Você que me lê, me ajuda a nascer.

sábado, março 05, 2011

Vida.

Pego a lotação e é sempre a mesma coisa: é uma mãe, pai ou avó que me reconhece porque dei aula para alguém da família, irmão, neto, neta, filho. Isso me deixa emocionada mas eu não choro ali assim. Elas sempre dizem

ela nunca te esqueceu
tem dias que ela quer pentear o cabelo igual ao seu
ela diz que vai ser você quando crescer

Fico sem saber o que dizer. Às vezes, essas crianças tinham um ano e meio quando eu fui professora delas. Parece incrível, mas nem mesmo as mães conseguem entender como elas se lembram. Uma delas me disse que sua filha, toda vez que via uma moça negra de black na rua mandava o pai parar o carro porque ela tinha certeza que era eu. E foi essa mesma mocinha de dois anos que um dia me viu no ponto de ônibus, pôs a cabecinha pra fora e disse

professoraaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Fiquei sem jeito, mas feliz. Dos motivos que não me fazem desistir. Um dos outros motivos é um outra criança desse ano que ontem me disse

posso mexer no seu cabelo?

Ele ficou me fazendo cafuné. E quando pôs a máscara que fizemos juntos pro baile, ele me disse

eu sou o seu gatinho, não sou?

Sim, ele é o meu gatinho. E mais uns trinta e dois...  

2 comentários:

Sandra disse...

Me fala, em que outra profissão temos este reconhecimento vindo de criaturas tão incoentes e espontaneas que te falam em um dia que voce foi com aquela camiseta caindo de velha, mas professora voce está tão bonita hoje ! Ou que não come o docinho de sobremesa e depois te dá com os olhinhos transbordando de admiração ?!

Migh Danae. disse...

Verdade!