bato com o livro Precisamos de novos nomes de Noviolet Bulamayo. Li a sinopse e vi a história de uma menina do Zimbábue que ia pros Estados Unidos (como alguns outros livros que eu já tinha lido e comentado aqui), torci o nariz mas comprei assim mesmo.

                                                 Noviolet Bulamayo

O nariz teve de destorcer. Não havia entendido que a história era de Darling e sua trupe ainda no Zimbábue e que depois ia para os EUA. Aí tudo mudou de figura e Noviolet virou minha escritora de 2015. Ela escreve das crianças como criança, o que me fez apaixonar. As conversas, o tempo, as amizades, Noviolet consegue me fazer fechar os olhos e lembrar dos sonhos que eu tinha quando ainda era uma menininha de nove anos, do cheiro de jaca no quintal de casa, do abacate com açúcar ainda dentro da casca, das brigas com minha irmã, dos sonhos de "quando eu crescer eu vou".
Passagens como 

Ninguém sabe onde o corpo do meu avô está. Então, agora o pessoal da igreja diz que o espírito dele está dentro de mim e não vai sair até ele ser enterrado direito. O problema é que eu mesma nunca cheguei a ver ou sentir  o espírito para saber se é verdade ou se as pessoas estão só mentindo,  o que os adultos fazem às vezes só porque são adultos. (p. 26)

Depois da cortina fica o calendário; é velho, mas a Mother of Bones guarda porque tem Jesus Cristo ali. Ele tem cabelo de mulher e está sorrindo,  tímido,  a cabeça inclinada um pouco para o lado; dá para perceber que realmente queria ficar bem na foto. Ele antes olhos azuis,  mas pintei de marrom assim como os meus e os de todo mundo, para que ele ficasse normal. (p. 28)

Ela (Mother) já está cantando sua canção favorita da igreja, a que ela sempre canta quando começamos a subida. Ela canta errado,  porque não sabe todas as palavras em inglês,  porque não fala inglês direito porque não foi à escola,  mas não corrijo porque você não pode dizer nada aos adultos. (p. 34)

estão pelo livro inteiro. E no capítulo Como eles foram embora,  Darling descreve pungentemente sua ida para os EUA. No outro capítulo ela já está lá, com os tios. Sem mais, doído assim.

Olhe para eles indo embora aos bandos, os Filhos da terra,  olhe só para eles indo embora aos bandos. Os que não tem nada estão cruzando fronteiras. Os quem tem ambições estão cruzando fronteiras. Os que tem força estão cruzando fronteiras. Os que tem esperança estão cruzando fronteiras. Os que sofreram perdas estão cruzando fronteiras. Os que sentem dor estão cruzando fronteiras. Caminhando, correndo, emigrando, indo, desertando, andando, abandonando, fugindo, escapando, - para toda parte, para países próximos e distantes, para países de que nunca se ouviu falar, para países cujos nomes não sabem pronunciar. Estão indo embora aos bandos. (p. 131)

                                                                                                                                         A lindona Noviolet.

Ah, só pra dizer: Bulamayo é a segunda maior cidade do Zimbábue. 
Em tempo: a editora podia ter copiado a capa mais bonitinha do livro e não essa com um avião e com a palavra romance escrita. Oxe, precisa dizer? Nem sei se é romance...  


domingo, maio 31, 2015

Branquitude.

Tem gente que não gosta.
Mas taí.
Vamos falar?

sábado, maio 30, 2015

Namoro.

A gente não sabe, mas namora faz tempo.
Uns oito anos se pá.
Ele me faz tão bem, eu espero que esteja fazendo bem pra ele.
Nosso amor é uma coisa de tempo, de carinho e aconchego.
A gente demora, mas quando se vê quer pra sempre.
E eu enxoto, mando embora.
Mas ainda assim ele é o meu preferido.
Eu te amo é pouco pra ele.
Pra nós.
Eutetudo.

quarta-feira, maio 27, 2015

segunda-feira, maio 25, 2015

O vendedor de passados.


Nunca mais.

Apaguei teu nome.
Cancelei (de novo).
Disse me esquece.
Fui embora. E agora é sério.
Tudo porque cem dias se passaram.
Sem dias.



You laugh, but it's true.


sábado, maio 23, 2015

Itabuna.

Depois que descobri que Itabuna é pedra preta em tupi-guarani, fiquei ainda mais feliz e boba de ter nascido aqui.

sexta-feira, maio 15, 2015

Mostra Ciranda de Filmes.


E pra dar o gostinho, vai um curta aqui. Ele se chama Carreto!