Você que me lê, me ajuda a nascer.

terça-feira, dezembro 30, 2014

Uma carta.

Por você, tantas coisas.
Por você, mudei datas, alterei rotas, fiz silêncios, gritei mais alto, pensei diferente, fiz as mesmas coisas de antes.
Por você, estive feliz e reclamei menos, por você. Fiquei sábado em casa, esperando um sinal de vida. Ofereci parte de mim, parte do que tinha e também estava disposta a oferecer o que não tinha, mas que teria coragem de buscar, em qualquer parte do planeta.
Por você, ainda estava disposta a fazer muito mais. Mudar de país, mudar os projetos de vida, ter menos filhos, morar na cidade, não ter um cachorro.
Com você, pensei que daria certo.
Com você, queria ter feito mais coisas, pensei em dizer tudo, tentei abrir a parte do meu coração destinada a pessoas especiais.
Mas, infelizmente, você não quis.
E eu?
Eu parei de querer, quase que automaticamente. (eu disse quase)

E é aqui que acaba (mais) uma história de amor. 

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Kababléké.


De coisas que você conhece quando conhece pessoas.

terça-feira, dezembro 16, 2014

Me deixe.

Sem pressa, há pessoas que nos tomam por inteiro.
Sem querer, por vezes.
Não sei o que acontece, mas gosto.
Das palavras, do sorriso, das mentiras-brincadeiras, da conversa, do silêncio, da massagem, do carinho, aconchego.
Como ele sabe não falar o que não deve e dizer das belezas? Quem ensinou, às vezes respiro fundo esperando o que virá, o que será, mas ele não me desanima, só me acalma.

Me disse

eu gosto muito, muito de você

E eu suspirei feliz. Mas até parece que eu não sei o que é gostar. Eu já tou calejada, já conheço essa conversa. Mas, mais uma vez, eu sei que é de verdade.

Me deixem ser feliz.

sábado, dezembro 13, 2014

terça-feira, dezembro 09, 2014

quarta-feira, dezembro 03, 2014

A cena tá preta!


Confira programação aqui.

Eu.

Um colega me desenhou assim. Ele sabe tudo.



segunda-feira, dezembro 01, 2014

Simpatia, quase amor.



Tão feliz que nem o olho abre direito.

domingo, novembro 30, 2014

Rabujice.

Eu me divirto com pessoas originais. Parece que me apaixono mesmo por aquelas que, mesmo parecendo chatas, são sempre elas mesmas. É assim agora, quando ele fala diz que é ciumento mas gosta de todos os meus amigos.

Ele é rabugento mas põe o prato de comida com arroz e frango a la Guiné pra mim, um prato de louça e ele come no de plástico. Pergunta se quero suco, se quero água. Mas com a cara amarrada, que ele não pode deixar de ser rabugento.

Reclama se eu atraso, reclama se eu não vou, se eu não falo. Mas me pede pra ficar me abraçando forte. Eu gosto dele, eu gosto disso. Prefiro rabugentices sinceras a flores descaradas. Alguém que não diz a mais, mas diz tudo que sente. 

Ele fala e fala

Eu falo o que eu tou sentindo, eu sou assim

E eu não digo que não gosto. E gosto mais ainda quando digo que vou viajar e ele reclama

Você entra na minha vida e já vai embora? Isso você acha certo?

Contagem Regressiva.


Lumumba, a morte do profeta.

Vejam o trailer aqui.

terça-feira, novembro 25, 2014

(Má) Educação.

 Ato I

Eu, sentada no bandejão central, minha bolsa pendurada em outra cadeira. A moça chega, eu tiro, ela nem olha pra mim e diz:

Tem alguém aqui?

Eu digo não.
Ela diz:

Se você quiser deixar sua bolsa aí, eu não me importo

Eu digo:
Mentira, você nem olhou pra mim, como pode dizer que não se importa? Quanta "educação"

Ato II

Eu no metrô, esbarro na moça, seguro nela, estou quase caindo. Tenho olhar em seus olhos, mas ela abaixa as vistas. Eu digo, segurando a mão dela:

Desculpa

Ela responde:

Magina!

Eu digo:
Magino, magino sim. Magino que você odiou que segurei sua mão.

segunda-feira, novembro 24, 2014

Abraço.

É quando ele te abraça forte e diz

Não quero te fazer sofrer, eu tenho irmãs, sei como vocês se sentem quando são enganadas. Não posso fazer isso contigo

... que você entende que ainda é possível se entregar de novo, num abraço. 

domingo, novembro 16, 2014

Amizade, ilha de amor.

Ela me escreve, me acalma, me dá na cara:


Vocês não tem um romance virtual, tudo entre vocês foi muito real, e, na boa, é normal que vocês se falem. Internet é mais prático e barato. Mas tu que sabe


Não preciso ouvir mais nada.

sexta-feira, novembro 14, 2014

Sobre ser pai.

Dificilmente vejo vídeos no Youtube. Mas esse me fez seguir até o fim, mesmo com as lágrimas. Vivo reclamando quando dizem que a "mãe é mais importante" na criação de uma criança. Não tem ninguém "mais importante". Todo mundo que faz parte da vida da criança é importante, deixando marcas de todos os jeitos na vida delas. 
Admito que, por conta do machismo, que faz com que nós sejamos vistas como inferiores é que repetimos essas afirmações, porque é bem certo querer ser "mais importante" em alguma coisa, para compensar o machismo (já tinham pensado nisso? Eu só penso nisso. Quando te dizem que você não tem poder, a única coisa que você quer é salvaguardar aquele pouco que você tem).

Bom, mas lá vai a história, que copiei do blog Ser mãe é padecer na Internet

Pai que perdeu a guarda do filho para a mãe do menino se veste de mulher “para ver se a justiça me enxerga”, diz

RITA LISAUSKAS

11 Novembro 2014 | 14:39



A justiça está acostumada com pais fujões ou com aqueles que não pagam pensão. Mas não entende homens como o cineasta Pedro Diniz, 54 anos. Ele criou o filho, Lucas, desde que o menino nasceu, em 2005. A mãe nunca quis saber do garoto, mas tinha liberdade total para vê-lo – o que quase nunca fazia, segundo o pai. Pedro, que também cuidou dos quatro filhos do primeiro casamento após a separação, organizou-se para ser o melhor pai que Lucas podia ter. Trocou a vida de microempresário pela de professor universitário para poder se dedicar ao caçula: “Fiz isso porque precisava ter tempo para meu filho”, lembra. E foi assim até quando o menino completou 7 anos e a mãe decidiu então que queria ficar com Lucas. “Quando ela casou com um empresário, veio me oferecer um apartamento em troca da guarda dele”, conta. Pedro não aceitou a “proposta” e foi ameaçado: “Ela mandou que eu me preparasse, porque ia entrar na justiça”. E assim foi. A mãe de Lucas não estava mais em Goiânia, onde o menino nasceu, e sim em Vitória, no Espirito Santo. Pedro e o filho nunca saíram da capital de Goiás. “Lucas nunca tinha morado com a mãe. Em Goiânia tinha a escola, os irmãos e os amigos que o conheciam desde bebê. Mas a justiça nem me ouviu: deu a guarda para ela”, lembra.

Pedro recorreu, mas antes de ser ouvido pela justiça a mãe de Lucas apareceu de surpresa para visitar o filho. O menino estava na rua brincando com o pai e alguns amigos. Em um momento de distração, ela levou o menino com a ajuda do atual marido: “Foi uma daquelas cenas de cinema. Eu entrei em casa por um instante e ela arrastou meu filho para dentro de um carro que saiu em alta velocidade”, lembra, com a voz embargada. A vizinhança gritou, o pai se desesperou. Fez boletim de ocorrência e, ao procurar a justiça, teve dificuldade que entendessem que ele e o filho tinham sido vítimas de violência e de alienação parental: “Eu ouvia sempre que se o menino estava com a mãe, então estava tudo bem!”. Ficou nove meses sem notícias de Lucas.

Em um de seus momentos de desespero e durante esse período, fez um vídeo e postou no You Tube. Nele, sua voz grave e decidida contava a Lucas tudo o que estava passando, mesmo sem saber se o menino algum dia iria assistir à sua declaração de amor: “A essa altura de quase 9 meses sem vê-lo, vários são os momentos que têm me feito lembrar de seus sete anos de vida ao meu lado”, dizia. O vídeo está sendo sempre reeditado e atualizado e hoje, dezoito meses depois do menino ser levado pela mãe, conseguimos ver como Pedro ainda luta para reencontrar o filho. Durante sua investigação solitária, embarcou de ônibus para a capital paulista. Assistimos ao pai na estrada e depois pegando trem, metrô e passando seis horas na frente do prédio onde o menino morava com a mãe e o padrasto. Ele interfonou. Telefonou. Não foi atendido e no final do dia embarcou de volta a Goiânia. Pergunto quantas viagens já fez em busca de Lucas, que ele já sabe que não está mais em São Paulo. “Perdi a conta”, diz, pensativo. Está na estaca zero de novo. Nos últimos dezoito meses, Pedro conseguiu ver o filho por apenas 18 minutos, em uma das audiências que a justiça marcou. Neste período, apenas um dos seus milhares de telefonemas foi atendido. “Falei por telefone com o Lucas por oito minutos. E só.” O direito de passar as férias com o filho nunca foi respeitado e a justiça, mesmo sendo avisada disso, nada fez, segundo ele.


Pedro e Lucas juntos: foto foi tirada nos 18 minutos em que passaram juntos nos últimos 18 meses

Esse pai é apenas mais uma vítima de alienação parental, violência silenciosa praticada na maioria das vezes pelas mães que tentam afastar os filhos dos pais, geralmente depois da separação do casal. Pedro Diniz acredita que a justiça não dá valor para os pais responsáveis. “Os homens de terno não entendem o amor que os pais podem ter pelos seus filhos. Mas eles não são eternos. O tempo os mostrará que os homens de hoje sabem cuidar dos seus filhos. Aprenderam com as mulheres”, filosofa no vídeo. Pelo telefone fala comigo, agora indignado. “O sistema está todo errado. Eu vou bater nessa tecla enquanto eu respirar”.

Estamos em novembro de 2014. A cada nova pista, Pedro embarca em busca do filho. Mas agora, entre uma viagem e outra, vai também a Brasília pressionar pela aprovação do projeto de lei que determina que toda a guarda seja compartilhada entre pai e mãe, com direitos e deveres iguais. O PLC 117/13 tramita há dez anos no Congresso Nacional, mas ainda não tem data para ir à votação. “Enquanto ele não é aprovado todas as decisões da justiça favorecem a mãe. Ninguém enxerga o pai”, desabafa. E por isso Pedro abriu uma página no Facebook chamada Novo Homem, para discutir alienação parental e guarda compartilhada. No alto da página está uma foto de Pedro com sua barba e cabelos grisalhos, mas também com brincos bem femininos e anéis. “Por que decidiu se mostrar ao mundo assim?”, perguntei. “Pra ver se vestido de mulher a justiça me enxerga”, desafia.

Não consegui postar o vídeo, mas na matéria tem. Vejam lá!


Tanto, Aline Frazão.



Tanto

É tanta luz aqui que até parece claridade
É tanto amigo aqui que até parece que é verdade
É tanta coisa aqui que até parece não há custo
É tanta regra aqui que até parece um jogo justo
É tanto tempo aqui que até parece não há pressa
É tanta pressa aqui que até parece não há tempo
É tanto excesso aqui que até parece não há falta
É tanto muro aqui que até parece que é seguro

Tanto tanto
Na embriaguez de um canto
É tanto tanto faz
Que ninguém sabe quem fez
Mundo gira mundo
Mundo vagabundo
Não olhe senão vês

É tanto pausa aqui que até parece não há esquema
É tanta história aqui que até parece um problema
É tanta festa aqui que até parece sexta-feira
É tanta dança aqui que até parece a das cadeiras
É tanto flash aqui que até parece que ilumina
É tanta frase aqui que até parece que resolve
É tanto ecrã aqui que até parece um grande evento
É tanta força aqui que até parece um movimento

É tanta coisa aqui que até parece não há custo
É tanta regra aqui que até parece um é jogo
É tanto excesso aqui que até parece não há falta
É tanto dano aqui que até parece ninguém nota

Tanto tanto
Na embriaguez de um canto
É tanto tanto faz
Que ninguém sabe quem fez
Mundo gira mundo
Mundo vagabundo
Não olhe se não vês

quinta-feira, novembro 13, 2014

Feliz noite, meu amor.

As palavras aqui, na tela, cravadas. E eu olhando para elas, sem querer que o sentimento me encha os olhos. A música que ouvi a tarde inteira que me lembra a gente, o cheiro, as palavras doces, estou a vir, não dorme. 
Há um medo - ainda adormecido - de que tudo isso me deixe completamente embriagada de paixão. 
Eu deveria não esperar que ele acordasse. É comum que alguém igual a mim queira só repousar um pouco, depois de tantas viagens. 

segunda-feira, novembro 10, 2014

Ponto (e vírgula).

Ele se foi, mas não me deixou sozinha.
Estou cheia. Plena. De ideias, de alegria, de sorriso, ah, o sorriso que ele sempre me pedia e que me disse quando estava já indo, calçado, vestido, sentado na cama

Como vou viver sem teu sorriso?

Se ele não sabe, eu menos ainda. Eu não sei, mas também não quero saber. Ele me disse não querer (me) perder. Ele não me perde se eu não me perco, eu não tenho medo de perdê-lo porque sei, senti, vi seu sentimento por mim. Mesmo quando ele não dizia. Aliás, aprendi a ver quando ele não dizia. Talvez eu precise aprender mais sobre isso, sentir sem ver, olhar no olho e já entender, tudo. Da gente, do futuro é pedir muito, porque sim.

Não sei direito se estou sentindo o que devo, se deveria sentir mais ou menos, o que deveria sentir. Uma experiência intensa de amizade que é quase amor que a gente fica tonta quando se diz boa viagem. Foi uma história, com sentimentos que nunca vivi. Não saber como sentir, duvidar, desconfiar de mim. Sentir, sim.


Pinheiros.


quarta-feira, novembro 05, 2014

segunda-feira, novembro 03, 2014

Um desejo antigo.


Simpatia, quase amor.

Quer um café?

Não quero que levantes, fique aqui comigo

E me inundou de alegria essa bobagenzinha dita assim por nada, do nada, no meio do filme. Porque eu gosto de mimos assim como ele, que gosta e que também me faz. Como da vez que ele disse

vem aqui, toma café junto a cama, quero te ver, já vais embora e fico sem ti

Suspiro fundo e choro quando ouço Latch de Sam Smith em versão acústica, sem nem me atentar para a letra, mas que é também uma letra que parece com o que eu sinto. Não estou preocupada com o que vai ser, quem me lê aqui sabe que nunca estou. Estou mais preocupada em sentir.

Sentir é melhor do que saber

Mas é que as coisas que ele me diz, são tão coisas que eu quis, eu esperei, que não sei. Não sei como alguém entra do nada na sua vida e diz coisas como

Quero te dar um abraço

Na hora certa, que desconcerta. E pensar, às vezes você fica um, dois anos com uma pessoa, e só quer que ele te diga certas coisas, mas ele nunca diz. E não vai dizer, não sei porque. E não é que me arrependo de outros, de tentar sempre, é só pra dizer como a vida é incrível e como cada dia eu sei que não dá pra dizer não para imprevistos que eu escrevi tudo isso. 


sexta-feira, outubro 31, 2014

Cicatriz.

No meio da aula, na faculdade, fui buscar um café. Não gosto de café daquelas máquinas, mas era o único que havia e a aula prometia ficar mais chata do que já estava. Na minha frente, um moço chamou-me a atenção. Mas eu me mantive séria, não poderia dar bandeira que tinha achado atraente um moço que nem nunca tinha visto por aquelas bandas. Na faculdade, quase nunca aparece ninguém interessante e eu conheceria um moço tão bonito se ele fosse estudante. 
Foi quando ele me disse em inglês

you know how to use the coffee machine? 

E eu disse

I  don't speak English 

E ele me respondeu

Now you talked

Fiquei sem jeito, abri um sorriso, ele também. Mostrei para ele como funcionava e depois descobri que seu português de Portugal fazia a gente conversar melhor. Quando sentamos para tomar o café - a essa altura eu já havia esquecido da aula - ele me disse que era curioso não saber mexer naquela máquina de café, já que ele mesmo trabalhou por muito tempo numa empresa que confeccionava máquinas de café. Comecei a achar que ele também tinha me olhado quando eu cheguei, mesmo estando de costas pra mim.

Notei uma cicatriz do lado esquerdo do seu rosto, o que me deixou mais atraída por ele. Eu disse que adorava sinais naturais, gostava das pessoas como elas eram, mas ele não acreditava. Aquela cicatriz me dizia que sua beleza era real, como a minha, como a de pessoas reais, com problemas e dores, mas com sorrisos também. O café acabou. Ficamos nos olhando, procurando alguma coisa para falar. Ele tomou iniciativa, perguntou se eu tinha Facebook. Disse que sim, ele me procurou. Eu disse que não usava, que não poderia ser adicionada. Ele me perguntou pelo whattsapp. Eu disse que a gente morava perto, poderíamos nos encontrar pessoalmente. Ele disse que era justamente o que queria, me ver de novo. 

Alguma coisa aconteceu ontem à tarde. Sua voz, seu sorriso e o modo como me olhava me derreteram mais que o calor em São Paulo. Não sei o que pode ter acontecido. Ainda me pergunto porque penso nele o tempo inteiro. As coisas como disse, como me pergunta sobre mim, o que ainda não sabe, seu cheiro, ainda não consegui descobrir o que me atrai mais. Alguma coisa nele me puxa, me chama para perto, mas ainda não sei o que é. Sei que preciso descobrir. Talvez não todas as respostas, mas porque seu olhar me envolve tanto, me amolece, me deixa sem vontade de mais nada a não ser ficar ali, olhando, olhando, olhando. Suspirando. Tive frio na barriga quando me olhou de mais perto, quando me beijou. 

Voltei pra casa meio boba, aula pra quê?
À noite, meu celular faz um bip. Ele está no meio de uma pilha de papeis, demoro para encontrar. Há uma mensagem vinda de um número desconhecido que diz  

I need to make some more coffee. You could find me again in front of the coffee machine now?

quinta-feira, outubro 30, 2014

Sementes da Violência.


Papai, cadê você?


Kilimanjaro Ciné African Film Festival.

Começa hoje em São Paulo, Brasil, o Kilimanjaro Ciné African Film Festival, com uma programação cinematográfica exclusivamente dedicada ao cinema contemporâneo produzido em África.


De acordo com o site brasileiro Catraca Livre, o festival, que decorrerá até domingo, apresentará na Galeria Olido oito longas-metragens, distribuídas em dez sessões, com o preço simbólico de um real (cerca de Kz 40).


O objectivo do Kilimanjaro Ciné African Film Festival é divulgar a cultura africana através de produções que retratam o quotidiano no continente.


Entre os filmes que serão exibidos, destacam-se Bamako,do realizador mauritano Abderrahmane Sissako. O filme, seleccionado pelo Festival de Cannes em 2006 para a sua competição oficial, conta a história de um grupo de cidadãos que decide processar, e julgar nos jardins de uma casa, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional pelo endividamento do continente.


O público poderá ver também Madame Brouettte, do senegalês Moussa Sene Absa, cuja narrativa desenvolve-se à volta da protagonista que confessa ter assassinado o marido.


Extraído de Rede Angola.
Veja a programação aqui.

 
                                     Madame Brouette, um dos filmes que integram o festival.

quarta-feira, outubro 29, 2014

Dilma?

Eu deveria escrever algo sobre as eleições enquanto tudo estava fervendo, defender minhas posições aqui, tudo como manda o figurino. Mas fiz mais campanha pelo Twitter e no corpo a corpo, na conversa de todos os dias.
Desde que voltei de Salvador, um dia depois do primeiro turno, falava da eleição com todo mundo que conhecia. Ainda em Salvador, ao ver o resultado, decidi que iria conversar com todas as pessoas que pudesse, assim que chegasse em São Paulo, sobre o resultado nas urnas. Comecei logo cedo, às 6h da segunda-feira, com o cobrador de ônibus que atende a linha Cidade Universitária. Ele estava descrente, apesar de ser Dilma. Eu falava alto, gesticulava, com meu adesivo #DilmaCoraçãoValente no peito. As pessoas do ônibus olhavam, umas bufavam, outras prestavam atenção. A maioria das pessoas que pega o ônibus para ir cedo à universidade são funcionários públicos ou terceirizados, e era com eles e elas que eu queria falar mesmo. De algum jeito, arrumei um palanque. 
O cobrador descrente me dizia que não tinha certeza da vitória. E eu dizia que para Dilma ganhar, ele precisaria votar nela, que não era uma coisa que as outras pessoas decidiam. Desci do ônibus e continuei a conversa por onde passava. 
Depois, durante os dias que se seguiram, durante as viagens de ônibus, minha técnica era pegar o telefone e fingir que conversava com alguém, falando sobre política. Falava coisas que eu havia lido nos jornais e fazia minha crítica, conversando com ninguém. As pessoas fingiam não ouvir, mas eu sei que, como disse minha professora, as pessoas em São Paulo fingem que não estão vendo nem ouvindo, mas sabem contar tudo que aconteceu ou ouviu numa conversa do banco da frente. Descrevem com detalhes até a roupa das pessoas, tudo olhando por baixo. Isso foi ela quem me contou, paulistana convicta. 
Uma outra técnica era conversar com todas as pessoas. A moça aqui na faculdade achou interessante minha abordagem com o moço da agência de viagens onde eu compro minhas passagens regularmente. Perguntei o que ele achava da eleição e em quem votaria. Quando me disse que estava indeciso, conversei e falei tudo que achava sobre o governo, incluindo o aumento da malha aérea, os subsídios dados, as pessoas viajando etc. Conversei com todas as pessoas que pude. Todas. E achei ótimo.
Lembrando disso, lembrei que uma colega disse que amigos e amigas nas redes sociais reclamavam que suas argumentações para as pessoas votarem no PT eram tão capitalistas quanto as da direita. Gente pobre comprando carro, mudando de casa, comprando eletrodoméstico... ela disse que era bem verdade que de onde a gente vinha as pessoas estavam com um poder aquisitivo maior, e que eram eles que deveriam se envergonhar porque foi preciso um governo do PT para que pessoas tivessem subsídio para comprar uma casa, necessidade básica de um ser humano. Se isso era ser de esquerda no Brasil, imaginemos então o que quer a direita brasileira. 
As pessoas estão comprando mais? É só isso que o pessoal consegue ver com o aumento da distribuição de renda no Brasil?
A gente está falando de dignidade, e parece que isso tem a ver com dinheiro, num mundo capitalista. Parece, mas eu ainda tenho minhas dúvidas. Porque eu acho que é preciso primeiro fazer parte para depois escolher se eu quero ou não fazer parte. É basicamente isso que estou fazendo agora, quando posso escolher se quero ou não ter um carro. Ninguém - repito ninguém - da minha família nunca teve carro e eu hoje, por motivos pessoais, não quero ter um. Mas eu POSSO ter um. Entendeu a DIFERENÇA? Diferente do resto da minha família, por GERAÇÕES, que nunca puderam ter, hoje eu posso escolher. 
O capitalismo não lidava com a ideia de que pessoas não fariam parte desse mundo e falava de todos como participantes do mundo social. Mas isso não é real, pelo menos não aqui. Bom, mas o capitalismo também não falou de raça. Então eu não sei se ele serve para explicar o Brasil. Ter dinheiro para comer, morar numa casa decente e poder estudar sem se matar de trabalhar. Se isso é capitalismo, me conta qual a aula de história que eu perdi. 

Depois, a moça que mora comigo numa moradia estudantil questionou a Bolsa Família. Questionei a ela sobre as bolsas que recebia, a saber, bolsa-moradia, bolsa de estudos, bolsa-alimentação... todas estas bolsas eram programas sociais de assistência estudantil, e eu queria saber em que elas diferiam da Bolsa Família (a diferença é que ela recebe dez vezes mais que uma criança para estudar, dez vezes mais do que uma pessoa que precisa do dinheiro para, basicamente, COMER). Fiquei irritada. Aliás, irritadíssima. Dava vontade não de mandar ela ler isso aqui, mas de tacar a revista na cabeça dela. E, só pra constar, eu também vivo de bolsa. Por isso, eu tenho asco dessa conversa de ser contra Bolsa Família. Benefício? Para os outros nunca, né?
Como diria Milton Santos, "a classe média não quer direitos, a classe média quer privilégios" (no documentário Por uma outra globalização, 2006).

A moça da agência Bloomberg na Paulista no domingo na entrevista perguntou de que classe eu era. Eu disse pobre, ela ficou acanhada de escrever pobre, como se fosse feio, como se fosse palavrão. Deve ter achado estranho eu dizer que era doutoranda e era pobre (é, difícil mesmo, pobrenegramulher - e isso que inventaram no Sudeste, "nordestina" - doutoranda?). Eu disse, "pobre, põe aí, sou pobre". Ela queria botar classe média baixa, isso pra mim é palhaçada. E eu deveria ter dito: Não sou miserável, sou pobre. É diferente. E eu vou te dizer porque não sou classe média. Minha família não tem nenhum bem, nenhuma herança. Ah, compramos uma casa faz cinco anos, mas não temos dinheiro para tirar a escritura. Quer mais? Eu não tenho internet em casa, não tenho carro nem viajo para "Europa" uma vez por ano. O dinheiro que recebo como bolsa ajuda minha família, não é para comprar livros e assistir peças de teatro. Quer mais?

De todas as pessoas com quem conversei, eu ficava esperando críticas mais contundentes ao governo, mas elas quase não vieram. Na verdade, elas vieram mais de quem votava Dilma. Quem votava Aécio falava de "alternância de poder". Eu pensava "não fala isso para uma pessoa como eu que teve antepassado escravizado... vamos alternar 'esse' poder?". Falava de corrupção na Petrobrás. Eu respondia dizendo: "E você, vota em Aécio para que a gente não tenha mais Petrobrás?!". Falava que o Brasil ia virar Cuba (nem preciso dizer que com esse argumento eu sambava na cara da pessoa, né? Faça-me o favor, é muita desinformação. O Brasil está longe - infelizmente - de virar Cuba, para o "mal" e para o "bem")

Para terminar, eu acho, sobre toda essa coisa que é a vida em São Paulo sendo baiana, todo o debate que se tem sobre Nordeste-Norte em São Paulo eu não falo novamente aqui porque já falo muito. Estou cansada de falar disso nos posts, xenofobia e preconceito, de raça e de origem. Nos últimos dias, tenho me sentido "tudo bem se você for baiana, mas fica quietinha, não fala alto, pra gente gostar de você". E saio com um camiseta "Sou baiana" com adesivo do PT, calça colorida e cabelo crespo, falando alto e gesticulando muito, mas tudo isso sou eu, não queria ter que pensar sobre essas coisas da hora que durmo até a hora que acordo, queria ser eu sem precisar ficar me explicando. E as pessoas mais próximas que PRECISAM lidar comigo ficam com um risinho hipócrita na cara, não suportam diferença, precisam de alguém que querem ser iguais à elas, ficam perdidas. 

Nunca fui militante do PT. Nunca me filiei por assim dizer. Militei no movimento estudantil e no Movimento Sem Terra na época da graduação e hoje estou mais próxima do Movimento Negro do que tudo, mas tenho muita vontade de voltar para militância no MST. A questão, nesta eleição, não era de, com o voto, dizer SIM a tudo que o Partido dos Trabalhadores tinha feito nestes doze anos, mas dizer NÃO ao projeto político do PSDB. 
Não vou me alongar a porque eu digo NÃO ao projeto político desse grupo. Só vou falar que sou contra a redução da maioridade penal e só por isso, poderia ficar aqui por muitas linhas dizendo porque eu nunca me alinharia a este grupo. 
Alguns colegas me disseram estar puto com o PT, decepcionados. Eu nunca me decepcionei com o PT. Nunca pensei que eles resolveriam todos os problemas do Brasil de um jeito COMPLETAMENTE diferente dos que os que lá estavam. Existe um jeito de fazer a coisa que não dá para mudar só com a entrada de um partido que tem um projeto diferente do que existia pro Brasil. Muitas pessoas viam Lula como salvador de uma pátria, alguém que mudaria a história da nação brasileira. Mas o que eu acho engraçado é que a maioria das pessoas que se disseram decepcionadas com o PT pouco ou nada fizeram para que o Brasil realmente melhorasse. Votou nele e ficou em casa, assistindo TV', reclamando da vida, mesmo tendo tido oportunidades na vida que estão diretamente relacionadas ao governo que temos. 
Algumas pessoas decepcionadas com o PT não fizeram revolução armada (pelo menos eu não fiquei sabendo de nada). Muitas delas fundaram outro partido, indicando que continuam acreditando que este modelo que temos é o melhor - ou o menos pior - para fazer acontecer uma mudança no País. E essas mesmas pessoas que fundaram um partido vem cobrar de mim e de um monte de gente que votou em Dilma mais coerência. E eu pergunto a elas se elas REALMENTE acham que, se por ventura algum dia o partido delas chegar à Presidência, ele será perfeito. Eu realmente quero viver para ver uma disputa presidencial onde os grupos de direita sejam banidos pelo povo da eleição. E eu gostaria muito que um outro partido de esquerda chegasse lá. E aí, a gente vai começar de novo, a descobrir que é muito diferente estar fora e estar dentro.
Tudo isso aqui eu digo baseada numa política que aí está. Não é certo dizer que eu acredito em mudança sem sangue, suor e lágrimas. E também não acredito que países do tamanho do Brasil conseguiriam fazer isso com facilidade. Anarquia, eu concordo, mas não sei se num país de tamanho continental segura isso. 
E eu votei Dilma pela Dilma, como disse Chico Buarque, porque ultimamente tenho gostado mais dela do que de Lula. Não acho que o governo dela foi melhor do que o dele, mas eu aposto que o próximo será melhor, porque eu estou convencida de que preciso voltar à política com mais intensidade. É precisamente porque quero trabalhar mais que acho que esses próximos quatro anos vão ser melhor! Prefiro uma mulher na presidência, prefiro uma mulher negra (que assuma que seu compromisso social passa também por isso!). Vou viver pra ver isso acontecer também.
Sou Dilma, porque não sou Aécio. Never. Sou Dilma, porque quero construir outras formas de política para o Brasil. Sou Dilma, porque como eu, como a vida, ela não é perfeita. 


segunda-feira, outubro 20, 2014

Saudade sem dor.


Alguns dias pra trás que eu tenho pensado nele e em tudo que vivemos. Foi tão pouco tempo e poucas vezes que nos vimos. Acho que dá para contar nos dedos das duas mãos. Ah, as mãos dele.
E o sorriso, as palavras que falava e quando fechava os olhos.
Mas, não escreverei, não ligarei nem perguntarei como ele está.
E sei que ele fará o mesmo. Não podemos mais com a gente. Fomos tão pouco e tão intensos, em tudo por tudo nas brigas e no amor. Ele, que me ensinou a me ver de novo. Do lado dele me sentia a mulher mais linda do mundo, poderosa. Não sei como ele conseguia fazer isso, mas entendi o que eu queria sentir quando escolhesse um homem para ficar comigo por muito tempo na vida.
Saudade dessa sensação que eu tinha com ele, essa felicidade intensa. 

Ciências Naturais.


segunda-feira, outubro 13, 2014

Luz Negra.



LUZ NEGRA

de Paula Faria

Com Cloddoaldo Dias; David Guimarães; Flávio Rodrigues; Leona Jhovs; Mel Lisboa; Melvin Santhana; Raphael Garcia; Thais Dias e William Simplício.

Luz Negra é um espetáculo musical sobre a região da Luz e a Frente Negra Brasileira em São Paulo nos anos 1930. O movimento Frente Negra foi criado em 1932 e revela várias facetas da participação dos negros no contexto político, cultural e social da época. Com a instauração da ditadura do "Estado Novo" no dia 10 de novembro de 1937, a Frente Negra Brasileira, assim como todas as demais organizações políticas, foi extinta. Este será o dia em que se passa a peça que inicia após o crime do castelinho da Rua Apa retratado no espetáculo Cine Camaleão da Cia.

Semana de estreia - 13 a 16 de outubro de 2014

Temporada - Terças e quartas, 21h de 14 de outubro de 2014 a março de 2015.

Entrada: Pague o quanto puder/ quiser.

Drag queens.



Vê mais aqui.

Herança.

Uma das moças da limpeza, eu fico conversando com ela. Não ponho o nome aqui porque ela não me autorizou, mas eu sei qual é. Entrei no banheiro e ela me contou o tanto de sujeira que fica aquilo ali toda noite, que não era possível que as pessoas precisassem fazer tanta sujeira pra usar o banheiro. Ela me pergunta:
- Você que é inteligente, me responde porque é que gente inteligente gosta de fazer sujeira.
Eu tento inventar uma resposta:
- Não é assim, não é por ser inteligente que gostam de fazer sujeira. É porque grande parte das pessoas que estudam nessa universidade tem alguém para fazer para elas, quando chegam aqui, não acham que tem que limpar o que sujam. Não é porque são inteligentes, é porque são mal-educadas e desumanas com as pessoas que limpam.
- Mas aqui não é uma faculdade de Educação? Aqui não é uma universidade, um lugar onde se aprende coisas?
- É, mas essas pessoas tem uma herança...
- Herança, são ricas, né?
- Não bem essa herança. A maioria das pessoas que vem aqui não são ricas, mas tem uma vida remediada. A herança que elas guardam mesmo é a da escravidão. Naquela época, essas pessoas tinham pessoas que faziam coisas para elas, o tempo inteiro. E, mesmo que hoje elas não tenham esse serviço, eu acho que não conseguiram se desprender dessa herança.
- É por isso que ninguém fica neste trabalho. É muito desrespeito. A chefe falou que se vir alguma coisa, alguém sujando tudo, não é pra reclamar, mas eu falo. Eu digo, se você não se importa com quem limpa, pelo menos deixa limpo pra outra pessoa que vem.
Ela continua falando, coberta de razão e eu toda sentimento (ódio, tristeza, indignação). Não sei o que dizer, não tenho mais o que dizer.
Depois, ela conclui:
- É, você me explicou bem, não é porque são inteligentes, é por causa da herança da escravidão. Mas eu não sou escrava... quer dizer, não de verdade, né? Mas para essas pessoas, elas devem me ver assim.
Não quis deixá-la triste. Mas não seria a única mulher negra triste ali, naquele banheiro. 

Algumas meninas entraram, continuamos conversando. Eu fazia questão de falar BEM alto, para deixar BEM marcada minha posição. As meninas pareciam sem jeito. Eu estava um pouco eufórica. A moça disse para eu não ligar tanto, deixar pra lá. No final das contas, ela foi quem me consolou.

Não soube bem o que fazer. Me restou escrever esse post. 

sexta-feira, outubro 10, 2014

Menina negra.

Me dizem invisível
Mas minha cor é negra
Me dizem pequenina
Mas as formigas no quintal de vó não acham a mesma coisa
Me chamam “venha cá, menino” porque meu cabelo é curto
Mas eu nunca achei que só menino pode sentir o vento bater na nuca
Me dizem ausente
Mas eu sempre respondo presente na chamada da escola
E eu sou a primeira da turma

Me chamo, Ana, menina negra.


quinta-feira, outubro 09, 2014

Poder.


Eu vejo a vida melhor. Num futuro?

Aécio Never!




COLETIVO QUILOMBAÇÃO COM DILMA NESTE SEGUNDO TURNO – “Aécio Never!”

O Quilombação – Coletivo de Ativistas Antirracistas - não tirou posição de defesa de candidato à presidente(a) no primeiro turno, pois entre os quilombativistas havia apoiadores de Dilma, Marina e Luciana Genro. Além disto, entendemos que por ser um coletivo suprapartidário não cabia um apoio oficial a uma candidatura naquele momento. Porém, não nos furtamos a tirar um posicionamento político, expresso no documento programático intitulado "Negros e negras construindo o poder popular" que foi apresentada em uma reunião com a presença de vários candidatos no dia 11 de setembro passado, entre eles o candidato a senador pelo PT, Eduardo Suplicy e os candidatos a deputado federal Douglas Belchior (PSOL) e Flávia Costa (PC do B) e deputado estadual, Juninho (PSOL) e Marco Antonio Zito (PTB), além do ator Sérgio Mamberti, representante do comitê de campanha do candidato Alexandre Padilha (PT).


A leitura que fazemos neste documento é de que há necessidade de transformações estruturais na sociedade brasileira para a superação do racismo o que só poderá ser feita com a construção de um poder popular, anticapitalista. (clique aqui para ler).


Nós, quilombativistas, não temos a ilusão de que este poder popular está sendo construído neste governo. Nem tampouco será com um possível novo governo Dilma. Principalmente porque estes governos, não obstante os avanços em determinadas políticas de inclusão social, são produtos de alianças políticas que dificultam ou travam avanços estruturais. Mesmo algumas políticas sociais aprovadas tem implementação precária por conta da falta de verbas (quase metade do Orçamento é comprometido com o pagamento dos juros da dívida pública) ou pelo racismo institucional.


Um poder popular se constrói a partir de mobilização dos movimentos sociais, da luta nas periferias por reformas no sistema político, com a democratização da mídia, pela desmilitarização da polícia, contra a financeirização da economia, por políticas de equidade racial como políticas de estado, pelo fim do genocídio da população negra, pela criminalização da homofobia e pela equidade de gênero, entre outras coisas. O projeto político do PSDB não é só contra isto, mas também defende o aumento da repressão aos movimentos sociais, como se observa aqui em São Paulo, onde a periferia vive em permanente estado de sítio com execuções extrajudiciais, invasões de domicílios sem mandato. Os movimentos sociais são constantemente tratados como criminosos pelas forças policiais. O governador Alckmin e o candidato a vice de Aecio defendem publicamente a redução da maioridade penal.


Assim, por mais insuficiências que percebamos no governo Dilma, vitória de Aécio é um tremendo retrocesso. Diante desta polarização, o Coletivo Quilombação defende neste segundo turno o voto em Dilma, contra o retrocesso.

(Nas redes sociais, usaremos a hashtag #aecionever)


Contra a redução da maioridade penal
Pela manutenção das políticas sociais
Contra a privatização das estatais
Contra a exclusão e a violência que vitima jovens negros e da periferia
Contra a repressão aos movimentos sociais
Contra o racismo, machismo e a homofobia


AÉCIO NEVER!!!

Comissão Política do Coletivo Quilombação
Outubro de 2014

terça-feira, outubro 07, 2014

Felicidade, sim.

Desatei a chorar quando ele me disse:

Posso te falar uma coisa? Eu amo você

Chorei, porque longe. Mais uma vez. Longe, distante, a voz dele quase sumindo, eu apertando celular no ouvido, querendo a respiração, o cheiro, o abraço. Mas seis horas de viagem nos separam e eu sofro. Ele sofre, mas fica triste se eu choro. Eu choro porque eu quero ficar perto, porque dessa vez eu quero muita coisa. Mas estamos longe. Pra variar, estamos longe.


quinta-feira, setembro 18, 2014

Uma menina de dez anos.

Estava no metrô, linha amarela em São Paulo. Uma menina de pé e uma moça que parecia sua avó. Elas conversavam animadas. Negras (ou pelo menos para mim eram, tenho um colega que disse que eu tenho mania de empretecer os outros. Cor/raça é auto-declaração).
Eu sempre presto atenção na conversa dos outros. Se tiver criança no meio, mais ainda. Sempre mais. 

A menina começou a contar uma piada. 
A piada era sobre um bebê branco e um bebê negro. Era uma piada racista. Ela sabia que não era uma coisa legal, porque quando foi falar a cor do bebê negro, cochichou no ouvido da avó. Isso me fez prestar mais atenção ainda em tudo. Ela sabia o que estava fazendo.

No final, o bebê negro se assustava quando o médico dizia "arrota", numa clara alusão à polícia. A avó demorou de entender, pensei que estava preparando um discurso sobre não fazer piadas racistas. Mas acho que ela não havia entendido. Quando entendeu de verdade, começou a rir e não parou mais, mesmo depois de descer do metrô. Eu não sabia onde enfiava a cara, mas continuei observando, do jeito que podia.

A menina ria, e parecia não entender porque a avó ria tanto, mas gostava da gargalhada dela e assim repetia: "Arrota,  A ROTA". A avó ria, ria e depois eu fiquei pensando como o som daquela gargalhada poderia facilmente se transformar num grito de angústia e agonia.

Reika making sushi.


Esse vídeo é parte de um programa do segmento de uma TV pública holandesa chamada KRO Youth, que contém em sua programação programas infantis onde as crianças tem participação plena nas atividades de elaboração e no comando das atividades frentes às câmeras. 
Assisti este vídeo ontem, na palestra de Jan-Willem Bult sobre escuta infantil num evento promovido pela Comkids. Eu poderia assistir esse vídeo mil vezes e ainda assim iria sorrir com ela no final. Jan falou sobre a importância dos programas terem sentido para as crianças que as fazem e para quem os assiste, o que demanda uma nova forma de olhar as tecnologias que temos e compreender como podemos usá-las as serviço da criatividade das crianças e não o contrário.

É, as coisas sempre podem melhorar.

terça-feira, setembro 16, 2014

segunda-feira, setembro 15, 2014

Joelma.

Eu tenho me abstido de comentar sobre peças de teatro e filmes aqui no blog, deixo a indicação e espero que as pessoas tenham sua impressão sobre as coisas. Mas Joelma foi difícil. Chorei, sorri e por alguns instantes esqueci que não era Joelma ali, era Fábio Vidal, ator competente no palco fazendo Joelma. Ele mesmo nos lembrava isso, com o seu texto e toda a metalinguagem contida nele. Mas parecia que mesmo a metáfora e a toda a métrica eram pequenas e poucas para Fábio contar a vida de Joelma, nascida Joel.

Transsexual nascida em Ipiaú na década de 50, Joelma, depois de trabalhar em São Paulo, faz a cirurgia de redesignação (troca de sexo), coloca silicone e volta a Ipiaú, casada", conta.


No vídeo abaixo, é possível ver um pouco de Joelma "real":


Hoje Joelma está com 69 anos de vida, morando em Ipiaú. Quando essa peça passar na sua cidade, não deixe de ver. Eu? Vou à Ipiaú assim que puder, conhecer Joelma.

quinta-feira, setembro 11, 2014

Azougue.

Me chamaram de azougue. Eu adorei.
Rápida, ligeira, esperta, difícil de segurar.
Gostei mais de azougue do que dessas outras definições. Azougue, azeite.
Ligeira, lisa, escorregadia.

Vai entender.

terça-feira, setembro 09, 2014

Luto.

Estava no refeitório, terminando o almoço, ele chegou, como sempre, devagarinho e manso. Sentou, me disse que estava indo pra aula, conversamos amenidades. Me apresentou um amigo.

Depois disso, atendeu uma ligação. Quando desligou, virou pra gente e disse que a cunhada ligou para informar que a mãe tinha falecido. 

Eu, o moço, os dois atônitos. Levantei, abracei, beijei, mas ele ficou ali, sem reação, sem jeito, aéreo. Eu não sabia direito o que fazer, saquei o tablet e me pus a falar das passagens que ele precisava comprar para ir para Salvador, de lá para o interior onde a mãe mora eram mais cinco horas.

Engraçado. Enquanto fazia isso me lembrei que desde o ano passado, toda vez que ele passava por mim eu queria muito falar com ele, conversar, sei lá porque. Ele quase sempre passava direto, cumprimentava pouco. Uma vez, eu lembro, tomamos o ônibus junto e ele estava com uma blusa estampada de abacaxis tão linda que eu queria tocar nela, mas ele nunca me dava bola. Nesse dia que o conheci, reclamei de sua metidez. Ele, com uma voz bem baixinho me disse, "não sou metido...".

Entendi que era timidez. Descobrimos uma paixão, o cinema. Combinei de vermos um filme qualquer dia, mas não trocamos telefone. Semana passada, nos vimos duas vezes, e insisti no telefone. No segundo dia, ele marcou o meu. Como por mágica, nos encontramos ontem e hoje na hora do almoço. 

Ontem, ele me falava de sua vontade de passar o próximo semestre na Bahia, para ficar mais perto da mãe e do pai, que estavam adoentados. Quando o vi, ali, atônito com a notícia, só queria mesmo que o meu abraço pudesse estancar um pouco aquela dor que a gente só sente quando está longe. 

Eu sei bem o que é isso. E percebi que precisava ficar com ele para que parte da minha dor passasse também. E eu não sabia que poderia dizer tantas coisas para alguém numa situação como aquela, coisas que não soassem bobas ou sem sentido, batidas. Mas acho que consegui.

Ele me disse "eu estava longe quando tudo aconteceu". E só conseguia dizer "humhum" para as coisas que eu dizia. Disse que ainda não estava acreditando (eu também sabia o que era isso) e eu disse que a dor que ele sentia era uma dor de quem estava longe, que é diferente de quem está perto, mas não é melhor nem mais confortável. Que ele não se sentisse negligente... que com certeza, a família dele sabia que ele estava ali porque tinha sonhos e planos, como toda pessoa que ama e vive. 

Ajudei-o até que pegou o ônibus, ia encontrar com os irmãos que também iam de viagem. Queria ir com ele até a porta do avião, queria poder estar lá esperando ele no aeroporto, queria abraçar de novo, queria queria. Não chorei, não na frente dele, que ainda estava absorto e parecia não entender o que acontecia. Eu sei como é isso. 

Conversamos de coisas práticas no ponto de ônibus, eu alisava seu braço, fazia carinho no seu cabelo. Não sei porque gosto tanto dele sem nem conhecê-lo direito. Mas acho ele tão lindo dentro que sempre quis conhecê-lo para ficar perto disso. 

Espero que ele esteja bem. A essa hora, está tomando o ônibus para chegar à sua cidade natal. E eu, chorando umas dores de antes e essas de agorinha. 

segunda-feira, setembro 08, 2014

Mídia Periférica.


Esse texto abaixo foi publicado aqui:

O Mídia Periférica nasceu em 2010, na comunidade de Sussuarana, em Salvador. O trabalho começou a partir do projeto Promovendo o Direito de Jovens, que levou para a comunidade várias oficinas, entre elas a de educomunicação: rádio, grafite, dança e produção de audiovisual. A ideia inicial do Mídia Periférica era apresentar um olhar da comunidade a partir de quem está dentro dela.


Enderson Araújo é o criador do projeto. Ele contou ao Muda Mais que depois de conhecer as possibilidades da internet, começou a pensar na comunicação como direito humano. Ele percebeu que a mídia tradicional mostrava uma realidade diferente da que existia na sua comunidade e percebeu que poderia ser um agente da democratização da informação. Afinal, eles tinham algo a mais para mostrar.
                                  Enderson Araújo



O início foi meio conturbado, já que os participantes tinham uma visão bastante imediatista, buscando resultado instantâneos, como lembra Enderson. Não conseguiam imaginar que, depois de quatro anos, aquele sonho ganharia um nome e um reconhecimento tal qual o projeto tem hoje. Enderson conta que se inspirou no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “O Lula nos ensinou como ser sonhador e não imediatista, o Lula não desistiu na primeira derrota”. Ele foi criado apenas pela mãe e agradece ao Bolsa Família pelo que é hoje.

Ele lembra que no início sua avó não acreditava no projeto, mas hoje afirma preferir "que ele continue onde está; ele não está mudando só por ele, está mudando por uma comunidade”. Para Enderson, essa é a maior recompensa. Com apenas alguns apoiadores, o retorno financeiro não é muito grande, mas vai além disso, já que garante a eles conhecimento e aprendizado únicos. Sem contar do orgulho em representar sua comunidade e mostrar que ela possui aspectos muito positivos.

Na divulgação do projeto, as redes sociais são bastante usadas, mas, como na comunidade onde ele mora não há acesso tão disseminado de internet, a forma mais fácil de chegar a todos é por um jornal impresso. Com uma edição simples, ele permite que todos tomem conhecimento do que acontece ao redor. A notícia consegue rodar e chegar a um número maior de pessoas.

Aqui acrescento um texto do blog, sobre a campanha Postais das Periferias, coisa fina:

A campanha dos Postais das Periferias teve sua primeira versão em 2012, além do enorme sucesso nas redes sociais, chegou a ser destaque em diversos veículos de comunicação, dentro e fora do Brasil. Os Postais da Periferia tiveram o intuito registrar e difundir as belezas singulares da periferia, estimulando assim, práticas positivas que legitimem olhar e leitura de mundo que os moradores possuem do lugar onde vivem.

Como já diz o slogan do Mídia Periférica “A Informação é a Nossa Arma”, os postais tem a intenção de permitir que as pessoas que morem em comunidades possam mostrá-las para que todos conheçam, através das armas de comunicação que existem nas mãos de cada um: smartphone, tablets, notebook e câmera digital.







 (eu morei aqui!)