Você que me lê, me ajuda a nascer.

terça-feira, junho 29, 2010

Também bate quem apanha.

Na rua eu vejo os homens e penso quantos deles já bateram em mulher.

domingo, junho 27, 2010

Namoro na TV.

Vim conversando com um moço que chegava à São Paulo pela primeira vez e me perguntava da cidade. Ele desabafou
fiquei pensando se o povo daqui era maluco, por que eles vão pra televisão arrumar namorado
Não pude deixar de rir, por que nem eu mesma tinha me dado conta disso. Ele ainda arrematou
e perguntam logo onde a pessoa mora, se morar longe, nem conversa, mesmo que tenha gostado da menina
Impressões.

Finzan.

Em tempos de Flor do Deserto, recomendo Finzan.
Ontem, no ônibus, ouvi uma moça que me parecia alguém do noroeste da Bahia, pelo modo como falava, conversando com a mãe ao telefone
olhe, mãe, ele é um homem bom, quando eu chego em casa tá tudo limpinho, ele faz comida, ele lava os pratos, fica despreocupada, mãe,
Sorri um sorriso no canto da boca. Fiquei feliz junto com ela, que continuava
mariinha falou que eu não acho mais um desse
Quando ela se levantou, me virei para ver seu rosto.
Adoro quando volto a ser uma menina boba.

sábado, junho 26, 2010

Erros em voz alta.

Sim, eu errei, com você e você. E errei comigo.
Acredito sempre que posso ter o controle de tudo. Das coisas e pessoas.
Tentativa frustrada de prosseguir na vida, quando ela é louca, e me balança.
Eu errei, e erro, e vou errar de novo. Isso é o que de mais certo aprendi.
Mas, ainda assim, continuo sabendo o que quero. E quem eu sou, o que acredito.

sexta-feira, junho 25, 2010

Lava minha solidão.

São 23:30, e quando abri a rádio UFBA veio a música Chore a Chuva.
Coincidência?
Eu vejo da janela, vai chover amor, vou chorar, amor.

quinta-feira, junho 24, 2010

Achados e perdidos.

Ultimamente tenho achado muitas coisas. Antes, era eu quem eu perdia. Há tempos atrás, eu queria pôr uma tabuleta no meu quarto dizendo: fazem tantos dias que eu não perco nada, uma coisa assim. Acho que agora, devem ter uns trinta dias que estou livre desse vício de perder. A última coisa? Bom, materialmente falando, foi o par de um brinco. ... Fiquei sabendo de um outro brinco que pensei haver perdido e que encontraram. Talvez seja assim com as outras coisas que perdi também.

Pilates.

Na hora do sufoco no buzu, pra se segurar, pra não cair, eu lembro das sábias palavras de minha professora de pilates e procuro meu centro ativo. Me equilibro e assim o freio de arrumação não me leva lá pra trás, nem pra frente. Ainda bem que descobri para que serve todos aqueles exercícios de solo.

quarta-feira, junho 23, 2010

Pretim.

Flora Matos canta.
(...)
Me levou pra passear/
Depois fez com que esse amor crescesse tanto em mim/
Me levou pra um lugar/
Onde quando um amor começa, jamais haverá um fim
(...)
Pretim/

Amizades.

As amizades, prova viva de que as coisas podem dar certo. A amizade é um amor. Me escreveram coisas hoje e eu boba fui ler dentro do ônibus, fiquei emocionada assim, as lágrimas escaparam. Fiquei lendo e relendo, amassando dentro do bolso as letras que todas juntas me diziam coisas que nunca mais esquecerei:

Você é uma mulher forte, não se deixe vergar por ninguém. No mundo não existe um só homem que valha a sua dignidade. Não confunda com o amor o sacrifício de si mesma

Extraído de um livro chamado Zenzele, ela me reescrevia aquilo que tinha lido e a tocado, e que ela acreditava que me faria bem. Não me fez só bem, me acalmou, me devolveu a dignidade.

Como dizem os antigos, o baobá, por mais sólido e majestoso que seja, definharia se fosse transportado das ricas primaveras e do solo generoso que lhe dá vida

(...) mas nosso orgulho não deriva de coisas materiais. Vem de estarmos perto de nosso chão

Você é uma ave rara, Zenzele. Será notada no além-mar por sua plumagem colorida, pelo voo gracioso e pelo bonito canto. Há detalhes adoráveis que irão destacá-la do bando!Um deles é sua cor. Em nossa terra, você conhece cada tom, do caramelo ao carvão. No ultramar, não sabem enxergar nosso arco-íris. Para eles, somos todos de um negro carregado

Descobri que todos nós temos que encontrar nosso próprio caminho, nossas próprias palavras, nossa própria estação

Isso nem é amizade, e é mais que amor. Essas palavras fizeram por mim o que a maioria das pessoas que estão ao meu redor nunca conseguiram me fazer nos últimos tempos: me devolveram o sorriso de criança, a vontade de vida, a esperança da volta, a certeza de um amor-perfeito. Essa mesma moça-amizade me apresentou a poesia que para sempre, nunca me deixará sucumbir:

Ressurgir das cinzas
Esmeralda Ribeiro

Sou forte, sou guerreira,
tenho nas veias sangue de ancestrais.
Levo a vida num ritmo de poema-canção,
mesmo que haja versos assimétricos,
mesmo que rabisquem, às vezes,
a poesia do meu ser,mesmo assim,
tenho este mantra em meu coração:
"nunca me verás caído ao chão".

Sou destemida,
herança de ancestrais,
não haja linha invisível entre nós
meus passos e espaços estão contidos
num infinito tonel,
mesmo tendo na lembrança jovens e parentes que,
diante da batalha deixaram a talha da vida se quebrar,
mesmo tendo saudade cultivada no portão.
Mesmo assim, tenho este mantra em meu coração:
"nunca me verás caída ao chão" .

Sou guerreira como Luiza Mahin,
Sou inteligente como Lélia Gonzáles,
Sou entusiasta como Carolina de Jesus,
Sou contemporânea como Firmina dos Reis
Sou herança de tantas outras ancestrais.
E, com isso, despertem ciúmes daqui e de lá,
mesmo com seus falsos poderes tentem me aniquilar,
mesmo que aos pés de Ogum coloquem espada da injustiça
mesmo assim tenho este mantra eu meu coração:
"Nunca me verás caída ao chão".

Sou da labuta,
sou de luta,
herança dos ancestrais,
trabalhar, trabalhar, trabalhar,
mesmo que nos novos tempos irmãos seduzidos pelo sucesso vil me traiam,
nos traiam como judas sob a mesa,
meu ganha-pão.
Mesmo que esses irmãos finjam que não nos vêem,
estarei ali ou onde estiver, estarei de corpo ereto, inteira,
pronunciando versos e eles versando sobre o poder,
mesmo assim tenho esse mantra em meu coração:
"nunca me verás caída ao chão".
Me abraço todos os dias,
me beijo, me faço carinho,
digo que me amo, enfim, sou vaidosa espiritual,
mesmo com mágoas sedimentadas no peito,
mesmo que riam da minha cara ou tirem sarro do meu jeito,
mesmo assim tenho esse mantra em meu coração:
"Nunca me verás caída ao chão".

Me fortaleço com os ancestrais,
me fortaleço nos braços dos Erês.
Podem pensar que me verão caída ao chão,
saibam que me levantarei
não há poeiras para quem cultua seus ancestrais,
mesmo estando num beco sem saída,
levada por um mar de águas,
mesmo que minha vida vire uma maré,
vire tempestade,
sei que vai passar.
Porque são meus ancestrais que se reúnem num ritual secreto
para me levantar.
Eu darei a volta por cima e estarei em pé,
coluna ereta,
cheia de esperança,
cheia de poesia e com muito axé
por isso, desista,
tenho este mantra em meu coração:
"nunca me verás caída ao chão".

RIBEIRO, Esmeralda. Cadernos negros,vol 27: poemas afro-brasileiros.São Paulo:quilombhoje,2004.

Te amo, Elizandra Souza. Minha amizade-amor.

Um dia, um adeus (?)

Eu só posso escrever: ... um dia, um adeus e eu indo embora quanta loucura por tão pouca aventura ... agora entendo que andei perdida o que é que eu faço? pra você me perdoar? Aprende a tocar pra mim que eu canto.

terça-feira, junho 22, 2010

Saudação.

Esse post é para pessoas que umas poucas palavras, te fazem pensar um dia inteiro e noite adentro.
Esse é um dom de poucos e poucas.
Brindemos então à sabedoria.
Gosto de pessoas que me dizem coisas sobre mim sem precisar serem arrogantes ou mandonas. Essas acabam comigo sem querer acabar, sem querer nada além de dizer.
Vida longa.
Eu queria poder voltar e esquecer tudo. Mas nem sempre as quatro estações esperam. Às vezes, é preciso descer do trem bem antes, saltar, correr, pular no abismo. E dá medo. Sem medo de assumir o medo, talvez pareça mais fácil. Mas o abismo ainda lá.

Duas coisas.

Uma: eu não sabia que ouvir Bob Dylan ia melhorar tudo.
Duas: se tivesse que eleger o dia mais feio do ano, com certeza, seria hoje. Mas isso pra quem está em São Paulo.

segunda-feira, junho 21, 2010

Ilegais.

Desse jeito vão saber de (...)
Nossos corpos não conseguem ter paz
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes, olhos que se entregam, olhos ilegais.
O resto você já sabe.
E a calma vem, como depois de toda boa tempestade. Tenho tantas certezas que agora me seguro na cadeira para não sair voando.

domingo, junho 20, 2010

Me dá tua mão.

Jogo.

Jogo é pra jogar. Jogo da vida você joga sem querer.
Não tenho muitas esperanças. Só a de que vou morrer de amor. Isso eu tenho certeza.
Certeza também, além da morte, é do sorriso: sempre acredito que um sorriso, de criança ou de gente boba, vai me salvar e me tirar do abismo.
Certeza dos fracassos, das mentiras, das imperfeições, agora tenho. De que as coisas passam, mas, enquanto não passam, doem, ferem, machucam. E me fazem chorar.
As certezas também dão vontades, estas não ditas, escondidas enquanto as coisas não passam.
Mas isso aí são outras coisas.

Mas tá.

Agora, quando me perguntarem se existe racismo no Brasil, vou contar aquela - que não é piada, mas até parece ser - de um amigo negro morando em Salvador no centro da cidade, num prédio qualquer, ser confundido com o lavador de carros.
Por que se em Salvador, cidade com quase noventa por cento de negros e negras, as pessoas acham incomum ver um negro morando num edifício num bairro considerado "nobre", o que mais eu preciso falar sobre o assunto?
Mas tá.

quinta-feira, junho 17, 2010

Imagem.

Antes eu tinha tudo.
Agora é só a imagem e umas poucas letras juntas que formam palavras mas que nem chegam a formar frases.
Antes eu tinha o som, o respiro. Agora só sei o que me chega pelas ventanias imagéticas.
E pelo desejo.

Todo sentimento.

Será que depois de te perder, vou te encontrar com certeza no tempo exato da delicadeza? momento chico buarque.

Melancolia.

Saudade do tempo.
De sorver o tempo, de deixar ele passar por mim.
Leve, suave.
Intenso.

Passado.

Olho fotos minhas das quais eu gosto e que faz algum tempo e sofro. Me achava bonita, feliz. Não que eu não ache que não seja agora. Ou ache. Estou um pouco confusa e algumas imagens me trazem a ideia de liberdade, eu andando rumo a lugar nenhum, de costas, sem compromisso, numa cidadezinha qualquer, essa imagem me toma e eu acho que nunca mais vou sentir o que senti ali. Mas paro e lembro que na verdade ali eu não sentia nada disso, essa foto e o jeito em que estou nela me lembra fotos de infância também, onde eu não conseguia relaxar e ficava muito nervosa, sem vontade de tirar foto, empertigada, dura, cara feia.
Olho e olho e parece que nunca mais vai voltar. Talvez por que hoje eu tire poucas fotos. Talvez por que é mais fácil olhar para esse passado do que olhar pra mim agora, sentada aqui, escrevendo, ouvindo Floetry incansavelmente e trabalhando. A sensação a gente nunca explica mesmo, por mais palavras que a gente escreva.
Muita coisa acontece. E eu escrevo cada vez menos sobre as coisas que me acontecem no dia a dia. Fico pensando se daqui há alguns anos eu vou ler isto aqui e vou lembrar bem do que estava vivendo nessa época, se essas letras vão dizer dos meus sentimentos, sensações.
Acho que não. Mas também, não tenho jeito a dar. Como na foto, aquela coisa ali não vai voltar. Estava linda e feliz. Resta agora a vontade de ser linda e feliz de novo.

sexta-feira, junho 11, 2010

Caso de amor. Salvador.

Eu aí.

Faz dessas coisas,
Ele é minha alegria, meu cansaço. ... eu acordei, não tem ninguém ao lado...

Tique-tique.

Eu aprendi com as crianças que são as coisas simples que fazem toda a diferença. Como quando elas atualizam os gestos de uma canção antiga. Se elas pudessem resolver todos os meus problemas... os grandes, pequenos e os fortes e imprevistos... os de sentimento e ação... se fosse apenas trocar o gesto numa canção, ou qual é o sabor do bolo de areia no cardápio de hoje no parque... mas eu não conseguiria, por mais que tentasse, explicar para elas qual é o meu problema. Nenhum deles. Não sou tão boa com as palavras assim. Talvez, se eu conseguisse, elas me fizessem entender que não adianta, sempre as coisas vão sair do controle e tudo bem assim, a vida segue. Elas resolveriam do jeito mais certo, como quando brigam com o melhor amigo ou amiga e ficam ali do lado, encostado/a um/uma no/a outro/a, esperando não sei o quê, talvez a raiva passar. Elas nem ligam para as coisas grandes. Só as pequenas é que tem importância mesmo. Como atualizar o gesto numa canção antiga.

quinta-feira, junho 10, 2010

segunda-feira, junho 07, 2010

Pra banho.

Na barraca das folhas, Rosa me pergunta
essas folhas, é pra banho?
Respondo, ela ajeita do jeito dela assim, conversando qualquer coisa. Por alguns segundos, amo Rosa mais do que a qualquer mulher. Com uma força que nem ela sabe de onde vem, ancestral, fala e fala de coisas da vida como se fossem as coisas mais simples do mundo, mas que tem gente que estuda tanto e nunca consegue aprender. Rosa sempre fala da mãe que perdeu. Eu tenho muitas mães. Rosa no seu jeito de arrumar as folhas também é uma delas. Nanã, mainha, meu pé no chão. Fincada na terra, retada como Rosa.

Nego Bom.

Todo mundo quer nego bom. Tuda munda quer nego bom. Quando eu chego. Mas o nego bom mesmo tá difícil de encontrar.

domingo, junho 06, 2010

Catavento.

No Parque de Pituaçu, o menino todo feliz me disse
olhe meu catavento
Sorri e disse
é bonito
Ele continuava a sua reza, as pessoas que passavam ele repetia
olhe meu catavento
Fiquei emocionada, coisa simples. Como essa foto aqui. As coisas boas da vida são simples, são bonitas, como um abraço no parque e conversas numa rede.
Queria poder fazer alguém feliz.