Você que me lê, me ajuda a nascer.

terça-feira, novembro 30, 2010

Tem.

Ainda bem. Tem gentes e coisas de todos os jeitos e elas aparecem quando a gente menos espera na nossa vida. Bom ou ruim, vou seguindo. Dizem que o que escrevo inspira. Eu digo que o que escrevo nem eu entendo, mas a pessoa diz que inspiração não se entende, é pra dar vontade, pra agitar por dentro. Eu gosto disso, apesar de não acreditar sempre.
Depois te dizem também que você é pessoa de olhar doce, olhar que queima, olhar que chama, isso faz bem, mas não é tudo, você precisa também de algum futuro e às vezes você quer ouvir sobre isso, mesmo que também não acredite sempre.
Eu gosto de mim. Talvez isso ajude, e melhore as coisas, e me faça ter mais esperanças sobre o que virá e a vida que tenho aqui agora. E a cada dia que passa, eu percebo que eu preciso de muito pouco para ser feliz, de muito pouco para gostar de mim. Eu quero um elogio, um carinho, uma criança, minha mãe. E a música.

sábado, novembro 27, 2010

Eles.

Não se engane: muitas vezes os homens vão dizer coisas para que você pense que se importam com você mais que você mesmo, mas pode ser tudo mentira. Às vezes, criam teorias malucas dentro de suas cabeças medrosas para legitimar atitudes idiotas, e falam tanto nisso que acabam por fazer outras pessoas - inclusive você - acreditarem em suas sandices. Então, pense no que você quer e como se sente para tomar as decisões certas.
Mas, isso é certo, nem sempre a gente sabe o que fazer e que decisão tomar. Nessa hora, paciência. Tempo. Calma.
Olhando para trás, eu vejo que conheci muitos homens interessantes. Com alguns me envolvi, com outros tive o prazer de estar perto, partilhar coisas, amizades e momentos. Reencontrando um destes ontem, depois de dois anos, sorri um sorriso, ele me disse, vamos nos ver de novo, e eu fui feliz só por isso. A simples ideia de saber que conheço alguém bonito de verdade me faz feliz pra caramba e nem preciso de mais nada, noites tórridas de amor e coisas assim. Continuo achando o relacionamento entre homens e mulheres uma coisa difícil, mas não posso dizer que nunca fui feliz e que nunca esses moços me fizeram feliz. Só estou ficando velha e rabugenta, e isso não ajuda. Ainda existem homens que valem a pena o sorriso, a espera, o desejo e a esperança.
Passando uns dias em Salvador, mas do que só férias e menos do que eu desejava ficar, tenho agora a certeza que me faltava - um pouquinho só, ainda - de que preciso voltar, e de que se isso acontecer daqui pra frente, vou estar pronta, vou ficar bem.
Por que eu não quero dinheiro, eu só quero amar.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Bendengó.

No Museu Geológico da Bahia há uma réplica do maior meteorito encontrado em solo brasileiro. Apesar de ter sido encontrado aqui na Bahia, o meteorito Bendengó foi transferido para o Rio de Janeiro, sob ordens de Dom Pedro II.
Diga se não é uma safadeza. Eu sempre soube que os museus são um dos maiores ladrões do mundo, mas essa foi uma das primeiras vezes que presenciei uma ladroagem interestadual.
Por isso, reclamo: que Bendengó volte para nós, e que vá a réplica para o Rio!

domingo, novembro 21, 2010

Coisa de nego.

Não tem coisa mais bonita que ir do Curuzu ao Pelourinho cercada de gente preta do seu lado no 20 de novembro. Só isso já vale tudo.
E muito.

sexta-feira, novembro 19, 2010

Verdade.

Relendo antigos posts, eu descubro coisas de mim. E dele.
Só espero que agora dê certo.
Mesmo uma noite e nada mais.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Eu queria...

... ter gostado do filme Bróder, mas não gostei.
Queria também entender por que ele me cozinhá há quatro anos, ou menos, ou mais, mas não sei.
... e queria poder dormir sem pensar em mil coisas... queria poder pensar só em uma, mas minha cabeça acelera no compasso do coração.
Mal-me-quer, mal-me-quer.
Nem me quer.

terça-feira, novembro 16, 2010

Permissão Negada.

Eu preferia encher de palavras tua loucura e também te deixar viver serenamente dentro da tua alma (e corpo) escura, mas me parece que querer abraçar o mundo com as pernas é mesmo impossível. A gente se acostumou a “ou um ou outro”, e não tudo junto, e quando a vida nos dá a impressão de que é possível mais de um, a gente se assusta e vai embora.

Eu mesma já fui embora muitas vezes. Essa é só mais uma.

Mas a agonia no coração não vai embora junto comigo. Ela quer saltar pra fora e gritar mais coisas, mais coisas do que já gritou, quer sacudir o mundo com todo mundo dentro pra acordar, ou só pra fazer barulho, sei lá. Só sei que ela não vai embora e eu engano o tempo.

Respiro fundo e espero o tempo passar. Só ele mesmo, vai me aturar.

domingo, novembro 14, 2010

Confessando 30 coisas.

Fiquei pensando no número 30. Então achei que poderia inventar uma lista de coisas que eu gostaria de dizer, de perguntar, de assumir, no dia de ontem (que não escrevi por que conheci Dona Ivone, seu Renato, comi caranguejo e dei muita risada).

1. Eu sinceramente acho que estudar não seja uma coisa chata.
2. Você quer casar comigo?
3. Eu durmo na cama da minha mãe quando estou na casa dela.
4. Quando eu era criança achava que só era possível ser bonita ou inteligente. As duas coisas nunca.
5. Na maioria da vezes, aquelas coisas que você gosta muito de fazer não te dá dinheiro.
6. Eu adoro boliviano e pão de queijo, mas desses que tem aqui em Salvador.
7. Sigo achando que a vida só tem graça se estamos apaixonadas.
8. Tenho muitas saudades de meu irmão e choro.
9. Gosto de roupa curta.
10. Eu me apaixonei perdidamente poucas vezes na vida. E sempre estou apaixonada por alguém, mesmo que não esteja com ela. E sim, eu ainda estou apaixonada por ele. Normalmente, eu fico longos anos apaixonada pela mesma pessoa, mesmo não estando com ela. Isso é um jeito de me equilibrar emocionalmente na vida, acho.
11. Há dias em que não gosto da minha cara.
12. Eu queria mesmo ter oito filhas/os, mas talvez não seja possível.
13. Por que você não casa comigo?
14. Falo muito sozinha, como se estivesse falando com alguém, às vezes, e como se estivesse falando comigo mesma também.
15. Gosto de palavra, mas quero casar com um homem que possa entender meus silêncios e presença.
16. Adoraria ser designer de brincos. Tenho ideias ótimas, mas nunca pensei nisso seriamente.
17. Eu já disse não gosto de você para algumas pessoas.
18. Eu choro em qualquer lugar, basta ter vontade - mas isso vocês já sabem.
19. Eu adoro meu trabalho, mas também adoro não fazer nada. E quero progressivamente deixar de trabalhar até os 45 anos.
20. Gosto de mato, montanha, praia e lagoa, nessa ordem.
21. Passei um tempo da minha vida achando que namorar com mulheres resolvesse meu problema de relacionamento com os homens.
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30. Eu sinceramente não lembrei de nada para postar. Então, se tiverem uma pergunta específica, pode mandar bala.

sábado, novembro 13, 2010

Vazio.

Um vazio... no peito, vontade de coisa que não se sabe a falta. Queria gritar, poder me fazer entender. Mas se fazer entender é coisa que todo mundo quer, assim como não trabalhar nunca mais.
Mas ainda falta dizer algo. Ou talvez falte mesmo fazer. Eu ainda não sei, só tenho uma sensação de vazio aqui dentro. E fora também.
É tanto vazio que nem sei direito o que escrever. Essa semana eu tive vontade de chorar por descobrir mais gente ruim no mundo. Gente que vive para ser e ver pessoas sendo infelizes. Isso ainda me deixa mal, mas não tão vazia como hoje.

Brasil 2011: Estado festejará Ano Internacional dos Afrodescendentes distribuindo livro racista nas escolas

Texto de Eliane Cavalleiro, presidenta da ABPN.

A sociedade competitiva e os preconceitos geram uma violência que deve ser combatida pela escola. Ensinar a viver juntos é fundamental, conhecendo antes a si mesmo para depois conhecer e respeitar o outro na sua diversidade. A melhor maneira de resolver os conflitos é proporcionar formas de buscar projetos e objetivos em comum, através da cooperação, pois assim ao invés de confrontar forças opostas, soma-se a diversidade para fortalecer as construções coletivas (Jacques Delors, UNESCO, MEC, Cortez Editora, São Paulo, 1999).

De acordo com Delors, a transmissão de conhecimento sobre a diversidade humana, bem como a tomada de consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta constituem fundamentos da educação. Entretanto, às vésperas do Ano Internacional dos Afrodescendentes, o Ministério da Educação do Brasil rejeita consideração do Conselho Nacional de Educação, que atento às Leis que regem a Educação Nacional, pondera sobre a distribuição do livro de literatura infantil Caçadas de Pedrinho[1], de Monteiro Lobato, que, originalmente publicado no ano de 1933, difunde visão estereotipada sobre o negro e o universo africano, apresentando personagens negras subservientes, pouco inteligentes, até mesmo aludindo a animais como o macaco e o urubu quando se referem à personagem negra, como no trecho: trechos da obra dizem: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão".

Os movimentos sociais negros há tempos reivindicam ação substantiva por parte do Estado brasileiro em políticas públicas para a educação das relações étnico-raciais. Os movimentos sociais brancos e a elite, por sua vez, recusam toda e qualquer medida que visa combater o racismo e seus derivados na sociedade brasileira. Por sua vez, identificam-se setores progressistas da sociedade que lutam pelos direitos humanos, direitos das mulheres, gays e indígenas, mas que infelizmente se calam diante da luta antirracista.

Na questão em debate, de maneira previsível, debocham da pesquisadora e professora universitária e conselheira do CNE Nilma Lino Gomes, responsável maior pelo parecer, que possui formação intelectual que não fica atrás de nossa elite branca, uma vez que possui doutorado pela Universidade de São Paulo e Pós-Doutorado na Universidade de Coimbra, sob orientação de um dos maiores nomes da intelectualidade atual, a saber, Boaventura de Sousa Santos é. Mesmo com esse histórico intelectual, ela tem sido vista pelos racistas de plantão como incompetente e racista ao inverso. Isso somente reforça a obsessão pela continuidade da estrutura racista em nossa sociedade. Sobre o autor, Monteiro Lobato, nascido no século XIX, eugenista convicto, diz-se apenas ser uma referencia clássica. Certamente uma clássica escolha da elite nacional, que do alto de sua arrogância e prepotência acredita que seus eleitos sejam intocáveis e não passíveis de qualquer crítica e consideração.

O MEC tem o dever de combater qualquer tipo de situação discriminatória para qualquer grupo racial. Assim, o que deve ganhar nossa atenção nessa contenda é o fato de que mesmo o edital do PNBE/2010, estabelecido pelo MEC/FNDE, ter traçado como objetivo a “Observância de princípios éticos necessários à construção da cidadania e ao convívio social republicano” e ter estabelecido, conforme anexo III do referido edital, que “Serão excluídas as obras que: 1.3.1. veicularem estereótipos e preconceitos de condição social, regional, étnico- racial, de gênero, de orientação sexual, de idade”, temos um ministro que defende a distribuição irrestrita do livro por compreendê-lo como adequado para a educação de crianças em pleno processo de socialização.

Considerando que os doutos e doutas que administram o MEC leram Jaques Delors, Paulo Freire, Edgar Morin e tantos outros que adoram citar, não se pode alegar ingenuidade por parte da equipe diretiva do MEC, que aceitou parecer favorável à compra e à distribuição desse livro nas escolas públicas, cujo conteúdo fere o próprio edital por eles instituído. O que deve tomar o centro dessa discussão é o fato de o MEC anunciar uma política que vai ao encontro do disposto nas leis e também das reivindicações dos movimentos negros organizados, em nível nacional e internacional, mas na prática permitir o descumprimento de seu edital.

Ao ferir o edital, o próprio MEC abre precedente para que que as editoras, cujas obras tenham sido excluídas por veicularem estereótipos, reivindiquem também a distribuição dos livros excluídos. Por que somente Lobato com estereótipo racial? Que tal o MEC também distribuir literatura sexista? Que tal textos com manifestaçõesanti-semitas? Será que assim a sociedade se incomodaria?

Mas, por enquanto, mais uma vez magistralmente setores conservadores e/ou tranquilos com as consequências da discriminação racial nesta sociedade buscam inverter a discussão, de modo a que o maior problema passe a ser o tal “o racismo ao revés e a radicalidade dos movimentos negros”, e joga-se para debaixo do tapete o que deveria ser o centro da análise: o esfacelamento dos objetivos de combater a disseminação de estereótipos e preconceitos na política do PNBE, MEC.

Sejamos de fato coerentes e anti-racistas, reconheçamos a não-observação aos critérios do estabelecidos no Edital do PNBE/2010, insistamos na pergunta e exijamos do MEC uma pronta resposta: o que de fato ele tem realizado, quanto tem investido e qual a consistência e a efetividade de suas realizações, sobretudo em comparação com o que tem investido nas demais questões ligadas à diversidade e aos grupos historicamente discriminados? Dos livros selecionados pelo PNBE 2010, quantos favorecem a educação das relações de gênero? Quantos promovem o conhecimento positivo sobre a história e cultura dos povos indígenas? Se o MEC tivesse respeito por nós, seríamos informados sobre o cumprimento das metas para a implementação do artigo 26ª da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) (Lei n. 9394/96), que se refere à obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras, indo ao encontro de tratados internacionais como a Convenção Contra aDiscriminação na Educação (1960) e o Plano de Ação decorrente da III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerância Correlata (2001), ambos sob os auspícios da Unesco.
Em 17 de abril de 2008, em entrevista à Agência Brasil, apos receber críticas sobre o retrocesso nas políticas para o combate ao racismo, o diretor do Departamento de Educação para Diversidade e Cidadania do MEC, Armênio Schmidt, confirmou a suspensão da distribuição de material didático e de ações de formação de professores na área étnico-racial em 2007. Segundo ele, a interrupção, apenas externa, nas ações voltadas à questão racial ocorreu por causa das mudanças no sistema de financiamento do MEC. Para o diretor tal suspensão se justificava pelo fato de o MEC estar, em 2007, “construindo uma nova forma de indução de políticas, de relação com estados e municípios, que foi o Programa de Ações Articuladas”. Para ele: “Durante o ano passado [2007] realmente não houve publicações e formação de professores. Mas, na nossa avaliação, não houve um retrocesso, porque isso vai possibilitar uma nova alavanca na questão da Lei [10.639]. Agora estados e municípios vão poder solicitar a formação de professores na sua rede, e o MEC vai produzir mais publicações e em maior número”[2].

Em 2010, além de não percebermos o fortalecimento da política, tampouco a retomada das publicações e uma consistente e sistemática formação de professores, flagramos o MEC permitindo a participação de livro cujo conteúdo veicula estereótipos e preconceitos contra o negro e o universo africano, constituindo assim flagrante inobservância das normas estabelecidas.

O atual presidente Lula, em seu começo de mandato, evidenciou, no campo da educação, a importância do combate ao racismo, promulgando a Lei 10.639/03, que, como já mencionado, alterou a LDB, tornando obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileiras na Educação Básica. Tal alteração contou com a pronta atenção do CNE, que, sob responsabilidade da conselheira Petronilha Beatriz Goncalves e Silva, elaborou as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino das Relações Étnico-Raciais e de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (CNE/CP 3/2004), cuja homologação foi assinada pelo então ministro da Educação, Tarso Genro. Contudo, embora conte com 83% de aprovação por parte da população e tenha ao longo de seu mandato visitado várias vezes o continente africano e discursado eloquentemente sobre a necessidade de reconhecimento do valor dos afrodescendentes na formação de nosso Estado Nacional, ele encerra seu mandato permitindo um declínio acentuado na elaboração e na implementação de políticas anti-racistas no campo da educação.

Se em 2003 podíamos reconhecer, ainda que timidamente, o fato de o combate ao racismo fazer parte da agenda política brasileira; em 2010, devemos denunciar o descompromisso com essa luta. Descompromisso que pode ser percebido pela redução acentuada do orçamento para a educação das relações raciais, pelo enxugamento da equipe de trabalho da Coordenação Geral de Diversidade e Inclusão Educacional/SECAD/MEC, responsável pela implementação das ações de diversidade étnico-racial. Ainda vale ressaltar que houve a retirada do portal de diversidade da rede do MEC; a interrupção de publicações sobre o tema para a formação de profissionais da educação, pelo frágil apoio que das secretarias de educação para o cumprimento do proposto no parecer CNE/CP 3/2004. Essas constituem algumas referências negativas, entre várias outras apontadas pelos estudos sobre o tema.

Nós negros, cidadãs e cidadãos, que trabalhamos duramente longos anos para a eleição do presidente Lula esperávamos mais. Esperávamos mais tanto do presidente quanto da sua equipe executiva que administra a educação brasileira. Esperávamos minimamente que ao longo desses anos a equipe tivesse compreendido o alcance e o impacto do racismo em nossa sociedade. Esperávamos que eles, respeitando os princípios de justiça social, independentemente dos grupos no poder, emitissem manifestações veementes pelo combate ao racismo na educação. Pelo visto as promessas de parcerias e acolhimento das nossas considerações eram falsas.

O que temos como resposta, para além do silêncio de toda Secretaria de Educação, Alfabetização e Diversidade, é o posicionamento por parte do ministro, que não vê racismo na obra, colocando-se favorável à sua distribuição irrestrita, que, em companhia de outros elementos no cotidiano escolar, sabemos, contribuirá para a formação de novos indivíduos racistas, como já se fez no passado. Sem dúvida, o discurso do ministro mostra-se engajado com sua própria raça, classe e gênero. O mais irônico é saber que em pleno século XXI o Brasil será visto como um país que avança na economia e retrocede nos direitos humanos da população negra.

Muitos admiram Monteiro Lobato. Eu admiro Luiz Gama que se valeu das páginas da imprensa em defesa da liberdade dos escravizados e disse, sintetizando nossa ainda atual resistência cotidiana: “Em verdade vos digo aqui, afrontando a lei, que todo o escravo que assassina o seu senhor, pratica um ato de legítima defesa”. O conhecimento é a arma que dispomos para lutar pela defesa de nossa história, nossa existência, bem como do futuro de nossos filhos e filhas. Essa é uma luta desigual, portanto desonesta. Mas ainda que muitos queiram nosso silêncio, seguiremos lutando e denunciando essa forma perversa de racismo que perdura na sociedade brasileira.


[1] Tal obra foi selecionada pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola/2010, que objetiva a “seleção de obras de apoio pedagógico destinadas a subsidiar teórica e metodologicamente os docentes no desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem nos respectivos campos disciplinares, áreas do conhecimento e etapas/modalidades da educação básica” (Brasil. Edital PNBE 2010. Brasília: MEC/FNDE, 2010).

[2] Agência Brasil. Pesquisadora aponta retrocesso na política de combate ao racismo nas escolas. Disponível em: http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=216721&modulo=450. Acessado em: novembro de 2010.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Menina bonita.

Mais uma estrela preta em minha vida.
Conheci a moça assim, por que a gente adora conversar e conversar. Ela contando a história do nome dela e eu a do meu. Pronto. Bastou isso e agora a gente vive tricotando.
Eu feliz.

terça-feira, novembro 09, 2010

Voto.

Troféu Raça Negra.

O Tchan.

Inteligência pouca é bobagem. Conseguir escrever 20 páginas de um texto enquanto lá fora o sol a pino e o rádio do carro canta
e lá na rua tinha um beco, beco do siri
é coisa pra poucas. Mas eu guento.

domingo, novembro 07, 2010

Lelê.

mainha, tou com saudade de comer canjica
ah, eu sei
como chama, mãe, aquele negócio com milho que a senhora fazia pra gente?
lelê
Não lembrava mais do nome, fiquei toda boba, por que lelê era um jeito carinhoso de chamar a canjica, que acho que pouca gente chama. Ela levantou e foi fazer cuzcuz de tapioca pra mim.

Em Salvador.

Acordei há quase mais de duas horas e não paro de escrever. Eu gosto disso, de acordar cedo e dormir cedo. Depois acordar no meio da noite, tomar café preto e ver mainha ali dormindo. Ligo a TV' e não tem nada que preste, mas como eu só vejo TV' em Salvador, deixo ligada para ouvir o som das palavras. O jeito que falam as palavras na TV' Salvador.
Fico pensando em minha vida toda. Sem saber direito se quero o que eu quero. Crescer tem disso, tomar decisões. Eu gosto, mas tem horas que dá medo, frio na barriga de dar tudo errado. Mas, como saber? Só errando mesmo, mas a gente não quer errar. Falando certo, eu é que não gosto de errar. Alguém gosta?
Mas acho que eu ligo muito para isso. Ligo demais. Falo demais, converso demais. Mas também ouço. E gosto que falem de mim, apesar de poucas pessoas fazerem isso. Eu quero ouvir coisas ruins também, fico perguntando aos meus amigos e amigas o que eu tenho de ruim. Pensam que amor não tem disso, de botar o dedo na ferida?
Amor é bicho bom, já disse Dona Mariquinha em O Fim e o Princípio. Mas amor é uma coisa, namoro é outra, vice? Amor a gente sente por menina, menino, pai, amigo e inimiga, mas namoro nem sempre a gente pode. Por que a gente tem as imperfeições da gente, não sabe, que juntando com as coisas todas da outra pessoa pode virar um monstrengo feio que assusta criança de noite. Então às vezes é melhor cultivar o amor. Que como eu sempre digo, são umas pessoas. E cultivar o amor nem sempre é namorar. É ligar pra dizer euteamo, mas nem sempre é namorar.
Eu sei, são só justificativas para uma pessoa que não gosta de namorar. Não sei ainda conciliar essa minha pulsão de viver e o namoro. Sempre acho que vou ficar em falta, ou com a vida, ou como o namoro. Enquanto não sei resolver, vou dizendo não pro namoro, e sim pra vida.
Mas sabe? Ontem assistindo a TVE Bahia ouvi uma moça que com paralisia cerebral dizia que as pessoas tem medo do deficiente físico, mas que o que se precisa é se aproximar e se relacionar, e as pessoas tem medo disso, da aproximação. Fico encafifada com isso e acho que eu também tenho medo. Apesar de me relacionar com muita gente, pouca, mas pouca gente mesmo sabe de mim, daqui de dentro. Só quando eu namoro é que essa migh aparece, e eu não sei, às vezes ela é tão pesada... e má, e ruim e chata. E eu não gosto dessa visão de mim e eu fujo disso, apesar de gostar de me aproximar. Sinto que não vou ter tempo de me dedicar a essa convivência e vou protelando... e prefiro me doar pra todo mundo, e para ninguém. Não sei.
São críticas a mim mesma que eu faço, esperando que alguém me ajude a fazer também.
De repente senti saudade da estação de trem do lado da minha casa em São Paulo. É uma estação na periferia, sem nenhuma propaganda, só o concreto. Fico imaginando que a União Soviética era assim e fico feliz quando desço as escadas rolantes sem nenhuma propaganda dos lados, só aqueles muros enormes de concreto. Parece loucura, mas é realmente irritante as estações de trem e metrô do centro abarrotadas de propaganda. Certa vez uma universidade colocou um banner dos dois lados da passarela de 15 metros de largura por 2 metros de altura e eu ficava agoniada sem poder ver a luz do sol. Mandei um email pra gerência do trem pedindo para não fazerem essa tortura com a gente.