Você que me lê, me ajuda a nascer.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Debate.



Para quem ainda não leu, aqui vai o texto do Projeto de Lei na íntegra, publicado no dia 15.11.2001 no Diário Oficial do Estado paulista:

PROJETO DE LEI Nº 992, DE 2011

Proíbe o uso e o sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Estado de São Paulo e dá outras providências.
A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:
Artigo 1º - Fica proibido a utilização e/ou sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Estado de São Paulo.
Artigo 2º – O descumprimento do disposto na presente Lei ensejará ao infrator, a multa de 300 UFESP’s (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo) por animal, dobrando o valor para cada reincidência.
Artigo 3º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Em tramitação, o projeto sofreu alteração na Câmara e inclui, além dos animais, a proibição das utilização de aves nestes rituais. 
Quer saber o que eu acho disso? Vou dizer o que disse Exu-Bará no filme O Jardim das Folhas Sagradas:


como você vai sustentar um terreiro sem sangue? como você vai fincar sua raiz, seu chão?


Respeito quem é a favor que esta lei se estabeleça, mas, antes de tudo, respeito o candomblé não apenas como religião, mas como modo de fazer. Não acho que não se possa praticar o candomblé verde, como postulam por . Talvez fosse mesmo mais certo criar uma outra religião sem utilizar o mesmo nome, enfim... talvez. Eu só sei do que acredito. E acredito no que sinto. 

Beijo.

Hoje, na agenda do moço, um recado de sua mãe para mim

professora, meu filho recebeu ontem um beijo de uma coleguinha da sala e só falou nisso o dia todo! Ele está levando um presentinho para ela, cuide para que ela receba

Nos dias de hoje, onde em muitos lugares o beijo, abraço, o aperto é visto como algo "além do limite", "malícia", "maldade", achei lindo que a mãe do menininho ser sensível a ponto de compreender que carinho entre amigos devem ser estimulados. Ela mesma, quando me encontra, é toda efusiva, abraça, beija (ficamos conversando tanto que acabei descobrindo que ela nasceu na mesma região que minha mãe. Com certeza, se minha mãe aqui estivesse, ficaria horas com ela perguntando sobre "seu noca de dona zefa" e coisas assim). Perguntei à mocinha sobre o seu feito, ela me disse

Eu dei um beijo nele? Ah, sim, professora. A gente é amigo.

O menininho me olhava com uns olhinhos apertados e contentes de felicidade, segurando entre as mãos uma pequena lembrança. Não sei ao certo o que ele sentia, mas era tão bonito que desisti de tentar entender. Só fiquei ali, sentindo passar por mim o ar gostoso de uma coisa chamada inocência. Coisa essa meus caros e caras, muito cara nos dias de hoje.



Rosa de Pedra.

Achei essa matéria aqui ótima. Ensina tudo sobre plantas para pequenos espaços e apartamentos. Sou louca por plantas, cresci no meio delas e sinto muita falta de todas aquelas que via na casa de minha vó e mainha. 
Anotei todos os nomes mas, seguramente, a que mais gostei foi a rosa de pedra. Adorei o nome e as características. Pensei em mim e num email que recebi hoje, que me disse:


Pensei, pensei muito sobre essa história de você ser racional ou não. Acho que você tem um profundo e muito saudável amor próprio. E para mantê-lo você é bem racional. Você sabe o que quer. E isso não é egoísmo. Você sabe do seu empoderamento e faz muito bem de não abrir mão disso. [...] Quanto à paixão, pra falar a verdade, acho que nenhum homem ainda pegou seu coração pra valer. Mesmo, mesmo, mesmo.
Beijo

"MíghianDanae", autêntica rosa de pedra, echeveria sp (coincidência ou não, a tal plantinha de pedra tem sp no nome científico!).



segunda-feira, novembro 21, 2011

domingo, novembro 20, 2011

Felicidade.

Mainha e nossos longos papos.
Fiquei perguntando pra ela se ser feliz não é também dizer-se feliz. Que se vivo num mundo onde não posso dizer que sou feliz, triste fico. Esconder felicidade não faz bem e faz com que ela vá embora.
Mas, é preciso esconder a felicidade, usá-la aos poucos, senão acaba, senão metem o olho nela e já viu, olho grande, olhado, reza logo, saravá.
Mas, que eu faço? Felicidade só tem graça se dita. Se é preciso esconder, tenho medo de que vire algo mais parecido com agonia. Eu canto e danço, falo com o corpo, com os olhos, a boca toda cheia de dentes e sorrisos, alegria, alegria, algumas pessoas me perguntam se eu nunca tive mau-humor, como se fosse doença, dor de cabeça, febre, tosse de cachorro que volta e meia assola.
Certa vez um amigo me disse que nunca se preocupava com um problema, porque se ele tivesse solução, estava tudo certo. E, se não tivesse, que ele ia poder fazer? Achei isso o máximo e adotei como um dos meus lemas.
Assim também a felicidade deve ser um lema, não um dilema. Já pensou, ficar preocupada se ao ficar feliz, isso vai fazer as pessoas torcerem o nariz? Cruz-credo, bate na madeira aí que eu já bati aqui. Diga felicidade, mas não esqueça: se perceber algum ventinho contrário, cruze os dedos e faça a oração de espanta-olhado que todo mundo que é feliz sabe qual é.




Capoeira (II).

A convite da mãe de uma criança de minha turma, compareci hoje no batizado de capoeira do mocinho. Ele muito nervoso, de cabelo cortado, junto com os dois irmãos, esperava a sua vez de subir ao palco e fazer por merecer seu cordão cinza.
Apesar de nervoso, estava quieto, o contrário de quando fica calmo. Fiquei emocionada, como sempre fico toda vez que posso participar da vida de uma das crianças que eu conheço. Lá estava sua família de portas abertas para mim (a avó muito coquete, a mãe lindademorrer.com, o pai bonitão - descobri que os filhos fazem capoeira porque ele mesmo jogou por muito tempo! -, a sobrinha risonha...), toda aquela energia, a capoeira, a ginga, as músicas, o tambor. Ríamos de tudo, até da felicidade.
Ah, o tambor...
Escondi uma lágrima no canto do olho quando o mestre de capoeira disse o quanto era importante que as famílias se preocupassem com os estudos e que se as crianças não se "comportassem", poderiam ter que devolver os cordões. Coisa boba, mas que me lembrou minha infância e as recomendações de meu avô.
Fico pensando como é importante ter todas essas referências (capoeira, candomblé, estética negra, música) presentes no palco e em nossas vidas, não apenas de modo subliminar, mas afirmadas.
Não queria que ele me esquecesse. Eu é que sei que nunca vou esquecer (mais) esse mocinho.

Mais das mesmas.





Quando eu sinto saudade, eu (também) revejo fotos.

Cleopatra Jones.


Uma nota, uma nota de nada: me senti uma boba completa adorando os filmes de Quentin Tarantino sem ter visto nenhum blaxploitation. Mesma sensação de quem ouve Elvis Presley e depois conhece o bebop. Mesmo Quentin sempre declarando sua paixão aos blax, nunca achei que seus filmes fossem uma cópia descarada desse cinema negro da década de 70. De músicas a cenas, cópias, cópias.

Killer of sheep.


quinta-feira, novembro 17, 2011

Confissão.




         O sexo tinha acabado e eu ainda estava ofegante. Deitei-me para dormir enquanto ele rapidamente recolhia suas roupas, entrava no banheiro. Cantava sempre a mesma canção enquanto deixava a água escorrer pelo seu corpo, eu nunca tinha visto a cena mas a imaginava inteira, dentro de mim.

Xangô é tata no mirararauê
Xangô é tata no mirararauê ô
Ele é Xangô ele é rei dos astros
Coberto de ouro coberto de prata
Kaô, Kaô  Kaô, Kaô  Dahomé
E Kao Kabiesile, Xangô Dahomé

Saiu do banho, enxugava-se sempre à porta, mesmo que isso fizesse a água escorrer para dentro do quarto. Era uma de suas manias. Parecia ter medo de não poder controlar o tempo ou as coisas que estavam perto de si, enquanto estava alerta. Parecia querer sempre estar alerta. Tinha medos, mas não falava deles. Sempre me dizia coisas sobre seu orixá, ao invés de falar de sua própria vida. Se era uma forma de respeito aos nossos antepassados, por vezes eu ouvi todas as suas histórias sobre como Xangô agiu ou agiria e imaginei que era também seu modo de não falar sobre seus próprios sentimentos. Mas eu não podia queixar-me. Nunca fui mulher de contar para ele as coisas que mais me inquietavam na vida, sobre o futuro e filhos, trabalho ou morte. Eu também tinha meus modos de esconder o jogo.
Conhecíamos-nos há pouco tempo, se contados os anos antes em que fizemos por tanto tempo as mesmas coisas e nunca havíamos nos visto. Tínhamos os mesmos lugares na cabeça quando falávamos de nossas infâncias, crescidas ali, Cidade Baixa. Nunca consegui escrever Cidade Baixa com letra minúscula e esse era uma das coisas que nos unia: num dos últimos bilhetes que ele sempre me deixava quando ia embora antes de mim dos quartos que pagávamos para nos encontrar, ele escreveu

Queria ter estado contigo na Cidade Baixa quando deste teu primeiro beijo mesmo que não fosse em mim. Queria talvez ter estado à sua espera quando me contou que saiu daquela viela sem luz com Paulo, seu primeiro namoradinho, queria ter rido de ti e falado alguma coisa sobre como seu beiço parecia maior e inchado ou coisa parecida.
Ou talvez quisesse mesmo ser eu o tal Paulo. Isso ainda não sei!
Beijo!

       Convivia tão pouco com ele e mesmo assim queria poder conhecê-lo pelas poucas coisas que fazíamos juntos. Observava suas reações com as poucas pessoas com as quais tínhamos contato quando nos encontrávamos, olhava seus olhos, para onde se voltavam enquanto falava, como me tocava, como se excitava. Queria poder dominar todas pequenas descobertas, mas no fundo tinha a certeza absurda que ele era bem mais do que um encontro e sexo num hotel barato. Essa certeza me angustiava e me fazia querer continuar ali, envolta em lençóis brancos, ouvindo as faixas que tocavam aleatórias em seu iPod naquele encontro. Queria continuar ali, mas queria fugir também. Nunca soube ao certo o que fazer quando ele precisava ir embora, e ele sempre precisava ir embora
        Nos últimos dois anos havíamos nos encontrado todos os meses em algum quarto não tão estrelado em diversas partes do Brasil. Eu ou ele precisávamos fazer algum esforço, por vezes o meu trabalho me levava ao interior de um estado e eu deveria tomar um ônibus para encontrá-lo num fim de noite na capital, por vezes era ele quem estava no interior, mas não dispunha de tempo para vir até mim e era eu novamente quem tomava o ônibus para ir encontrá-lo. Algumas horas, que muitas vezes eram divididas com outras pessoas, amigos de infância que ele e eu tínhamos espalhados pelas cidades e que também estavam longe de casa. Todas essas cenas eram costumeiras: a viagem, a chegada, os amigos, as amigas, as confissões, as bebidas e o desejo. Ele recompensava minhas viagens me mandando postais diferentes a cada lugar que ia e eu ainda não conhecia, e vez por outra me escrevia a frase:

 Eu estive aqui antes de você. Mas eu sei que você virá aqui também.

        Não me lembro bem como começou e porquê. Acho que a gente se sentiu sozinho em algum momento da vida. A gente nunca falou disso. Eu não gosto de parecer fraca, tomada por algum sentimento maior do que eu. Eu não sei muito sobre ele, embora saiba muito sobre o que lhe aconteceu nos últimos meses. Mas, ainda assim, é um homem suficientemente inteligente para não se deixar apanhar de modo fácil. O sexo era sempre bom, o sexo parecia ser tudo antes do encontro mas depois só completava as conversas ao telefone, as mensagens de texto, os emails engraçados. Era só sexo, mas eu queria dizer a ele, agora, enquanto finjo dormir, que eu nunca acreditei que alguma coisa pode ser só sexo.
        Falar isso poderia ser romântico demais para alguém com uma vida como a minha. Morando sozinha e sem nenhuma ideia do que me acontecerá nos próximos meses, eu continuo fingindo dormir. Esse compromisso com as palavras, como se depois do eu te amo devesse vir logo um vou ficar contigo.   
       Agora, enquanto ouço o barulho de seu zíper se fechando, não sei se quero ir embora. Pelo menos hoje não. Mas essas coisas também tem seu preço. A porta se fecha e ele vai. Pela primeira vez, hoje, durmo de verdade e sonho um sonho em que a gente de novo não se conhece. É um parque de diversões e estamos na roda gigante, cada um num banco, sozinhos. Ele olha para trás, eu sorrio. O sonho acaba, eu acordo, cabeça girando. Pela primeira vez, ele não me escreve um bilhete.
         Acho que é um jeito também de dizer adeus. 

Saluba, Nanã.





“O Ibiri é precioso, Orixá
da Justiça, Nanã espírito do manaciais,
Poderosa dona dos búzios”.


Nanã Buruku é sem dúvida muito antiga, cujo o erudito freqüentemente é ligado ao de Omolu. Seus distintivos são muito diversos, e também não é fácil determinar seu espaço de origem. Orixa dos mistérios é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando Odudua separou a água parada, que já existia, e liberou o saco de criação a terra, no ponto de contato desses dois elementos formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos de Nanã. Senhora de muitos búzios, Nanã sintetiza em contigo a morte, fecundidade e riqueza. Seu nome designa pessoas idosas e respeitáveis e, para os povos jêje, da região do antigo Daomé, significa mãe. Sendo as mais antigas divindades das águas, ela representa a memória ancestral de nosso povo; é  a mãe antiga. É a mãe dos orixás Iroko, Obaluayê e Oxumaré, é respeitada como mãe de todos os outros orixás. Nanã é o princípio, meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte. Ela é a dona do Axé por ser o orixá que dá vida e a sobrevivência, a senhora dos Ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens As águas paradas e lamacentas dos pântanos tem um aspecto morto e à primeira vista ninguém imagina que por trás daquelas águas possa existir a vida, que sob a benção de Nanã a vida de plantas de grande fundamento como o oxibatá e oju-oro é possível. Essas plantas buscam nas profundezas das lagoas, na lama, a vida e o sustento. Nanã é a alma da água que permite ao oju-oro e ao oxibatá nascer, viver e florescer. Entre os símbolos de Nanã está o ibiri, que é feito com palitos do dendezeiro e nasceu junto com ela, na sua placenta. Ele representa a multidão de Egum, que são seus filhos na terra dos homens, e Nanã o carrega como  mimasse uma menino. Os búzios que simbolizam morte por estarem vazios e fertilidade porque lembram os órgãos genitais femininos também pertencem a Nanã. Contudo, o símbolo que melhor sintetiza o caráter de Nanã é o grão, pois ela domina também a agricultura e todo o grão tem que morrer para germinar. Nanã assegura uma vida saudável e com bastante força àqueles que a agradam; pode ajudar na maternidade, principalmente quando tudo indicam que a criança não vai vingar, mas sua principal função é garantir o grão e o pão de cada dia a todos os que merecem.Nana não roda na cabeça de homem, aliás, Nanã abomina a figura masculina, pois o homem, através do esperma, líquido que símbolo de Oxalá, semeia o óvulo e gera uma nova vida. Nanã é a morte que reside no âmago da vida, que possibilita o renascimento. A vida e tudo que a representa - o esperma  e o sangue - são considerados tabus para Nanã que não roda na cabeça de homem. Seus adeptos dançam com a distinção que convém a uma senhora idosa e respeitável. Seus movimentos lembram uns andares lentos e penosos, apoiados num bastão imaginário que os dançarinos, curvados para frente, parecem puxar para si.
Arquétipos dos filhos e das filhas: Os/as filhos/as de Nanã são pessoas extremamente calmas, tão lentas no cumprimento de suas tarefas que chegam a irritar. Agem com benevolência, dignidade e gentileza. Gostam de crianças, e educam com uma dose de doçura e mansidão. Podem apresentar problemas de envelhecimento precoce, e ou problemas reumáticos. Seus filhos também possui um certo exagero em guardar rancores, mais longo perdoam, principalmente as pessoas que amam. São bondosas, decididas, simpáticas e principalmente respeitáveis.

Aspectos Gerais: Dia – Sábado; Data – 26 de junho; Metal – Latão; Cores – Branco e Azul (Preto ou Roxo); Pedras – Ametista; Odu que rege – Odilobá; Domínios – Vida e morte, saúde e maternidade; Saudação – Saluba.



Extraído daqui.

terça-feira, novembro 15, 2011

Troféu Raça Negra.



Confiram tudo aqui.

.

Sorriso.


Procurei uma foto minha que pudesse exprimir sensações de hoje, de ontem, da madrugada. Mas essa foto me persegue tem alguns dias. Eu acho Lizz linda, acho suas músicas maravilhosas, me fazem muita companhia em quase todos os momentos de minha vida.
Ela fala de amor de um jeito simples, assim como seu sorriso nessa foto. Gosto tanto do que sinto quando olho para ela que resolvi postar aqui. É uma pena que seus cds originais sejam tão caros aqui no Brasil e que para comprar fora eu vou pagar a mesma coisa que pagarei aqui (cerca de 230 reais).
Eu sou do tempo antigo, como dizem os mais velhos. Gosto de ver, sentir, cheirar, ter o cd', o dvd', gosto da matéria. Porque sou ela também.

14 de novembro.

Mandei uma mensagem para o moço

você é um bom sacana se não me ligar para me dar parabéns até meia-noite

E eu descendo a rua numa chuva enorme sem guarda-chuva com uma amiga que veio do outro lado da cidade só para me ver, o telefone toca. Ela diz

atende, atende

Eu falo não, está chovendo, eu não vou parar. Ela diz para aqui debaixo da árvore. Eu não paro. Eu digo que vou ligar quando chegar em casa. Eu ligo.
Ainda faltam alguns minutos para meia-noite. Ele atende e diz

eu te liguei, pretinha, parabéns, eu te liguei, você viu?

Eu vi, eu vi. Boto uma música para tocar e ligo para ele de novo. Ele escuta, eu desligo. Estou alta, meio feliz.
Como mágica, ele me liga de novo, depois que minha amiga vai embora, já passa da meia-noite. Mas ficamos horas no telefone. Ele me diz estar cansado. Mas me diz também que adora conversar comigo.

E outras coisitas mais.
Depois disso tudo, haja Lizz Wright e Coming Home.



domingo, novembro 13, 2011

Calundu.

Sentada no trem, voltando para casa, esfrego as mãos uma na outra como que tentando apagar o cheiro dele que ainda estão entre meus dedos, minha memória. O trem parado e a moça no trem fala a estação mas eu só penso em chegar em casa para tomar um banho, esfregar as mãos, esfregar as mãos. Era sempre isso que eu fazia quando queria esquecer alguma coisa.
Foi tudo tão rápido mas pela primeira vez foi tão intenso. Pessoal, verdadeiro, sincero. Quase amor.
Mas tinha uma bolsa no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma bolsa (ou era em cima da mesa?).
Passei correndo, mas não sem antes aspirar o seu cheiro empesteado no quarto inteiro. Seu cheiro, suas coisas, minhas coisas.
Sigo no trem com um bico do tamanho do mundo, ainda sem saber com raiva de quem. Acho que do cheiro, tão pessoal, original.
Desço do trem, tomo uma lotação. Eu sempre morei longe. Acho que isso me ajuda a pôr as ideias no lugar antes de chegar em casa. Mas hoje, quando chego em casa, elas ainda estão embaralhadas. Deve ser o cheiro, o perfume.
E eu, antes tão poderosa, hoje ligo para três pessoas, amiga, amigo, amiga. Quero falar, mas também quero ouvir. As palavras saem emboladas e depois choro no banho, como uma Candace. Sem tirar o salto. Chorar de salto alto te dá dignidade. Uma coisa de topo do mundo. Mas não, eu não tenho salto alto. Choro debaixo do chuveiro de pé no chão.
E ainda lembro... do amor, do riso, e da bolsa. Da sensação de impotência...

Durezas.

Londrina, Paraná, Brasil.


quinta-feira, novembro 10, 2011

Teatro Africano em São Paulo.



CIRCUITO DE TEATRO EM PORTUGUÊS
DIARIAMENTE -  DE 07 A 20 DE NOVEMBRO DE 2011 – ÀS 21 HORAS
Confira a notícia nesse site aqui

Teatro Extremo – Velho Palhaço Precisa-se (Almada – Portugal) 
Dia 8 - Terça-feira, às 21h, no Teatro Cacilda Becker
(Rua Tito, 295 - Lapa - São Paulo - CEP 05051-000 - Telefone:(11) 3864-4513     
Respondendo a um anúncio, três velhos palhaços reencontram-se numa sala para serem recebidos em audição. Esperam conseguir uma oportunidade de emprego. Enquanto aguardam, relembram o seu velho passado, recheado de momentos de humor e sarcasmo.

Cia. Coletiva Henrique Artes – Hotel Komarka (Angola – África)
Dia 9 - Quarta-feira, às 21h, no Teatro João Caetano
(Rua Borges Lagoa, 650 - Vila Clementino (V.Mariana) – fones:(11) 5573-3774/ 5549-1744)
É uma peça que retrata a vida de sete presos dentro de uma cela, um espetáculo cheio de humor e aventura, medos e sonhos, onde cada um demonstra sua forma de vida que o levou naquele viver novo a que eles denominam o nosso Hotel Komarka, um marcante pela sua simplicidade e a arte.


Abrapalabra Creacions Enscénicas – O Falar non tem Cancelas (Candido Pazó – Galícia) 

Dia 10 - Quinta-feira, às 21h, no Teatro Zanoni Ferriti
(Av. Renata, 163 - Vila Formosa - São Paulo - Telefone:(11) 2216-1520    
O espetáculo O Falar non tem Cancelas é um monólogo onde o comediante, seguindo o caminho de Darío Fo, El Brujo e outros jograis da palavra, reunindo histórias baseadas em feitos mais ou menos reais (dos que demonstram que a realidade supera á ficção) e na tradição oral galega. As histórias de cada função são escolhidas e governadas segundo vão surgindo, dependendo do ambiente, o público, a atualidade, a vontade e a inspiração do comediante. Uma hora e tal de humor, emoções, imaginação e memória coletiva, tendo a palavra como principal ferramenta cênica. Qualquer mundo, qualquer tempo, qualquer situação sobre o palco, porque… O falar non ten cancelas.


Os Fidalgos – O kinka Pampa (Guiné-Bissau) 
Dia 11 - Sexta-feira, às 21h, no Teatro Cacilda Becker
Um combatente chamado “Comandante” fica instalado num antigo posto de controle e recusa-se a abandoná-lo, depois de presenciar tantas mazelas e dificuldades, não quer mais olhar para os sofrimentos e decide fechar os para nunca mais abrir. Com a morte da Rainha Okinka Pampa o trono ficou vazio e a menina de nome Vânia é possuída pelos espíritos para ocupar seu o lugar, os “djambacus” decidem também o dia da tomada de posse de “poder” da menina. Essas histórias se entrecruzam e falam de crenças e esperanças, e discutem a situação da Guiné, a sobrevivência e a dignidade do povo africano.


Cia. Burbur – O Intruso (Cabo Verde)
Dia 12 - Sábado, às 21h, no Teatro Cacilda Becker
Representa o drama que afeta uma família de Cabo Verde quando subitamente desaparece a figura paternal, e a forma como cada membro lida com essa perda, desvendando um mar de emoções, pela narração do filho centrada no seu sentimento pela mãe. Consciente da brusquidão da mudança, determinante nas suas vidas, resta-lhe o consolo da imagem do pai, e um certo anseio terno.


 Cia. de Teatro de Braga – Último Acto (Braga)
Dia 13 - Domingo, às 19h, no Teatro Zanoni Ferriti
Trata-se de uma peça que decorre durante um ensaio, próximo da estreia, a partir do momento em que o encenador é “visitado” pelo escritor/dramaturgo. Este deseja que aquela escolha dirigir um texto seu. Um retrato cruel e cômico sobre as relações de poder no teatro, um olhar descarnado sobre as práticas e a cultura teatrais e o entendimento ou desconhecimento que delas fazemos. Último Acto é completado por A Arte do Futuro, de Alexej Schipenko, um texto onde também se fala de arte, de deus, da morte, do mundo, dos nossos desejos e medos.

Os Parodiantes da Ilha – O Rei do Obô (São Tomé e Príncipe)
Dia 14 - Segunda-feira, às 21h, no Teatro João Caetano
Numa das roças de cacau, trabalhava um grupo de escravos, chefiado por um capataz branco que a dada altura, é atacado com catanas. Faz alguns tiros ao ar afugentando os revoltosos. Enquanto isso, o velho Mantana e a Luisa Bobô caminham para o terreiro, a fim de assistir o djamby. Antes de chegar ao local, vêm um angolar procurando um branco que estava entre colonos em busca do Rei Amador que acabava por ser morto mais tarde.

Cia Chão de Oliva – A Patente (Cintra-Portugal)
Dia 15 - Terça-feira, às 21h, no Teatro Cacilda Becker
Chiarchiaro tem espalhada por toda a cidade, a fama de louco que não faz mais do que rogar pragas a toda a gente. Tem a fama, mas não o proveito. Pretende, por isso, que lhe seja reconhecido oficialmente o estatuto correspondente ao papel que desempenha. Não há aqui, como de resto em toda a obra de Pirandello, uma moral da história. Estamos só perante o problema de Chiarchiaro e só uma pessoa com problemas constitui um personagem dramático. Quer que o seu papel seja certificado. De certo modo, é o que se passa com os atores.

José Amaral – O Percurso (Timor Leste – Sul da Ásia) – 
Dia 16 - Quarta-feira, às 21h, no Teatro Zanoni Ferriti
Coletânea: 1º texto A Fábula do Sagueiro, 2º texto O Ritual do Milho Verde e O Percurso. A pequena mostra de teatro O Percurso é, constituído por três fases da vida de um jovem aldeão timorense pertencente à língua Mambae, uma das mais de 15 línguas faladas em todo o território nacional timorense.

Grupo Mutxeco – A Cavaqueira do Poste (Moçambique) 
Dia 17 - Quinta-feira, às 21h, no Teatro João Caetano
Tudo começa quando um homem faz uma travessia para Katembe, o outro lado da Baía de Maputo, em pleno passeio domingueiro de praia. Ele passa por um local onde estavam dois mendigos, ambos deficientes: um de braços amputados e outro cego. Aqueles mendigos haviam fugido do centro onde em 2004 haviam sido recolhidos pelo governo afim de não perturbarem a Cimeira da União Africana que se realizou na Cidade de Maputo, naquele ano. Eles nunca mais puderam regressar a cidade de Maputo, onde sempre estiveram.

Grupo Harém de Teatro – Quando as Máquinas Param  (Brasil)
Dia 18 - Sexta-feira, às 21h, no Teatro Cacilda Becker
A rotina de um casal comum é explorada em detalhes quando o espectador é convidado a entrar na casa de Zé e Nina. Ele, desempregado e corintiano convicto. Ela, uma mulher dedicada, otimista e apaixonada pelo marido. Entre os altos e baixos do cotidiano, temas como a violência contra a mulher são colocados em foco. Montada em 2010, a coprodução é resultado do trabalho dos grupos Harém (Teresina-Piauí-Brasil) e Teatro Extremo (Almada-Portugal).

Companhia Constantino Nery – Sicrano de Bergerac (Matosinhos – Portugal) 
 Dia 19 - Sábado, às 21h, no Teatro João Caetano
Transpõe a ação da Paris do séc. XVII para uma cidade portuguesa no final do século XX. Eta versão substitui também a aristocracia das cortes de Luís XIII e de Luís XIV pela atual mediocracia das televisões e da cultura de massas. «Sicrano» dá relevo a uma certa marginália noturna, composta de prostitutas, delinquentes e taxistas, e a um certo star-system, frequentado por atores de teatro, cantores de música ligeira e estrelas da TV. Tal como no original, o texto explora o tema da diferença entre beleza física e beleza espiritual, mas desta vez enquadrado numa história de sucesso e estrelato mediáticos, em que não é apenas a dignidade que está em jogo, mas a celebridade, o anonimato a marginalidade e o amor. Este texto proporciona aos atores experimentar, interpretar, vivenciar emoções comuns a todos nós.

 Teatro Art’Imagem – Um Punhado de Terra ( Portugal)
Dia 20 - Domingo, às 19h, no Teatro Zanoni Ferriti
Um homem negro é um escravo trazido à força da África para uma terra de que nunca ouvira falar – Portugal. Ele nos dirá, num português ainda mal apreendido, mas de imagens poderosas e numa linguagem poética singular, à moda de um contador de histórias de tradição oral africanas, como um dia chegaram à sua aldeia os homens brancos “feios, com cabeças de metal e pele de ferro, por sobre a pele cor de leite velho estragado”.