Você que me lê, me ajuda a nascer.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Elza.

Documentário bom. Só diminuiria a cena entre Bethania e Elza, mas de resto, tudo bem. Acertaram em jogar luz em Elza, sem Garrincha a tira-colo. Bom demais. Me emocionei seguidas vezes. Elza diz que cheiro de favela é cheiro de pele,

deve ser por que a gente vive muito juntinho

Algumas pessoas dizem que o certo não é mais favela, é comunidade. Mas, como diz Chris Rock no seu último show de comédia sobre quando os brancos podem dizer nigga nos EUA, aqui, eu faço uma paráfrase e digo que, não ricos não podem dizer favela. Eu arriscaria dizer que mesmo comunidade não tem encaixe. Mas Elza pode.

Gostei das imagens do documentário, que já valem a pena. Ah, e tem outra coisa. Vendo Paulinho da Viola (eu sempre me reapaixono por ele) eu fico pensando que quero casar com um moço mais pra Paulinho da Viola que pra Nei Lopes, se é que vocês me entendem. Como Paulinho da Viola consegue ter essa cara de moço sério e confiável desde que ele era novinho nem me perguntem. Depois conheci pelo documentário o violonista de Elza, João de Aquino, que me fez lembrar um ex-namorado carioca (eu sempre amei os cariocas, minha gente, confesso); João de Aquino na verdade, absolveu o moço: todo aquele jeitinho carioca dele era tudo que eu mais amava no moço e que depois foi tudo me fez odiá-lo, simples assim. Mas com João eu fui feliz, só lembrei da marra que eu gostava.

terça-feira, dezembro 28, 2010

Amigos que nos pegam desprevenidas,


Antes da praia no fim da tarde,

Infância.

Infância
Eu gosto de criança. Demais. Mas confesso que me canso um pouco de só ver criança na escola, daquele jeito, senta-levanta-horadisso-horadaquilo. Sinto saudades de ver crianças na rua, na praia, na lagoa, conversar com elas, sem essa coisa de ela-é-a-professora, cuidado com ela, respeito com ela por que ela é a professora. Crianças em estado bruto. Não, não ficou legal. Crianças no sentido lato, infância lata. Não lata objeto, mas se quiser interpretar como infância na lata, talvez seja isso.
Aí, quando eu vejo crianças soltas das amarras escolarizantes eu perco todo o tempo me deliciando com suas afirmações, seus sorrisos, impressões. Elas sendo crianças, não alunos, alunas. Eu gosto é disso. É bem verdade que há adultos que estragam tudo. Mas, fora da escola, é possível ver essa chama por mais tempo. Um dia, eu quero acreditar nisso, a gente vai poder ter uma escola de crianças, com crianças. 
Um dia. 

Dance with me,

Queria dançar pra você hoje. Mas, como não é possível, aumento o som e deixo a música me levar. Me embalar. Mas penso em você, penso numa festa. Em sorrisos, em pessoas, em alegria. E também em filhos e filhas, muitos, em trabalho, em ajuda, estudos, dinheiro, gente velha, saúde e vontade de ficar junto.
Invento uma história sem final, por que serena. Por que pra sempre. Isso tudo durante a espera. Imagina na hora em que abrirem as cortinas.

i’m so happy

Beyoncé Knowles quando era Destiny Child canta e muita gente pode dizer que é bobo. Eu escuto, por que queria dançar e cantar pra você, mas não posso.
Danca aqui, ó, aprende a cantar aqui, ó.

domingo, dezembro 26, 2010

Propaganda do governo.

Fiquei na dúvida em postar essa propagando do governo do Estado aqui, mas é que eu me emocionei quando comecei a ouvi-la. Mainha já tinha me falado o quanto ela era bonita (e depois dela ter chorado com O Fim e o Princípio de Coutinho eu acho que ela tem moral pra escolher propaganda), e eu também achei. A primeira frase já me impressionou

nós não nascemos em berço esplêndido

Contrariando o que diz o hino nacional. E depois, e mais. Linda. Não sei se me arrependo depois de um tempo de ter escrito isso, que achei linda, que me emocionei, que me arrepiei com a moça negra com um diploma na mão. É uma propaganda governamental que foi no talo, o pessoal que faz é pessoal retado. Ainda dá pra acreditar que dá pra fazer televisão, propaganda, de um jeito bonito, sem pensar só na grana, só na fama.
Que só se vê na Bahia, como a gente diz por aqui.
Uma professora minha que gosto muito fala que muita gente acha os/as baianos/as etnocêntricos/as. Mas nem é. É pura modéstia.

sábado, dezembro 25, 2010

Mais o quê?

Vendo filme mais mainha, estudando e bestando.
Mais o quê?

Folhas.

Adoro tomar chá para curar dores. Acho bonito por que coisa ancestral é coisa de Nanã e eu sou também isso. Mainha sabe muitas coisas e o que se pode tomar para dor de estômago, dor de cabeça, flora intestinal. Eu tomo tudo e repito, sem açúcar.
Não preciso de mais nada aqui perto da linha do Equador. 

Por medo de avião.

Faz um tempo que passei a não gostar de viajar de avião. Não sei por que, mas desde que viajar passou a ser uma obrigação, padeço com as poucas horas que passo dentro daquele troço. Decidi que quero viajar só quando tiver vontade e não quando precisar desesperadamente voltar pra casa. Fico nervosa com as turbulências, odeio os pousos e decolagens, tudo, tudo. Fico meio esgotada mesmo, nervos esfrangalhados e só me sinto bem quando ouço o barulho dos cintos se desprendendo e as pessoas saindo, uma a uma, a tripulação dando tchau. Queria poder dizer adeus, mas. Há dez anos atrás, quando comecei nessa vida de voar, eu não era chata assim. Na verdade, até me divertia quando o avião balançava.
Tomara que acabe logo.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Delete.

Mais uma vez sem celular, eu tou no paraíso. E sem internet, acho que isso é bom também. Me incomoda um pouco essa gente que tem amizade virtual o tempo inteiro, que passa o dia no msn mas não chama a amiga pra sair, não conversam, não se veem, não trocam nenhum tipo de contato ou convivência.

Tendo passado o dia quase inteiro com duas moças que aprendi a amar, tenho que confessar: internet, só se for pra incrementar essa coisa do ao vivo, da conversa, do papo, da troca, do carinho, do olhar, do sorriso, dos gritos na avenida, conversando com o motorista, cobrador, da cerveja. Se não, prefiro nada mais.

Ainda vejo hoje uma propaganda que tem uma televisão que você fica conectado ao msn e vendo as coisas, filmes, jogo. Isso é aberração. Eu sou velha mesmo. Velha também por que adorei o que me disse uma amiga, quando falei pra ela comprar outro laptop quando o dela quebrou. Ela disse como o mundo tá, ninguém conserta mais nada, todo mundo quer coisa nova, que não tem graça nem história.

Por Eni (eu ontem).



Falando sério, sobre negócios e empreitadas (mas sobre amor e medos também).

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Parágrafos.

Eu sigo gostando muito de cinema. Mas hoje, assisto bem menos que antes. Justamente por que agora eu gosto mais, acredito que pouca coisa vale a pena ver. Ontem vi um do Pablo Trapero muito bom, eu gosto dele. Tenho alguns dos longa-metragens que ele fez até hoje. Fez mais um, apesar do final óbvio. Eu adoro cinema latino-americano. Meu maior tesão na sexta é pegar o guia de cinema e ir marcando as coisas que já vi e as que quero ver. Há semanas em que consigo marcar vinte e dois filmes dos cinquenta que estão em cartaz. Mas essa lista tem diminuído. Da última vez, marquei apenas seis. Muitos, mas muitos mesmo, não valiam a pena. Como Harry Potter, coisas assim eu me recuso a assistir, se eu fosse crítica de cinema talvez assistisse o que não gosto, mas não tenho essa pretensão. Avatar, por exemplo, eu nunca vi, e acho que nunca vou ver. Por que é uma história de colonização na era digital do cinema, então eu não quero ver isso por que eu já tou cheia disso aqui na minha vida real.

Ele me disse que Kiriku era legal também por que fazem as crianças perceberem que a nudez não está só relacionada ao sexo, são modos de viver, modos de ser no mundo. E isso é bom para crianças. Eu gosto quando novas pessoas falam novas coisas sobre velhas coisas. Ele me disse várias coisas, mas o que mais me disse não se pode escrever, quando passava horas me olhando e em silêncio. Não sei, mas estou bem. Incrivelmente feliz, confiante. Ele dizia isso, que eu parecia ter tanta confiança e isso exalava de mim, do meu corpo, e fazia as pessoas me desejarem também. Que eu olhava o mundo com espanto e determinação. Isso tudo meio embolado, com um dicionário na mão e um afago na outra.

A música entra pelos meus poros, minha vida. A primeira coisa que eu faço quando acordo antes de lavar o rosto é ligar o som. Passo o dia pensando no que vou ouvir. E todos os meus exnamorados me apresentaram cantores e cantoras que hoje fazem parte de mim, eu não lembro deles quando ouço essas músicas, eu fico feliz por ter conhecido. Chico, Tim Maia, Paulinho da Viola, Destiny Child, Beyoncé Knowles, Mariah Carey, tem de tudo, eu realmente acho que música é uma coisa que me orienta. Algumas músicas são memoráveis e me lembram coisas, lugares, cheiros, pessoas, sensações, livros, tempos, filmes, desejos. Com todo mundo é assim? Não, eu tive um namorado que não ouvia música. Quase nunca. E quando eu estava ouvindo, ele quase sempre se incomodava, muito. Ou com o barulho, ou com a música. Abaixava o som com a desculpa de que queria conversar. Mas eu queria ouvir música às vezes, não conversar. Minha irmã perguntou como eu trabalho ouvindo música. Mas era só um relatório que eu estava escrevendo, e ela disse que eu era crânio. Não acho. A música serve também nessas horas. Mas há horas em que é preciso calar. Gosto, na verdade, de som. Quando não há música, há o som do ventilador, das teclas do computador, o barulho da geladeira ou o trem lá fora. Mas há sempre som. O silêncio? Dos olhos dele.

Queria saber como é não ser eu. Às vezes, queria me ler não sendo eu. Só para ver a sensação. Se eu iria me achar interessante, bacaninha.

Tem uma frase de Milton Santos que eu adoro, que eu sempre lembro. No documentário que fizeram com ele, podemos ouvi-lo vociferando:

a classe média não quer direitos, quer privilégios


Com direito a bater na mesa e tudo. Mas tem outras coisas dele que eu gosto. Eu lembro que quando li o livro dele sobre globalização, aquele Por uma outra globalização, eu pirei. Por que eu nunca vi ninguém escrever ciência com tanta poesia. Ele deu um nó na minha cabeça e nunca mais eu consegui reler o livro. Por que é bom demais. Ainda não me sinto preparada para isso – reler é coisa mais difícil que ler, presta atenção no que eu digo. E olha, o moço era de Sertão de Macaúbas. Eu sempre achei que cidadezinhas formam mais e melhores cientistas, de tudo que é jeito e lugar. Vai vendo Drummond, André Rebouças e companhia limitada.

Lendo bel hooks essa semana e pirando também. Não sei nem o que dizer, tudo que ela escreveu e que me marca tanto, tanto. Não sei como ela faz isso, essa bruxaria. Esse feitiço. Senti-me melhor, senti-me atordoada. Essa coisa da concentração, do estudo, da intelectualidade, da mulher negra. Lendo o que ela escreve eu me sinto alguém que precisa ser pega pela mão, fazer caminhar. Mas me sinto acompanhada também. Eu realmente entendi muitas coisas que aconteceram comigo até hoje depois que li bel hooks. E é um entendimento que passa pelo corpo, pelo modo como eu ando na rua, falo com as pessoas, é um entender-me organicamente no mundo, descobrir espaços, flutuações, desesperos, dores, fracassos, impossibilidades, palavras, medos, silêncios. A letra escrita em itálico não dá conta de apreender a sensação desconfortável que isso provoca, mas esse detalhe sensível talvez consiga dizer alguma coisa sobre como isso mexe comigo. Algumas pessoas conseguem usar o itálico bem melhor que eu. Mas tudo bem, elas são escritoras. Ou sou eu a leitora mais boba do mundo, que vê no detalhe da letra mais uma história para contar? Divagações.

Queria poder escrever bonito, para representar bem o bem que ela me faz. E também o bem de Lizz Wright, Toni Morrison, Eni Leite, Elizandra Souza, Thais Silva, Floetic, Meggy, mainha, Erykah Badhu. Mas não é fácil. Traduzir essa sensação de cócegas no coração que eu sinto com elas é empreendimento para toda uma vida. Ou talvez, vá saber, não para essa vida.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Pedido.

Mas por favor continua que ficar na minha vida. te adoro.

Irrecusável.
eu gosto quando você me olha e parece que é a primeira vez

mas a vida só tem graça assim, quando você ainda se surpreende

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Exu.

sabe aquela sua amiga de nanã?

ela é de nanã?

também, fia, também

Ele me mandou ir lá.
Não posso dizer que não.
Por que ele sabe mais de mim do que eu quero contar.
Eu vou, então.

Saluba.

NANÃ


Dona da lama do fundo dos rios, a lama que moldou todos os homens. Mãe de Oxumarê e Omulu É o Orixá feminino mais velho do panteão, pelo que é altamente respeitada. Veste-se de branco e azul. Suas contas são de louça branca com riscos azuis. Traz na mão o Ibiri, seu cetro. Protege os enfermos desenganados e é patrona dos professores. Seu dia é a segunda-feira, e sua saudação é Saluba! Nanã proprietária de um cajado. A avó dos ORIXÁS também chamada de Nanã Buruku. É um VODUM da lama, dos pântanos. Tem também relações com a morte. Em certos mitos é considerada a esposa de OXALÁ e ainda mãe de OMOLU e OXUMARÉ, orixás procedentes da mesma região que ela (DAOMÉ). Dizem os mitos que antes de criar o homem do barro, Oxalá tentou criá-lo de ar, de fogo, de água, pedra e madeira, mas em todos os casos havia dificuldades. O homem de ar esvanecia; não adquiria forma. O de fogo, consumia-se, o de pedra era inflexível e assim por diante. Foi então que Nanã se ofereceu a Oxalá, para que com ela criasse os homens, impondo, contudo, a condição de que quando estes morressem fossem devolvidos a ela. Sendo o barro, Nana está sempre no principio de tudo, relacionada ao aspecto da formação das questões humanas , de um indivíduo e sua essência. Ela é relacionada também , freqüentemente, aos abismos, tomando então o caráter do inconsciente, dos atavismos humanos. Nanã tanto pode trazer riquezas como miséria. Está relacionada, ainda, ao uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver cultura. Seja como for, Nanã é o princípio do ser humano físico. E assim é considerada a mais velha das iabás (orixás femininos).

Dizem os mitos que nunca foi bonita. Sempre ranzinza, instável, sua aparência afastava os homens, que dela tinham medo. Nanã, teve dois filhos com Oxalá: Obaluaê e Oxumarê (a terra e o arco-íris) e uma filha, Ewá, que teria nascido de uma relação entre Nanã e Oxóssi, ou ainda, entre Nanã e Orunmilá, conforme o mito. Conforme os mitos de Obaluaê e Oxumarê, ela os gerou defeituosos, por ter quebrado uma interdição e mantido relações sexuais com Oxalá, marido de Iemanjá. Abandonou a ambos, que foram criados por outros orixás, e acabou sozinha quando Ewá, para fugir de um casamento que sua mãe lhe impingia, fugiu de casa para morar no horizonte entre o céu e o mar. Alguns mitos dizem que ela é também a mãe de Iansã, os ventos, e que foi expulsa de casa para não matar sua mãe, a lama, ressecando-a. Nanã sempre esteve em demanda com Ogum, que amava muito sua mãe Iemanjá, tomando partido desta na disputa que se estabeleceu entre elas pelo amor de Oxalá. Ogum muitas vezes tentou se apoderar dos territórios lamacentos de Nanã sem, no entanto, conseguir. Como diversão, Ogum gostava de provocar a orixá, que exigia de Oxalá que este fosse castigado, sem nunca ter conseguido, pois Ogum tinha fama de justo. Tantas vezes Ogum irritou Nanã que ela não recebe nenhuma oferenda feita ou cortada com objetos de metal e mesmo o sacrifício de animais feito em sua homenagem deve ser feito com faca de madeira ou coberta por um pano.

Lenda: Nanã era rainha de um povo e tinha poder sobre os mortos. Para roubar esse poder, Oxalá casou com ela, mas não ligava para a mulher. Então, Nanã fez um feitiço para ter um filho. Tudo aconteceu como ela queria mas, por causa do feitiço, o filho (Omolu ) nasceu todo deformado; horrorizada, Nanã jogou-o no mar para que morresse. Como castigo pela crueldade, quando Nanã engravidou de novo, Orunmilá disse que o filho seria lindo mas se afastaria dela para correr mundo. E nasceu Oxumaré, que durante 6 meses vive no céu como o arco-íris, e nos outros 6 é uma cobra que se arrasta no chão.
Na aldeia chefiada por Nanã, quando alguém cometia um crime, era amarrado a uma árvore e então Nanã chamava os Éguns para assustá-lo. Ambicionando esse poder, Oxalá foi visitar Nanã e deu-lhe uma poção que fez com que ela se apaixonasse por ele. Nanã dividiu o reino com ele, mas proibiu sua entrada no Jardim dos Éguns. Mas Oxalá espionou-a e aprendeu o ritual de invocação dos mortos. Depois, disfarçando-se de mulher com as roupas de Nanã, foi ao jardim e ordenou aos Éguns que obedecessem "ao homem que vivia com ela "( ele mesmo). Quando Nanã descobriu o golpe, quis reagir mas, como estava apaixonada, acabou aceitando deixar o poder com o marido.

Certa vez, os Orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais importante. A maioria apontava Ogum, considerando que ele é o Orixá do ferro, que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual. Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não é tão importante assim, torceu com as próprias mãos os animais destinados ao sacrifício em seu ritual. É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem ser feitos com instrumentos de metal.

Mais aqui.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Dor pungente,

Ouvindo sempre Maria Bethânia eu vou descobrindo coisas. Tenho mais outras tantas para fazer, mas essa música, enquanto eu lavava os pratos, me fez parar tudo e uns minutos, pensar. Já falei dela aqui, e falei de Guimarães também, de saudades. 
Mas ainda não cansei. 


Saudade Mata a Gente.

Composição: Antônio Almeida / João de Barro (Braguinha)


Fiz meu rancho na beira do rio
Meu amor foi comigo morar
E nas redes nas noites de frio
Meu bem me abraçava pra me agasalhar
Mas agora, meu Deus, vou-me embora (ela canta, Mas agora meu bem foi-se embora)
Vou-me embora e não sei se vou voltar (foi-se embora e não sei se vai voltar)
A saudade nas noites de frio
Em meu peito vazio virá se aninhar
A saudade é dor pungente, morena.
A saudade mata a gente, morena.
A saudade é dor pungente, morena.
A saudade mata a gente.


Ói, veja aqui, ói.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Colo.

Eu quero colo.
Ou então ouvir coisas como

gosto dos seus olhos
você me faz bem
é sempre bom estar com você

Para esquecer de minhas rabugentices.

No caminho do bem.

Eu gosto de você.
(...)
Eu gosto de você.

Mesmo agora, ainda parece de mentira.
Não quero dinheiro, eu só quero amar.

domingo, dezembro 12, 2010

Akhenaton e Nefertiti.

Ah, bons tempos esse do Olodum. Se vocês não sabem, vou dizer. Fiquei sabendo de Akhenaton e Nefertiti por conta de uma música do Olodum. Me apaixonei pela história e pensei em montar uma atividade com as crianças na escola. Ainda não deu certo. Mas ano que vem, pode ser.
Tomare.


Akhenaton e Nefertiti

Composição: TONHO MATÉRIA
Amenófis soberano

Rei Akhenaton
Foi um faraó da décima oitava dinastia
Que iniciou o culto de adoração ao sol
Fundando em tebas a religião monoteísta
Agradável para Aton ele se permaneceu
Destruindo o clero de amon pra adorar um único deus
Construiu Akhenaton horizonte do disco solar
Dividindo opiniões entre os povos de lá
Egito ê, Akhenaton
Olodum navega o Nilo com os seguidores de Aton
Ê Karnak, ê Karnak
Cidade do templo de Amon-rá
Ê Karnak, ê Karnak
Santuário de um povo milenar
Nefertiti, Nefertiti, Nefertiti e Akhenaton
O olodum vem apresentar o reino do casal solar
Segundo a história, o rei Amen-hotep III
Preocupado com a invasão e o poder dos hititas
decidiu enviar um mensageiro pra conversar com o rei
Pra lhe pedir em casamento a sua filha
O rei Dusratta aceitou e enviou a princesa Taduhepa
Que chegou tão divina na corte do senhor das duas terras
Mas o encontro logo acabou e a princesa desapareceu
Tão misteriosamente
Ninguém sabe no que sucedeu
O pai de Tutankamon casou-se com Nefertiti
A bela que chegou a ser grande sacerdotisa
Tiveram o império arruinado a mando de horehmeb
Que fizera de tutankamon politeísta
E o Amon-rá olodum
Unicidade ao destino onde Aton e Olodumare tem o mesmo sentido.





























































































Cozinha.

Cozinha.
Pela primeira vez, talvez, eu estou fazendo uma comida com prazer. Não, talvez eu já tenha feito isso, mas é a primeira vez que escrevo sobre isso. Bom, pelo menos eu não lembro se já escrevi. Eu sei que escrevo muito, mas não cozinho muito. Eu escrevo desde que eu aprendi as letras. Tenho diário pessoal desde os oito anos, e nunca deixei de ter diário mesmo com o blog. Escrever muitas vezes é o que faço quando não tenho nada para fazer. Escrevo cartas para ninguém, depois invento para quem mandar. Escrevo aqui, escrevo em papéis.
Mas eu também adoro números. Uma das coisas que mais gosto é contar quanto tempo falta para alguma coisa, quantos dias, horas. Adoro a ideia de quantidade. Da falta e da presença. Cheio e vazio.
Isso eu vim pensando descendo a ladeira quando voltava do supermercado. Um senhorzinho olhou para trás quando me ouviu dizendo bença, mãe no telefone. Fiquei com vontade de pedir benção para ele também. Ele me seguiu com os olhos até atravessar a rua. Liguei pra mainha pra perguntar quais as folhas que se usam em machucado. Ela foi dizendo, com a sabedoria de uma auxiliar de enfermagem que é e com a sabedoria de mãe e de mulher. Não recuso sabedorias.  
A comida é uma coisa. Por que exige tempo. Calma. Não me vejo impaciente, mas penso nas coisas para fazer e prefiro alguma coisa rápida. Mas hoje, e ontem, me dei o direito de devagarzinho ir fazendo as coisas.  E senti alegria em temperar, em botar para dourar, em esperar, esperar. Por que mainha diz que cozinha é isso, é entrega, não dá para cozinhar e esquecer, cozinha é presença. A comida pede você ali, provando, cheirando. Experimentando, sentindo. E não é sempre que eu posso fazer isso. Por isso, não faço. Para não fazer mal-feito.
Espero que seja um bom jantar.   

Amiga.

Não gosto disso de melhor amiga. Parece que tem um ranking para a coisa. Eu tenho amigas e amigos, ponto. Eu tenho uma que me diz que eu não me apaixono por ninguém. E eu mesma me acho uma tonta, que me apaixono toda hora.
Nossas definições de paixão não são as mesmas, literalmente.
Mas acho que ela sabe mais de mim do que eu, às vezes. Por que é ela quem ouve tudo.

Carmim.

Vem, tira da minha boca esse batom
Mas não borra minha alma de dores vivas
Me diz que não é só hoje e que talvez um dia você volte
Me diz antes e depois, não mais
Vem, faz as minhas vermelhas unhas cravarem
Na sua pele, no seu pulso de vida, na sua certeza
Um carmim de sangue
Na minha boca, nas minhas mãos, meu coração.
Pensa que é possível, por que se ainda há sangue, ainda há paixão.
Ainda estamos aqui.

sábado, dezembro 11, 2010

Mensagem.

O barulho da mensagem é um carro de polícia e eu finjo que não ouço. Continuo fazendo o que estou fazendo e sorvendo docemente o gosto do desejo, das palavras que ainda não li. Pensando se é ou não é, fazendo planos.
Isso no tempo do minuto.

Eu confesso,


I'm Confessin'

Lizz Wright

I'm confessing that I love you
Tell me do you love me too?
I'm confessing that I need you
Honest I do
I need you every moment
In your eyes I read such strange things
But your lips deny they're true
Will your answer really change things
Making me blue
I'm afraid someday you'll leave me
Saying can we still be friends
If you go, you know you'll grieve me
All in life, on you depends
Am I guessing that you love me
Dreamin' dreams of you in vain
I'm confessing that I love you
Over and over again
I'm confessing that I love you
Tell me do you love me too?
I'm confessing that I need you
Honest I do
Oh oh oh
Honest I do
Oh oh oh
I really do
Ela aqui.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Por ela.

Sabe duas mulheres negras que são amigas? Sabe uma mais esperta que a outra?
Ela fala pra eu acordar e ir comprar pão e me diz que a padaria é logo ali.
Ela é preta como eu e sabe que eu não iria se a padaria fosse na outra quadra. Então ela fala de um jeito como se fosse ali.
Depois que eu volto eu sei que ela me enganou.
Ela tá rindo na cozinha quando eu xingo lá do portão. Ela ri e tudo nela ri, da minha cara e da andada que eu dei acreditando nela.

Falta,

Eu venho aqui, escrevo, escrevo, mas sinto que falta dizer algo.
Talvez eu não possa.
Talvez eu não queira.

Mas eu estou bem, se querem mesmo saber.

Descobertas.

Eu nem sei se tenho razão. Mas sigo feliz. Sorrindo.
Acontecem tantas coisas entre tomar um ônibus em Osasco e chegar no Grajaú e eu duvido que eu possa ficar melhor do que eu estou agora. A minha vida sempre foi andarilha, cigana. E isso tá em mim, no meu corpo, no jeito que eu amo, em como eu deixo me amarem.
Fico pensando sobre mim, no que invento, no que sou e no que deixo conhecerem. No que escondo. Penso muito sobre mim e descubro, quando acontece algo fora do script, que eu não saberia até acontecer, que eu nunca sei todas as respostas.
Alguém pode dizer que todo mundo sabe dessas coisas, mas escrever, pensar, escrever de novo, conversar, mandar email para amigos, conversar, pensar, tudo isso me faz melhor, eu acho assim. Tem gente que me acha racional demais, outras bobona. Eu acho tudo isso de mim e acho mais, acho que tem coisa que ninguém sabe, nem eu.
As crianças falam a língua dos anjos, e outras pessoas falam outras línguas. A gente tem que exercitar a convivência nesses entendimentos, a gente tem que estar junto, grudado, suado, na lida, para aprender e desaprender, para viver e não ter controle, para controlar e depois se arrepender, para errar, para acertar, para viver, e só isso, que já é tudo, que já é muito, enfim.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Passado.

Eu adoro o passado. Simplesmente por que a gente pode inventá-lo, assim como o futuro. Mudei a cara do blog por que talvez outras coisas não tenham mudado aqui. Quem lembra dele antes vai ficar com saudades, assim como eu. Mas talvez gostem do novo. Escrevam aí o que acharam.

Linda.

Às vezes, só um você é linda muda todo o seu dia. Todo o seu dia. E eu queria ter o dia mudado mesmo. Então tá tudo bem certinho, indo a favor do vento.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Todos os dias, na frente do espelho.

Para todas as mulheres negras que eu conheço.
Yes, you are. Yes, I am.



SuperWoman, por Alicia Keys.


Everywhere I'm turning
Nothing seems complete
I stand up and I'm searching
For the better part of me
I hang my head from sorrow
Slave to humanity
I wear it on my shoulders
Gotta find the strength in me
'Cause I am a Superwoman
Yes, I amYes, she is
Even when I'm a mess
I still put on a vest
With an S on my chest
Oh! Yes
I'm a Superwoman
For all the mothers fighting
For better days to come
And all my women, all my women sitting here trying
To come home before the sun
And all my sisters
Coming together
Say: Yes, I willYes, I can'Cause
I am a SuperwomanYes,
I amYes, she is
Even when I'm a mess
I still put on a vest
With an S on my chest
Oh! Yes
I'm a Superwoman
When I'm breaking down
And I can't be found
And I start to get weak
'Cause no one knows
Me underneath these clothes
But I can fly
We can fly, Oh!
'Cause I am a Superwoman
Yes, I amYes, she is
Even when I'm a mess
I still put on a vest
With an S on my chest
Oh! Yes
I'm a Superwoman.
Tradução aqui, vídeo aqui.

Limites.

Cada pessoa tem um jeito de lidar com suas dores. Mas quando ele me disse que uma carta que eu tinha escrito para ele estava com a exmulher, uma carta que eu nem lembrava o que tinha escrito, mas que segundo ela falava sobre sexo, achei que era hora de parar tudo. Não por isso, mas talvez tenha sido a gota d'água. A tal gota d'água que Chico e tantas outras pessoas falam.
Depois tem mais coisas. E você só aprende botando o bloco na rua, a cara pra bater, tomando chuva.

Carinho.

Ele passou a tarde inteira me fazendo carinho e eu perguntei no fim de tudo onde você aprendeu a fazer carinho assim? me olhou com uns olhões enormes e disse sem vergonha de ser feliz eu vejo minha mãe fazendo carinho no meu pai e meu pai fazendo carinho na minha mãe na hora da novela, assim ó e chegou a mãozinha no meu rosto e me alisou.

Amizades.

"As mulheres negras tem sido minhas melhores amigas e minhas piores inimigas e talvez uma parte do problema, de superar, seja permitir a diferença; não ter uma lista de expectativas do que as mulheres negras deveriam ser [...] e permitir nossas fraquezas. Por que eu penso que estamos juntas e estamo-nos curvando a esse tipo de estereótipo de nós mesmas, que deveríamos ser supermulheres, deveríamos ter isso juntas". (Lynette, Outros Tipos de Sonhos, por Julia Sudbury, p. 187).

terça-feira, dezembro 07, 2010

Floresta Azul.

Ouvindo a música número quatro do cd de Rumpilezz eu fico melhor, me afundo nos estudos e no trabalho e esqueço amores antigos, dores novas e inconsequências. Na verdade, ouvindo Floresta Azul eu chorei, chorei diante de minhas impossibilidades, fraquezas, chorei de alegria e de medo e de vontade, chorei de tristeza, chorei por que sou humana e quando posso, choro.
Eu chorei mas fico melhor, pensando que preciso ficar sozinha e descobrir comigo como é que eu vou aguentar viver. Por que eu nunca tive um milhão de amigos/as e nem quero ter, mas queria descobrir como fazer para não errar nunca com pessoas que escolhi para amar durante os anos da vida que me restam.
Mas, pensando muito nisso hoje, e sei que é impossível por que errar faz parte mesmo do jeito da vida que escolhi para viver, dizendo o que acredito que tenha que ser dito, defendendo as ideias falando.
Saudade de ser criança e errar bem pouquinho por que não tinha que responder coisas e escolher e decidir e ser responsável.

Amor racional.

Depois de 30 dias longe, uma criança me diz assim eu tava com saudade de você, do seu cabelo, do seu brinco, da sua roupa e da sua música Mais amor e objetividade que isso? Impossível para quatro anos.

domingo, dezembro 05, 2010

If was a bird, Floetic.

[INTRO (Talking)] Sometimes blindness finds me and leads me through ignorance not allowing us to gain experience so we become lifeless At other times I cover with self pity or work aimlessly through reality so Occasionally I choose to travel alone but never fulfil my possibility so mostly I attempt to achieve balance by seeking right knowledge of loving and reviewing and eventually overstanding those many lessons of my life [VERSE 1] You got me caught in a stormy eye world of dreams and I beg to see truth and promises you made to me now we’ve come so far but my visions of happiness with you in my life I’m afraid and confused If I was a bird I’d fly [CHORUS] If I was a bird I’d fly away spread my wings so I’d escape If I was the sky I’d let it rain to wash away the pain If I was a bird I’d fly away spread my wings so I’d escape If I was the sky I’d let it rain to wash away the pain [VERSE 2] Now why do I feel so alone knowing I know I have you and what made you turn around on me what did I do and when did love feel this way so much pain and misery where’s the you I once knew and could ya fly with me [REPEAT CHORUS (x2)] Now I can’t stay you won’t need me set me free and let me fly oh fly with me fly with me me fly with me yeah fly oh fly fly [REPEAT CHORUS (x2)] Fly away (music) If I was the sky I’d let it rain to wash the pain (music) Fly away

Dor e delicia.

Agora eu bem sei a dor e a delícia de ser quem eu sou. Gosto e desgosto. Sofro e sou feliz.
A coisa boa é estar viva.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

quarta-feira, dezembro 01, 2010

...

you're beautyfull, que não é o mesmo de você é bonita.
Vai procurar saber.

Engraçado.

Quando a menininha preta tenta abraçar a coleguinha de escola quando esta a chama de nega preta e recebe um empurrão ela empurra de volta. Chamam a mãe. A mãe chegando na escola, pergunta o que aconteceu, a filha fala
mas mãe, eu fui dar um abraço nela, por que ela me elogiou, mas aí ela me empurrou pra trás e eu bati nela
Engraçado, não é? O que é elogio para umas, é ofensivo para outras. Significados. Como quando disseram pro moço
nossa, que sol foi esse, você tá pretão,
Ele respondeu encabulado, baixando os olhos
poxa, obrigado

Chorona.

Choro mesmo, em qualquer lugar. No buzu, na topic, se você me olha ou não, eu choro. No trem e no metrô também. Hoje indo pra universidade um garoto negro de uns nove anos, usando óculos e todo compenetrado entrou na topic e me perguntou algo, depois me disse que ia pra banca e depois pra escola. Eu disse pra ele,
nossa você estuda o dia todo
e ele fez uma cara meio esnobe, nobre missão. Fiquei boba e comecei a chorar quando ele me deu tchau. Sou uma boba, mas por essas coisas eu não canso de ser.

Gone, baby, don't be long.

Música para embalar novembro.

terça-feira, novembro 30, 2010

Tem.

Ainda bem. Tem gentes e coisas de todos os jeitos e elas aparecem quando a gente menos espera na nossa vida. Bom ou ruim, vou seguindo. Dizem que o que escrevo inspira. Eu digo que o que escrevo nem eu entendo, mas a pessoa diz que inspiração não se entende, é pra dar vontade, pra agitar por dentro. Eu gosto disso, apesar de não acreditar sempre.
Depois te dizem também que você é pessoa de olhar doce, olhar que queima, olhar que chama, isso faz bem, mas não é tudo, você precisa também de algum futuro e às vezes você quer ouvir sobre isso, mesmo que também não acredite sempre.
Eu gosto de mim. Talvez isso ajude, e melhore as coisas, e me faça ter mais esperanças sobre o que virá e a vida que tenho aqui agora. E a cada dia que passa, eu percebo que eu preciso de muito pouco para ser feliz, de muito pouco para gostar de mim. Eu quero um elogio, um carinho, uma criança, minha mãe. E a música.

sábado, novembro 27, 2010

Eles.

Não se engane: muitas vezes os homens vão dizer coisas para que você pense que se importam com você mais que você mesmo, mas pode ser tudo mentira. Às vezes, criam teorias malucas dentro de suas cabeças medrosas para legitimar atitudes idiotas, e falam tanto nisso que acabam por fazer outras pessoas - inclusive você - acreditarem em suas sandices. Então, pense no que você quer e como se sente para tomar as decisões certas.
Mas, isso é certo, nem sempre a gente sabe o que fazer e que decisão tomar. Nessa hora, paciência. Tempo. Calma.
Olhando para trás, eu vejo que conheci muitos homens interessantes. Com alguns me envolvi, com outros tive o prazer de estar perto, partilhar coisas, amizades e momentos. Reencontrando um destes ontem, depois de dois anos, sorri um sorriso, ele me disse, vamos nos ver de novo, e eu fui feliz só por isso. A simples ideia de saber que conheço alguém bonito de verdade me faz feliz pra caramba e nem preciso de mais nada, noites tórridas de amor e coisas assim. Continuo achando o relacionamento entre homens e mulheres uma coisa difícil, mas não posso dizer que nunca fui feliz e que nunca esses moços me fizeram feliz. Só estou ficando velha e rabugenta, e isso não ajuda. Ainda existem homens que valem a pena o sorriso, a espera, o desejo e a esperança.
Passando uns dias em Salvador, mas do que só férias e menos do que eu desejava ficar, tenho agora a certeza que me faltava - um pouquinho só, ainda - de que preciso voltar, e de que se isso acontecer daqui pra frente, vou estar pronta, vou ficar bem.
Por que eu não quero dinheiro, eu só quero amar.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Bendengó.

No Museu Geológico da Bahia há uma réplica do maior meteorito encontrado em solo brasileiro. Apesar de ter sido encontrado aqui na Bahia, o meteorito Bendengó foi transferido para o Rio de Janeiro, sob ordens de Dom Pedro II.
Diga se não é uma safadeza. Eu sempre soube que os museus são um dos maiores ladrões do mundo, mas essa foi uma das primeiras vezes que presenciei uma ladroagem interestadual.
Por isso, reclamo: que Bendengó volte para nós, e que vá a réplica para o Rio!

domingo, novembro 21, 2010

Coisa de nego.

Não tem coisa mais bonita que ir do Curuzu ao Pelourinho cercada de gente preta do seu lado no 20 de novembro. Só isso já vale tudo.
E muito.

sexta-feira, novembro 19, 2010

Verdade.

Relendo antigos posts, eu descubro coisas de mim. E dele.
Só espero que agora dê certo.
Mesmo uma noite e nada mais.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Eu queria...

... ter gostado do filme Bróder, mas não gostei.
Queria também entender por que ele me cozinhá há quatro anos, ou menos, ou mais, mas não sei.
... e queria poder dormir sem pensar em mil coisas... queria poder pensar só em uma, mas minha cabeça acelera no compasso do coração.
Mal-me-quer, mal-me-quer.
Nem me quer.

terça-feira, novembro 16, 2010

Permissão Negada.

Eu preferia encher de palavras tua loucura e também te deixar viver serenamente dentro da tua alma (e corpo) escura, mas me parece que querer abraçar o mundo com as pernas é mesmo impossível. A gente se acostumou a “ou um ou outro”, e não tudo junto, e quando a vida nos dá a impressão de que é possível mais de um, a gente se assusta e vai embora.

Eu mesma já fui embora muitas vezes. Essa é só mais uma.

Mas a agonia no coração não vai embora junto comigo. Ela quer saltar pra fora e gritar mais coisas, mais coisas do que já gritou, quer sacudir o mundo com todo mundo dentro pra acordar, ou só pra fazer barulho, sei lá. Só sei que ela não vai embora e eu engano o tempo.

Respiro fundo e espero o tempo passar. Só ele mesmo, vai me aturar.

domingo, novembro 14, 2010

Confessando 30 coisas.

Fiquei pensando no número 30. Então achei que poderia inventar uma lista de coisas que eu gostaria de dizer, de perguntar, de assumir, no dia de ontem (que não escrevi por que conheci Dona Ivone, seu Renato, comi caranguejo e dei muita risada).

1. Eu sinceramente acho que estudar não seja uma coisa chata.
2. Você quer casar comigo?
3. Eu durmo na cama da minha mãe quando estou na casa dela.
4. Quando eu era criança achava que só era possível ser bonita ou inteligente. As duas coisas nunca.
5. Na maioria da vezes, aquelas coisas que você gosta muito de fazer não te dá dinheiro.
6. Eu adoro boliviano e pão de queijo, mas desses que tem aqui em Salvador.
7. Sigo achando que a vida só tem graça se estamos apaixonadas.
8. Tenho muitas saudades de meu irmão e choro.
9. Gosto de roupa curta.
10. Eu me apaixonei perdidamente poucas vezes na vida. E sempre estou apaixonada por alguém, mesmo que não esteja com ela. E sim, eu ainda estou apaixonada por ele. Normalmente, eu fico longos anos apaixonada pela mesma pessoa, mesmo não estando com ela. Isso é um jeito de me equilibrar emocionalmente na vida, acho.
11. Há dias em que não gosto da minha cara.
12. Eu queria mesmo ter oito filhas/os, mas talvez não seja possível.
13. Por que você não casa comigo?
14. Falo muito sozinha, como se estivesse falando com alguém, às vezes, e como se estivesse falando comigo mesma também.
15. Gosto de palavra, mas quero casar com um homem que possa entender meus silêncios e presença.
16. Adoraria ser designer de brincos. Tenho ideias ótimas, mas nunca pensei nisso seriamente.
17. Eu já disse não gosto de você para algumas pessoas.
18. Eu choro em qualquer lugar, basta ter vontade - mas isso vocês já sabem.
19. Eu adoro meu trabalho, mas também adoro não fazer nada. E quero progressivamente deixar de trabalhar até os 45 anos.
20. Gosto de mato, montanha, praia e lagoa, nessa ordem.
21. Passei um tempo da minha vida achando que namorar com mulheres resolvesse meu problema de relacionamento com os homens.
22.
23.
24.
25.
26.
27.
28.
29.
30. Eu sinceramente não lembrei de nada para postar. Então, se tiverem uma pergunta específica, pode mandar bala.

sábado, novembro 13, 2010

Vazio.

Um vazio... no peito, vontade de coisa que não se sabe a falta. Queria gritar, poder me fazer entender. Mas se fazer entender é coisa que todo mundo quer, assim como não trabalhar nunca mais.
Mas ainda falta dizer algo. Ou talvez falte mesmo fazer. Eu ainda não sei, só tenho uma sensação de vazio aqui dentro. E fora também.
É tanto vazio que nem sei direito o que escrever. Essa semana eu tive vontade de chorar por descobrir mais gente ruim no mundo. Gente que vive para ser e ver pessoas sendo infelizes. Isso ainda me deixa mal, mas não tão vazia como hoje.

Brasil 2011: Estado festejará Ano Internacional dos Afrodescendentes distribuindo livro racista nas escolas

Texto de Eliane Cavalleiro, presidenta da ABPN.

A sociedade competitiva e os preconceitos geram uma violência que deve ser combatida pela escola. Ensinar a viver juntos é fundamental, conhecendo antes a si mesmo para depois conhecer e respeitar o outro na sua diversidade. A melhor maneira de resolver os conflitos é proporcionar formas de buscar projetos e objetivos em comum, através da cooperação, pois assim ao invés de confrontar forças opostas, soma-se a diversidade para fortalecer as construções coletivas (Jacques Delors, UNESCO, MEC, Cortez Editora, São Paulo, 1999).

De acordo com Delors, a transmissão de conhecimento sobre a diversidade humana, bem como a tomada de consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta constituem fundamentos da educação. Entretanto, às vésperas do Ano Internacional dos Afrodescendentes, o Ministério da Educação do Brasil rejeita consideração do Conselho Nacional de Educação, que atento às Leis que regem a Educação Nacional, pondera sobre a distribuição do livro de literatura infantil Caçadas de Pedrinho[1], de Monteiro Lobato, que, originalmente publicado no ano de 1933, difunde visão estereotipada sobre o negro e o universo africano, apresentando personagens negras subservientes, pouco inteligentes, até mesmo aludindo a animais como o macaco e o urubu quando se referem à personagem negra, como no trecho: trechos da obra dizem: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão".

Os movimentos sociais negros há tempos reivindicam ação substantiva por parte do Estado brasileiro em políticas públicas para a educação das relações étnico-raciais. Os movimentos sociais brancos e a elite, por sua vez, recusam toda e qualquer medida que visa combater o racismo e seus derivados na sociedade brasileira. Por sua vez, identificam-se setores progressistas da sociedade que lutam pelos direitos humanos, direitos das mulheres, gays e indígenas, mas que infelizmente se calam diante da luta antirracista.

Na questão em debate, de maneira previsível, debocham da pesquisadora e professora universitária e conselheira do CNE Nilma Lino Gomes, responsável maior pelo parecer, que possui formação intelectual que não fica atrás de nossa elite branca, uma vez que possui doutorado pela Universidade de São Paulo e Pós-Doutorado na Universidade de Coimbra, sob orientação de um dos maiores nomes da intelectualidade atual, a saber, Boaventura de Sousa Santos é. Mesmo com esse histórico intelectual, ela tem sido vista pelos racistas de plantão como incompetente e racista ao inverso. Isso somente reforça a obsessão pela continuidade da estrutura racista em nossa sociedade. Sobre o autor, Monteiro Lobato, nascido no século XIX, eugenista convicto, diz-se apenas ser uma referencia clássica. Certamente uma clássica escolha da elite nacional, que do alto de sua arrogância e prepotência acredita que seus eleitos sejam intocáveis e não passíveis de qualquer crítica e consideração.

O MEC tem o dever de combater qualquer tipo de situação discriminatória para qualquer grupo racial. Assim, o que deve ganhar nossa atenção nessa contenda é o fato de que mesmo o edital do PNBE/2010, estabelecido pelo MEC/FNDE, ter traçado como objetivo a “Observância de princípios éticos necessários à construção da cidadania e ao convívio social republicano” e ter estabelecido, conforme anexo III do referido edital, que “Serão excluídas as obras que: 1.3.1. veicularem estereótipos e preconceitos de condição social, regional, étnico- racial, de gênero, de orientação sexual, de idade”, temos um ministro que defende a distribuição irrestrita do livro por compreendê-lo como adequado para a educação de crianças em pleno processo de socialização.

Considerando que os doutos e doutas que administram o MEC leram Jaques Delors, Paulo Freire, Edgar Morin e tantos outros que adoram citar, não se pode alegar ingenuidade por parte da equipe diretiva do MEC, que aceitou parecer favorável à compra e à distribuição desse livro nas escolas públicas, cujo conteúdo fere o próprio edital por eles instituído. O que deve tomar o centro dessa discussão é o fato de o MEC anunciar uma política que vai ao encontro do disposto nas leis e também das reivindicações dos movimentos negros organizados, em nível nacional e internacional, mas na prática permitir o descumprimento de seu edital.

Ao ferir o edital, o próprio MEC abre precedente para que que as editoras, cujas obras tenham sido excluídas por veicularem estereótipos, reivindiquem também a distribuição dos livros excluídos. Por que somente Lobato com estereótipo racial? Que tal o MEC também distribuir literatura sexista? Que tal textos com manifestaçõesanti-semitas? Será que assim a sociedade se incomodaria?

Mas, por enquanto, mais uma vez magistralmente setores conservadores e/ou tranquilos com as consequências da discriminação racial nesta sociedade buscam inverter a discussão, de modo a que o maior problema passe a ser o tal “o racismo ao revés e a radicalidade dos movimentos negros”, e joga-se para debaixo do tapete o que deveria ser o centro da análise: o esfacelamento dos objetivos de combater a disseminação de estereótipos e preconceitos na política do PNBE, MEC.

Sejamos de fato coerentes e anti-racistas, reconheçamos a não-observação aos critérios do estabelecidos no Edital do PNBE/2010, insistamos na pergunta e exijamos do MEC uma pronta resposta: o que de fato ele tem realizado, quanto tem investido e qual a consistência e a efetividade de suas realizações, sobretudo em comparação com o que tem investido nas demais questões ligadas à diversidade e aos grupos historicamente discriminados? Dos livros selecionados pelo PNBE 2010, quantos favorecem a educação das relações de gênero? Quantos promovem o conhecimento positivo sobre a história e cultura dos povos indígenas? Se o MEC tivesse respeito por nós, seríamos informados sobre o cumprimento das metas para a implementação do artigo 26ª da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) (Lei n. 9394/96), que se refere à obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras, indo ao encontro de tratados internacionais como a Convenção Contra aDiscriminação na Educação (1960) e o Plano de Ação decorrente da III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerância Correlata (2001), ambos sob os auspícios da Unesco.
Em 17 de abril de 2008, em entrevista à Agência Brasil, apos receber críticas sobre o retrocesso nas políticas para o combate ao racismo, o diretor do Departamento de Educação para Diversidade e Cidadania do MEC, Armênio Schmidt, confirmou a suspensão da distribuição de material didático e de ações de formação de professores na área étnico-racial em 2007. Segundo ele, a interrupção, apenas externa, nas ações voltadas à questão racial ocorreu por causa das mudanças no sistema de financiamento do MEC. Para o diretor tal suspensão se justificava pelo fato de o MEC estar, em 2007, “construindo uma nova forma de indução de políticas, de relação com estados e municípios, que foi o Programa de Ações Articuladas”. Para ele: “Durante o ano passado [2007] realmente não houve publicações e formação de professores. Mas, na nossa avaliação, não houve um retrocesso, porque isso vai possibilitar uma nova alavanca na questão da Lei [10.639]. Agora estados e municípios vão poder solicitar a formação de professores na sua rede, e o MEC vai produzir mais publicações e em maior número”[2].

Em 2010, além de não percebermos o fortalecimento da política, tampouco a retomada das publicações e uma consistente e sistemática formação de professores, flagramos o MEC permitindo a participação de livro cujo conteúdo veicula estereótipos e preconceitos contra o negro e o universo africano, constituindo assim flagrante inobservância das normas estabelecidas.

O atual presidente Lula, em seu começo de mandato, evidenciou, no campo da educação, a importância do combate ao racismo, promulgando a Lei 10.639/03, que, como já mencionado, alterou a LDB, tornando obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileiras na Educação Básica. Tal alteração contou com a pronta atenção do CNE, que, sob responsabilidade da conselheira Petronilha Beatriz Goncalves e Silva, elaborou as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino das Relações Étnico-Raciais e de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (CNE/CP 3/2004), cuja homologação foi assinada pelo então ministro da Educação, Tarso Genro. Contudo, embora conte com 83% de aprovação por parte da população e tenha ao longo de seu mandato visitado várias vezes o continente africano e discursado eloquentemente sobre a necessidade de reconhecimento do valor dos afrodescendentes na formação de nosso Estado Nacional, ele encerra seu mandato permitindo um declínio acentuado na elaboração e na implementação de políticas anti-racistas no campo da educação.

Se em 2003 podíamos reconhecer, ainda que timidamente, o fato de o combate ao racismo fazer parte da agenda política brasileira; em 2010, devemos denunciar o descompromisso com essa luta. Descompromisso que pode ser percebido pela redução acentuada do orçamento para a educação das relações raciais, pelo enxugamento da equipe de trabalho da Coordenação Geral de Diversidade e Inclusão Educacional/SECAD/MEC, responsável pela implementação das ações de diversidade étnico-racial. Ainda vale ressaltar que houve a retirada do portal de diversidade da rede do MEC; a interrupção de publicações sobre o tema para a formação de profissionais da educação, pelo frágil apoio que das secretarias de educação para o cumprimento do proposto no parecer CNE/CP 3/2004. Essas constituem algumas referências negativas, entre várias outras apontadas pelos estudos sobre o tema.

Nós negros, cidadãs e cidadãos, que trabalhamos duramente longos anos para a eleição do presidente Lula esperávamos mais. Esperávamos mais tanto do presidente quanto da sua equipe executiva que administra a educação brasileira. Esperávamos minimamente que ao longo desses anos a equipe tivesse compreendido o alcance e o impacto do racismo em nossa sociedade. Esperávamos que eles, respeitando os princípios de justiça social, independentemente dos grupos no poder, emitissem manifestações veementes pelo combate ao racismo na educação. Pelo visto as promessas de parcerias e acolhimento das nossas considerações eram falsas.

O que temos como resposta, para além do silêncio de toda Secretaria de Educação, Alfabetização e Diversidade, é o posicionamento por parte do ministro, que não vê racismo na obra, colocando-se favorável à sua distribuição irrestrita, que, em companhia de outros elementos no cotidiano escolar, sabemos, contribuirá para a formação de novos indivíduos racistas, como já se fez no passado. Sem dúvida, o discurso do ministro mostra-se engajado com sua própria raça, classe e gênero. O mais irônico é saber que em pleno século XXI o Brasil será visto como um país que avança na economia e retrocede nos direitos humanos da população negra.

Muitos admiram Monteiro Lobato. Eu admiro Luiz Gama que se valeu das páginas da imprensa em defesa da liberdade dos escravizados e disse, sintetizando nossa ainda atual resistência cotidiana: “Em verdade vos digo aqui, afrontando a lei, que todo o escravo que assassina o seu senhor, pratica um ato de legítima defesa”. O conhecimento é a arma que dispomos para lutar pela defesa de nossa história, nossa existência, bem como do futuro de nossos filhos e filhas. Essa é uma luta desigual, portanto desonesta. Mas ainda que muitos queiram nosso silêncio, seguiremos lutando e denunciando essa forma perversa de racismo que perdura na sociedade brasileira.


[1] Tal obra foi selecionada pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola/2010, que objetiva a “seleção de obras de apoio pedagógico destinadas a subsidiar teórica e metodologicamente os docentes no desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem nos respectivos campos disciplinares, áreas do conhecimento e etapas/modalidades da educação básica” (Brasil. Edital PNBE 2010. Brasília: MEC/FNDE, 2010).

[2] Agência Brasil. Pesquisadora aponta retrocesso na política de combate ao racismo nas escolas. Disponível em: http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=216721&modulo=450. Acessado em: novembro de 2010.