Você que me lê, me ajuda a nascer.

sexta-feira, abril 04, 2014

Desfecho.

Há bem pouco tempo atrás, conheci pessoas completamente estranhas a mim e a meu modo de vida. Elas nem sabiam o quanto eu me sentia estranha ao lado delas, eu fingia bem. Fingia porque queria descobrir que estava errada, que era possível que alguém que sempre teve tudo poderia ir além do esperado e insurgir-se contra o comodismo. Fingi querendo não estar certa em ter preconceitos com certas gentes.
Queria não precisar dizer isso aqui, mas o certo é que não estive tão errada. Olho para trás e me pergunto: como suportei? As caras, as hipocrisias em grupo, os interesses frívolos, as conversas fúteis, cama arrumada e roupa passada, como? Ainda não sei. Me consolo com a ideia de que suportei tudo isso para testar minha própria capacidade de estar errada, minha capacidade de acreditar nas pessoas. Por isso, sigo firme sem ficar triste e me culpar de ter ficado tão longe das coisas que mais amo: conversas francas e inteligentes, festas com gentes que amo e não por obrigação, risadas altas, brincadeira desinteressada, vida. 
Hoje, olhando para trás, vejo que o tempo que aguentei foi o máximo de tempo possível. Não tenho saudades de nada e foi incrível como voltei à minha vida real tão rápido que nem sequer me dei conta que passei algum tempo longe dela. Prova de como tudo aquilo era realmente algo fora de mim.
Mas deixa eu falar de outras coisas. Ou das mesmas. É engraçado ver como alguma parte dessas pessoas precisam provar para as outras que não são o que parecem ser. Se elas tem algum status, mas querem posar de revolucionárias, mantém páginas na internet falando sobre a exploração das mulheres negras ou coisas do tipo. Sempre torci o nariz para essas pessoas que, ao invés de viverem suas próprias vidas, criam um duplo completamente ao contrário de si no mundo virtual, tudo aquilo que gostariam de ser mas não tem coragem. O único sentimento que dá pra sentir é pena.
Se pessoas assim denunciassem seus privilégios ou recusasse-os e parassem de tentar parecerem revolucionárias com a dor alheia seria mais produtivo. Mas isso parece ser pedir demais, como pedir para alguém que tem empregada paga pela mãe abdicasse dos serviços desta (aliás, essa conversa eu ouvi certa vez, quando frequentava esses lugares: uma mãe dondoca falando que os dois filhos quando separaram voltaram para casa dela porque não estavam conseguindo manter o status. A coisa que eles mais adoravam era o fato de poder morar numa casa onde havia empregada todos os dias). 
Saber que dificilmente vou ouvir coisas como estas novamente me faz abrir um sorriso de lado a outro. Ufa. Que preguiça dessa gente. 

2 comentários:

Anônimo disse...

<3

Eu acho que eu devia ter um Blog.
Mas eu tenho um diário, já me serve.
Porque o que eu preciso, as vezes, é só me lembrar quem eu sou e o que já fiz, o que já conquistei o que já vi.

Saudades, Flor.

Migh Danae. disse...

Quem é?