Você que me lê, me ajuda a nascer.

segunda-feira, abril 28, 2014

Palavras.

Ele tem as melhores palavras para falar sobre o que sente. Não muitas, mas certas. Também me diz coisas sobre mim de um jeito que eu nunca ouvi. Por isso que é tão bom gostar dele. Gostar dele é tão certo porque faz bem pra mim.
Depois me abraça e nunca esquece do beijo e do jeito que eu gosto de um carinho. Ele faz tudo e depois me pergunta: você ainda precisa que eu te confirme que eu gosto de você? Ele me ensina que não é só dizendo que a gente mostra o que sente. Ele mostra o que sente quando olha pra mim e às vezes até quando fecha os olhos. Todas as coisas que ele está aprendendo só pra entender como eu amo. Um passo, outro passo, paciência. 
Ele é tão bonito que quando estamos andando na rua de mãos dadas eu olho pra ele de novo e penso que não posso estar com um moço tão bonito. Eu falo isso e ele sorri. Depois penso como sou sorturda em poder acordar e ver a cara dele algumas vezes durante a semana. Eu realmente não tenho do que me deixar nesta vida.
Amar é bom. Ser correspondida é perfeito. 

I am descending.


I am descending
I am binding time
I'm trying to hold on to
Our sweetest memories

I can still feel you
Your lips on all of me
Your skin in between the silk
Still moving me

You are

You are validating
That my search for love
Is closer to you to me
Souls separated by six degrees

You are the fire inside of me
The blue sky in a sea of dreams
You are the ripples in ecstasy
That pales all fantasies

You are my tomorrow
You are my every yesterday
I am trying to hold on to

These words we used to say
I love you...

Link: http://www.vagalume.com.br/iyeoka/i-am-descending.html#ixzz30CZc2Ayv

domingo, abril 27, 2014

I Baianada do CRUSP (Convite)

Pessoal!

Fiquei meio abestalhada quando cheguei ni São Paulo e percebi que a expressão "baianada" era algo usado pejorativamente para identificar pessoas ou um grupo de pessoas que cometiam algum deslize. Em Salvador, essa expressão não existe, assim como essa ideia de que acarajé quente é acarajé com pimenta, coisa inventada por sei lá quem só pra turista ver. 

Como prometido, vai rolar a Primeira Baianada do CRUSP. O evento acontecerá dia 26 de abril de 2014, às 14:00, na sala 51, Bloco F do CRUSP (endereço: Av. Prof. Mello de Moraes, 1235, Bloco F, Sala 51. Chegue no Metrô Butantã e pegue o Cidade Universitária. São dois que saem de lá com o mesmo nome, mas pegue o número 8122-0. Peça pra descer no bandejão e quando descer, pergunte aonde é o Bloco F do CRUSP. Se você vem de carro, olhe na Internet). Será um feijão e cada pessoa pode trazer a bebida que quiser (cervejas já geladas serão bem-vindas!). 

A entrada só será permitida para baianos/as ou convidados/as por baianos/as, já que a ideia é ressignifcar o uso das palavras "baianada","baianice" e correlatos, reconstruindo outros sentidos para estas expressões e pondo em destaque este tímido grupo presente na capital paulista. 

Irmãos e irmãs da Diáspora Baiana, desgarrados/as de seus locais de origem, venham congregar conosco com toda a baianidade encerrada no mais profundo do ser! Simpatizantes da Bahia e dos conterrâneos, arranjem um amigo baiano para ter acesso ao local. 

Instruções: 
No momento da entrada, será necessário apresentar o RG. 
Traje recomendado: Roupa descontraída, de preferência colorida. Se você tiver o dom de meter uma estampa, aí vai ficar massa!
Tragam cds e dvds ou pendrives com música baiana. Outros estilos musicais serão permitidos, mas passarão pelo crivo etílico do grupo. 
Vegetarianos/as são bem-vindos. Temos uma comissão especial para a organização desta ala da festa. 

Cheiro!
Míghian

quarta-feira, abril 23, 2014

Turbante.se


Ele.

Foi quando ele me viu de longe na esquina e depois que me disse: 

Eu vi você mas não reconheci de longe, você diferente de cabelo e uma roupa que eu não conhecia. Eu pensei "que linda mulher é aquela na esquina". Minha cabeça ficou confusa quando cheguei perto e você, a mulher que eu vi tão linda veio me beijar. Fazia tanto tempo que eu não te via que acho que esqueci como você é linda

Nossas diferenças e nossas semelhanças nos afastam e aproximam. Faço cara feia e depois abro um sorriso. A gente transformando isso numa dança bonita de se ver. A melhor coisa do mundo é surpreender e ser surpreendida.

sábado, abril 19, 2014

Esquecer e lembrar.

Semana passada, saí de casa com um turbante lindo, recebi elogios de amigos e passantes. Quando cheguei à faculdade, um doutorando virou-se para mim e cumprimentou-me, falando com uma amiga: 
E essa escrava?
Virei as costas para ele e disse: 
Não sou escrava, nasci livre, você é louco? 
Continuei o que estava fazendo. Ele saiu de fininho da sala e fez-se um silêncio. Talvez ele pensou que, por demonstrar não ter vergonha de ser preta, eu também não teria vergonha do passado. Talvez ele pensasse que usar turbante fazia parte de uma moda escrava. Sei lá. 
Das dores que o racismo provoca. Esse colega sempre foi muito gentil e carinhoso, é difícil ser ríspida com quem sempre te trata bem. Tenho certeza que ele não "fez por mal". Mas ainda assim, dói e é um desrespeito. E não entendo porque ele não poderia ter dito "que mulher linda!". 
Não tenho vergonha do passado. Sei que mulheres como eu foram escravizadas. Mas não fomos sempre assim e quando nos tornamos assim foi por algumas condições históricas (talvez eu deva falar "e esse colonizador?" se algum branco me chamar escrava). 
Não uso "moda escrava" (se é que isso existe na cabeça de alguém). Uso pano na cabeça porque minha vó fazia isso. Se tem alguma coisa a ver com outros antepassados além dela e além-mar, significa que sim, eu tenho uma história. História esta que, definitivamente, não começou na época da escravização.


Vestido.

Há algum tempo atrás, encasquetei que queria deixar de comprar roupa e só comprar tecidos para fazê-las numa costureira. Não consegui ainda, mas essa ideia ficou adormecida na cabeça. Nos últimos dias, remexendo nas minhas roupas, descobri que até tenho muitas peças feitas por costureiras. Fiquei contente. 
Ontem, encomendei um vestido com uma costureira maravilhosa, modelista e faladeira. Ficamos falando sobre a vida enquanto ela tomava minhas medidas. Me disse que aquele vestido iria precisar de mais de uma prova, que eu ficasse em casa a postos para a execução da empreitada. 
Vim para casa feliz. Imagina. Passar uma semana experimentando uma roupa que vai ser feita só pra mim. Coisa de princesa. 
Esse carinho com a roupa, cuidado ("você tem um sutiã pra esse decote? Você vai usar mais de dia ou sempre à noite?") faz a gente ficar pensando como coisas assim são sempre mais gostosas. Porque leva tempo, porque faz você conversar com pessoas, descobrir coisas.
E logo hoje uma amiga me contando da costureira dela, atualizando sobre a nova namorada do ex. Pra quê Facebook, minha gente? Eu prefiro ter uma amiga costureira. Ou uma costureira amiga. 
E a minha ideia de fazer roupas com ela voltou com força.

quinta-feira, abril 10, 2014

Minha mãe, mainha.

Eu certamente já escrevi sobre minha mãe aqui. Mas não posso deixar de falar como ela é incrível. Quase perfeita, erra e demora a assumir que errou. Como toda pessoa quase perfeita. 
Ela é uma das mulheres mais inteligentes que eu conheço na vida e todos os dias fico admirada com a capacidade que tem de inventar novos jeitos de fazer algumas coisas. Também me surpreendo com sua teimosia de ter fé na vida e nas pessoas. Com mais de meio século, segue acreditando nas pessoas e achando que elas valem a pena - mesmo quando até eu mesma peço para ela não perder tempo com isso.
Ela não desiste. Acha que algumas coisas e pessoas podem mudar, que algumas palavras podem fazer diferença. Eu me divirto, acho graça. Acho bonito. 
Incrível também por ter seguido uma tradição das mulheres pretas, botar a gente pra estudar. Acreditar na educação, achar que era uma saída pra gente. 
Meu amigo Zé Roberto me disse uma coisa que me fez lembrar minha mãe também. Ele falou que uns amigos com mais grana andavam em crise sem saber se a mãe os amava, porque elas não diziam eu te amo. Ele de repente disse que começou a pensar nisso e ficou encucado, porque não lembrava que a mãe tenha dito alguma vez eu te amo pra ele. Aí percebeu que isso não era um problema pra ele porque, apesar da mãe não viver dizendo, ele tinha certeza que ela o amava. Por tudo que ela fazia e era pra ele, tinha amor ali. Se ela falava ou não, isso era outra coisa.
Conheci mães que dizem eu te amo todos os dias, mas isso muitas vezes pode não signifcar nada. Não é que eu não goste de ouvir e de falar, só acho que entre minha mãe e a mãe de Zé que pouco fala essa frase mas a gente sente e umas por aí que acha que só falar isso resolve, eu fico com elas. 

sexta-feira, abril 04, 2014

Desfecho.

Há bem pouco tempo atrás, conheci pessoas completamente estranhas a mim e a meu modo de vida. Elas nem sabiam o quanto eu me sentia estranha ao lado delas, eu fingia bem. Fingia porque queria descobrir que estava errada, que era possível que alguém que sempre teve tudo poderia ir além do esperado e insurgir-se contra o comodismo. Fingi querendo não estar certa em ter preconceitos com certas gentes.
Queria não precisar dizer isso aqui, mas o certo é que não estive tão errada. Olho para trás e me pergunto: como suportei? As caras, as hipocrisias em grupo, os interesses frívolos, as conversas fúteis, cama arrumada e roupa passada, como? Ainda não sei. Me consolo com a ideia de que suportei tudo isso para testar minha própria capacidade de estar errada, minha capacidade de acreditar nas pessoas. Por isso, sigo firme sem ficar triste e me culpar de ter ficado tão longe das coisas que mais amo: conversas francas e inteligentes, festas com gentes que amo e não por obrigação, risadas altas, brincadeira desinteressada, vida. 
Hoje, olhando para trás, vejo que o tempo que aguentei foi o máximo de tempo possível. Não tenho saudades de nada e foi incrível como voltei à minha vida real tão rápido que nem sequer me dei conta que passei algum tempo longe dela. Prova de como tudo aquilo era realmente algo fora de mim.
Mas deixa eu falar de outras coisas. Ou das mesmas. É engraçado ver como alguma parte dessas pessoas precisam provar para as outras que não são o que parecem ser. Se elas tem algum status, mas querem posar de revolucionárias, mantém páginas na internet falando sobre a exploração das mulheres negras ou coisas do tipo. Sempre torci o nariz para essas pessoas que, ao invés de viverem suas próprias vidas, criam um duplo completamente ao contrário de si no mundo virtual, tudo aquilo que gostariam de ser mas não tem coragem. O único sentimento que dá pra sentir é pena.
Se pessoas assim denunciassem seus privilégios ou recusasse-os e parassem de tentar parecerem revolucionárias com a dor alheia seria mais produtivo. Mas isso parece ser pedir demais, como pedir para alguém que tem empregada paga pela mãe abdicasse dos serviços desta (aliás, essa conversa eu ouvi certa vez, quando frequentava esses lugares: uma mãe dondoca falando que os dois filhos quando separaram voltaram para casa dela porque não estavam conseguindo manter o status. A coisa que eles mais adoravam era o fato de poder morar numa casa onde havia empregada todos os dias). 
Saber que dificilmente vou ouvir coisas como estas novamente me faz abrir um sorriso de lado a outro. Ufa. Que preguiça dessa gente. 

quarta-feira, abril 02, 2014

Carnaval dos Deuses.

Da Ciranda de Filmes: 


Birth Story - Ina May Gaskin & The Farm.

Da Ciranda de Filmes:


50 anos, Florestan Fernandes.


Inscrições aqui

Matilde Ribeiro, presente.


Reescrevo aqui o que disse Matilde, nova professora da Unilab: 


A vida é desdobrável!


Estou prestes a mudança de rota! Em 2014, passarei a ser professora no Instituto de Letras e Humanidades da UNILAB – Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira na cidade de São Francisco do Conde, na Bahia. 

Ser professora universitária a partir de um concurso público, não é apenas a retomada de um projeto acadêmico que interrompi quando aceitei em 2001, a indicação da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo do PT (SNCR-PT) para fazer parte da Coordenação do Programa de Governo do candidato à Presidência da República – Luiz Inácio Lula da Silva. 

Tenho orgulho de ter me envolvido de maneira efetiva nesse projeto de nação propiciado nessa era Lula, foi enriquecedor ter sido por quase seis anos Ministra da Igualdade Racial. Mas, é hora de garantir o RESGATE da AUTONOMIA profissional e também política, e, com isso não depender de articulações políticas para poder realizar algo simples, que é o desenvolvimento da capacidade de trabalho, como fonte de vida.

Após ter saído do governo federal a vida não foi nada fácil, convivi com a amargura do desemprego, com o nascedouro de contas sem a referência de como e quando pagá-las, e, com a ciranda política de diálogos ancorados em tapinhas nas costas e apelos por paciência com a eternidade dos dias. 

Por outro lado, tenho muita gratidão a iniciativas que geraram fôlegos para recarregar baterias dentro de uma área que ajudei a construir! Agradeço ao gesto de Netinho de Paula que me levou a exercer em 2013 o cargo de adjunta na Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de São Paulo – SMPIR. Da mesma forma, agradeço entre 2008 e 2012 às oportunidades de consultorias e ações mais pontuais, oportunizadas por algumas instituições públicas e privadas. 

Como parte da busca de dias melhores, valorizo imensamente o resgate da autonomia profissional e política. E, afirmo que na vida tudo é aprendizado! Nem tudo é light, mas é aprendizado! 

Aliando-me a Adélia Prado, poeta que definiu que “mulher é desdobrável”, finco pé em meu lado profissional/militante, e, sigo estrada rumo a Bahia! Visualizo esse momento como uma possibilidade de síntese, pois levo os aprendizados anteriores e os coloco em um novo projeto, com menos angustia em relação ao que será o amanhã, a considerar a realidade de maior segurança profissional. 

Sou grata ao ineditismo da vida, Elisa Lucinda em seu poema Libação nos disse – “Um brinde ao que está sempre em nossas mãos: a vida inédita pela frente e a virgindade dos dias que virão”. Como Elisa, não tenho dúvidas – a vida pode sempre reservar descobertas, e com nossa energia positiva podemos transformá-las em caminhos frutíferos! Isso vale para o hoje e para o amanhã!

Matilde Ribeiro, 01 de abril de 2014.


terça-feira, abril 01, 2014

Ciranda de Filmes.

Fui à Mostra Ciranda de Filmes e vi esse e mais esse. Vai lá. Ou melhor, vem aqui: