Você que me lê, me ajuda a nascer.

sábado, novembro 29, 2008

Descobrindo Djanira.

Orixás, 1966
Descascando mandioca, 1965
Tá bom, tá bom. Não reclamem. Só conheci Djanira agora. Mas pra me redimir, me apaixonei. Tu tem que ver esses quadros de perto, sentir as cores. Djanira bota pra lá.
Lindezas.

Palavras.

A gente precisa da palavra como o corpo precisa do outro pra deitar e rolar. Precisa da palavra como a folha que quando cai do pé de laranjeira só quer mesmo é encontrar o chão, se abrigar juntinho de todas as outras folhas que caem. solitário é ser gente A gente precisa de palavra pra matar o sono, pra matar a sede de viver entre as gentes, precisa de palavra pra esconder coisas, pra revelar outras, para entender a vida e desentender a gente. Letra é treta, a pele da palavra. Allan Da Rosa.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Quero te ver, bonita.

Ele me diz, no seu português arrevesado, pelo celular preciso te ver, tou com saudade de ver mulher bonita, né? E eu ando ensaiando no passo, sambando de vestido amarelo emprestado no meio do frio, entre lotações apertadas e olhares em cima do decote azul com fundo branco. Sabe quando tu bebe? As pessoas ficam recortadas. E é por isso que às vezes tu não lembra do que fez, por que tu beijou a boca, a boca só, mais nada. Foi naquele flash que a boca merecia ser beijada e sua memória recortada que não sabe juntar pedaços de gente beija a boca, a boca, que depois te liga e te cobra um novo encontro. Vai entender a vida.

Quilombo Campinho da Independência, RJ.

Tinha Estevão, menino preto lindo de olhos-jabuticaba, uns 10 anos, mas ele era tão lindo que não consegui fotografar. Tinha tanta luz e vida que fiquei com medo do flash se apagar e bum o mundo ir junto por causa de tanta beleza que tinha seu sorriso, sua juventude, sua força pra tocar o tambor do jongo (saravá). Guardei em minha memória sua alegria doce de um fim de sábado à noite.

Festa Migh&Day.

2008 tá indo embora, vamos comemorar!
Para aquecer as férias que já estão quase chegando, vamos reunir as amizades e fazer uma grande festa!
Onde? Casa de Migh&Day – Rua Nitra, 64 Jardim Itatiaia, SP (chegar no Terminal Grajaú e subir a Rua Giovanni Bononcini até o cruzamento com a rua Prefeito Paulo Lauro. Entrar nesta rua e seguir direto, entrando na terceira rua à esquerda, que já é a rua Nitra. A nossa casa fica em cima de uma placa onde se lê BRASTEMP. Se nem assim você conseguir nos achar, ligue 83465695 (Migh) ou 85415337/67138260 (Day).
Que dia?
13 de dezembro, às 20:00;
O que vai ter pra comer?
Vai rolar um jantar típico com comida baiana e depois, um churrasco de leve, para manter a boca cheia durante toda a noite. Para isso, pedimos a contribuição de R$ 10,00 de cada convidado/a. Depósito: Agência – 0736
Conta Itaú – 71615-0
O que vai ter pra beber?
O que você trouxer, o que você quiser, o que você preferir.
Além da festa, da gente bonita e da música, vai rolar um amigo desapego, um jeito novo de trocar presentes no fim do ano. Não vamos explicar muito, só pedimos que quem quiser participar do tal amigo desapego, que traga um presente, um presente qualquer, mas escolhido com muito amor e carinho. Aguardem e confiem!
Então...
Jantar típico: 20:00;
Amigo Desapego: 21:00;
Churrasco: 22:00;

VEEEEEENHA!

Isso foi ontem. Hoje é ontem.

Indo para o trabalho, vendo uma criança que apoiava a cabeça no colo de sua mãe, meus olhos marejaram. Senti falta da minha, senti a força de um amor tão bonito que põe a cabeça no ombro e esquece do mundo, que não quer mais nada além de ser feliz ali, com a cabeça no ombro de mãe. Ombro de mãe é outra coisa, por mais que não se fale. Chorei então, e me permiti sentir, mais uma vez, saudade. Não sei mais como fazer com certas coisas, envelheço, alongo o corpo mas o coração não quer saber de mais sofrimento, então eu já disse que não quero mais sofrer por coisa pouca, coisa pouca eu vou ali e falo tudo, boto pra fora e em segundos já estou melhor por que bem mesmo só se as pessoas que amo entendessem que meu amor não precisa de nada, só precisa de amor. De amar. Não adianta ser Migh se tu não tiver jogo de cintura com as pilantragens da vida, com as pessoas que não sabem ser elas mesmas e se irritam com você sendo vinteequatro horas por dia, é quando você olha pro lado e vê que pessoas que estão no seu caminho e que tu dá a mão precisa também aprender a ser só e a parar de ter medo, ciúme e raiva que você entristece um pouco mais, mas, eu lembro de um moço que num abraço apertado me disse que dura eu não ia ficar por que eu tinha medo de ficar dura. Quis ele pra mim, quis roubar sua luz... não entendi. Deixei pra lá. Nos encontramos nos trens da vida. Tem dias que em São Paulo o único encontro que presencio são mesmo os dos trens. Dois trens se cruzando, você já viu? Encontro São Paulo: os vagões que não se olham, não se beijam, não se batem. Correndo, não se sabe quem corre mais, mas sempre é corrido. Vrrrrrum, e lá se foi mais um encontro dos trens. Ele lá, eu aqui dentro. Bem-vindo a São Paulo. Gente que vai e que vem, e gente que na verdade nunca foi, e talvez nunca tenha vindo. Estão aqui, estão-estão. Não sei dar um jeito nelas, por que também não se tem jeito a dar em tudo na vida. Tem coisas que tu empurra com a barriga, coração, cabeça. Finge que esqueceu, sorri, é mentira. Estou cheia de segredos, estou triste. Descobrindo coisas de mim mesma e de pessoas tão perto que não consigo escrever muita coisa, é tanta idéia na cachola que. Lendo Pedro Juan, leiam Animal Tropical, leiam qualquer coisa de Pedrito, ele é pervertido com classe, faz você entender por que pessoas como ele existem, ele se justifica em cada parágrafo; nesse livro, falando de felicidade e liberdade como caminhos, não como metas. Derrubei açúcar na cozinha, dizem que açúcar traz felicidade, derramar faz bem. Não sei. Não senti nada na hora. Se acontecer alguma coisa, eu escrevo aqui. Tanta gente, gente nenhuma. Todo mundo te fala, te elogia, te diz bonita, mas nada aqui dentro acontece. Seca? Dói. Arestas nem sempre são fáceis de aparar, como asas que crescem do dia pra noite, você tenta esconder, como flor no alto da cabeça que você tenta podar. Mas me disseram você é um encanto quero você com seus medos, mas não com talvez quer namorar comigo? E eu me pergunto: por que eu faço isso comigo? Sinto falta de mato, de terra, de barro, de pedra, pau, folha seca, pássaro. Sinto falta e não com hora marcada, quero nadar no riacho, como diz Brown, quero uma casa no campo, quero flor, quero brincar de pôr formiga pra brigar, quero prender aranha no vidro de maionese, marcar hora pra ver lagarta virar borboleta, quero caçar esperança, grilo. Quero natureza entrando e saindo pelos meus poros, quero vida. quero tudo isso mas não apenas num fim de semana e tchau, quero viver sem pressa, quero achar graça nas pessoas que correm quando saem do trem, quero estranhar as agressões diárias que as pessoas se permitem receber e fazer, quero olhar com alma de criança pras coisas, quero ficar só sem ter que dar satisfação de nada disso que escrevi aí em cima. Na lua cheia, abracei Abracei o mar

O melhor lugar do mundo é aqui, e agora.

Venha, chegue mais, chegue mais. Estamos cheios e cheias de amor pra dar, chegue mais. Me diga se tu não ficaria toda boba se trabalhasse numa sala de aula que tu ensaia a música de encerramento e as crianças se emocionam e choram. Reclamar da vida? Eu, hein!

terça-feira, novembro 25, 2008

Ele vai te dizer que não é arte, ele quem, eles, vão dizer que só eles sabem produzir e você tem que consumir, pra consumir a arte deles você tem estudar na escola deles e tem que pagar caro, depois tem os eventos e toda aquela pose, ele vai te dizer que você só entende de arte se suspirar meio tom acima do normal quando chega perto do quadro de fulano de tal, ele vai te dizer um monte de baboseira mas não acredite, a arte não é o que ele diz, é o que mexe, remexe e revoluciona, é por isso que ele quer tanto colocar a arte dentro de um vidro, uma moldura, um pedestal, pra tu pensar que arte é coisa que não pode pegar, amassar, revolver, mastigar, refazer. Eu tou mais interessada em sentir do que dizer.

sexta-feira, novembro 14, 2008

minha preta, que o tempo sempre te traga coisas muito boas. Não porque hoje você faz aniversário, mas porque você merece e o mundo é um lugar melhorzinho com você dentro dele, de preferência sorrindo. beberei uma por você hoje, outra por teu sorriso e mais uma terceira pela saudade. Em suma, acho que vou beber várias. deveria ser feriado uma data tão bonita! Sou eu fazendo aniversário, são as pessoas que me gostam me dizendo tudo que eu tenho que ouvir. Mas eu chorei cedo, lembrando de minha adolescência em Salvador, a gente sem dinheiro fazia uma festa que parecia boba, parecia nada, acordava a pessoa com uma caixa de chocolate na mão e uma carta na outra, cantava parabéns, pronto, era isso, e o dia seguia sem mais complicações. Senti falta, mais do que da caixa de chocolate e da carta, do abraço. E nem telefonemas da França, mensagens de texto da Itália, vão fazer a falta que eu sinto ir embora. Parabéns para mim, então.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Dilema.

Fico aqui pensando: é chato ser gostosa ou é gostoso ser chata? Questão crucial para mais uma terça-feira sem sol.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Bahia de todos os sambas.

03/11/2008 - 08h10 Sambistas baianos mostram o melhor do ritmo regional no Sesc As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações da Folha Online
Riachão volta a São Paulo em shows com sambistas baianos Uma aula de samba -em seus diversos matizes - acontece em São Paulo nos dias 7 e 8 de novembro (sexta-feira e sábado), no Sesc Pompéia (região oeste da capital paulista). Os professores serão quatro importantes sambistas baianos: Riachão, Mariene de Castro, Nelson Rufino e Roberto Mendes, que apresentam as variáveis do gênero da Bahia --partido alto, samba de coco e samba do recôncavo-- no show intitulado "Bahia de Todos os Sambas". Riachão foi o primeiro compositor baiano a ser gravado no Rio de Janeiro após Dorival Caymmi, ainda na década de 50. Suas músicas "Meu Patrão", "Saia Rota" e "Judas Traidor" foram interpretadas por Jackson do Pandeiro. Por anos, entretanto, o nome de Riachão continuou ligado ao "povo do samba", tornando-se mais popular entre outros públicos somente depois de suas composições terem sido gravadas por nomes de peso da MPB, como Caetano Veloso ("Cada Macaco em Seu Galho") e Cássia Eller ("Vá Morar com o Diabo"). Sambista revelação, Mariene de Castro se inspira na música do Recôncavo Baiano Nelson Rufino é um dos principais compositores baianos. Autor da música "Verdade", que se tornou um clássico na voz de Zeca Pagodinho, Rufino já fez parcerias com Jorge Aragão, Martinho da Vila, Noca da Portela, Zé Luiz do Império, dentre muitos outros. Tem dois discos solos gravados: "A Verdade de Nelson Rufino" (2002) e "Cadê Meu Amor" (2004). Tanto o compositor Roberto Mendes quanto a novata Mariene de Castro criam seus trabalhos musicais a partir de pesquisas dos ritmos populares tipicamente baianos. Mendes, que dedica sua carreira à pesquisa e à prática da chula do Recôncavo, ritmo característico de sua região, já foi gravado e cantou ao lado de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Margareth Menezes e Gilberto Gil. Mariene de Castro, cantora da nova geração baiana, recebeu prêmio de melhor disco regional no Prêmio TIM de Música 2005, com o seu primeiro trabalho intitulado "Abre Caminho" (2004). O disco é resultado de intensa pesquisa musical da cultura popular, das canções do sertão e do Recôncavo Baiano. Choperia Sesc Pompéia - r. Clélia, 93, Pompéia, região oeste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3871-7700. Sex. (7) e sáb. (8).: 21h. 800 lugares. Ingr.: de R$ 4 a R$ 16. Classificação etária: 18 anos. http://www.sescsp.org.br/

Extraído de www.guiadafolha.com.br/shows/ult10052u462291.shtml

terça-feira, novembro 04, 2008

Lua, lua.

Goiânia, agosto de 2008. Eu não, sei, menina, sei não, disse ele desvestindo a roupa e entrando de novo debaixo das cobertas, mas é esse olho quando me olha, ele me disse, me olhando, esse seu olho me chama e que chama, acende tudo, eu quero de novo, chega aqui, vem perto, vamos só mais uma vez antes de ir embora e nunca mais a gente se vê, como é mesmo o seu nome? Marina, ah, Marina, eu lembro, sabe que meu pai sempre cantava uma canção quando eu era pequeno que falava de uma Marina que se pintava, mas você não se pinta, seu olho quando me olha não tem pintura mas me devora mesmo assim, tu não precisa de lápis no olho pra desenhar todos os caminhos por onde vão passar meu coração até chegar na calmaria dos teus beijos de novo, eu vou embora, você também vai?, a gente não vai se ver mais, vamos aproveitar então, deixa eu chegar mais perto de você, quero saber o que tem por trás destes olhos que me olham, ou o que eles fazem quando descansam, quando tu dorme quem cuida de quem tu olha e seduz assim, me diz, me conta, ou não, tá bom, não quero saber, a gente não vai se ver mais. Vem aqui. _________________________________________________________________________ O que a solidão me trouxe? A palavra. Hoje sei sorver mais e melhor os doces e as passagens. Hoje sei escrever coisa bonita com dor no peito e no corpo. Hoje sei sumir e nunca mais dar noticia, ser ruim. A solidão me trouxe a calma de uma amanhã ainda solitário, então, coisas pra fazer, livros pelo chão e casa em desalinho, quem se importa? A solidão me trouxe o choro escondido, a fragilidade perene, a fragilidade forte que não assume ser frágil, que só assume as dores quando elas já não doem, a solidão me trouxe as defesas de novos amores, os esquivos de longos amores, as dores de amores que não vão embora junto com a ressaca. A solidão me trouxe. A solidão me leva. __________________________________________________________________________ 3 de novembro. Ali embaixo, rua de baixo, árvores retorcem o cimento da rua. Não passa nada. Três árvores, imponentes, sobrevivem. Eu passo perto delas, admiro suas raízes, lembro que só quem conhece suas raízes pode voar Foi assim comigo. Só quando conheci minhas raízes pude voar mais e melhor. E voltar sempre. Lá em Salvador, na casa velha, lembro que quando a gente foi derrubar a jaqueira no quintal, tinha raiz lá na sala. A gente assistia TV’em cima da raiz da jaqueira, isso por que ela deixava, por que ela quis. E eu gosto de um amigo que diz livro é arvore, é chão, é pão Me satisfaço então.