Você que me lê, me ajuda a nascer.

sábado, outubro 30, 2010

Como esquecer.

O filme Como esquecer é bonito. Simples, como toda as belezuras da vida. Teve gente por aí dizendo que não gostou. Eu gostei de tudo. Lembrei de coisas, anotei outras. Em vésperas de viagem, me peguei pensando na frase de Helena, uma das personagens:

paris te dá os instrumentos, mas depois de um tempo, se você não vai embora de lá, eles enferrujam

Fiquei pensando em Paris e onde moro hoje, São Paulo. Já escrevi sobre isso zilhões de vezes, mas como esse ainda é o meu blog e eu escrevo o que eu quero, vou falar mais uma vez. Acho que esse ano foi uma coisa de amor e ódio com a cidade. Eu aprendi que sim, tem coisas que eu não gosto e tem coisas que eu vou amar pra sempre, como o fato de aqui há alguns anos a cidade ganhar um cinema Municipal. Outras coisas eu amo, como ter muitos bons restaurantes japoneses e várias lojas com muitos sapatos diferentes. Descobri que sim, eu posso amar e odiar, aqui e outros lugares, e, melhor, tudo ao mesmo tempo.

Mas não é fácil administrar tudo isso aqui dentro. São muitas sensações, uma hora eu gosto, outra hora embirro, com coisas tolas, por que eu mesma sou tola. Mas a verdade é que é preciso tomar partido das coisas. Por isso é que, mesmo amando, eu tou voltando (sempre) pra casa.

Livros.

Descobri e descubro todos os dias como é difícil para uma moça de “poucas posses” estudar. Tenho que trabalhar, para começo de conversa. Não posso me dar o desfrute de sair de meu emprego público e tentar uma bolsa por que uma bolsa seria apenas para pagar despesas poucas, dessas que se tem quando ainda se mora com o pai e a mãe ou só um deles ou se mora sozinha, numa república da universidade, mas não pude me dar a mais esse deleite por que o meu salário não é só para mim e dois anos de bolsa de estudos só para pagar coisas ligadas aos meus estudos iriam fazer grande diferença.

Descubro então que mesmo meu emprego sendo vinculado à área que eu estudo, o pessoal lá não quer saber de educação. E tome botar empecilhos para você continuar, fazendo com que você pense mesmo que é preciso escolher, e se você não pode largar o emprego, que largue os estudos, pois, afinal, que quero mais, se já tenho uma graduação, pós-graduação é coisa para quem tem dinheiro, não é mesmo? Até ingreis ou français você tem que saber falar! Isso é definitivamente coisa pra rico!

Depois tem os livros. São realmente muito caros. Eu já achava caro quando comprava quando queria, e agora, quando não compro quando preciso, por que são caros, vejo que é realmente muito difícil ler em português, quem dirás em outra língua!

Por isso, no fim do ano, aquela grana que todo mundo espera para ganhar o ano todo e gastar em presente, eu vou torrar toda em livros - e ainda assim não chegará no fim da lista dos que preciso.

Bem, nem sei por que estou dizendo isso. É que, olhando assim, parece tão fácil. É só fazer quatro provas, que tu tá dentro. Depois fazer as disciplinas, a pesquisa, escrever, e é só isso e você é mestre, doutor. Parece simples. Mas é realmente uma dureza tudo isso, e não o estudo em si. Mas todas as coisas que estão ao redor, a inadaptação a um lugar frio e sem tesão. E mais coisas, como a hipocrisia – eu não entendia por que todos os dias em que eu tinha que ir à universidade, e ainda hoje, eu me sinto realmente estranha. Como se estivesse fora de mim. Fora das coisas que eu aprendi a vida toda a gostar e respeitar.

Não, a graduação foi diferente. Eu estava entre os/as meus/minhas, mesmo que eles/as nem fossem tão meus/minhas assim. Aqui, parece tudo muito mais distante.

Ontem no restaurante universitário um grupo de adolescentes de uma escola particular aguardava na fila para entrar e comer com a gente. Eles/as estavam tendo um dia que parecia “Conheça a universidade”. Achei estranho por que imaginei que só o pessoal de lá poderia comer lá, o que em parte é verdade, já que a população pobre que mora no entorno não tem acesso ao restaurante. Mas devem ter feito um pacote, coisa do tipo. Só não sei quem fica com a grana, no fim das contas, já que almoçaram lá. Estavam em polvorosa. Sentaram numa mesa próxima à minha – achei estranho por que mesmo a minha mesa tendo três lugares vazios, não sentaram – e começaram a comentar

Eu paguei sessenta e seis reais para comer nessa m*?

Ainda bem que eu trouxe um pão com salame

E eu, refrigerante

O que é isso? (cara de espanto apontando para um copo com suco natural de limão) É bom?

De cara fechada eu estava, de cara fechada eu fiquei. O mais doido é que a maioria delas/es serão as/os futuros/as alunas/os dessa Universidade. Digo isso pensando em quanto a nossa escola pública está sucateada para servir aos empresários da educação e as essas escolinhas de meia pataca.

Bom, me embolei, coisa comum de minhas escritas. Mas era só um desabafo mesmo.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Eles.

Tinha um que me escrevia coisa bonita, mas era um canalha. E tem outros que não são canalhas, mas também não escrevem.
Sei bem o que prefiro, mas sinto saudades das cartas. Não daquelas cartas, mas da sensação da carta na caixinha, do jeito que as palavras me tomavam, dos suspiros, essas coisas, tenho saudades.

terça-feira, outubro 26, 2010

Mas,

eu adoro o jeito que ele olha.

Ah,

... esse cara tem me consumido.

RACISMO – INTOLERÂNCIA RELIGIOSA VIOLÊNCIA CONTRA MULHER.

Sábado, dia vinte e três de outubro de 2010, por volta das 14: 00 hora, um pelotão da Polícia Militar da Bahia, invadiu o assentamento D. Helder Câmara, em Ilhéus, levando a comunidade de trabalhadores e trabalhadoras rurais a viverem um momento de terror, tortura e violência racial. Os fatos: Ao ser questionado pela coordenadora do assentamento e sacerdotisa (filha de Oxossi) Bernadete Souza, sobre a ilegalidade da presença do pelotão da polícia na área do assentamento, por ser este uma jurisdição do INCRA – Instituto Nacional e Colonização de Reforma Agrária e, portanto a polícia sem justificativa e sem mandato judicial não poderia estar ali. Menos ainda, enquadrando homens, mulheres e crianças, sob mira de metralhadoras, pistolas e fuzil, o que se constitui numa grave violação de direitos humanos. Diante deste questionamento, o comandante alegando “desacato a autoridade” autorizou que Bernadete fosse algemada para ser conduzida à delegacia. Neste momento o orixá Oxossi incorporou a sacerdotisa que algemada foi colocada e mantida pelos PMs Júlio Guedes e seu colega identificado como “Jesus”, num formigueiro onde foi atacada por milhares de formigas provocando graves lesões, enquanto os PMs gritavam que as formigas eram para “afastar satanás”. Quando os membros da comunidade tentaram se aproximar para socorrê-la um dos policiais apontou a pistola para cabeça da sacerdotisa, ameaçado que se alguém da comunidade se aproximasse ele atirava. Spray de pimenta foi atirado contra os trabalhadores. O desespero tomou conta da comunidade, crianças choravam, idosos passavam mal. Enquanto Bernadete (Oxossi) algemada, era arrastada pelos cabelos por quase 500 metros e em seguida jogada na viatura, os policiais numa clara demonstração de racismo e intolerância religiosa, gritavam “fora satanás”! Na delegacia da Polícia Civil para onde foi conduzida, Bernadete ainda incorporada bastante machucada foi colocada algemada em uma cela onde havia homens, enquanto policias riam e ironizavam que tinham chicote para afastar “satanás”, e que os Sem Terras fossem se queixar ao Governador e ao Presidente. A delegacia foi trancada para impedir o acesso de pessoas solidarias a Bernadete, enquanto os policias regozijavam – se relatando aos presentes que lá no assentamento além dos ataques a Oxossi (incorporado em Bernadete) também empurraram Obaluaê manifestado em outro sacerdote atirando o mesmo nas maquinas de bombear água. Os policias militares registraram na delegacia que a manifestação dos orixás na sacerdotisa Bernadete se tratava de insanidade mental. A comunidade D. Hélder Câmara exige Justiça e punição rigorosa aos culpados e conclama a todas as Organizações e pessoas comprometidas com a nossa causa. Contra o racismo, contra a intolerância religiosa, contra a violência policial, contra a violência à mulher, pela reforma agrária e pela paz. Projeto de Reforma Agrária D. Hélder Câmara Ylê Axé Odé Omí Uá De Ilhéus.

domingo, outubro 24, 2010

Eu também queria...

... dizer que odeio não poder controlar tudo. Os meus sentimentos, medos e descoragens e também os das outras pessoas. Fazer o quê, eu também sou só uma reles mortal. Que me mate no Estácio.

Diferenças.

Todo mundo sente mesmo as coisas e sentimentos de um jeito diferente. Talvez eu esteja mais velha, mais dura, mais triste, enfim.
De qualquer modo, acho que sempre fui muito de dizer as coisas. Quando dói, ou quando só acho que vai doer, digo logo. E depois eu acho que posso controlar o jeito que as pessoas sentem as coisas.

sábado, outubro 23, 2010

Eu queria dizer isso pra muita gente,

Mandato de despejo aos mandarins do mundo Fora tu, reles esnobe plebeu E fora tu, imperialista das sucatas Charlatão da sinceridade e tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro Ultimatum a todos eles E a todos que sejam como eles Todos! Monte de tijolos com pretensões a casa Inútil luxo,
megalomania triunfante
E tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
Que nem te queria descobrir
Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
Que confundis tudo
Vós, anarquistas deveras sinceros
Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores
Para quererem deixar de trabalhar
Sim, todos vós que representais o mundo
Homens altos
Passai por baixo do meu desprezo
Passai aristocratas de tanga de ouro
Passai
Frouxos
Passai radicais do pouco
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa
Descascar batatas simbólicas
Fechem-me tudo isso a chave
E deitem a chave fora
Sufoco de ter só isso a minha volta
Deixem-me respirar
Abram todas as janelas
Abram mais janelas
Do que todas as janelas que há no mundo
Nenhuma idéia grande
Nenhuma corrente política
Que soe a uma idéia grão
E o mundo quer a inteligência nova
A sensibilidade nova
O mundo tem sede de que se crie
Porque aí está apodrecer a vida
Quando muito é estrume para o futuro
O que aí está não pode durar
Porque não é nada
Eu da raça dos navegadores
Afirmo que não pode durar
Eu da raça dos descobridores
Desprezo o que seja menos
Que descobrir um novo mundo
Proclamo isso bem alto
Braços erguidos
Fitando o Atlântico
E saudando abstractamente o infinito.
Álvaro de Campos, 1917.
Maria Bethânia vociferando é melhor.

Constatações.

professora, eu sei por que você se queimou. você não passou protetor solar

Camargo Correia.

Abro o jornal e vejo uma propaganda da Camargo Correia. Nem sei se é Correia ou Corrêa, mas não vou procurar. A propaganda dizia há 70 anos do lados dos brasileiros Fiquei pensando, ficaram bem do lado. Várias famílias negras que moravam em regiões centrais de São Paulo (centrais e "nobres", como chama a crasse média) foram mandadas para longe de seus lugares por conta de empreendimentos imobiliários, avenidas, viadutos. Essas empreiteiras, ávidas por grana, ficaram "do lado" dos brasileiros. Do lado de lá. Eu pessoalmente conheci uma família que morou até a década de oitenta no Itaim Bibi e hoje mora aqui pelos lados de Interlagos. Mudança drástica, não é? E sem indenização. Nenhuma. Agora durma com um barulho desse. O pessoal é tão cara de pau que bota o nome de um dos bairros de Higienópolis. Sem nenhuma vergonha, nem medo de serem acusados de genocidas e mais um monte de coisa. Deixa pra lá. Ou não.

sexta-feira, outubro 22, 2010

Imaginação.

A língua é mesmo uma coisa que faz com que a gente imagine mais, vá além. Eu bem acho que português é uma língua parceira da imaginação. A criança vem de sunga e eu pergunto por quê. E ela me diz, séria mas você não disse que hoje tinha piscina de bolinha?

Vênus Negra

Quem vai comigo?

Professoras.

Ouvindo tanta coisa. De professoras negras. Mas teve uma que me respondeu assim, quando perguntei por que ela se tornou professora de Educação Infantil

desejo de infância

Bati o olho e entendi que ela tinha vontade de criança, de ficar perto, da energia, da coisa toda que é a criança e do tesão que ela nos provoca. Mas ela, acho eu agora, lendo com mais cautela e sei lá o quê, queria dizer que tinha vontade de ser professora desde criança. Pensei bem e li de novo. Acho que pode ser qualquer coisa, e aí ela fez poesia. Poesia, num questionário de pesquisa. Marejei os olhos, mas só por que sou boba. Igual Adélia, igual Cecília, igual Elizandra..

Ela.

Viciada nela.

Arruda.

Queria ter tempo para registrar tudo tudo tudo que ouço, que vejo. Como o galhinho de arruda na orelha do moço que vende amendoim. Como as duas senhoras conversando e falando sobre o tempo antigo como era bom. Depois queria ter tempo para nominar as coisas todas que vejo, falar sobre elas, refalar. Como Dona Noi, que vai fazendo as coisas e falando, o tempo inteiro. Essas práticas de nossa oralidade que vão se perdendo. Estava com ela andando na rua e ela ia me dizendo olha essa rua é assim, toda coloridinha olha o carro passando essa casa é bem velhinha O tempo inteiro. E eu em silêncio só sorvendo o mais fino néctar de minhas tradições africanas.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Euzinha, ainda.

Correria.

De algum lugar da zona Sul, postando e correndo. Correndo. Adoro acordar cedo. Adoro, adoro. E gosto mais ainda de andar pela rua, por aí. Sem ter que fazer muita coisa, só olhar e olhar. Devo ter cadastro em mais de quinhentas lan houses em São Paulo. Me chamam de cigana, andarilha. Será?

terça-feira, outubro 19, 2010

No Farol.

Muita coisa pode se alumiar.
(por que quando falo de Itapoã, é essa coisa que eu sinto)

Só isso.

Eu queria te dizer deixa estar, que o que for pra ser, vigora Mas não é só isso. Nunca é.

domingo, outubro 17, 2010

Não entende nada do que eu digo.

Eu falando ingreis e tu ouvindo português embaralhado.
Não entendendo nada do que eu digo.
Eu deveria nem me importar mais, mas ainda me importo.
Querendo um dia para esquecer, um calor para acalmar, um chamego para não desanimar...
Esperando um dia sem torre de babel.

sábado, outubro 16, 2010

quinta-feira, outubro 14, 2010

Menina.

Menina fala pra mim hoje que mãe dela mandou ficar de olho no pai, em viagem visitando a família no interior da Bahia. Moça chega perto do pai e ela diz
não se aproxime de meu pai, sua piriguete
Eu conversei com ela, disse que não era nada demais, que se era só beijo no rosto tudo bem. No que ela retrucou
mas fica mais fácil se ela chegar no rosto, né?
Três anos e sabe mais de relacionamento do que eu.

quarta-feira, outubro 13, 2010

Correios.

Eu adoro os correios. Eles sempre salvam o dia.
Ontem chegou carta do além-mar, de um amigo, sem selo, só com desejo de chegar. Ele botou lá, me avisou, tá sem selo, vai chegar, vai buscar, vai pagar. Qual nada.
Chegou em casa, com desejo carimbado, com cheiro de mar e de saudade.
Saudade do quê, minha gente?

segunda-feira, outubro 11, 2010

Do axé.

Fico feliz em perceber cada coisa da minha vida um pouco de axé, candomblé. Mesmo sendo criada em outra religião, a questão é que culturalmente as cidades onde vivi estavam imersas nessa minha cultura ancestral.
Obrigada, minha mãe. Obrigada, meu pai.
Aqui também. Em todo lugar, para mais ou para menos, coisas do axé.
(post dedicado a duas moças que incensaram minha casa hoje, Meggy e Luana)
Parece uma coisa, mas não sou eu. Veja só, fui ver a companhia de dança de Ivaldo Bertazzo e de cara dei valor por ter visto no folder que apresenta o espetáculo uma dançarina e um dançarino negro. Depois fico sabendo que ele tem projetos em comunidades, vejo a dança toda e encontro mulheres e homens negros e negras de monte no espetáculo inteiro, um show. Arrisco dizer que talvez seja a companhia não-negra que mais tenha negras e negros em seu elenco, e isso é positivo, já que somos mais da metade da população, certo seria era estar representado equitativamente em todos os espaços, sem espanto.
Aí eu abro a revista E desse mês, publicação do SESC e leio Boris Schnaiderman numa entrevista respondendo:
Revista E: Quais são as condições históricas que produzem essa grande literatura?

Boris: Explicar a literatura pela história é muito difícil. É incrível como um país tão atrasado como a Rússia dá origem a essa profusão de grandes escritores sofisticados. Como é possível? É o que a gente se pergunta. Como era possível, por exemplo, o fundador da literatura moderna, Alexander Pushkin [romancista e poeta, 1799-1837], existir na Rússia naquele tempo. E ainda ele era mulato, mais essa.
O fato de Tolstoi ser "mulato" é visto por Boris como um "problema"; como pode ele ser fundador da literatura moderna, sendo além de tudo, "mulato"? Racismo? Lembro então que Boris é pai de Miriam Schnaiderman, a mesma que produziu os vídeos sobre questão racial para o curso sobre Educação das Relações Raciais, realizado pelo estado de São Paulo, em 2004.
Incompreensões.

Foto.

Meu Deus, avemaria.
Essa foto linda, futucando na internet. Manda pra mim?
(mandou)

Sobre as eleições - Eu voto em Dilma.

Lendo ontem um blog que recomendo (apesar da dona dele já ter sido alvo de críticas mil, gosto dos escritos dela. Umas das poucas moças brancas que conheço preocupadas em denunciar o racismo - aqui e aqui também - existente nas propagandas publicitárias mundo afora, feminista, e outras coisitas mais), fiquei pensando no quanto eu não comento aqui no blog sobre a vida real. Em como me alheio aqui do mundo todo, talvez para me encontrar melhor.
Aí lendo lá lembrei que não declarei meu voto esse ano. Não disse aqui, como não disse nas outras eleições, sobre em que pessoas voto. Bom, quem me acompanha imagina que votei ou apoiei Lula, mas isso não está explícito. Explico: não é que acredite no presidencialismo, nem na democracia que temos hoje no País, mas, se for pra jogar o jogo e escolher, dentro dessa lógica que está aí - que digo, mais uma vez, não concord0 -, voto em Dilma Roussef. Por que não apoiei Marina?
Gosto dela, mas dentro do jogo, ainda não acho que seja a hora dela. Ou talvez também seja eu devorada pela mídia e goste de votar em quem está ganhando. Enfim, mil considerações. Todo mundo arruma motivos para votar em quem vota, e eu acredito que Dilma, hoje, está mais preparada.
O anarquismo me fascina, o terrorismo, e mais alguns ismos. A guerra civil talvez seja a única saída. Mas, repito, dentro do modelo que temos, Dilma Roussef é o que de melhor temos, assim como Lula é o melhor presidente que tivemos até hoje. Espero que muitos outros venham e o superem, mas é inegável sua atuação diferenciada na educação, em bolsões de pobreza, em estados esquecidos, na formação de seus ministérios - que não se tornou um paulistério -, em seu modo de ser, sentir, ouvir, falar, ver.
Claro que tenho nojo da imprensa que temos, e claro que admiro Hugo Chavez (falando nisso, preciso ir à Caracas antes que os EUA queria fazer um revival Allende por lá). É nojento que falem em liberdade de expressão quando elas só fazem divulgação parcial dos fatos, quando não avisam aos/às seus/suas leitores/as que a comunicação que fazem é uma visão das coisas, e não A VERDADE. As notinhas de rodapé dadas ao desenvolvimento econômico brasileiro chega a ser nojento. A atenção dada ao fato que Lula abriu 14 novas universidade federais é mínima, enquanto que palavras de personalidades como José Sarney e Antonio Carlos Magalhães Junior (aliás, é absurdo: o nome do filho e do neto iguais ao do "ACM" Primeiro! Fico pensando se isso não é uma estratégia política para que demoremos a esquecer, na Bahia, dos tentáculos) tem aceemistas) tem cadeiras cativas no quadro de opiniões e debates. Sei que não há como lutar sozinha contra todo um império de informação (por isso é preciso traficar informação, como diz MV Bill); mas sei também que posso votar em Dilma, até por que se a nossa imprensa globalizada diz que ela não serve, é por que ela "serve".
É deprimente constatar que esta imprensa homofóbica ainda trata o fato da possibilidade de Dilma ser lésbica como um "problema". Não li nada sobre isso, apenas uma pequena chamada. Mas sigo achando que ser homossexual não é "bom" nem "ruim", é um modo de ser no mundo, que deve ser encarado como Lembro que quando circularam "boatos" sobre a sexualidade do então prefeito Gilberto Kassab em São Paulo, a mesma imprensa que usa o termo "homossexual" para discriminar pejorativamente disse que era um absurdo "falar de vida pessoal" em tempos de eleição.
Denise Arcoverde dá de presente esse transfer aqui (siga os passos). Todo mundo sabe (ou deveria saber) que não uso camisetas estilizadas, mas essa eu realmente adorei. Não farei, muito embora adoraria andar com ela no Shopping Frei Caneca, um dos muitos redutos da burguesada paulista. Certa vez, assistindo o filme do Luto a Luta no cinema de lá, em véspera de eleição, batemos palma quando umas das entrevistadas disse gostar do Lula. Uma delícia ver a burguesada se remexendo nas poltronas.
É isso, não falei tudo. Mas declarei algumas coisas. Quer mais? Veja aqui e aqui (aliás, nunca disse aqui, mas Marilene Felinto é a jornalista que me faz ter esperança no jornalismo no Brasil), pessoas declarando seus votos.

domingo, outubro 10, 2010

Livros grátis.

Quer ganhar livro infantil? Se cadastra aqui.
Livro pra João, pra Bia, pra outra Bia e pra Andu. Livro pra criança que tá dentro da gente e pra criança que fora da gente faz a criança da gente sacudir.

Virginia Rodrigues.

Quem não conhece, tem que conhecer (nessa página, falta o cd novo, Recomeço). Boto os links aí, mas não concordo com tudo que está escrito. É pra vocês aguçarem os sentidos, verem as fotos, caçar as músicas. E de todas elas, uma das que mais me tomam é essa:
Malê De BalêEdil Pacheco/ Paulo César Pinheiro É, no som do Malê É no Malê-Debalê Que eu vou me embalar Lá no Malê-Debalê Que Ogum fez o seu gongá É lá que se vai bater pra esse orixá No toque do Adarrum O povo vai rodear Chamando a nação pra ouvir o som Ijexá Obá-Logum, Oramiã, Ogum-de-Lê Deixa descer toda falange Ogum Maiê, Ogum Mejê Ogum Beira-mar Me dê licença e permissão para dançar Ogum Maiê, Ogum Mejê Ogum Beira-mar Me dê licença e permissão para dançar Mas, tem mais. Mas não vou parar se começar, por isso paro logo.

Gemini.

O Cine Gemini fechou. Fiquei triste por que ali assisti meu primeiro filme em São Paulo, 2004. Ali começou meu enamoramento pelo cinema. Na verdade, antes dali, tinha ido muito pouco ao cinema. Pra dizer toda a verdade, meu primeiro filme em tela grande, foi Matrix, aos 18 anos.
Vou sentir saudades da paçoquinha cortesia e da sala de espera escura com poltronas vermelhas velhas.

Léo.

Sinto saudades.

Música.

Quando eu era adolescente, tinha birra com alguns gêneros musicais. Tinha acabado de conhecer o rock, blues, soul, e todas essas coisas. Aí achava que existia música boa e ruim, inferior, superior. Não entendia de gosto musical e achava que o que eu ouvia era a melhor coisa.
É engraçado como a gente envelhece.
Agora mesmo estava ouvindo um forró com uma letra que seria considerada por mim "inferior" há uns dez anos atrás. A moça cantava
fique com ela/morra com ela/ que essa gostosa aqui você não pega mais
nunca mais eu vou chorar/ nunca mais eu vou sofrer/ nunca mais você vai ver/ eu com saudade de você
Achei divertida, e o ritmo me animou a lavar os pratos. Não consigo mais achar essa coisa de música superior ou inferior. Essa é uma ideia que foi inventada para colocar níveis de gradação nos gostos das pessoas, como se grupos "dominados" ouvissem coisas ruins e grupos "dominantes" fossem os detentores do bom gosto. Quando Caetano Veloso canta uma música de Peninha, todo mundo canta junto, quando Maria Bethânia canta "É o amor", aí pode. Mas acho que estão dizendo essa coisa para esse tal grupo dominante, que música é algo não assim tão explicadinho, por isso é que gravam música de gosto "popular", por que são também música. O que eu acho que seria muito legal é primeiro ouvir a música, para depois descobrir coisas ou falar sobre elas. E também tentar compreender por que é que determinadas pessoas ouvem só um gênero musical e não outro, por que que a gente não pode ouvir um forró e ouvir um samba, depois um blues, depois um rap. Fiz uma vez um teste bobo e passei 03 dias ouvindo músicas de um grupo de "pagode romântico" Sorriso Maroto. Não aguentei mais do que isso, e enjoei de verdade, além de achar que estava ficando meio deprimida. Não funciona para mim, mas não quer dizer que nunca mais tenha ouvido ou não cantarole se estiver passando na rua e ela tocar. Só não é algo que me agrada profundamente, mas acho que tem mais a ver com a homogenização que é feita pela indústria da música do que com o grupo em si. E contra isso fica mais difícil de lutar.
E claro que não gosto do estupro que a música fonográfica faz com os gêneros musicais. Mas não posso dizer que tudo é ruim, jogar tudo num caldeirão só. Até por que muita coisa que conheço chegou até mim através dessa mesma indústria fonográfica que estupra e mata muita coisa interessante, que chama de axé music coisas que Luiz Caldas nunca chamaria de música, a bem dizer. Quer ver? Uma música, essa semana, me tomou os sentidos. Eu a procurei na voz de Márcia Freire, era quem cantava no meu tempo, uma música que lembra muito minha adolescência, por que era uma coisa que passava no rádio. Ela diz
chora/ mas chora baixinho/ no meu ouvidinho/ pra ninguém ouvir
grita/ mas fica calado/ igual ao pecado/ quer quer resistir
pois eu sou de cor/ você me amou/
Pode ser simples, boba, sem tanta coisa, mas para mim é bonita, por que acessa tempos e lembranças que estavam adormecidas, e eu senti sensação boa, lembrei de quando eu voltava da escola e no ônibus tinha alguém ouvindo no radinho essa música (alguns ônibus tinham som e eu ouvia ali também), meio dia e sol a pino, eu olhando o mar e indo pra casa, não sei dizer mais das coisas todas, mas a sensação era gostosa, e quando eu ouvi essa música, tudo isso voltou. E não vai ser outra música, vai ser sempre essa que vai me fazer sentir um pouquinho aquela brisa que vinha do mar, meio dia.
O lance do funk carioca é bem isso. Ele começa como uma música de protesto (e na verdade, continua), mas o que "vende" mais são os grupos musicais que abordam temas sexuais e "chocam" com as letras, e acaba tudo indo num bolo só, música chula feita por pobre e preto. Não ouço funk carioca com regularidade, nem sou uma dessas patricinhas que em casa fingem não ouvir essas músicas mas quando Tati se apresenta em casas de show aqui em São Paulo são as primeiras da fila e descem até o chão com a música da moça. Só acho hipocrisia demais rotular o funk ou qualquer outro gênero musical como "inferior".
E para aproveitar, escrevo o que ouço agora. Música de Ederaldo Gentil:
o ouro afunda no mar/ madeira fica por cima/ ostra nasce do lodo/ gerando pérolas finas
Aí lembro de Racionais, Nego Drama:
de onde vem os diamante/ da lama
Morô? Então mora na filosofia, fi.

Filme.

Um dos melhores atores brasileiros que já assisti, Wagner Moura é o fino da Tropa. Me chamou a atenção em como Capitão Nascimento fisicamente envelhece e endurece, se engessa, coisa típica de quem lida com as durezas, de quem vive, enfim. Há cenas em que é possível ver essa coisa toda.
Para mim, a melhor cena é a que ele com seu filho adolescente diz
não quero que você tenha medo de mim. só quero que você saiba que seu pai sou eu
Para quem acompanha a carreira de Wagner, sabe que ali naquela hora tem uma coisa dele, e de Bahia também, de repetir sabe? sabe?, daquele jeito.
Mais não digo, apesar de achar um monte mais de coisas.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Mayta e Llosa.

Eu li pouco Llosa. Mas sempre achei que o cara mandava muito bem. Demoraram mesmo para perceber o quanto o cara era bom. Será por que ele é peruano - periferia do mundo - e politicamente engajado?
O errado é que tá certo, minha avó diz até hoje.
Se bem que o Nobel não diz nada. Eu já gostava de Llosa e vou continuar gostando, com ou sem Nobel. Como não gostava de Paulo Coelho antes da Academia e continuo sem gostar agora.

Chororô.

Não me pegue, não me toque. Por favor, não me provoque. Chorando à toa, vendo mulheres e suas solidariedades. No ponto de ônibus, uma ajudava a outra a se encontrar, a chegar na estação, uma pegava no rostinho da outra e falava, vai por ali, toma cuidado, presta atenção. Me emocionei. Eu sou assim. E quem quiser gostar de mim, eu sou assim. Há coisas que homens não vão entender, não por que não querem, mas por que é muito difícil ir na contramão sempre. Há coisas que mulheres também não vão entender, por que para nós também é difícil estar alerta o tempo todo. Decidi não mais falar coisas para pessoas e pessoas, indiscriminadamente. Me despedaço quando leio coisas ou me dizem coisas, sou mais palavra mesmo. Tato, sinto falta do carinho, aconchego, encosto a mão por dentro da camiseta de uma criança pra sentir o calor que ela tem, ela sorri, faço coceguinhas, somos felizes.

quarta-feira, outubro 06, 2010

Escrevivendo.

Sem como postar de casa, sem saber o motivo, eu sigo. Como eu sempre escrevo, todos os dias eu vejo coisas que renderiam histórias lindas e inteiras de fascinação e muita mentira. Mas ontem, na TV', fim de noite, uma tristeza. A moça branca, inconformada com a morte de um menino de 13 anos que não consegui entender se era seu irmão, soltou a pérola mas os policiais sabiam que ele não era bandido, ele era branco, como podem ter se confundido? Muito na linha do que ouviu uma amiga minha num banheiro de universidade paulista: sabe o que é, não gosto de preto, eles parecem assim, sujo Dizem por aí, não existe racismo no Brasil. Eu cá continuo pitando no cachimbo de Mariquita. Só pra ver o infinito. Quem sabe lá eu encontro alguma paz. Pelo menos enquanto se vai a fumaça.

É do axé? Diga que é!

Leia mais aqui.

Oxente.

(interditado)