Você que me lê, me ajuda a nascer.

sábado, dezembro 29, 2007

Admirador secreto admira.


Babel.

Quando você está no meio da Ciudad del Este, num calor que te lembra a sua cidade natal ouvindo pancadão carioca, ouvindo um libanês falar árabe, beijando um italiano e depois atravessa a ponte da Amizade e tem música árabe no carro com mais dois libaneses você tem a certeza que não, a vida não é só isso, tem mais uma paulista ali no meio, o mineiro você beijou mas dispensou, a vida não é só isso. Vou ali treinar a língua.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Foz do Iguaçu.

O que você espera encontrar num hostel internacional? Gente do mundo todo, mas não só você e sua amiga de preta. E é quando um cara de 31 anos te diz que você me faz com que eu sinta o meu corpo quando ele tinha 15 anos que você tem certeza que é manda muito bem. Aha.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Vem aqui.

Jurei Não amar ninguém Mas você se chegou E eu fui chegando também Ele me disse sabe como é, sou tradicional demais não gosto de apressar as coisas você é uma pessoa apaixonante e eu quero curtir isso e enquanto a gente curte isso vamos nos falando e pensando um no outro E eu queria ter coragem de dizer mas eu não quero apressar nada só que agora que você disse isso eu queria que você estivesse aqui pra te dar um abraço apertado depois eu até deixava você ir embora Não falei, entrei no banheiro pra tomar banho e chorar um pouquinho, que é sempre bom. Faz tempo que eu não fico só, e assim eu lembro dele. Do meu irmão. Eu só queria falar com ele. Depois ele poderia até sumir de novo. Não ver nunca mais que dói pra caramba. E eu não sei te dizer o que é, e nem sei te ensinar como agir, é só isso, acabou, não tem mais jeito, não tem o que dizer, são só palavras, e o que eu sinto, não mudará, também serve. Assisti um filmezinho na sexta, "Pensa que é fácil?", coisa assim o nome, e a moça dizia pro cara sabe, não tem diferença entre a gente você passou a vida aqui no seu bairro e eu passei a vida viajando pelo mundo mas nós dois estávamos nos escondendo não muda nada Sou essa moça. Não quero falar mais nada hoje.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Eu dou Bandeira.

Dessa Pessoa que é o Bandeira Que faz florescer tanta Rosa no meu Grande Sertão Dedico esse essas linhas macias Que pelo sim, pelo não Falam um pouco também de mim Do que sou então ____________________________________________________________________________________ Quando estás vestidas, Ninguém imagina Os mundos que escondes Sob as tuas roupas. (Assim, quando é dia, Não temos noção Dos astros que luzem No profundo céu). Mas a noite é nua, E, nua na noite, Palpitam teus mundos E os mundos da noite _____________________________________________________________________________________ João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. Eu particularmente, adoraria conhecer o João. Entre o bar Vinte de Novembro e a Lagoa de Freitas, alguma coisa poderia acontecer. Mas se ele mesmo assim na Lagoa se atirasse, não que isso de todo me desapontasse: adoro homens de coragem, um tanto desesperados e outro tanto tresloucados. Intensidade é a alma desse negócio todo a que deram o nome de amor.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Cansada da Folha de São Paulo e suas mentiras (mentiras não, ditações da realidade, pior que mentira é fazer com que as pessoas pensem que só há uma verdade, a sua verdade). Do Diogo Mainard. Do seu companheiro imbecilóide Reinaldo Azevedo. Da Monica Bergamo. Da Bruna Surfistinha e do filme que vão fazer do livro (livro?) dela. Mas o pior mesmo é um tal de Gustavo Ioschpe. Bleeeeergh. Olha a apresentação do cara num site aí: Aos 28 anos de idade, o gaúcho Gustavo Ioschpe nunca teve o que reclamar da educação que recebeu, mas sabe que, no Brasil, é uma exceção. De família rica, estudou nas melhores escolas do País e graduou-se no Exterior. Ao aprofundar seus estudos sobre educação, percebeu que havia uma lacuna na relação entre desenvolvimento econômico e ensino. Durma com um barulho desses e diga que dormiu bem. Além de outras coisas, ele presta serviços ao Banco Mundial para o MEC. Pode, Zé? O que eu faço? Compro passagem, só de ida. E depois me perguntam por que é que eu vivo sempre, no mundo da luaa. E depois me perguntam por que na minha casa a televisão não tem antena (se tivesse, a lista ali de cima com certeza cresceria). E nem vou ter conversor. Televisão foi feita pra ver filme, ponto. E olhe lá. E depois eu me pergunto por que é que eu assino jornal e revista, pra saber das coisas, pra saber do quê. Alheia e alienação, mesma coisa, mas alheia eu sou mais feliz. E não fico odiando as pessoas e de saco cheio e com problema de saúde. Vou ficar contando pétala de flor que é melhor. Bem-me-quer, mal-me-quer. Mas quer.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Apressada.

Lembra da frase que eu escrevi o amor tem pressa Pois sim, e como tem. Não, nunca liguei muito de não ser correspondida, mas agora a cabeça dói, meu coração pede um pouco de amor, um pouco de amor de manhã cedo, para que eu possa mandar mensagens de bom dia, um pouco de amor de tardezinha, quando o tempo fecha e um onde você está agora? me deixaria com um sorriso nos lábios, e à noite, quando a cabeça teima em doer, eu ligaria para ouvir um meu bem, meu bem, o fim de semana se aproxima... Estarei louca? Estarei louca em ter pressa de amar? Acima e além de tudo, dessa chuva toda e louca, quero muito ser amada. E não posso negar, por que descobri que falar faz bem (curei duas loucuras há pouco tempo só de falar delas, sumiram, sumiram, fingidas loucuras covardes), escrever um outro tanto de bem, mas o que me faria bem mesmo era ouvir um sim, pois não. Não, um sim sem pois não, posto que pois não tem um advérbio de negação, e me deixaria na dúvida, e dúvida eu não quero, já tenho todas que preciso. Sim, estou me sentindo sozinha. Isso é ruim pacas. Pior ainda quando a sua sólidão só tem companhia com a companhia de uma certa pessoa. E eu nem sei se ela me dá bola. Ou se sou eu apressada demais. Mas quando quero, eu quero ver, tocar, sentir, cheirar, e se me quisessem, não iam querer me ver-tocar-sentir-cheirar também? Mesmo com todo o caos do trãnsito (que deveria se chamar parado e não trânsito, posto que não se sai do lugar), com a chuva fora de hora e os ônibus que atrasam, as pessoas que querem se amar não dão um jeito? Só quem tem pressa de amar, você me responderia, eu diria sim, sim. E talvez você emendasse: Quer romance, compra um livro Aí, depois dessa, eu ia passar roupa e pensar nele, que é sempre mais divertido.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Verdade, mentira, verdade?

Carlo Ginsburg, no seu mais novo livro (nem todo turinês é um chato): uma afirmação falsa, uma afirmação verdadeira e uma afirmação inventada não apresentam, do ponto de vista formal, nenhuma diferença Preciso dizer mais? Esse é o único motivo pelo qual eu continuo vivendo. Ano acabando, há quem diga que já acabou. Não pra mim. Tem coisa muita coisa cada coisa que precisa ainda encontrar seu lugar. Como minha mão na sua, cabeça no teu ombro, coração quente perto do seu (se nada mais adianta, respiro fundo e espero 2008 chegar).

sexta-feira, novembro 30, 2007

Simples assim.

Estou com péssimas idéias de títulos. Aliás, demoro mais ali em cima do que aqui embaixo. Normalmente aqui escrevo de uma tacada, voltando só para aparar arestas e arrumar ortografias, gosto de escrever assim na bucha, pá-pum, voltei às cadernetas, por que eu estou aposentando a internet em casa, isso me deixa feliz, por um lado lerei todos os livros e verei todos os filmes que estão na fila para o final de 2007 acabar lindo, limpo. Por outro lado, me assusto com a idéia de não ter algumas informações a tempo, ainda não sei lidar com isso, e com a falta de algumas pessoas que sempre me aparecem na minha caixa em horários malucos, mas que fazer, a internet tem seu preço, e por enquanto não quero pagá-lo. Literal, literato da palavra. Tenho várias cadernetas, para várias coisas, anoto tudo, tudo. Anoto em guardanapo de bar, aliás, é onde eu mais gosto de escrever; estou tristinha por que me escreveram você é um doce num papelzito e eu perdi, meu coração ferido não quer perder mais nada, calma, respira fundo me disseram, você quer que eu ponha Edith Piaf pra tocar, eu disse não, não quero que você saia daqui de perto de mim, então vem, vamos dormir abraçado ali na cama, vem Estou tentando me acalmar, mas o amor tem pressa de acontecer aqui dentro, sei que a queda será vertiginosamente deliciosa, me apaixonarei e não estou preocupada com isso, expliquei para ele que amar faz bem pra mim, que apaixonar-me me faz bem pra vida, ele me disse você não tem 27 anos, e sorriu, e quando ele sorri as coisas ao redor se iluminam, aqui dentro aquece, engraçado como eu sou tão solta e fico sem jeito de olhar pra ele que é tão autêntico, que diz coisas que de tão simples ficam tão tão bonitas como sua cor é linda ou gosto do jeito como você fala, apaixonar faz bem e dessa vez, se não posso muito com ele, queria de novo no cinema poder pegar na sua mão, ele suspira e sorri nas horas em que eu tenho vontade de fazer as mesmas coisas, ele apareceu e se sumir tudo bem, agora eu sei que ele existe e já me disse coisas que valem a pena continuar vivendo. Aliás, é a primeira vez que escrevo tão mal coisas que aconteceram com o meu coraçãozito, essa foi a primeira vez que eu disse tudo que queria dizer antes de escrever aqui, a primeira vez que ouvi tanta coisa bonita sem precisão de serem ditas, o amor tem dessas coisas, não nos preparamos para sorrir e ele vem e inunda a terça-feira, eu não preciso do moço e nem ele de mim, talvez, vá saber, talvez por isso seja tão bonito, é só a vontade de estar ali e mais nada que faz o resto do mundo girar. Respiro fundo

domingo, novembro 25, 2007

Estranhamento.

Choro toda vez que volto de ônibus domingo pela manhã, olhando São Paulo pela janela e as gentes todas, todos mundos, choro de felicidade-tristeza-saudade-incapacidade-solidão. Mas no fundo, me sinto privilegiada. Por amar, sorrir, brincar, comer, dormir, tudo isso e se eu quiser ao mesmo tempo, aqui ou em qualquer lugar. Gosto de São Paulo, gosto de Salvador, gosto de gente me rodeando, me pegando e gosto de olhar de longe gente que se pega, gosto de imaginar a vida das pessoas que vendem bala no ônibus, gosto de conversar com todas elas, gosto de olhar para as pessoas à minha volta no metrô, elas nunca se olham direto nos olhos, gosto de fingir sempre procurar alguma coisa, finjo falar no celular quando estou sozinha, adoro inventar uma vida às vezes, como fazem comigo, pra ficar me perdendo e me descobrir depois. Cada dia que passa, tenho cada vez mais certeza que vou ser escritora. Vou morrer fazendo isso. Mas também queria cantar. Posso compor, então. Dona Mariquinha diz Como é isso, menino? Amor é bicho bom E eu digo Como é isso, menina? O amor são umas pessoas E é uma pena que tanta gente por aí seja tão boba. Eu te amaria mesmo tu sendo bobo, o problema é sua pretensão de achar que é mais bobo que os outros. E se a vida é invenção, como eu sempre digo, gente, vamos inventar finais felizes, enquanto podemos. Nada de chorar amores pequenitos, de estações de ano. Eu quero é que me tomem por inteiro. Despedaçada, sozinha, eu já consigo.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Em trânsito.

Gosto de viajar, e mais ainda, gosto de estar em trânsito. Percebi isso quando me buscaram do aeroporto na última vez: quando cheguei no meu destino, torcia para o carro dar mais umas voltas, não queria parar, gosto mais do trânsito do que da pousada, gosto da idéia de partir e chegar, de chegar para arrumar as malas de novo, gosto gosto. Mas ontem, quando parei para namorar alguém, percebi como faz bem ficar olhando nos olhos de alguém, sorrir olhando alguém sorrir, não será isso namoro, o moço me disse faz tempo que eu não namoro também, é estranho aqui com você e eu sei que ele beija tantas bocas por aí, e eu que beijo outras tantas, mas namorar é diferente, é parar para olhar e nesse olhar deixar todas as coisas acontecerem, bom perder todo o resto do mundo nesse tempo de namoro. Quando sentir muita falta disso, sei que vou ter que dar um jeito na minha vida. E o trânsito vai ser igual via láctea, vou me perder nos carros num trânsito de sexta-feira no centro da cidade grande, carros buzinando e meu tempo parado, dentro do carro do olho de um certo moço. Andando pelo Comércio, Cidade Baixa em Salvador, parei para chupar manga. Numa barraquinha, meio da feira, perguntei pro moço se poderia descascar pra mim, queria chupar manga ali mesmo, adoro cheiro de manga, deve ter sido por isso que amei quando me cantaram dizendo que minha voz parecia manga madura, deve ser por isso que quando vou no mercado sempre compro suco com néctar de manga, adoro essa palavra. O moço devagarzinho lavou, descascou a tal da fruta, tempo suficiente para paquerar e ser paquerada pelos moços na lanchonete, eles também devagarzinho iam trabalhando e conversando comigo, me dizendo que as mulheres, ah, as mulheres, essas não queriam mais saber deles, eu também me lamentava, ah, esses homens, tão malvados... Pierre Verger e suas fotos de gente, porta-retratos da vida. Uma amiga visita a Casa de Pierre em Salvador comigo (pequenita, assim como a praça Castro Alves), me diz velhos têm mapas no rosto E eu disse, escreve isso, caçamba, escreve, escreve, por que eu queria ter pensado isso, todas aquelas marcas que de perto parecem chão do agreste, sertão iluminado de estrelas de tempos antanhos, cada sulco é pedaço de terra que leva e conta histórias deste mundo e de outros, ah, Mia Couto, o que estás a fazer comigo? Leio-te e descubro que não sei nadita da escrita, tu é rei do lugar onde fala, só posso ler-te e embevecer, só posso suspirar para nunca morrer sem ter bebido todas as tuas palavras, néctar de manga. Madura. Então eu vejo que é isso mesmo que eu quero fazer antes de morrer, passar o resto da vida que me falta escrevendo, escrevendo o tempo todo, todo, quer ver? Eu estava no aeroporto em Salvador, e me pus a escrevinhar, uma coisa mais ou menos assim estava aqui sentada, olhando para esses moços e essas moças que estão a limpar o saguão do aeroporto. é madrugada agora. conversam alto, riem, acham graça. são todos e todas negros e negras. a única branca é a supervisora, única sentada enquanto todas e todos os e as outros e outras estão em pé, lavando o chão. também é a única que não sorri, dá ordens. parece não gostar muito daquela festa toda, não deveriam estar macambúzios/as e tristonhos/as por terem que lavar a sujeira dos/as outros/as essa hora da madruga? agualusa está é certo quando fala que festa é jeito de protestar. olho pro outro lado do saguão, já limpo. brancas e brancos tomam café. eu sou a única negra que vai viajar de avião, mesmo salvador sendo uma cidade majoritariamente negra. mas nei lopes já disse isso, não quero me estender. parei de observá-los/as. poderiam ficam sem jeito e parar com as gracinhas. me pediram para mudar de lugar, iam lavar a minha mesa, eu sorri, tentei puxar papo. queria entrar na diversão e quem sabe, tomar uma cerveja na praia qualquer dia com todas e todos eles e elas. deixo pra lá. eles e elas são metidos e metidas. não ligam pra mim. voltam a sorrir, a trabalhar. E eu escrevo e penso tantas coisas como essas, e eu esqueço e eu tenho preguiça de escrever aqui, não sei por que, passa batido. Por isso, se algum dia eu for morrer, quero morrer na praia, de tardinha, escrevinhando qualquer coisa, um laptop na mão e idéias na cabeça.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Blue Rose.

É quando ela canta Maybe she´s just a morning glory Lost in a tangle of vine Maybe she´s just a morning glory Lost in a tangle of vine Que eu fico em paz. Adoro garimpar música. Me faz bem, feliz. Voltei, percebam. Amigos que me amam me mandam cartas e presentes pelo correio. E não é só um. Como eu posso reclamar que não sou correspondida? É coisa de louco: semana passada um exnamorado me disse que me amou tanto e tanto quando eu nem tchuns para ele, isso serviu para acalmar meu coração, é assim que eu me apaixono e não me querem, e eu não consigo ficar triste demais. Triste demais, digo. Tristezinha. É uma pena, como sempre, por que eu queria que desse certo. Mas talvez eu seja só uma menina birrenta e egoísta que quer alguém para chamar de seu. E é normal que se alguém quer só me dar um beijinho não me queira toda nem para sempre. Mas diz aí, nem posso me queixar. Tenho a Liz, tenho a Day, meninotas de nomes pequenos mas que me enchem a vida.

domingo, novembro 18, 2007

Martelando.

Tem uma frase que não sai da minha cabeça. Mas não posso postá-la assim, por que não tem sentido, é frase de uma música que não encontro a letra. Do sambista César Costa Filho, quem souber, me mande. Carvão Molhado. Tem coisa mais chata do que gente que não sabe te explicar tudo direitinho e põe a culpa em você do mundo inteiro não girar ao redor dela? Que que eu faço? Tentei chorar, não consegui, então fui dormir. Não vou ficar levando as dores do mundo nas costas. Dói demais e eu tenho medo de ficar feia assim encurvada. Fico preocupada em medir paixão, mas isso é coisa que não dá. Então fico triste por não morrer de amor, eu levanto, sacudo a poeira e dou a volta por cima assim, como quem toma um cafezinho na esquina. Quero voltar pra casa. Pr'aqui. Pra sempre.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Osso duro de roer.

Assistindo Jogo de Cena, a Andréa Beltrão lembra da infância, você se pergunta o que é representação e o que é real, mas não tenho dúvida que ali ela está falando do que viveu: diz que sente falta da Cidina(chamava-se Alcedina, mas Andréa pequena não conseguia falar o nomão inteiro), empregada que trabalhava em sua casa quando tinha cinco anos, ela diz que sente falta do cheiro da Cidina, uma preta enorme que adorava sorrir, a Andréa mesmo diz que adorava fazê-la sorrir, e quando chegava a hora de ir dormir ela ia pra debaixo do sovaco da Cidina lambendo o açucareiro, não queria mais nada no mundo, só sentir o cheiro dela, fechou os olhinhos e eu ali na cadeira pensando com tanta coisa pra lembrar da infância ela foi lembrar do cheiro da pretona, cadê a mãe dessa menina, deve ter ido trabalhar, mas é isso, ela poderia ter falado da mãe, do pai e das festas e brincadeiras, mas memória é coisa que trai. Assista Ônibus 174 e não verta uma lágrima. Não sei se era a intenção do Padilha, mas não consigo. E também nem tento não chorar, quando vem eu não seguro. Ontem fez um mês, me senti triste no fim da tarde, vai saber. Eu sei. Li ontem o George Clooney falando que sofreu muito com o pai, cheio de convicções e se levantava na mesa do jantar se alguém fazia alguma piada racista, ele torcia para o pai pelo menos uma vez relevar, mas o papai dele era mau, pegava-o pela mão e dizia umas poucas e boas, até nunca mais. E fiquei me sentindo mal quando não mandei um cara ontem, sentado na mesma mesa que eu, ir catar coquinhos. Teve a pachorra de dizer que o apartheid no Brasil foi criado pelo Lula, que as escolas públicas estão infestadas de animais, e ainda sobrou pro garçom, que segundo o dito cujo, não tinha massa encefálica para processar mais de uma coisa por vez, assim como a sua secretária. O sujeito é médico. Do mesmo tipo que matou meu irmão. Depois dessa, decidi não aturar mais isso. Da próxima vez, se pelo menos não disser umas poucas e boas, me levanto e vou embora. Simples assim. Como quiserem: eu acredito, esperançosa e boba, que vai acontecer alguma coisa e bum!, vai mudar tudo. Tenho uma amiga que acha que só vai piorar (é a pioria, nada de melhoria, fessora) e piorar. Tem pra tudo que é gosto. Escolha o que quiser, idéias na cabeça ainda são de graça.

domingo, novembro 11, 2007

Eduardo Coutinho.

Em 2005, saiu carta minha publicada em jornal falando do filme do Coutinho, O Fim e o Princípio. Foi o filme documentário que me fez conhecê-lo; depois dele, tive por obrigação assistir todos os outros (falta-me ainda Santa Marta). Hoje, vi Jogo de Cena. Imperdível. Obra-prima do cinema. Cinemão de quatro estrelas enormes de grande. Qualquer moça da minha idade entra no meu quarto e se assusta. De um lado, foto de Alberto da Costa e Silva, de outro, foto de Coutinho. Amo septuagenários? Nem é isso, mas é o que me disse um ex-namorado, fazedor de filmes: Não tem como ser um bom documentarista jovem, o cara tem que sacar a parada, e demora pra acontecer isso De Coutinho mesmo sei quase nada. A cara dele quase não aparece pra mim, mas gosto de pensar que ele está ali, me conforta ouvir sua voz, sei que no final das contas vai sair tudo bem. Tenho delírios de um dia ser sua discípula, de um dia, pasmem, entrevistá-lo, tenho delírios que me fazem continuar, seguir em direção a tudo que amo (A Via Láctea). Ele estava aqui no Cine Bombril nessa quinta que passou, gelei, não sabia ir e vê-lo e não falar com ele e não parecer tiete, por que eu sou perdidamente apaixonada pelo modo como ele usa o cinema, tranquilamente vai ali e inventa como dizer as coisas, é isso então. Mandei uma carta pro moço, mandarei outras. Coragem, coragem. Chega a doer tanta naturalidade assim exposta (a frase é minha, o grifo é meu, sobre O Fim e o Princípio, dois anos atrás)

terça-feira, novembro 06, 2007

E vírgula.

agora fica repisando essa porra a vida inteira e quem gosta de falar sou eu vc que tá repisando esse caralho porra vc complica as coisas já admiti errei caralhooo pq vc não fala assim: e quero te ver de novo negão, vou tá aih tal dia...tal dia queria sair contigo e conversar fiado não sei onde, dá pra vc? aih eu respondo: sim ou não ou talvez negão, vou tá aih tal dia...tal dia queria sair contigo e conversar fiado não sei onde, dá pra vc? mas nããããããooooooo.... eu perguntei isso da outra vez vc quer uma resposta generica e tu disse sempre há possibilidades não discuto isso o fato da gente se ver claro que eu vou te chamar pa sair num quero porra de resposta genérica caralho nenhum quero q tu preste atenção em mim no q eu faço, ops, no q eu falo e eu nunca quebrei jura nenhuma nunca disse nada que não cumprisse (ainda num deu tempo) *ri* blz vou reparar mais

Eu prefiro ponto. E vírgula.

Fui dormir tarde querendo ir dormir cedo mas o conto me despertou. Escrevinhei tanto e tudo, mas acho que valeu a pena. Por que minha alma, ah, essa nunca foi pequena. Ele, sempre ele que me salva. Me arrebata. Me faz morrer duas vezes e me faz renascer sempre sorrindo. Mas não vou falar dele. Não vou falar mais nada. Da próxima vez, tiro a roupa (dele?) de cara. murro em ponta de faca c quer conversar e conversar e conversar e conversar é talvez seja a desculpa até na hora q é pra gente se beijar pa falar com tu vc quer conversar naquela hora ali que merda não precisava de desculpa porra era só beijar a gente tava junto pá caralho tu num entendeu porra nenhuma ou entendeu não sei diga aih entendi? nem eu tinha entendido e depois eu te disse que eu tinha medo de querer tu e tanto e muito como foi como é que eu ficava pondo panos quentes tu vai dizer, conversa e eu vou dizer, é mesmo por isso queria te ver de novo tem o gostar pa entender isso mas e a poesia do gostar num quero que tu me veja pq eu disse tudo isso se tu acha que já foi já era UHAUhUHAuha como assim a poesia do gostar? vc fica com essa porra de insegurança num tenho mais isso quantas vezes vc perguntou se eu te vi pq eu quero eu sei o que eu quero ou pq eu tô só "sendo legal" eu não sou legal mas num posso enfiar uma faca no seu pescoço não faço nada q eu não queira se vc não acredita q eu posso querer estar com vc inclusive trepar comigo ehe porra pelo menos acredite q eu sou egocentrico o suficiente pra só fazer o q eu quiser e será tudo da lei eu já sei que tu num presta e etc e? mas vc quando te conheci passou a ser aquilo que eu escrevi no conto e foi foda pra mim descobrir pq eu num quero e eu rejeitava isso

segunda-feira, novembro 05, 2007

Arte.

Conversando com um moço chamado Gabriel lá no MAM, em visita ao Panorama Brasileiro 2007 que todo ano "eles" organizam, acho que consegui sintetizar o que sinto pela arte contemporânea. Mandei assim pra ele: Sabe o que é, essa coisa de arte feita agora assim, representando a realidade, tudo bem, mas é só mais uma representação, não me diz mais nada, eu sei que aquele monte de tv uma olhando para outra quer dizer por que eu vivo aqui, nesse mundo, então é isso, tem aquela coisa da arte clássica ser o prenúncio de uma nova realidade, ou brincar com realidades, acho que pouca gente faz isso hoje no campo da arte, sugerir novos olhares, o que mais acontece é que as pessoas pegam os mesmos signos e ficam reinventando, entende? Não sei, mas tu pega o Gilberto Gil com o cd' Quanta e ele já viajava em física quântica e ditava as normas, hoje a gente ouve um cd do fim do século passado e baba com as revelações, para mim todo/a artista é um visionário Ele me animou e disse que muita gente pensa isso. Ufa. E agora há pouco eu li o que pensa a Alicia Fernandez, sobre a questão de gênero e o conhecimento nas escolas, em como a menina e o menino são marcados e devem responder a este ou aquele estímulo. Meninas escrevem no diário por que não conseguem força para dizer o que pensam. Meninos são ousados, são estimulados a isso. Apesar das mulheres serem o grande número em educação, quem escreve os livros e ditam normas são os homens (isso vale também para os sindicatos, grupos de estudo, áreas de conhecimento, etc). Vale a pena estudar o assunto. O que não dá é querer propor uma técnica para fazer isso. A gente só vai conseguir pirar a cabeça das crianças, colocar as coisas de pernas pro ar utilizandos outros jeitos para educar, e não as mesmas fórmulas batidas de técnicas e resultados. É um assunto que me interessa, até por que eu estudo sobre isso há uns cinco anos. E não consegui mudar tudo: o ranço machista impregnado em minha educação escolar e do cotidiano ainda me prejudicam muito. Saber disso já ajuda bastante. Sei contra quem e o quê tenho que lutar. Mas sem adotar uma postura masculinizada, sem caricaturas. Talvez esse seja o maior desafio. Não sei por que escrevi todas essas coisas. Leio muita coisa interessante, o tempo todo. África, racismo ambiental, cinema, Mia Couto, poemas em francês, cartas de amor; esqueço-me de mencionar tantas coisas aqui, reclamo comigo mesma mas não consigo, quando vejo, a vontade louca de contar para alguém sobre o último artigo que li já passou, passou. Deixo pra lá. Me disseram que sou corajosa, e verdadeira. Por dizer quem sou, por falar abertamente das minhas feridas, por não querer mais nada além de um beijo, por não querer me apaixonar de verdade, nem me aproximar. Me disseram que me gostaram mais ainda depois disso. Tentei argumentar que não duraria muito, mas persistem: me levaram flores, foram à minha casa, me agarraram por um beijo, eu solícita deixei, mas será só daquela vez. Não mais.

domingo, novembro 04, 2007

Sobre o passado.

Acordei tarde, gosto estranho na boca. O sol ia alto lá depois das janelas fechadas, senti o mormaço aqui dentro. Dormi em casa, na casa que morei até os meus 18 anos, aqui é só a mãe e uma gata agora. Lembrava dele, do bar, do aperitivo sem graça e da cachaça no bar do lado. Passava das duas da manhã e a gente ainda ali, colega do tempo da faculdade, mesmo curso, coisa que ele me lembrou logo de cara, não, eu não lembrava disso, nem mesmo depois do sexo, mas eu acho que me lembraria de um cara enorme daquele andando nos corredores da universidade, um cara enorme um tanto nerd e cheio de sonhos, era o cara por quem eu morreria e voltaria à vida já naquela época, o cara por quem eu me apaixonaria perdidamente. Naqueles tempos também eu era nerd e cheia de sonhos, talvez por isso nunca houvesse notado o moço, vai saber. Conversamos muito antes de transar no carro dele e eu já o queria só pra mim, ele falando sobre os reinos esquecidos do Zimbábue, sobre Benin e Daomé e eu imaginando ele pondo a toalha no lugar e guardando os sapatos, eu sorria mas não era daquele papo, sorria por que já me via caindo naquela merda de abismo chamada amor, chamada solidão. Mesmo sozinha há tantos anos continuava exigente, eu queria aquele homem sem erros, de óculos com a perna quebrada e que não falava pouco. Me agarrava como se fosse a última coisa que quisesse fazer na vida, como se estivesse esperando por mim durante todos aqueles anos, mas era só impressão minha, eu sabia, era uma impressão para me animar, aquele gosto estranho na boca continuava. Um gosto estranho para um dia estranho, quase cinza. Eu voltei aqui só para buscar umas coisas, documentos e fotos velhas, meu quarto agora servia de depósito, de meu só uma cama e um baú, minha mãe odeia o passado, diz que cheira mal e não há produto de limpeza que dê jeito. Voltei e já precisava ir, não voltei para me apaixonar. Não posso ficar, estou amarrada numa cidade longe daqui, cidade que não é minha mas que é onde agora eu me viro pagando contas e correndo. Não devo ficar, mas pensei em ligar para cancelar o vôo que vai depois de amanhã, alegar um mal-estar com a tal comida típica da cidade natal e pedir uns dias à chefe, ficar aqui. Levantei da cama. Me animei em procurar entre as fotos velhas, aquelas que eu tinha separado para jogar fora, por que não tinham graça, tinham enquadramento ruim ou eram tempos que eu queria esquecer. Mas agora queria ver o que tinha ali do meu tempo de estudante, algum indício daquele moço enorme, quem sabe. Sentei novamente. Encontrei fotos de um último encontro, uma delas foto mal-feita em que só um pedaço de mim aparecia, o resto era multidão. Mas ele estava lá inteiro, dava pra saber que era ele, mesmo cabelo, era ele morando ali no espaço de uma foto que era minha, no mesmo espaço que eu. Mesmo espaço, não no mesmo tempo. Eu não me lembro. Acho que não me lembro nem do que eu era nem o que eu queria naquela época, parece que faz muito tempo mas na verdade foi ontem, eu ainda não cresci e continuo sem saber de muitas coisas, e talvez por isso eu tenha ido embora. O quarto, a casa e a cidade ficaram pequenas para mim, pequenas para a minha desesperança de continuar ali, tentando ser feliz do mesmo jeito que todas as pessoas que eu conhecia. Achava que eu devia fazer algo novo, acreditava que na vida a gente tinha que pelo menos fazer alguma coisa de grande e muito importante, saí correndo atrás disso, mas até agora, só arrumei solidão. Engraçado, na foto ele também parecia me olhar, coisa de doida agora, mas ele estava mesmo olhando na minha direção, olhando na direção daquele pedaço de corpo estático na foto, vai entender. Deitei e olhei pro teto, naquele quarto que tanto me viu chorar nos tempos de faculdade, por me sentir a mais feia da minha classe, comigo as coisas sempre aconteciam depois que tinha acontecido pra todo mundo, todos os traumas de adolescência eu senti também na faculdade, eu nunca achava que estavam olhando pra mim ou que queriam falar comigo por que eu era bonita ou coisa parecida, tratei de enfiar a cara nos livros e fazer o tipo cult-de-óculos-moderninho; desconfio que sempre tive amigas e mais amigos por que fazia as atividades em grupo colocando o nome de metade da sala no trabalho, mas aí eu penso, fazer o quê, a gente sempre paga alguma coisa para ser aceita em qualquer lugar que se queira ir ou estar, nesse caso me sentia feliz de poder pagar com a única coisa que eu tinha que eram as atividades extra-classe, assim o pessoal tinha mais tempo pra namorar, sair ou dormir, além de serem todos meus amigos e minhas amigas, rirem de algumas das minhas piadas e não me chamarem de esquisita por vestir a mesma camiseta durante os cinco anos de curso. Fechei os olhos. Minhas idéias estavam em trânsito, meu corpo flutuando naquele lugar, minhas responsabilidades lá fora, bem longe, depois das janelas e meu coração esbaforido, pronto pra sair pela boca e cair no colo do moço, assim que o visse de novo. O celular estava à mão. O número dele também. Naqueles cinco anos longe de casa, ele me encontrou virtualmente, trocamos números, nunca soube pra quê. Mas agora eu deveria ligar. Chamou duas vezes. Ele respondeu falando meu velho apelido, sem nenhum “oi” ou “olá”. Tentei combinar palavras engraçadas para montar assim umas frases de efeito, daquelas que só pessoas inteligentes conseguem formular na hora da precisão, e perdi o chão quando ele me disse que eu já havia dito bobagens demais na noite anterior. Silêncios. “Mas eu gosto de você”. Silêncio de um lado, respiração ofegante do outro (aqui na minha cidade natal, é ele quem corre). “Apesar de tudo, eu gosto de você, preta”. Falou isso como se não fosse nada, eu gosto de você e é isso, não precisamos de mais nada aqui, tá tudo bem, suporto suas bobagens e sexo bêbado no primeiro dia, como o sol aí fora e você teima em não ver, eu gosto e só, sem adjetivos, penduricalho da gramática que só atrapalha a ação do verbo. Talvez minha impressão tivesse sentido, talvez nossas vidas já fossem uma da outra e estivessem apenas nos esperando nessa cidade, para encontrarem-se de novo, para não se perderem no céu azul, queriam se encontrar em terra firme, olhando nos olhos, sorrindo sorrisos. Agora parecia me lembrar de tudo, até o motivo do gosto estranho na boca, saí correndo daquele último beijo ontem, não tinha mais nada a fazer, mais um olhar dele e era eu dizendo sim, vou casar, ter filhos, uma casinha com varanda, essas bobagens que dizem que toda mulher sonha em ter quando chegam assim na minha idade. Desliguei, desligamos. Voltei a dormir, agora o sono é para descansar de amar, vou abrir os olhos só pra sonhar acordada e brincar de ser feliz, amanhã eu cancelo o vôo. Por hoje não posso mais, alguém me gosta e não preciso entender por quê.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Leminsky e eu.

Pro dia terminar bem.

Eu ia escrever ontem, mas me reservei o direito de ontem só ficar lembrando de tudo que foi bom e que aconteceu só comigo nesse fim de semana. Por que ninguém mais se divertiu tanto quanto eu, ninguém mais sorriu mais do que eu, ninguém mais sabe o que é sentir-se especial do que eu. Ah, eu sou esnobe. Mas com um vestidinho lilás curto e sapatinho boneca, eu sou mais eu. Você também seria, se tivesse as minhas pernas. E o sorriso dele. Teve até anel, que só cabe no meu dedo, depois de tanto peregrinar em dedos alheios, não lhe cabia, e eu não coube aqui de felicidade, acordar e tomar café com alguém que te promete pegar o lixo depois que você varre o quarto é mais do que bom, é fantasia na realidade. E de novo não é pra sempre, mesmo que eu quisesse. E eu queria. Ou quero? Sei não, mas quer saber? Você que me lê já sabe, eu nem te ligo. Vou aproveitar o dia, carpediando por aí. Pra vê-lo de novo, sorrindo todo o sorriso do mundo. Pra que ele acredite que sim, eu sou a mulher mais feliz do mundo, e queira dormir de novo no meu abraço, só por que foi bom e tudo bem assim. Eu gosto. E é só por hoje.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Boca do sapo.

Quanto mais o tempo passa, mais eu não acredito. Continuo viva. Sem mais nada, só coragem e luta. Nem mandiga eu tenho tempo de fazer. Como diz um provérbio de Tzangara, povoado africano: Saudade de um tempo? Tenho saudade de haver tempo. Do nada eu fico me lembrando. Do nada eu choro. Mas continuo viva, agora viva duas vezes e mais do que nunca cheia de forças, por que preciso, não que eu só queira, eu preciso continuar, tenho vários sentidos pulsando e só um por viver, por isso vale todo o sacrifício do mundo, o sacrifício vira prazer para ver um só sorriso despontar, brilha tudo e aquece coração.

terça-feira, outubro 23, 2007

Sobre meu irmão.

Muita gente já sabe que o meu irmãozinho de 20 anos morreu. É, assim, do nada, foi embora. Pá-pum, e eu chorando, chorando. Segurei a mão de mainha, não queria que ela chorasse, mas não teve jeito, a gente chorou junto. Disse pra ela que não ia mais voltar, ela não deixou, filha dela não faz isso, filha dela termina o que começou. Então voltei, querendo ficar, querendo sumir, querendo me esconder. Na semana em que fiquei lá, perto de todas as coisas dele, dormindo na cama que era dele, descobri o quanto éramos parecidos, ele com as anotações do que iria fazer e das suas economias, assim como eu sou obssessiva com poupança, com contas e dívidas. Ele, assim como eu, tinha mais livros, revistas, cd's e dvd's do que roupa. Remexendo nas coisas dele, encontrei minhas cartas, as cartas que eu sempre mandava, sem resposta, mas que eu sabia que ele guardava todas, todos os recortes que eu mandava, sobre algum cd' novo, sobre algum jogo de videogame, pra saber se ele queria, suspirei para não chorar, foi bem na hora que mainha veio me perguntar se eu queria almoço, as coisas dele ainda como ele tinha deixado antes de ir de vez, era um menino tão calado que não enchia o saco nem pra ouvir música, se queria escutar metal nas alturas, punha um fone no ouvido e ninguém no mundo sabia o que ele estava fazendo ali quieto, no canto dele. Diferente de mim, não queria muito da vida. Não cobrava roupa de etiqueta, tênis de grife, viagem no Natal. E sem querer me fazendo ver o quanto eu corria e fugia, me fazia perceber que no final das contas, a gente chegava junto, no mesmo horário, pra ver o sol se pôr, a pressa não iria me fazer mais feliz nem mais sábia, no seu jeito tranquilo era mais feliz e sossegado do que muita gente, não tinha contas a prestar nem a pagar. Foi e deixou um buraco enorme na minha vida, por mais calado e tímido que fosse, estava aqui e eu sabia que ele existia, não fazer mal pra ninguém é melhor do que fazer, e amá-lo era um exercício de desapego, pra aprender que amor é coisa que se dá sem esperar nada em troca, não é prometer uma bicicleta nova se ele passasse de ano, ele nunca caía nessa. Numa das poucas fotos que temos juntos, estamos num carro, ele vai guiando e eu louca no banco do carona sorrindo pra câmera, ele lá olhando pra frente me conduzindo, ele tinha 20 anos e parecia ter nele toda a paz do mundo, como se já tivesse encontrado o que me faltava assim tão novo, assim tão na dele. Choro hoje mas feliz lembro de todas as vezes em que disse te amo, em que tentei em vão abraçá-lo, ele era enorme e não cabia no meu abraço, fugia de vergonha e sempre me falava pára com isso, pára. Acordei noite passada ouvindo sua voz por que só ele era tão durão e me chamava por um diminutivo tão doce, e eu penso que eu não vou conseguir mais viver um só segundo tendo a certeza de que não vou mais ouvir aquela voz me chamando, mas então durmo mais um pouco e acordo tendo a certeza de que sou mais feliz do que muita gente, por que o conheci, e por vinte anos tive o enorme prazer de tê-lo perto. Coisa que muita gente nesse mundão não vai mais poder ter. E da última vez que o vi, pedi pra dormir com ele na cama de casal que ele tinha roubado da minha mãe, ele meio sem jeito não queria, até que minha mãe pediu e ele deixou, eu toda boba no meio da noite mudava de posição só pra ver que ele tava ali do lado, dormindo junto comigo, sono pesado. E quando eu cheguei lá dessa vez, fui dormir na cama dele, no lugar que era dele, com o cheiro dele, mas foi tão estranho: o abraço que eu sempre pedia quando eu chegava e quando ia embora, e que ele sempre sem jeito me dava, naquele dia eu senti aquele abraço, mas um abraço com todos os jeitos, eu me senti dormindo no colo dele, me vi dormindo no colo dele, que também dormia, flutuando junto comigo, castelo de sonhos. Não vai ser fácil deixar de chorar, vai ser impossível esquecer.

quinta-feira, outubro 04, 2007

quarta-feira, outubro 03, 2007

La vache: description La Vache Est Un Animal Qui A Environ Quatre Pattes Qui Descendent Jusqu' À terre. Só eu tenho um livros de poesias sobre todos os bichos do mundo em francês. Aha. Mas sabe o que é? A Prefeitura de São Paulo divulga que vai melhorar as linhas de transporte da zona sul, retirando os ônibus dos bairros e realocando-os nos terminais. Isso é bom? Não é, a gente fica com opção de ou ir para o terminal ou ir para o terminal. Como quando daquela vez que falei que as crianças tinham que aprender a ler para tomar o ônibus certo, piada velha, no que uma me respondeu, cara mais lisa: Pra quê, aqui só passa Terminal Varginha Durmam com um barulho desse. E dizem que é por que tem assalto demais nas linhas desses bairros. E é assim que se resolve, confinando as pessoas, retirando delas o direito de ir e vir (sim, resolve, como disse da outra vez, matemos os nossos irmãos nas perifas e saiamos do centro, não entenderam que eles querem revitalizar o centro e isso significa nada de pobre circulando por lá?) Tá vendo por que eu tenho livro com poesia de bicho traduzido pro francês? Senão eu piro. Pouca realidade é bobagem.

terça-feira, outubro 02, 2007

nunca te respondi, pois achei que não devia. Nosso encontro foi curioso e divertido. Gostei mesmo. Seu jeito extrovertido e sincero é encantor. Entretanto, existem coisas encantadoras que perdem sua luz após uma noite de sono. Não que você seja uma pessoa desinteressante (em todos os sentidos), ao contrário, porém, creio que não possuímos pontos em comum que façam que marquemos um outro encontro. Desculpe a franqueza, mas não temos nada há ver um com o outro. Não é frieza paulista, é só uma constatação importante. Espero que você seja feliz! Creia em mim, existem paulistas que são legais. Abraço. Tirem as conclusões que quiserem, foi só o que ele disse. _____________________________________________________________________________________ Ah, fessôra, minha mãe vai me mudar de escola Por quê? Por que aqui nessa outra dá leite Num escreve bilhete pra minha mãe não Por quê? Ela me bate de mangueira Meu padrasto num gosta da minha mãe Por quê? Por que ele bate nela, na frente da gente Eu não li, eu não assisti, eu sou a nêga drama, eu vivo a nêga dramaa, diria o Brown. Depois não querem que que eu chore, chore de soluçar, escondendo o rosto na toalha, depois de uma ducha, imaginando o que estará acontecendo na casa dessas crianças, na hora que eu chego em casa, almoço, leio livros e vejo filmes.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Sólidão, que nada.

Ouvindo músicas que funcionam como campainhas de memória. Meu corpo tem memória também, ele responde a tudo isso de um jeito estranho e inconveniente. Se por um lado me sinto só e desesperançada (quando será que terei um homem para chamar de meu?), por um outro lado afasto qualquer possibilidade de felicidade a dois. Quando é perfeito demais, caso desse caso bem do acaso que me apareceu começo de ano, eu nem te ligo. A gente simplesmente não brigava. Fizemos caminhada, líamos livros, comentávamos filmes, dormíamos e acordávamos sem sentir chateação, parecia meu, parecia tão simples estar ali, mas eu nem tchun pra ele, passou. E mais um outro, agora que me lembro assim, também era tão-tão suave, que começo a pensar que só quero algum amor que me deixe sem graça, sem chão, amor ameno é morno e é maldade passar o resto da vida zen de tudo do lado de alguém. Mas chegou um outro, esse todo bagunçado, e desse eu gosto, meu coração suspira. Por que ele me desconcerta, fala coisas que eu não quero ouvir, me cutuca. Sou eu a menina mais estranha do mundo? Que nada, sou comum demais, por isso me protejo do que conheço. Sei que vou me esborrachar, quero só tomar cuidado pra não doer o bumbum. Algum cuidado é sempre bom.

domingo, setembro 30, 2007

sexta-feira, setembro 28, 2007

Nordestina.

Como disse João Cabral de Melo Neto: Sou nordestina, não gosto de coisas abstratas. Não é que a gente não goste, sabe, é que a gente não entende, e amor pra gente é semeado na chuva, tem cheiro de terra, conversa no pé do fogão e banho antes de ir dormir pra ir dormir sem roupa, sentindo o sereninho da noite, o calorzinho dos trópicos que queima também o coração. Acaso será por isso que meu coração esquenta toda vez que penso no moço que mora mais perto dos trópicos do que eu? Acaso será a geografia também um mal de amor? Ou será certamente toda e qualquer ciência mal de amor, bastando para isso estar enamorada? Não sei ainda. E quem souber, não me diga. Corro o risco de começar a ficar abstrata demais. E de tão abstrata, posso me dissolver, me liquefazer aqui para renascer lá, pelo simples motivo de estar apaixonada.

quinta-feira, setembro 27, 2007

by Nana'.

Pai.

Não é que ele falava tanto, mas uma frase boba que ele dizia sempre hoje me faz lembrar tanto dele, quando olho ao meu redor e tanta coisa triste e chata acontece: Do tempo que eu nasci, e ainda tou vivo Tenho 26 anos e uns tantos dias, quase 27, e quando chego em casa fico imaginando o quanto de coisa poderia ter acontecido comigo mas não aconteceu, e por isso ainda tou aqui, viva. Todos os dias eu pego lotação lotada, me amasso, amasso livros e sonhos ali dentro, ou então lotação vazia que corre feito louca, mas eu sempre chego, isso já fazem uns três anos, eu sempre chego, nada de muito diferente disso acontece, e eu trabalho, tudo vai seguindo, uma coisa aqui outra ali, já diz minha professora que defende o cotidiano não-rotina, então não é rotineiro o meu dia-a-dia, mas nada demais, como flores no fim da tarde ou alguém descendo de balão se declarando pra mim, ou um simples pedido de casamento, nada loucamente fora do real, tudo vai seguindo até que eu tenho que encontrar a lotação lotada, descer no ponto, talvez comprar pamonha, às vezes eu estou enjoada de pamonha mas também enjoada de pão com ovo e catchup, então não sei o que faço, mas a lotação tá vindo e não dá tempo de pegar as moedinhas para comprar a pamonha, o moço cobra um real e vinte e cinco e eu fico zangada por que tenho que procurar as moedas, ele sempre diz leva duas e eu sempre digo se eu já nem aguento com uma, talvez se você vendesse uma e meia, mas de qualquer modo eu teria que pegar uma moeda de cinquenta centavos se fossem duas então não é vantagem, e é nessa hora das moedinhas que fico com medo de perder alguma coisa, eu sempre tenho medo disso, e fico apalpando a bolsa para ver se não perdi nada, mas a lotação chegou e eu entro e me amassam de novo, eu sorrio, eu acho graça de tudo isso por que nunca perco nada, está sempre tudo ali e inteiro mesmo quando me amassam, passo o cartão, desço pela frente por que está sempre cheia, abro a porta de casa, ouço música, tomo banho, ligo para alguém, estudo, fico aqui, depois vou dormir e aí, não é incrível que eu ainda esteja viva? Não quero morrer, só acho fantástico cada segundo que passo nessa terra. Isso é motivo para sorrir, mas todo mundo acha estranho quando eu danço junto com a música que eu ouço nos fones de ouvido, nem-aí.

terça-feira, setembro 25, 2007

Mesa de trabalho.

Departure.

É difícil arrumar as coisas, ir embora, tudo isso. Eu, minhas coisas, parecia um negócio só, mas agora, quando eu tenho que fazer tudo caber nessas duas malas tão pequenas, eu vejo o quanto de mim vai ficando por aqui, vai ficando sempre, todas as vezes que tenho que partir. Foram algumas vezes, todas sempre dolorosas, com direito a trilha sonora e lágrima de adeus. Agora parece diferente, mas no fundo, é como da última vez, em que eu tive que deixar o “tal moço perfeito” naquela “linda cidade”. É como da última vez, por que nunca teve despedida, eu sempre fujo de despedidas, eu corro de mim mesma em estações de trem e terminais rodoviários, aquela pessoa ali não sou eu, é alguém indo embora para algum lugar que ainda não lhe pertence, e eu não sou aquela pessoa que corre, eu sou mais que isso, enfim, eu sou. Cada item que levo me lembra algo que eu queria esquecer muito, ou talvez lembrar sempre, para não deixar acontecer. E tudo que vai ficando, também me lembra e me faz esquecer tantas outras coisas, de mim, dos outros, dessa casa, da vida. Ainda não aprendi a lidar com isso, lembrar e esquecer, nunca sei a ordem. Não há escolha, a ida para uma grande cidade é também culpa minha, quando disse para mim mesma que deveria experimentar novos ares, dessa vez mais poluídos que todos os outros onde vivi. Pensei que não ia dar certo a tentativa de emprego, me diverti com a idéia de acordar 30 minutos mais cedo por causa do ônibus lotado às 7 da manhã, achei que funcionaria se eu fingisse não ligar. Mas enfim, aconteceu, deu tudo certo, emprego e apartamento, tudo assim arranjado em uma semana, propostas que não se podem negar, sob pena de padecer por ingratidão. Então, como que prevendo todo esse fim, deixar uma cidadezinha que não me trouxe novos amores, mas me ensinou a amar-me mais e melhor, comprei ontem um vinho. Na verdade, ele foi comprado para celebrar a união de um casal de amigos, velha união que todo ano se refaz, mesmo com todas as queixas numeradas em ordem crescente, haja vista a organização da garota com essas coisas do coração. O casal não apareceu, e eu fiquei aqui, dose de vinho, Carlos Gardel na cabeça tocando todos os seus sucessos e me fazendo lembrar das saudades que senti do “tal moço perfeito”, logo depois que fugi da “linda cidade”; se não há o que comemorar, também não há o que chorar, é assim, mas vida morna é tão sem-graça, então bebi mais vinho e fiquei sensível, o bastante para ligar para ele e só ouvir a voz, por que ele me conhece e sabe que sou a única a fazer isso, todo mundo tem alguém único para fazer isso, eu só queria naquela hora ser a “tal moça perfeita” e não o contrário, mas vamos esquecer disso, por que amanhã o ônibus sai às 6 da matina e eu quero estar aqui, firme e forte para encontrar o barulho dos carros, o cheiro típico de café feito às pressas em barraquinhas que esperam muita gente, o ar poluído da nova cidade, ah, o ar poluído, o que faz com que tanta gente volte de lá, mas eu estou indo, de cara limpa ao encontro do ar poluído, do barulho, e do café.

sábado, setembro 22, 2007

Terra.

Pé no chão. Sabe quem é a pessoa mais-mais de todas? Não é a que viaja o mundo inteiro pra se encontrar. É a pessoinha que mora no interior de qualquer lugar do mundo e já sabe disso, sossegado fica debaixo de um pé de manga tomando fresca. Pisa no chão sem chinelo, tira fruta do pé, sente a terra, água e fogo, ar, não são símbolos, é vida pulsante e estão bem ali, fazem parte daquele seu mundo, grande mundo. Aquela sim é pessoa sábia, não precisou girar o mundo pra saber que felicidade é dentro, conhecimento é aquilo que a gente aprende sobre a gente e as gentes todas. Felicidade é um trabalho interior. Então, eu descobri que não preciso parecer feliz o tempo todo. Eu só preciso estar bem aqui dentro. E se eu quiser chorar ou ficar melancólica, tudo bem. Tá bem assim, sabendo quem eu sou, sabendo onde guardei minha felicidade. Então... Case-se comigo Antes que não pareça Um bom pedido Case-se comigo Antes que eu padeça Case comigo Eu quero dizer Pra sempre Que eu te mereço E eu me pareço Com o seu estilo Existe um forte pressentimento Dizendo Que eu sem você É como você sem mim Antes que amanheça Que seja sem fim Antes que eu acorde Meu príncipe, Meu hóspede Meu homem Meu maridoo É Vanessa da Mata pedindo, mas eu assino embaixo. Acho lindo pedido de casamento, mesmo que não se aceite, acho bonito pedir em casamento, acho romântico, acabe comigo amanhã, mas me peça em casamento hoje.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Circunstancial.

São Paulo é circunstancial demais. Fortuita. Fugidia. É a cidade que te oferece alguém extremamente interessante por algumas horas, fila de cinema ou ônibus lotado. Depois, acabou. As pessoas aproveitam para serem elas mesmas, e no começo, você acredita que tudo aquilo vai virar uma grande amizade. Mentira. No máximo, você pode encontrar com ela algumas vezes, muito rápido, fortuito e fugidio, ela vai te pedir teu email, vai te escrever mensagens curtas, vai te esquecer. Mas se você não aguenta, pra quê veio, vai embora. Assim como a Noite do Terror no Playcenter, a moça paulistana vira e me diz, não quero passar ali, tem uns cara vestido de monstro, mas não é medo, é que eles ficam pegando na gente Aí tu desiste, toma uma cerveja e vai dormir. E hoje eu repeti tanto que sou feliz, mas me permiti chorar umas lágrimas de solidão, assim na boca da noite. Por quê, tu vai perguntar, mas eu não sei, quando eu quero chorar eu choro, nem ligo pra quem tá do lado, as lágrimas vão caindo e eu nem ligo, limpo com a palma do rosto e empino o nariz, e se alguém me perguntar, eu vou dizer, nada não, é só saudade, mas no próximo ponto eu desço e passa. E nessa hora eu fiquei pensando em chegar em casa e ligar pra tu e dizer que eu tava me sentindo só, mas o que tu poderia fazer, nada, nada, ia só te atrapalhar a noite, resolvi tomar um banho morno e ouvir Cartola, emendar o Dylan, ligar e ouvir tua voz ia me encher de coragem, mas mas mas e aqui tinha que ter um ponto. Pronto. Hoje, dia de correio na escola, e minha aluna escreveu um bilhetinho pra colega de sala: Você gosta de bichinhos. Eu gosto de você. Achei original, estilosíssimo. Bobo, pequeno, simples, por isso, original. Limpo o rosto com a palma da mão, ninguém tá vendo.

terça-feira, setembro 18, 2007

Minino Bunito, aaai.

Eu sei onde tu tá. Num dianta se esconder. Enquanto isso, vou pitando o cachimbo de Drummond. Escrevinhando nas paredes igual Lemisnky. Não tenho pressa. Quem tem raiva é o amor. O meu. Que é seu. E não te importa. Aha, escrevi pra ele numa carta que nunca cheguei a fazê-lo ler (por que pôr-do-sol na Ribeira acabou e ele não chegou, partida de futebol e telefone sem torre pra dar sinal): No terreno da escrita, sou rainha, mando bem em verso e prosa Devia ter completado: Mas perto de tu desmancho Igual caldinho de sururu Meu coração na tua mão quente Vivo E sangue Pulula Bate lá no céu da boca Volta pra embrulhar estômago Ai Nem ia escrever isso. Deixa pra lá.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Na paz.

Não tenho mais preocupações. Já sei que o homem que eu sempre quis perto existe. Sorri bonito, gosta de cerveja e de crianças, faz mil coisas ao mesmo tempo e é lin-do. Lin-do assim dito beeeem devagar, como vento quando bate no rosto da gente descendo a ladeira, é assim a lindeza dele, por isso eu sou feliz só por que ele existe e fim, ele nem precisa ser meu e eu sou feliz, não precisa me olhar e sou feliz assim assim, pela graça de amar agora, amar hoje e sou feliz, amor e nada no bolso ou nas mãos, quero seguir vivendo, e vou sorrindo, por que amo, por que ele existe. E eu vivo chorando. Quase sempre se tem criança no meio eu choro feito boba, entro na lotação e vejo mãe chata que briga com criança, choro. Eu sou boba demais, deveria andar com camiseta escrita essa frase para não assustar as pessoas com meu choro, por que se eu quiser chorar eu choro mesmo, assim também como quando eu quero sorrir eu mando ver, então deve parecer loucura, mas quem liga? E quanto mais a gente lê mais exigente a gente fica pra escrever, tu fica refinada e metida a conhecer estilo de escritor, escritora, ahá. Terminei de ler Pedro Juan de novo, eu gosto dele e tudo e tal, mas aí tu lê três, quatro livros e fica falando, ah, essa vírgula aqui, aha, eu me divirto com isso. Eu só sei que mais se escreve mais se quer apagar tudo, mas se aprende da gente mesmo, é uma viagem interior, e depois tu não sabe por que tu tá melhor, por que tu é feliz, mas eu te digo, acho que é bem por essas coisinhas simples, poder ler um livro, tomar um bom vinho, assistir um bom filme, chorar por criança, lavar a alma, não deixar nada engasgado, sorrir, sorrir de novo (e muito!), brincar, ouvir música, comprar um brinco novo, tudo isso e mais aquilo que eu disse lá em cima, que é conhecer assim tão cedo o homem que com certeza me faz feliz, mesmo longe, mesmo sem tempo e cheio de conversa mole pra meu lado.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Burocracia.

Eu juro, foi sem querer. Tive que mandar um e-mail todo profissional, cheio de "vossa senhoria" e coisas e tais, mas esqueci-me de apagar minha assinatura pessoal, que é este famoso endereço aqui. E o e-mail seguiu, lindo e faceiro, foi pousar na caixa da vossa senhoria, moço de 38 anos infeliz no casamento, pelo que me consta até aqui. Passaram-se duas semanas, e ele me escreve: Por que fizestes isto comigo? Já não consigo dormir, sem ter você aqui, na minha tela. Por favor, escreva alguma coisa. Vou ficar maluco Achei engraçado, estava quase deletando o dito e-mail quando li tudo isso aí em português claro, sorri e tentei responder de volta. Nada. Não consigo, não entendo. Deixei pra lá. Mas ontem ele veio com mais uma das dele: Você deve estar viajando, eu sei. Longe? Onde você está? É possível escrever alguma linha? Já li tudo, de todos os modos, desde o primeiro mês até agora. Preciso de mais de você E mais um outro: Enquanto ela dorme, venho aqui e abro a sua página. Digito seu nome no google e descubro coisas de você. Posso ter uma foto sua? Como? Quando? Eu sei que é ele, a vossa senhoria, por causa das iniciais, e por que ele me chama de sra. último-sobrenome, do jeito que tinha me escrito pela primeira vez, quando tudo era assim profissional. Da última vez que isso aconteceu comigo, tinha escrevinhado qualquer coisa para os Correiosweb, eu reclamando com o moço que o atendimento eletrônico era muito "eletrônico", e todas as vezes que eu me lamentava o moço de lá respondia: Desculpe-me senhora, devemos ser imparciais nas nossas conversas via e-mail, afinal isso aqui é um trabalho Ele respondia mais ou menos isso, e eu não menos safadita escrevinhava um ai, ai, ui, ui, só pra ver ele me mandar outro e-mail, se lia ali que ele estava doidinho para continuar tudo aquilo em outro lugar, não sei por que não tomava coragem, também, não tinha como saber se eu era feia ou bonita, só os meus ais ais uis uis não diziam muita coisa, só que eu era safadita, mas poderia ser tudo fake, então desistimos de tudo, de vez. Acho que dessa vez, vou me divertir de verdade.

terça-feira, agosto 28, 2007

Sobre nomes e coisas.

tem gentes por aí ó, gente que nasceram poesia se descolam do papel com facilidade aprendem a língua falada e viram pessoas que transitam no nosso mundinho demora pra perceber mas elas andam por aí e se tu topar com uma delas sorria seja gentil e deixe-as passar elas estão quase sempre apressando-se lentamente para o encontro inesperado com a felicidade todas essas pessoas têm nomes que dariam lindas letras de samba eu Caio na dança eu me encho de alegria.

segunda-feira, agosto 27, 2007

é taí, foi pra tu que eu guardei o tal amor infinito.

Esqueço de escrever. Escrevinho em tudo que é lugar, e esqueço disso aqui. Mas acho que eu tou bem, tou inteira, vivão e vivendo, tou em paz, então. Tou aqui, guardando amores infinitos, roendo unha, esperando o guarda-roupa chegar, a vida passar, eu cantar coisas de amor. Não esperem por mim, antes esperarei por vocês, na chuva, na saudade, na lida. Por que Cecília disse, e eu assino embaixo, que essa vida só é possível reinventada. E foi Carlinhos que pediu o pito pra Mariquita, só pra ver o infinito. Ouvindo tudo isso, que deveria eu dizer de você? Dizer que te escrevi uma história, te fiz final feliz e tenho esperança de morrer segurada nos teus braços? Deixa pra lá. Vou dormir agora. Mas não pra sonhar com tu. Isso eu só faço acordada. Quando eu durmo, eu descanso de você. Por que te amar o tempo todo me dói a cabeça e o coração.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Música,

Se não fosse chato, eu escreveria todos os dias aqui uma música, eu sempre tenho uma na cabeça... agora é... "se você quiser eu vou te dar um amor desses de cinema...", essa coisa boba que é o cinema na minha vida, e o amor. Devo estar meio chatinha por não ter conseguido ver um filme sequer na telona esse fim de semana, estou tentando não lembrar disso senão piro, quando isso acontece eu nem abro o guia do fim de semana por que senão me dou um tiro no peito, fico pensando como é que essa coisa pelo cinema me assaltou, lembro que iniciei com Kill Bill, lá no Gemini, eu sei, foi em 2004, pouquíssimo tempo, mas peguei um desses livros de "Os 100 filmes que você não pode deixar de ver antes de morrer", e rabisquei um visto em 87, sou dependente. Cinema, brincar de deus, disse Fellini. Pá-pum, escrevi de vez o conto que tava engasgado aqui na goela, saiu no meio da aula no sábado, mas não que eu não estivesse prestando atenção, se bem que agora estou cansada de ouvir elucubrações sobre as teorias modernas trazidas da Europa, ou pelo menos, inventadas na Europa. Tudo isso eu já vi, eu nasci, há dez mil anos atrás. O conto ficou bonitinho, mas tenho data pra postar, data final de mês de outubro por que é dia especial, pelo menos agora nesse mundo que eu vivo (ou que eu inventei, como queiram). Eu sei que tem alguma coisa no ar, a mãe da minha amiga me contou que quando viu o futuro marido dela lá de longe, disse para a amiga dela que tava perto "eu vou casar com aquele moço", eu não disse pra ninguém, mas eu sei, eu vou casar com aquele moço, sinto até as dores do primeiro filho que a gente vai ter junto e sei que ele parece bagunceiro mas vai arrumar a toalha no lugar só por minha causa, eu sei. É só uma questão de tempo, como tudo na vida, e como mais ainda na minha vida.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Banza.

Tou com saudade. Sódade, para dizer melhor. Da minha mãe, da minha casa, do cheiro de lá, de tudo de lá, de lá. E chorei um choro contido, queria ter coragem de ligar pra ela e dizer quero ir embora, mas não sei como dizer te amo, então finjo que ligo e choro no banheiro escondida do trabalho, pra depois todo mundo me perguntar se também peguei conjutivite, e se estou fungando por causa da gripe. Estou apaixonada, e dessa vez está durando tanto que não sei o que fazer com isso, coração fica pequeno para tanta coisa, e fico chata, e reclamo com o mundo, e sem paciência, vou ficar quietinha, vou esperar o tempo passar, trabalhar, comer, dormir e esperar, esperar.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Perdida.

Não se espantem. Se por algum acaso da vida eu largar qualquer coisa minha na sua casa, não é maluquice. É que quando eu me sinto a la vontê, penso que posso me espalhar, deixar as coisas por ali, por que é como se fosse casa minha, não me preocupo... do contrário, guardo e conto tudo, é assim. Se eu perder alguma coisa na sua casa, por favor, me devolva, com um bilhetinho escrito coisas do tipo "obrigada por me considerar da família", ehe. Mas o contrário não é verdade, se eu não esquecer nunca nada também não quer dizer que eu não te ame, não deixe a lágrima cair. É que eu preciso de tempo, pouco a pouco as coisas se ajeitam, e se você for uma pessoa legal, eu vou notar. Eu sou sensível, sabia? :-P Quando fico feliz, não me controlo e te escrevo. Ah, mas quem liga? Hoje eu dancei James Brown e Cab Calloway em pleno horário de trabalho, com mais 28 crianças me acompanhando. Funk, funk, mister Hancock. Isso me faz jogar todas as minhas teorias para o alto sobre a vida, e te escrever, só pra matar a saudade. E que todos os mestrados e despejos do mundo inteiro se danem. Eu queria só ver você sorrir.

sábado, agosto 11, 2007

Bodelé, Benjamim e Certeau.

Por que eu quero ser mais flaneur e menos voyer, eu tenho que dizer aqui que São Paulo é uma cidade única. É a cidade que me fez começar a pensar qual é a relação que eu estabeleço com as cidades. Tudo isso por que ela se impõe. São Paulo não é nada disso que dizem dela. Ela só é, ela existe e se impõe. É isso. Sem adjetivos, só verbos. Mas então parece que eu não gosto daqui, pelo que escrevo e digo por aí. Mas não é isso. É que não tenho paciência para explicar sentimentos. Sentidos são produzidos, e podem ser mal-interpretados, coisa boa é respirar fundo e sentir São Paulo, ou qualquer outra coisa, sempre, antes de teorizar sobre. Então vou dizer que gosto sim de São Paulo, mas não saberia te dizer por que a odeio, na mesma intensidade. Coisa de gente assim, cheia de arestas. Assim como veio passou, não entendi, mas a imagem dele ainda fresca na minha memória vive, como quando abro o dekstop e ele me sorri, mas são coisa de dias, eu acho, mas não queria, não queria. Queria voltar aqui na semana que vem e ainda estar apaixonada por ele, ainda suspirar por ele, e ainda resistir por ele, essas coisas. Não sei o que acontecerá, sei o que quero. Vamos ver se tudo combina e eu sorrio feliz a hora da estrela.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Arerê.

Cheia de arestas. Adorei isso. Acho que sou também. Isso é um pedido: Por favor, respeitem meus cabeloduro! Não, eu não quero fazer progressiva tom de chocolate, eu não quero fazer chapinha, eu não ligo se ele parece um ninho de pombo, me deixem em paz, me deixem passar com ele e com minha felicidade e sorriso. Eu sou é linda demais, cês tão é com inveja, que além de inteligente, eu sou bonita. Hum. Musiquinha para alegrar os corações! Revolta Olodum Retirante ruralista, lavrador/a Nordestino/a lampião/maria-bonita, salvador Pátria sertaneja, independente Antônio conselheiro em canudos presidente Zumbi em alagoas, comandou Exercito de ideais Libertador , eu Sou majin kabalaiada Sou malê Sou búzios sou revolta, arerê Ohh corisco, maria bonita mandou te chamar Ohh corisco, maria bonita mandou te chamar È o vingador de lampião È o vingador de lampião Êta cabra da peste Pelourinho olodum somos do nordeste

quarta-feira, agosto 08, 2007

Ode à minha tatuagem.

Dois e dois: quatro Ferreira Gullar, o "velho com o gato" Como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena embora o pão seja caro e a liberdade pequena Como teus olhos são claros e a tua pele, morena como é azul o oceano e a lagoa, serena como um tempo de alegria por trás do terror me acena e a noite carrega o dia no seu colo de açucena - sei que dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena. Deixa pa lá. Deixa tudo pa lá. Só não esqueça de viver.

terça-feira, agosto 07, 2007

Nêgo Drama.

E quando entra essa parte da música eu não consigo me controlar: (...) Daria um filme, uma negra e uma criança nos braços Solitária na floresta de concreto e aço Veja, olha outra vez um rosto na multidão A multidão é um monstro sem rosto e coração Ei São Paulo terra de arranha-céu A garoa rasga a cara é a torre de babel Família brasileira dois contra o mundo Mãe solteira de um promissor vagabundo Luz, câmera e ação, gravando a cena vai Um bastardo, mais um filho pardo sem pai Ei senhor de engenho eu sei bem quem você é Sozin cê não guenta, sozin cê não guenta Véi,Cê disse que era bom e as favela ouviu Whisky, red bull, tênis nike, fuzil Admito seus carro é bonito, eu não sei fazer Internet, video cassete, uns carro louco Atrasado eu tô um pouco, só que pô que eu acho Seu jogo é sujo e eu não me encaixo Eu sou problema de montão de carnaval a carnaval Eu vim da selva sou leão sou demais pro seu quintal Problema com escola eu tenho mil, mil fita Inacreditável más seu filho me imita No meio de vocês ele é o mais esperto Ginga e fala gíria, gíria não, dialeto Esse né mais seu ó, fiu, subiu Entrei pelo seu rádio, tomei cê nem viu Nós é isso ou aquilo, quê cê não dizia Seu filho quer ser preto, há que ironia Cola o poster do Tupac aí que tal que cê diz Sente o negro drama vai tenta ser feliz Ei bacana quem te fez tão bom assim O quê cê deu, o quê cê faz, o quê cê fez por mim Eu recebi seu tique, quer dizer quite De esgoto a céu aberto, e parede madeirite De vergonha eu não morri, tô firmão eis-me aqui Cê não, cê não passa quando o mar vermelho abrir Tou ouvindo rap pra não ficar louca. Tou ouvindo rap pra não perder a fé em tudo. Tou ouvindo rap pra lembrar que a vida não é feita só de paixão. Tem outras coisas que acontecem nessa vida. Se você não me dá bola, que posso fazer além de ouvir rap e chorar?

domingo, agosto 05, 2007




Da série "Eu-maria-bonita-quero-um-cabra-valente-só-pra-mim"
E eu deveria dizer pra mim só pra rebater:
"pior-que-eu-sei-quem-é-cabra-mais-que-valente-mas-ele-está-longe-muito-longe-daqui"
Quando eu desço lá na rua principal e compro pamonha de milho com um moço sorridente e que sempre me coloca a par das mais novas notícias do futebol, volto pra casa pensando em como essa atividade, vender pamonha na rua, tem quase 300 anos e faz parte de mim, da minha ancestralidade. Comprar, comer a pamonha de milho faz-me ser parte de um mundo, de um grande mundo chamado Afro-América. Me perguntam sempre, me mandam sempre comprar um carro, comprar uma casa. Tentei, gente, mas não consigo. Estou mais preocupada em ser, não em ter. Tenho pouco tempo para ser alguma coisa nessa vida, ter dá muito trabalho. Tudo que eu mais amo deve caber numa mochila. Ultimamente, meus pertences têm aumentado consideravelmente, livros, dvd's e afins, então eu tenho que começar a resolver esse problema, amanhã posso não estar mais aqui e dá sempre mais trabalho com tanta tralha espalhada. Fielmente, toda semana jogo fora ou dôo coisas que não precisarei mais. É a vida.

Revelar.

Ahá, Jum Nakao mandou essa no jornal de ontontem: Tanto as classes populares brasileiras quanto a nossa elite não têm cultura de moda. Nos Jardins na zona sul, o que predomina é a roupa para peruas. Do contrário, teríamos aqui lojas dos inventivos estilistas belgas e japoneses. E mais: Não sou o primeiro estilista conhecido que trabalha para uma fábrica no Bom Retiro, mas devo ser um dos primeiros que não esconde isso dos outros. E pra completar: Cópia no Bom Retiro? Isso é preconceito, por que o fenômeno da cópia atinge tanto o Bom Retiro e o Brás quanto os Jardins. Talvez nas passarelas das fashion weeks não se consiga ver isso tão claramente, por que as grifes tomam mais cuidado, mas se você for nas araras das lojas, vai percever que a 'importação de idéias' ocorre em toda parte. Ah, como eu adoro quando as pessoas falam a verdade. Desmascaram as coisas. É uma pena que uma entrevista desta não é capa de caderno de cultura, tá lá escondida, mas é sempre assim, ou não? Ouvindo Tom Zé, me sinto mais Bahia, me sinto passageira. quando eu vi que o Largo dos Aflitos não era bastante largo pra conter minha aflição eu fui morar na Estação da Luz por que estava tudo escuro dentro do meu coração. E ontem foi dia de revelar as coisas, de relembrar passados que para mim mais parecem hiatos na minha vida, caminho vicinal que minha memória tem preguiça de lembrar, ou é um jeito de não sofrer mais ainda nessa vida severina, a gente cria uns códigos com o inconsciente para não acordar de mau-humor, né não? Aí eu lembrei que eu sou boazinha demais, que perdoô sempre, mas também vi que hoje não seria diferente, ou seja, nada mudou aqui dentro. Devo comemorar? Estou descobrindo que adoro o cinema romeno. Assistam Algo como a Felicidade. É só poesia sobre a concretude do amor. Se você é boazinha como eu, vai deixar cair uma lágrima. Frase do ano: Eu vim da Bahia, mas algum dia eu ainda volto pra lá. Doces Bárbaros.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Só quero com você.

Apaixonada eu vou mais longe. Pego na sua mão (mesmo que ela não esteja aqui) E vou (vôo).

A invenção da crise.

Por Chauí: 1) Que papel desempenhou a mídia brasileira – especialmente a televisão – na “crise aérea” ? Meu relato já lhe dá uma idéia do que penso. O que mais impressiona é a velocidade com que a mídia determinou as causas do acidente, apontou responsáveis e definiu soluções urgentes e drásticas! Mas acho que vale a pena lembrar o essencial: desde o governo FHC, há o projeto de privatizar a INFRAERO e o acidente da GOL, mais a atitude compreensível de auto-proteção assumida pelos controladores aéreos foi o estopim para iniciar uma campanha focalizando a incompetência governamental, de maneira a transformar numa verdade de fato e de direito a necessidade da privatização. É disso que se trata no plano dos interesses econômicos. No plano político, a invenção da crise aérea simplesmente é mais um episódio do fato da mídia e certos setores oposicionistas não admitirem a legitimidade da reeleição de Lula, vista como ofensa pessoal à competência técnica e política da auto-denominada elite brasileira. É bom a gente não esquecer de uma afirmação paradigmática da mídia e desses setores oposicionistas no dia seguinte às eleições: “o povo votou contra a opinião pública”. Eu acho essa afirmação o mais perfeito auto-retrato da mídia brasileira! Do ponto de vista da operação midiática propriamente dita, é interessante observar que a mídia: a) não dá às greves dos funcionários do INSS a mesma relevância que recebem as ações dos controladores aéreos, embora os efeitos sobre as vidas humanas sejam muito mais graves no primeiro caso do que no segundo. Mas pobre trabalhador nasceu para sofrer e morrer, não é? Já a classe média e a elite... bem, é diferente, não? A dedicação quase religiosa da mídia com os atrasos de aviões chega a ser comovente... b) noticiou o acidente da TAM dando explicações como se fossem favas contadas sobre as causas do acontecimento antes que qualquer informação segura pudesse ser transmitida à população. Primeiro, atribuiu o acidente à pista de Congonhas e à Infraero; depois aos excessos da malha aérea, responsabilizando a ANAC; em seguida, depois de haver deixado bem marcada a responsabilidade do governo, levantou suspeitas sobre o piloto (novato, desconhecia o AIRBUS, errou na velocidade de pouso, etc.); passou como gato sobre brasas acerca da responsabilidade da TAM; fez afirmações sobre a extensão da pista principal de Congonhas como insuficiente, deixando de lado, por exemplo, que a de Santos Dumont e Pampulha são menos extensas; c) estabeleceu ligações entre o acidente da GOL e o da TAM e de ambos com a posição dos controladores aéreos, da ANAC e da INFRAERO, levando a população a identificar fatos diferentes e sem ligação entre si, criando o sentimento de pânico, insegurança, cólera e indignação contra o governo Lula. Esses sentimentos foram aumentados com a foto de Marco Aurélio Garcia e a repetição descontextualizada de frases de Guido Mântega, Marta Suplicy e Lula; d) definiu uma cronologia para a crise aérea dando-lhe um começo no acidente da GOL, quando se sabe que há mais de 15 anos o setor aéreo vem tendo problemas variados; em suma, produziu uma cronologia que faz coincidir os problemas do setor e o governo Lula; e) vem deixando em silêncio a péssima atuação da TAM, que conta em seu passivo com mais de 10 acidentes, desde 1996, três deles ocorridos em Congonhas e um deles em Paris – e não dá para dizer que as condições áreas da França são inadequadas! A supervisão dos aparelhos é feita em menos de 15 minutos; defeitos são considerados sem gravidade e a decolagem autorizada, resultando em retornos quase imediatos ao ponto de partida; os pilotos voam mais tempo do que o recomendado; a rotatividade da mão de obra é intensa; a carga excede o peso permitido (consta que o AIRBUS acidentado estava com excesso de combustível por haver enchido os tanques acima do recomendado porque o combustível é mais barato em Porto Alegre!) etc.; f) não dá (e sobretudo não deu nos primeiros dias) nenhuma atenção ao fato de que Congonhas, entre 1986 e 1994, só fazia ponte-aérea e, sem mais essa nem aquela, desde 1995 passou a fazer até operações internacionais. Por que será? Que aconteceu a partir de 1995? g) não dá (e sobretudo não deu nos primeiros dias) nenhuma atenção ao fato de que, desde os anos 1980, a exploração imobiliária (ou o eterno poder das construtoras) verticalizou gigantesca e criminosamente Moema, Indianópolis, Campo Belo e Jabaquara. Quando Erundina foi prefeita, lembro-me da grande quantidade de edifícios projetados para esses bairros e cuja construção foi proibida ou embargada, mas que subiram aos céus sem problema a partir de 1993. Por que? Qual a responsabilidade da Prefeitura e da Câmara Municipal? 2) Como a sra. avalia a reação do Governo Lula à atuação da mídia nesse episódio ? Fraca e decepcionante, como no caso do mensalão. Demorou para se manifestar.Quando o fez, se colocou na defensiva.O que teria sido politicamente eficaz e adequado? Já na primeira hora, entrar em rede nacional de rádio e televisão e expor à população o ocorrido, as providências tomadas e a necessidade de aguardar informações seguras. Todos os dias, no chamado “horário nobre”, entrar em rede nacional de rádio e televisão, expondo as ações do dia não só no tocante ao acidente, mas também com relação às questões aéreas nacionais, além de apresentar novos fatos e novas informações, desmentindo informações incorretas e alertando a população sobre isso. Mobilizar os parlamentares e o PT para uma ação nacional de informação, esclarecimento e refutação imediata de notícias incorretas. 3) Em “Leituras da Crise”, a sra. discute a tentativa do impeachment do Presidente na chamada “crise do mensalão”. Há sra. vê sinais de uma nova tentativa de impeachment ? Sim. Como eu disse acima, a mídia e setores da oposição política ainda estão inconformados com a reeleição de Lula e farão durante o segundo mandato o que fizeram durante o primeiro, isto é, a tentativa contínua de um golpe de Estado. Tentaram desestabilizar o governo usando como arma as ações da Polícia Federal e do Ministério Público e, depois, com o caso Renan (aliás, o governador Requião foi o único que teve a presença de espírito e a coragem política para indagar porque não houve uma CPI contra o presidente FHC, cuja história privada, durante a presidência, se assemelhou muito à de Renan Calheiros). Como nenhuma das duas tentativas funcionou, esperou-se que a “crise aérea” fizesse o serviço. Como isso não vai acontecer, vamos ver qual vai ser a próxima tentativa, pois isso vai ser assim durante quatro anos. 4)No fim de “Simulacro e Poder” a sra. diz: “... essa ideologia opera com a figura do especialista. Os meios de comunicação não só se alimentam dessa figura, mas não cessam de instituí-la como sujeito da comunicação ... Ideologicamente ... o poder da comunicação de massa não é igual ou semelhante ao da antiga ideologia burguesa, que realizava uma inculcação de valores e idéias. Dizendo-nos o que devemos pensar, sentir, falar e fazer, (a comunicação de massa) afirma que nada sabemos e seu poder se realiza como intimidação social e cultural... O que torna possível essa intimidação e a eficácia da operação dos especialistas ... é ... a presença cotidiana ... em todas as esferas da nossa existência ... essa capacidade é a competência suprema, a forma máxima de poder: o de criar realidade. Esse poder é ainda maior (igualando-se ao divino) quando, graças a instrumentos técnico-cientificos, essa realidade é virtual ou a virtualidade é real...” Qual a relação entre esse trecho de “Simulacro e Poder” e o que se passa hoje ? Antes de me referir à questão do virtual, gostaria de enfatizar a figura do especialista competente, isto é, daquele que é supostamente portador de um saber que os demais não possuem e que lhe dá o direito e o poder de mandar, comandar, impor suas idéias e valores e dirigir as consciências e ações dos demais. Como vivemos na chamada “sociedade do conhecimento”, isto é, uma sociedade na qual a ciência e a técnica se tornaram forças produtivas do capital e na qual a posse de conhecimentos ou de informações determina a quantidade e extensão de poder, o especialista tem um poder de intimidação social porque aparece como aquele que possui o conhecimento verdadeiro, enquanto os demais são ignorantes e incompetentes. Do ponto de vista da democracia, essa situação exige o trabalho incessante dos movimentos sociais e populares para afirmar sua competência social e política, reivindicar e defender direitos que assegurem sua validade como cidadãos e como seres humanos, que não podem ser invalidados pela ideologia da competência tecno-científica. E é essa suposta competência que aparece com toda força na produção do virtual. Em “Simulacro e poder” eu me refiro ao virtual produzido pelos novos meios tecnológicos de informação e comunicação, que substituem o espaço e o tempo reais – isto é, da percepção, da vivência individual e coletiva, da geografia e da história – por um espaço e um tempo reduzidos a um única dimensão; o espaço virtual só possui a dimensão do “aqui” (não há o distante e o próximo, o invisível, a diferença) e o tempo virtual só possui a dimensão do “agora” (não há o antes e o depois, o passado e o futuro, o escoamento e o fluxo temporais). Ora, as experiências de espaço e tempo são determinantes de noções como identidade e alteridade, subjetividade e objetividade, causalidade, necessidade, liberdade, finalidade, acaso, contingência, desejo, virtude, vício, etc. Isso significa que as categorias de que dispomos para pensar o mundo deixam de ser operantes quando passamos para o plano do virtual e este substitui a realidade por algo outro, ou uma “realidade” outra, produzida exclusivamente por meios tecnológicos. Como se trata da produção de uma “realidade”, trata-se de um ato de criação, que outrora as religiões atribuíam ao divino e a filosofia atribuía à natureza. Os meios de informação e comunicação julgam ter tomado o lugar dos deuses e da natureza e por isso são onipotentes – ou melhor, acreditam-se onipotentes. Penso que a mídia absorve esse aspecto metafísico das novas tecnologias, o transforma em ideologia e se coloca a si mesma como poder criador de realidade: o mundo é o que está na tela da televisão, do computador ou do celular. A “crise aérea” a partir da encenação espetacularizada da tragédia do acidente do avião da TAM é um caso exemplar de criação de “realidade”.Mas essa onipotência da mídia tem sido contestada socialmente, politicamente e artisticamente: o que se passa hoje no Iraque, a revolta dos jovens franceses de origem africana e oriental, o fracasso do golpe contra Chavez, na Venezuela, a “crise do mensalão” e a “crise aérea”, no Brasil, um livro como “O apanhador de pipas” ou um filme como “Filhos da Esperança” são bons exemplos da contestação dessa onipotência midiática fundada na tecnologia do virtual.

domingo, julho 29, 2007

Doo-waaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Procurei, achei. A melhor versão de It Don't Mean a Thing If It Ain't Swing é do Cab Calloway e o Duke Ellington. Ah! Aumenta o som! What good is melody, what good is mu - sic If it ain't possessin' something sweet? It ain't the melody, it ain't the mu - sic -- There's something else that makes the tune complete. It don't mean a thing, if it ain't got that swing -- Doo-wat doo-wat, doo-wat doo-wat, doo-wat doo-wat. It don't mean a thing, all you got to do is sing -- Doo-wat doo-wat, doo-wat doo-wat, doo-wat doo-wat, doo-wat doo-wat. It makes no diff'rence if that rhythm's sweet or hot, Just give that rhythm ev'rything you got. It don't mean a thing, if it ain't got that swing -- Doo-wat doo-wat, doo-wat doo-wat, doo-wat doo-wat, doo-wat doo-wat, Doo-wat doo-wat, doo-wat doo-wat, doo-waaaa. _____________________________________________________________________________________ Bobos e bobas do mundo todo, uni-vos! Meus olhos brilham, meus cabelos enrolam no alto da cabeça, frenética, frenética! Por que eu danço na frente do espelho, imito cantoras, sorrio e mando beijos. Eu sou modesta. E como disse Tom Zé, num show que eu não fui: NÓS SOMOS UM PUTA POVO PRETO! (e então só a minha amiga no show inteiro gritou, é isso aí!)

sábado, julho 28, 2007

Essa frase, essa semana, persegue: "O pudor é a forma mais inteligente de perversão" Lida no banheiro de um sobrado na Praça da Cruz Vermelha, no Rio, em 27/10/2006. Não fui eu quem disse que tava lá, tá aqui: www.consciencia.net/citacoes/temas.html Mas quem escreveu ali deve ter assistido Amarelo Manga, do Cláudio Assis, é o cara que passa na rua e fala pra senhora crente, assim, do nada, essa frase. Agora não me pergunte se Cláudio leu em algum lugar, pergunte a ele. Nem era sobre isso que eu queria escrever, mas foi. O resto todo mundo já sabe. Sódade, incertezas e imperfeições.

terça-feira, julho 24, 2007

Ler é o melhor remédio.

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Os livros chegaram, não abri logo, desci ali na padaria, fui comprar pão, fiz café, coloquei música, fiquei olhando aquela caixa enorme me chamando... passei horas rindo, cheirando, tocando, me diz se tu não ficaria assim também se recebesse num dia frio na porta da sua casa uma caixa de 20 quilos de livros dos mais variados formatos e tamanhos? Não preciso de mais nada, agora vou sair por aí, com um jeans surrado e uma camiseta do tempo da faculdade, era a minha camiseta predileta, todo mundo me conhecia de longe quando eu estava com ela, guardei o dinheiro por algumas semanas para comprar, mesmo não sendo tão cara, por que era assim que funcionava. Nela tem escrito: "Axé tem cura, tome rock'n roll", e mesmo que não concorde assim ao pé da letra com isso é engraçado, ela tem uns seis anos de vida. Mas que é isso, tou me perdendo, estava falando de livros, vamos lá. Estou lendo Istambul, finalmente o comprei, mas não consigo terminar por que o amo desde a primeira linha, Pamuk é sensacional, é nobel mas não por isso, é tudo aquilo que ele consegue escrever que me deixa com uma sensação de tristeza feliz, não sei explicar, mas talvez seja o que ele chama mesmo de hüzün, é isso, se ele quer dizer o que é, ele acaba conseguindo nos fazer sentir. Há parágrafos inteiros que eu poderia transcrever aqui para falar de São Paulo, respeitando os limites e diferenças poéticas e geográficas. Até por que ele mesmo cita São Paulo em seu texto algumas vezes, então acho que é isso, falando de grandes cidades, medos e tristezas gigantes, cidades como São Paulo e Istambul estão emparelhadas. Vá à uma livraria, folheie o livro, veja as fotos, respire fundo, sinta Istambul. Já vale alguma coisa. Agora deixa eu ir, o Cartola está na penúltima música, frio e chuva fina me esperam lá fora. Não sem antes dizer que espalhei os livros pelo quarto, não quero guardá-los, quero ficar entre eles, quero que eles fiquem em mim, as palavras é que nos salvarão, meus caros e minhas caras, prestem bem atenção nisso.

Menina da Lua.

Deixe em paz meu coração Que ele é um pote até aqui de mágoa E qualquer desatenção Faça não Pode ser a gota d'água. Pronto. Passei 10 minutos chorando. Não quero mais. Enterrei essa coisa toda. O problema aqui sou eu, não é ninguém mais. Tenho a lua e um monte de estrelas para me fazerem companhia.

segunda-feira, julho 23, 2007

Cálice.

A chuva me incomodou tanto aqui dentro e eu disse para mim mesma, por que não, vou sair lá fora, no frio e na chuva, ouvindo Rosa Passos, com lágrima no canto do olho, de saudades, de tristezas, por que eu tenho que ser boba, careta e cheia de historinhas, eu deveria ser simples, como a chuva, como a música, como a vida. No correio tinha uma encomenda para mim, eu que não gosto de falar da minha vida vou escrever uma frase que apareceu nas tantas cartas que recebi hoje: ...acredito que o amor seja estar num supermercado e sentir, numa tarde chuvosa, o cheiro do pão quentinho, você está na seção das manteigas e afins, dando vontade de levar pra lanchar em casa daquela pessoa que você ama... Não consegui, chorei sem reservas, até por que estou sozinha aqui, até me dei o direito de soluçar. E mais me escreveram: ... arrumo meus livros ali no armário, folheio as páginas de um deles, cheiro entre elas. Penso em tuas pernas, na tua alma... Não descobri ainda como criei em mim um regulamento interno que me compele sempre à ir em frente, não ter preguiças, não ficar à toa, roer unha, esperar mais da vida. Seguir normas, seguir receitas, todas minhas, mas não menos duras e sufocantes. Uma amiga que tenho fica encantada com o que ela chama em mim de disposição para viver. "De onde vem tudo isso?", ela me pergunta admirada. Nem eu sei, babe, só sei que continuo. Mas o problema é que esse regulamento que me põe na linha às vezes extrapola. É esse o mecanismo que me diz que agora é não, e que aquela história que eu pensei ter começado na verdade não tem fundamento, então eu levanto, sacudo a poeira e dou a volta por cima, não sem antes perceber que a cada dia que passa eu estou me acostumando a ficar sozinha, tenho medo de quem se aproxima, de quem quer ouvir o que eu tenho pra falar e me procura, me afasto. É só por que tem tanta coisa aqui dentro que eu queria compartilhar com alguém, tanta coisa que eu queria dizer e fazer para alguém que quando eu vejo que estou indo rápido demais eu fico triste, ninguém tem nada a ver com a minha solidão e ansiedade, ninguém quer saber de nada disso, olho em volta e tudo continua a acontecer, o cara que estava na esquina quando passei de manhã não está mais lá. Por que todas as fichas desperdiçadas uma vez não voltam assim do nada, me sinto de louça que vou quebrar em mil pedacinhos se você me olhar de novo e sorrir, por isso, não se aproxime, vou me machucar, já estou até chorando, percebeu? Flor da pele, qualquer coisa e eu desmonto. Mas eu sou danada, eu finjo bem, esse tal regulador interno me põe sempre em combate na primeira linha no dia seguinte, não posso vacilar, sempre atenta, em guarda. Hoje, por ser segunda, eu me permito chorar e curtir uma dorzinha, a dorzinha de mais uma vez não encontrar eco para as minhas canções, mesmo que dia desses eu tenha ouvido que minha voz parecia néctar, aroma de manga madura que perfuma a casa inteira e o quintal. Tinha até esquecido que cantava, tinha até esquecido de cantar e me fazer ouvir, quando a gente está em guarda não se tem tempo para pensar em cantorias, ora mas já se viu uma coisa dessas? Estou pensando numa proposta, chegar até onde posso chegar, o máximo, sem cruzar a linha com você. Excitante, penso nessa palavra e meus olhos brilham, a boca saliva. Pelo menos eu me divirto, tenho companhia e assim, a dor passa, me deixando pronta para o próximo combate.

domingo, julho 22, 2007

Links.

Assinem o Estatuto da Igualdade Racial. www.petitionline.com/afirmat/petition/html Um fotolog de uma moça, marida de um grande amigo meu. Não a conheço, mas conheço ele, e conhecendo ele, assino embaixo. www.fotolog.com/anacarolgarcia

Canção pra mim.

Um passo de cada vez, preta Agora eu já não preciso mais de nada, só ele existir aqui dentro e eu estou em paz de novo, nem importa onde ele mora e com quem ele esteve ontem à noite, eu só sei que ele habita no mesmo mundo que eu, ele é bonito e sorri, ele me ilumina e me aquece, não é bem ele talvez, mas o que eu sinto por ele, isso sim. Eu sento na minha cama e me olho no espelho, vejo uma moça feliz, preta que agora, junto com ele, dá um passo de cada vez.

sexta-feira, julho 20, 2007

Depois que o conheci, fica cada vez mais difícil resistir às proibições, convenções, tentações. Mas vou dormir cedo, lavo o rosto, amanhã, me parece, será mais quente, eu vou estar longe, e ele, acompanhado. Tanto faz. Não ia durar nada mesmo.

quinta-feira, julho 19, 2007

Susto.

Diz pra mim se você não se assustaria se um tempo depois, alguém que te incendiava toda, simplesmente não acendesse mais nenhuma fagulha de você? Não é estranho, coisas, lugares e pessoas perdem todo o sentido, o tempo todo. E fazem você ir dormir, com desejo de sono e carneirinhos.

Turismo interior.

Eu entendi que não é que eu goste de viajar. É que me importa muito mais morar na cidade do que ser turista nela, seja por apenas dois dias ou um mês a minha estada. Então, o que tem graça em Porto Alegre é tomar o metrô pela manhã (tomando sempre o cuidado de chamá-lo de metrô, mesmo que ele seja um trem), sentir frio, tentar pegar o tíquete dentro da bolsa sem tirar a luva, ouvir as mais diferentes formas de se pronunciar o "bah", fingir cara de séria, fingir timidez e reservas, uma moça que vende toucas e luvas e guarda-chuvas às 11 da noite no centro da cidade, taxistas que conversam com o chimarrão à boca enquanto esperam mais um cliente (o mesmo chimarrão à boca quando entram no carro, perguntam o destino, dão a partida), me importa saber o que eles e elas fazem para passar o tempo, como é o seu dia, o dia de sempre. Museus, praças e parques tem o seu valor, não estou brigando contra isso. Só quero reinvidicar que tem muito mais gosto as coisas todas que se aprende dentro das casas, com as famílias ao redor da mesa, em qualquer bar da esquina reside o espírito da cidade, nem é o mais descolado que vai te ensinar a cidade onde tu tá visitando, ele é fake, então... um conselho: não faça pacotes de viagem, mande o guia embora, não se preocupe em ver a Torre Eiffel em Paris se você ainda não conseguiu ver a alma da cidade, tenha bem claro que o patrimônio e lugares foram feitos por pessoas e elas estão do seu lado, no café, na banca de jornal. Conheçamos, dentro pra fora, pra entender o fora, de dentro. Se você acha perigoso tudo isso, se pra você é inseguro andar às 23 horas em qualquer centro de qualquer cidade no Brasil e tantos outros países, desista de viver. É preciso muita coragem para permanecer vivo e viva, quem não tem coragem nem sequer sobrevive, sonâmbulos medrosos perscrutando a vida alheia, tsc, tsc. Não precisamos de mapa quando o maior turismo é sempre aquele que a gente faz dentro da gente. Caminhos/descaminhos, encontros/desencontros estão todos aqui, não precisa escolher nada, é só se deixar levar. E em todas as cidades, a graça está em decifrar o não dito, se o museu fica naquela rua que eu estou passando vamos lá, não esquecendo de dizer oi para quem passa, ver quem vai e vem, as cidades são as gentes, as cidades são pedras. As cidades. Depois de falar sobre e contra a discriminação nordestinos/as-paulistanos/as, me interpela uma senhora: "Adorei sua fala, eu sou paulistana. Verdade, somos muito preconceituosos. Tem que denunciar... se alguns de vocês caem no crime, a gente não pode generalizar..." Sorri um sorrisinho sem cor e sem graça, assinei a lista de presença e fui embora.

quarta-feira, julho 18, 2007

Sobre chaves, pertencimentos, frio e morte.

Descobri, em mais uma das minhas viagens, que o meu problema com chaves é coisa de herança. Minha mãe tem problemas com chaves: vive remexendo a bolsa, assim como eu, à procura das dela sempre que estamos juntas, atravessando a rua ou comprando frutas. Meu irmão volta religiosamente todos os dias, depois de ter andado 10 passos em direção à escola para buscar a sua cópia, isso quando tem alguém em casa. Então eu sorrio, sei que essa coisa com chaves vai além de mim, e agora já não é tão ruim esquecê-las também, pelo menos eu faço parte de alguma coisa, grupos e eventos, é isso. É isso por que todo mundo adora fazer parte de alguma coisa, por mais bizarro que pareça às vezes. E escrevendo isso eu lembro que minha mãe é a única pessoa que pega na minha mão para atravessar a rua. Então eu penso, para além de qualquer desavença, para além de qualquer "onde você vai" ou "quem era no telefone?", ela pode tudo isso, por que ela pega na minha mão, cuida de mim. Indo de Salvador à Porto Alegre no espaço de um dia, saindo de um pôr do sol na Ribeira para encontrar uma segunda de quatro graus lá no finzinho do Brasil, você também se perguntaria "que que eu tou fazendo aqui?"; sigo em passos curtos, mas certos, para o encontro. Espero que mude coisas aqui dentro, que eu melhore como pessoa, que valha a pena passar dez minutos me vestindo e outros dez minutos praguejando, por que esse frio tá me gelando o coração. Escrevi dia desses, escrevi para que eu lesse, por causa de alguém que me fez ir dormir sonhando: é uma pena que você, de tão especial que era, depois de tudo, se torne mais um rapaz comum. Acho que fica mais triste ainda se eu disser que nem tive tempo de contar pra ele que ele era tão especial, me embriaguei e falei bobagens do tipo "quero alguém pra me amar", talvez eu tenha sido dura por ter falado embriagadamente séria, mas fazer o quê, agora já foi, o que fica aqui são os silêncios, telefone que não toca e a madrugada inteira esperando, não posso fazer nada, não posso voltar no tempo, e nem quero, é só uma questão dele, do tempo, amanhã vai passar, meu coração que é enorme de todo não vai gelar, não vou deixar. Pessoas morreram, neste avião que aterissou, quando todo mundo que crê em qualquer coisa já tinha agradecido por estar vivo, então foi a última prece; e mesmo eu, que não agradeço à moda cristã, digo ufa baixinho, e fico pensando, seria meu último ufa. Isso é triste, é chato e não faz você ter vontade de sair de casa. Chuva, frio e morte. Mas não é que o sul seja assim. Me parece educado, mas me parece discreto demais. Eu gosto de sorrir, olhar no olho, pegar na mão sem luva. Sinto falta do pôr do sol na Ribeira. Abro o celular, suspiro, olho a foto. Amadora, mas salvadora.