Você que me lê, me ajuda a nascer.

domingo, maio 29, 2011

Diversidade (?)

Cria de Michel Jackson em seu embranquecimento, Beyoncé Knowles segue por aí causando frisson em clipe onde bota pra dançar dois dançarinos moçambicanos, uma dança muito comum em Moçambique, agora plastificada para o show business. Yes, tudo bem diversidade. Mas só se cabe num clipe.




Vejam aqui os dançarinos:


Este blogue, que continha clipes da moça, vai tirá-los do ar. Aliás, eu já deveria ter feito isso, depois de ter descoberto a ideia branca de Beyoncé.

quinta-feira, maio 26, 2011

Amor novo, de novo.

Ah, eu adoro novas histórias de amor. E conversar com a pessoa, e ver o olho brilhar, mesmo no escuro, é coisa que ninguém sabe explicar. Aproveito para enfiar aqui uma música que aprendi a cantar ainda quando era criança, mas que eu adorava:



E eu gostava de Lionel Ritchie e Bob Dylan. Tudo por causa de meu pai. E Fernando Mendes, porque ninguém é perfeito.

segunda-feira, maio 23, 2011

sexta-feira, maio 20, 2011

Sharon Jones.

Espetáculos no parque e na platéia externa do Auditório Ibirapuera – Entrada Franca:

Domingo, 12 de junho

10h – Funk Off Brass Band Parade 

17h30m - Sharon Jones & The Dap-Kings

19h – Cinema ao ar livre BMW: apresentação do filme ‘Jazz on a Summer’s Day’
Filme de Bert Stern, com co-direção de Aram Avakian
Duração: 84min 
Ano de lançamento: 1960



Maiores informações? Aqui, ó
É só pra isso mesmo que a gente vive!

quinta-feira, maio 19, 2011

Ervas.

Peguei amizade com a moça, que veio me contando como tava desenganada por dois médicos sobre a possibilidade de ter filhos e foi num senhorzinho que com um chá de ervas, em dez meses, disse que ela ia ter um menino lindo e perfeito.
Ela teve o menino. Voltou aos dois médicos, que só souberam balançar a cabeça sem entender nada direito. Pediram para ver os exames antigos de novo, ela levou tudo, todos assinados por eles mesmos. Devem estar até hoje balançando a cabeça.

Eu ri. A gente nunca vai entender nada da vida mesmo.

quarta-feira, maio 18, 2011

Juventude Negra: Preconceito e Morte.

Dengo.

Mandei um sms para vários amigos e amigas perguntando

para quem você escreve quando quer um dengo?

Recebi várias respostas. Percebi que o dengo que eu queria estava nas respostas que recebi de volta.
Mas, hoje, de verdade, só o que eu queria era dengo de mãe.

segunda-feira, maio 16, 2011

Dia bom.

Num dia com chuva no fim da tarde, encontrei uma locadora vendendo tudo e consegui Civil Brand, Bopha, Agosto Negro, Pride, Cidade dos Homens, Antonia e Roul Bounce por cinco reais cada um. Quase tive um poliorgasmo mas me controlei o suficiente para a moça não começar a achar que eu estava louca.

Meu vicio, comprar DVD's. Me controlo o suficiente para não sair comprando por qualquer preço, mas, por esse preço, levei fácil quinze black movies que eu estavam na minha lista faz um bom tempo. E olha que eu tinha acabado de comprar um box do Spike Lee!

Animou o dia.

Vidas.

Quantas vidas vamos ter de viver para conseguir resolver nossos problemas mais escondidos? Aqueles que a gente nunca conta pra ninguém e nem pra gente mesmo?
Quantas histórias vamos ter de escutar para entender qual a parte que nos cabe nesse latifúndio chamado vida?
Ou vamos para sempre esquecer de nos colocar na escrita da história?

Old Lovas, Dwele.

Eu vou aos blogues por aí e vejo vídeos e "youtubis" povoando os textos. Acho que deveria ter menos vídeos e mais textos, mas esses dias, tenho me rendido. Porque do que tenho a dizer, muito já foi dito por Dwele, Coultrain, Stevie Wonder, Bilal, Sara Tavares, Rumpilezz e tantos outros. Então, não resisto e vou na onda de postar tudo isso aqui também.
Eu sou capaz de ouvir uma música, a mesma música, por horas. Horas. Há algumas delas que volta e meia voltam na minha vida com uma força muito intensa, por conta de algumas frases ou melodia, ou é o jeito que o cara canta naquela hora que me faz arrepiar. Música para mim é aquela coisa que faz parar tudo. E nessa suspensão da vida, estou em paz.
Como


Old lovas, Laid up and young at heart,
That's what I am when I'm with you
I wouldn't mind even growing old
As long as you're by my side
Piece of mind and piece of soul
Life has no worries when I'm with you
Something like a child at play on a summer day
Through this life we will spend our time (old lovas)
Like we're big old kids (young at heart)


sexta-feira, maio 13, 2011

Parece cocaína,

Ponho a música para tocar e sem mais nem menos sinto o cheiro dele que passa no ar, defronte ao meu nariz. Lembro dele cantando a música um dia desses, aqui do meu lado, balanço o nariz pra lá e pra cá mas o cheiro ainda está aqui. Talvez esteja aqui nas coisas, talvez seja a música me traga uma sensação de presença.
Talvez ele pense em mim e eu sinta isso com o cheiro dele.
Ainda não sei como resolver isso. Quando tem música, parece sempre mais difícil esquecer. Música e cheiro.
Esquecimentos.

quarta-feira, maio 11, 2011

Minha nega.

Ela diz

sabe o que é minha filha, você foi criada dizendo tudo que pensa e ouvindo tudo que as pessoas que mais estavam perto de você pensavam, e aí você acha que o mundo inteiro faz isso


As mães.

A lição dos médicos cotistas da UERJ, por Elio Gaspari.

Hoje, na Folha de São Paulo (ainda existem alguns bons colunistas em jornais brasileiros):

Evasão foi irrelevante, ódio racial não apareceu e cotas levaram mais negros e pardos ao curso superior

O PRÓXIMO GRANDE julgamento do Supremo Tribunal Federal poderá ser o da constitucionalidade das cotas nas universidades públicas brasileiras. Já se conhece o voto do ministro-relator, Carlos Ayres Britto, a favor.
Está aí um caso em que a lentidão do Judiciário serviu para limpar o debate, impondo-lhe fatos da realidade. Quando ele começou, em 1999, valia tudo. As cotas seriam uma coisa "escalafobética", medida "para inglês ver". Degradariam as universidades levando-lhes alunos despreparados que não concluiriam os cursos. Pior: abririam as portas para o ódio racial.
Passaram-se 12 anos, 70 das 98 universidades públicas adotaram algum tipo de cota, sobretudo para alunos vindos de escolas públicas. Entre elas, 40 abriram vagas para estudantes descendentes de escravos ou índios. O ódio racial continuou onde sempre esteve, na cabeça de quem o tem.
A repórter Márcia Vieira radiografou a turma de 94 alunos que se formou em Medicina na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Entre eles, há 43 médicos que só chegaram ao curso superior porque a Assembleia Legislativa criou um regime de cotas. Evasão? Quatro para cada grupo.
O apocalipse ficou para outra ocasião. Essa conversa é antiga. Nos debates da Abolição, o visconde de Sinimbu avisava: "brincam com fogo os tais negrófilos". As cotas seriam constrangedoras para os negros. Tudo bem, segundo o romancista José de Alencar, a Lei do Ventre Livre também lhes seria prejudicial, verdadeira "Lei de Herodes".
Como dizia o Visconde de Sinimbu, "a escravidão é conveniente, mesmo em bem ao escravo". Só os cativos e os negrófilos não entendiam isso.
Em alguns casos, como o da Uerj, as universidades cumprem leis estaduais. Em outros, cada uma exerce sua autonomia e desenha a própria política. A maioria das escolas ficou na norma autodeclaratória. Se o jovem se declarou carente e passa férias em Ibiza (como já sucedeu na Uerj), ou se um louro de olhos azuis diz que é pardo, ambos são vigaristas. A política que fraudou nada tem a ver com isso. A exposição pública dos delinquentes e a imposição do risco de expulsão seria bom remédio.
Ainda no caso da Uerj, dois números indicam que a defesa das cotas deve se afastar de situações irracionais. Ela segue um sistema criado pela Assembleia Legislativa que, pura e simplesmente, fixou percentagens para a linha de chegada.
Por exemplo: 45% das vagas devem ir para alunos que comprovem renda per capita inferior a R$ 960 na família. Isso fez com que a relação candidato/vaga no vestibular fosse de 5,33 para os cotistas e de 55,8 para os demais.
Resultado: para ser admitido, um não cotista precisou tirar pelo menos 75,75 pontos. Ao cotista bastaram 41,5. Sempre haverá um não cotista com nota superior à de um candidato que foi beneficiado pela iniciativa, pois a política de cotas é um generoso incentivo à inclusão. Contudo, diferenças desse tamanho resultam numa exclusão difícil de ser explicada. A distância entre o barrado e o admitido -34,25 pontos- foi quase do tamanho da nota do cotista.
Como resolver? Estabelecendo que a distância entre a nota de um não cotista barrado e a de um cotista admitido não poderá ser superior a um determinado número de pontos. Dez? Quinze? Vinte?

terça-feira, maio 10, 2011

Ponto de vista.

Ele foi embora depois de mim. Deixou a casa arrumada e todas as coisas em lugares diferentes. Sorri ao me ver procurando a garrafa térmica e pensando que nunca a colocaria ali. A vida é mesmo um monte de pontos de vista.
E só isso já vale muito a pena.

Wekeend Love, Dwele.

Menstruação e a ideia do "natural ser sujo".

Poder vermelho

Ativismo menstrual quer incentivar mulheres a conhecer melhor sua saúde íntima e a "celebrar" o sangramento
IARA BIDERMAN
DE SÃO PAULO

Segunda-feira passada foi comemorado o dia da menstruação. E não era marketing de marca de absorvente.
Era ativismo menstrual. O termo é usado para descrever ações como falar abertamente sobre o assunto ou promover produtos ecológicos para usar "naqueles dias" ""expressão que não deve agradar às ativistas.
Quem são elas? O slogan da campanha, chamada "Segunda Vermelha" (2/5), dizia "1 milhão de mulheres celebrando sua menstruação".
Cerca de uma dúzia delas se reuniram no final daquela tarde em São Paulo, em um centro de cultura hindu na zona oeste da cidade.
O objetivo era valorizar e dar visibilidade à menstruação e incentivar as mulheres a cuidar de sua saúde íntima e reprodutiva.
Também havia a proposta de criar um "senso de diversão" em torno do tema e o mantra do "empoderamento" feminino.
"O ativismo menstrual faz parte da terceira onda do feminismo: ecofeministas, espiritualidade feminina", diz Sabrina Alves, 32, coordenadora do evento paulista.
Sabrina criou o coletivo de mulheres Clã Ciclos Sagrados. Ela é terapeuta corporal, mestranda em ciência da religião e "facilitadora" de eco-espiritualidade.

DIREITOS MENSTRUAIS
Algumas militantes defendem a criação de políticas públicas como o direito de faltar ao trabalho por causa de cólicas, a distribuição de produtos como absorventes de pano em postos de saúde e campanhas educativas.
Elas também querem colocar em discussão a segurança de tratamentos hormonais para parar menstruar e o uso de materiais sintéticos em absorventes e tampões.
A expansão do movimento, por sinal, foi nos anos 80, quando surgiram relatos de mortes por síndrome de choque tóxico causada pelo uso de absorventes internos.
As alternativas propostas são absorventes de pano (sim, as "toalhinhas" de nossas avós) e os coletores menstruais ""que costumam causar certo frisson em quem ainda não está tão organicamente ligada ao seu fluxo mensal de sangue.
Feito de material flexível (látex ou silicone), em forma de sino, o coletor é introduzido no canal vaginal. Ao ficar cheio, é retirado, esvaziado, lavado com água e sabão e recolocado. A operação deve ser repetida umas quatro vezes ao dia, mas, segundo os fabricantes, dá para segurar até 12 horas.

HONRA TEU SANGUE
Nem todas as presentes adotam o utensílio, mas aprovam o conceito. "Vivemos na cultura do desperdício, tudo é descartável. Quem aqui não joga sangue no lixo?", perguntou a psicoterapeuta Monika von Koss, que deu uma palestra sobre "o poder criativo da menstruação".
Mais da metade das presentes levantaram a mão. O ativismo menstrual também prega que as mulheres honrem seu sangue.
Como assim? Depende do grau de comprometimento de cada uma. As mais espiritualizadas falam em rituais para devolver o sangue à "mãe Terra", como, contam elas, faziam os povos ancestrais.
Outras insistem que é preciso prestar mais atenção à menstruação e, em consequência, aumentar o conhecimento sobre o próprio corpo. O que não é má ideia.

Absorventes de toalha (de R$ 10 a R$ 16) da Artefatos de Pano (artefatosdepano.blogspot.com)
Coletor menstrual MeLuna (R$ 75), vendido pela Arte-Misia (arte-misia.webnode.com.br)
Coletor de silicone da Mooncup (R$ 85), à venda na Terra Viva (aterraviva.wordpress.com)

Hoje, na Folha.

segunda-feira, maio 09, 2011

domingo, maio 08, 2011

eLe.

Bom, a verdade é que eu ultimamente tenho assumido para mim coisas que eu dificilmente assumia. Eu gosto muito dele. Não é como antes, mas é como antes esse torpor, assim, da beleza. Porque ele trouxe muita beleza para minha vida num momento em que eu estava sofrendo demais, essa marca não dá para apagar, mesmo que não tenha dado certo. Quadro a quadro, mesmo com todos os borrões do tempo, ele me ajudou a acreditar de novo. Quando eu olhava no olho e na lente da câmera pelas fotos que tirava seu amor por mim. Sim, eu sempre soube que ele me amava. Mesmo quando ele não dizia. Na verdade, eu sentia muito mais quando ele não dizia. E doía. Era um amor doido, doído. Mas estava ali, latente, eu sentia. Acho que todo esse sentimento que saía tanto dele e todo o tempo me fez querer tentar um pouco mais.

Não sei se não deu certo. Para mim, foi como suspender o tempo. Mas, para ele, eu ainda não sei. E acho que nunca vou saber, porque ele nunca diz (tudo). Eu às vezes quero que ele vomite tudo, porque acho que vai ficar ainda mais belo depois que expelir tudo de ruim (e de bom!) que pensa e sente sobre mim. Ele é isso também, essa agonia do silêncio para mim.

E ele, e ela (a agonia) me instiga. Me fustiga. Não consigo deixá-lo em paz. Ele me diz não. Eu queria dizer não também. Mas também, sem dizer não, não quer dizer que é um sim. É sempre essa suspensão da vida. Um pouco para voltar no tempo, naquele tempo, em dezembro, a foto (estática) que deu vida a tudo. Ainda a tenho pendurada perto à porta de minha casa. Ele mesmo quem pendurou. E a lixeira, o varal, as lâmpadas, tudo que me faz viver aqui nessa casa saíram das mãos dele. E ele não sabe como tudo isso muda tudo.

Quando o trem passa lá fora, eu aqui dentro estudando, ouço o barulho e lembro de outra foto. Lembro dele de novo. Minha vida, hoje, está recheada dele. Mas eu anestesiei um pouco os sentidos. Dia desses eu me olhava no espelho do banheiro e lembrei dele. Depois lembrei que o espelho também tem a mão dele ali. E o quadro, as tomadas.

Alguma luz.

sexta-feira, maio 06, 2011

A boca do mundo (Exu no Candomblé).





 Exu é meu riso, minha lágrima

Nem que eu morra.

Ia subindo a ladeira, duas pretas conversando, uma disse para outra, eu não sabia o contexto, mas entendi a mensagem
eu falei, falei tudo e falo mesmo
nem que eu morra
São desses jeitos que eu não me sinto sozinha. Depois ouço o moço dizendo
as pessoas tem vergonha de assumir que é a sua cultura que vai lhe sustentar
Eu não tenho mais. Bata no peito e diga que você vive do santo, da natureza.

quinta-feira, maio 05, 2011

Amor.

Meu aluno mais pretinho virou pra mim e perguntou

professora, porque você gosta tanto de mim?

Falei que gostava de todo mundo, mas no fundo entendi a pergunta dele. Na volta pra casa, chorando, entendi mais ainda a pergunta dele. Chorando? Sim, pensando em que eu só quero, hoje, um mundo menos racista pro meu aluno mais pretinho e todas as outras crianças do mundo. Um mundo em que eu não precise gostar tanto dele e nem de ninguém, só pra proteger do mal que o racismo faz. Onde eu só precise existir e ele também, e fim.

Rebeca da Matta.

Por onde andará Rebeca?
Conversando com uma amiga lembrei de parte de uma letra de uma música de seu cd' que me acompanhou na adolescência

garotas boas vão pro céu
garotas más vão pra qualquer lugar


Acho que acreditei tanto nisso que peguei um ônibus e vim parar em São Paulo. Mas tem outras músicas que também faziam minha cabeça. Uma que falava de mentira, outra que falava de olhares, desejos. Botei pra tocar ontem e descobri que ainda sabia todas as letras, todas.

Por onde andará Rebeca da Matta?

quarta-feira, maio 04, 2011

Coultrain.

A música, sempre ela, me salvará. A bola da vez? Coultrain com seu cd' The Adventure of Seymour Liberty, colocado aqui neste computador por um amigo que nem sabia o bem que iria me fazer.
Self Pity não sai da minha cabeça.
Porque será, hein?

Hole again

terça-feira, maio 03, 2011

Pretos/as do Censo.

Não vou falar muito sobre o assunto, mas as matérias que saíram sobre o aumento de pretos/as e pardos/as no Censo de 2011 fizeram-me lembrar que há 100 anos atrás João Batista de Lacerda e vários outros racistas de plantão tinham a certeza absoluta que neste mesmo ano, já se teria apagado a presença africana de nossas terras.

Engraçado essa infeliz coincidência! Bem no ano em que o senhorzinho pensava poder dar tirar definitivamente a cara preta de circulação, os números começam timidamente a jogar a nosso favor...

Uma das muitas matérias aqui.

Infância Roubada, por Rosely Sayão.

Como está cada vez mais difícil encontrar alguma coisa boa para se ler nos jornais de hoje, deixo aqui a sugestão de uma coluna que eu gosto muito:



Infância roubada - ROSELY SAYÃO

Pratica-se a insensatez de empurrar as crianças para um futuro que só se pode imaginar como será

UMA JOVEM mulher escreveu pedindo orientação. Ela contou que tem pouco mais de 30 anos, e o marido, quase 70. Juntos tiveram uma filha, hoje com quatro anos. Ela quer saber como preparar a garota para o luto do pai.
Uma outra tem um filho de seis anos que frequenta uma escola em que o primeiro ano do ensino fundamental é tratado de forma cuidadosa, segundo inclusive a orientação do MEC, já que as crianças ainda estão na primeira infância. Apesar de perceber o quanto o filho se desenvolve brincando na escola, ela tem uma dúvida que não a deixa em paz.
Ela pensa que, já que a partir do segundo ano os estudos terão de ser levados com mais seriedade pelo filho, talvez seria melhor a escola cobrar mais das crianças desde o primeiro ano. Por isso, fica na dúvida se não deveria colocar o filho em uma escola que já fizesse isso, mesmo sabendo que o garoto adora ir para a escola atual e que ela colabora bastante para o desenvolvimento de seu potencial.
Essas duas mulheres, que trazem questões aparentemente tão distintas, nos mostram como temos tratado as crianças pequenas.
Temos nos ocupado tanto com seu futuro que esquecemos que elas têm um presente que precisa ser vivenciado, explorado, vivido até as últimas consequências. Aliás, antes de tudo, vamos lembrar que a maneira como vivemos o presente ajuda a desenhar o traçado do futuro.
Será que, porque o destino da criança é crescer, precisamos fazer com que isso aconteça o mais rapidamente possível? Não faz o menor sentido pensar e agir assim. Seria a mesma coisa pensar que, já que vamos mesmo morrer, não faz o menor sentido viver, não é verdade?
Vamos, mais uma vez, tentar aplicar o mesmo raciocínio à vida adulta.
Um profissional sabe que, para alcançar uma meta desejada na carreira, terá de, em um futuro próximo, realizar um trabalho de alguns meses em outro país. Ele sabe também que isso acarretará um afastamento da família por esse período.
Por acaso julgaríamos sensato se ele pensasse que a maneira de amenizar esse tempo de afastamento seria começá-lo a praticar desde já, meses antes de o fato acontecer?
Claro que não. Ao contrário: se pudéssemos dar algum conselho a ele, diríamos o oposto: "Aproveite o convívio familiar o máximo que puder antes de viajar". É ou não é verdade isso?
E por que, justamente com as crianças pequenas, praticamos a insensatez de empurrá-las em velocidade cada vez maior para um futuro que só podemos imaginar como será?
Vai ver a infância nos incomoda, porque mostra que o nosso futuro já não é tão amplo quanto gostaríamos que fosse: já vivemos parte dele.
Ou então já não lembramos mais que a maioria dos adultos chegou onde chegou tendo vivido calmamente a sua infância, sem grandes preparações para o futuro. E isso faz com que a gente tente atropelar a infância de quem hoje é criança.
Ou será que queremos roubar a infância de nossas crianças porque não sabemos o que fazer com elas, porque elas atrapalham a nossa vida presente?
Sim: a filha da primeira leitora citada terá de, algum dia, passar pelo luto da perda do pai. Aliás, da mãe também e de muitos outros entes queridos. Em que ordem?
Não sabemos. Por que, então, começar a matar desde já o seu pai se ele está bem vivo ao lado dela?
O filho de nossa segunda leitora também terá de enfrentar maiores responsabilidades a partir do próximo ano letivo. Então, por que não deixar que aproveite, brincando muito, o último ano da primeira parte de sua infância?
A criança deve ter o direito de ser criança enquanto pode. Deveríamos, todos, defender essa causa.


ROSELY SAYÃO é psicóloga e tem colunas publicadas no Caderno Equilíbrio, do jornal Folha de São Paulo, todas as terças-feiras. 

Morte.

Tenho amigos por aí.
Um dia desses, perguntei a um deles como ele saberia se eu morri, já que nos falamos apenas por email fazem mais ou menos uns quatro anos. Ele me liga algumas vezes, enfim. E ele me disse

se você demora muitos meses de escrever no blog, eu vou ter essa impressão

Vejo os acessos do blog pelo mundo e sei quem é que me segue lá do outro lado do oceano.

domingo, maio 01, 2011

CEAO reabre inscrições para curso de danças.

Os/as interessados/as poderão fazer uma aula experimental) Intitulado de "Rituais Dançantes do Oeste da África”, o curso será ministrado pela professora e coreógrafa Stephanie Bangoura e trará uma abordagem híbrida da cultura musical africana com seus ritmos, cantos e danças. O hibridismo se dá através da junção com elementos de Pilates, Gyrokinesis e Dunham que prepara o corpo de forma efetiva e cuidadosa, ao mesmo tempo cultiva a tradição africana, onde a repetição dos movimentos cíclicos incorpora a vibração dos toques do tambor. O fluxo entre as linguagens musicais e dançantes leva a um estado de profundo relaxamento e a uma concentração apurada, possibilitando um entendimento energético do conjunto – ritmo, canto e dança – com impacto comunicativo multidimensional do som e da terra a todos os elementos, os ancestrais, com o outro e consigo mesmo. No curso, três arquetípicos são representados pelos seguintes ritmos e danças: Sabar (Senegal), Doundoumba (Guiné) e Yanvalou (Haiti). Os três rituais dançantes funcionam como liberação, fortalecimento e transformação, fundamentados e elaborados por meio doBody Percussion, pelas imagens interiores  e afirmações poéticas.  PERFIL – Stephanie Bangoura nasceu na Alemanha e é formada em educação física, rítmica e dança criativa. Há 17 anos estuda e convive com as danças africanas em Dakar (Senegal), Paris (França), Nova York (EUA), Havana (Cuba) e Salvador (Brasil). Atualmente, é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia. Ela pesquisa a dança afro-contemporânea e desenvolve uma metodologia baseada nas tradições do Oeste da África que se complementa com pedagogia e técnicas pós-modernas. As aulas terão a participação das percussionistas Gabi Guedes (AAAAAAAAAAA!) e Jorgelina Oliva.

Serviço:
Curso de Danças Africanas – "Rituais Dançantes do Oeste da África” Dia e Horário: Quinta-feira, das 18h30 às 20h30. Início da aula: 5 de maio de 2011. Inscrições: CEAO – Pç. Inocêncio Galvão, 42, Dois de Julho. Mensalidade: R$ 60,00 (sessenta reais) Mais informações: (71) 3283-5502 / afropilatesalvador@yahoo.com. br/ ceao@ufba.br

Soul Train: the hippest trip in America.



Agora, antes de dizer sim ao pedido de casamento que finalmente me levará ao altar, vou perguntar pro moço se na festa vai ter corredor soul train. Assistam o documentário!