Você que me lê, me ajuda a nascer.

terça-feira, março 29, 2005

Caralho, se toda a vez que eu ler alguma coisa muito foda do C.B. eu postar aqui vai virar plágio. Toda vez que eu desço no ponto lá pelas 22:19, tem um senhor que espera a filha voltar do trabalho. Eu sei que eu choro à toa. Hoje eu vi os dois se encontrando, então entendi o que ele faz ali toda a noite. Bonito isso né, por que ela mora bem mais perto do ponto que eu, e eu não tenho ninguém pra ir me buscar. Não, não quero que ninguém chore não, nem tenha pena de mim. Eu só queria entender o que a imagem de um pai, uma figura masculina, faz na vida de uma garota de 15, 16 anos, do que conversam, sobre o que riem, se acabam torcendo junto pro mesmo time... eu só queria sentir isso um pouquinho, por mais piegas que isso pareça. Claro que Freud fala um monte de coisa em relação às diversas relações que se formam em torno da família, mas não só ele (se bem que foi depois dele que esses assuntos passaram a ter uma relativa importância no campo da discussão científica), um tantão de gente depois dele. Mas eu não quero saber disso, eu quero saber o que essa menina sente quando de dentro do ônibus ela vê o pai ali meio escondidinho esperando por ela, fazendo nada, a não ser esperar. Talvez ela nem sinta nada especial, talvez eles briguem e você pode até pensar que isso acaba com o final feliz do meu post, mas não é isso. Eu só queria saber o que ela sente, só isso. Por que com certeza, por mais que eu queira, nunca vou saber.

segunda-feira, março 28, 2005

Vida Loka

Eu espero o ônibus para me conduzir de volta pra casa depois do curso, e sempre passa uma Sprinter escrito assim na bandeira: Vida Loka. Fico aqui imaginando para onde será que ela vai. Pra nenhum lugar, pra todas as favelas do mundo. Ela poderia então me levar também. Como será que se paga a passagem para ir pra Vida Loka? Hoje deu vontade de cantar: "Quando eu era pequena Não tinha talco Mamãe passou açúcar em mim".

domingo, março 27, 2005

Decisão.

Eu sei, eu sei que tenho de resolver isso. Me dá só mais um tempo, deixa eu me resolver. O tempo passa, enquanto isso? Minha solidão também passa.

quarta-feira, março 23, 2005

Des-obrigação

Eu não acho que ninguém tenha que fazer nada para agradar a outra pessoa, só por que está namorando. Digamos que X gosta de Y, e Y adora fazer Z. Mas X não. Só que X não curte nem um pouco fazer Z, e daí? Fazer para agradar Y? Bem, se eu sou Y, mando X às favas e faço Z sozinha. Sim, por que eu não preciso de um alfabeto inteiro para fazer o que gosto. Seria legal ter a companhia do X se ele curtisse o mesmo que eu, mas se não... eu não consigo amar de maneira egoísta, ver X quase dormindo de tão cheio que está de fazer Z, mas mesmo assim gostar da companhia dele. Não funciona isso de "fiz por você", eu vomito se o cara diz isso depois que fez Z, eu não concordo. Mas e se X tem prazer em te ver feliz? Aí, eu acho que X não deve fazer disso um martírio, entende? Por que se X gosta de fazer Y feliz, que faça, faça, entende, não fique discorrendo sobre isso! Mas... Supondo que fazer Z seja assitir um filme, e Y adore o diretor, mas X não, pode ser que o filme seja mesmo uma merda, aí Y vai ter de aguentar X no seu pé de ouvido dizendo a vida inteira que só foi ver por causa dela, que o filme era uma bosta e tals. Não vai ser um programa em conjunto, é cada um pro seu lado. Eu acho mesmo que estou ficando velha. Algumas coisas teimam em não entrar na cachola mais. Não, eu não sou feliz com o seu agrado, ok? Fique com ele, meta no cú.

terça-feira, março 22, 2005

Passado.

Ontem minha irmã me disse via MSN que um cara aí que eu gostei por 04 anos se casou na sexta-feira passada. . . . . . . Detalhes. ___________________________________________________________________ O cara que me vende carne é igualzinho ao retrato falado de um estuprador aqui das redondezas. O pessoal já tem certeza. Se existe alguma relação entre isso, digo, ele vê tanta carne retalhada que acaba achando normal retalhar outras carnes, ficou louco pouco a pouco por conta disso, foi retalhando e sentindo gosto de sangue, de sangue... decidiu então começar estuprando, mutilando uma parte das mulheres... sei lá, tou só conversando. Vai ver ele é só psicopata. Psicotarado, devia ter isso também. Mas é estranho, ele parece normal quando me entrega a carne, quando sorri e eu passo indo pra o curso. Claro, é assim mesmo, eles são normais, parecem normais. Mas quem é que não parece? E quem é que não é louco?

segunda-feira, março 21, 2005

Ma vie en Rose

Filme do Alan Berliner - 94 minutos - assisti no sofá de casa. O filme trata da história de um garoto de 07 anos chamado Ludovic, que teima em crer que é menina. Sim, ele passa o filme inteirinho tentando convencer a todas/os que ele é mesmo uma menina, tendo Deus errado quando jogou o XY na sua casa, indo para o outro X na lata do lixo... o filme é povoado de referências imaginativas à Pam, uma boneca-fada que se casa e vive feliz para sempre; Ludo consegue durante algum tempo trazer para perto de si um garoto, a quem promete virar menina e casar-se, assim que possível. Mas o tempo passa e o tal garoto percebe que nada em Ludo muda, então o despreza. Nessa história toda, há uma avó que respeita os desejos do garoto e o incentiva a buscar identidade sexual própria, longe de padrões estabelecidos para garotos e garotas. Fica claro que o Berliner que apontar aqui a questão da identidade sexual e a partir de que momento ela se constitui na criança, de maneira para muitos bizarra, mas muito pontual no que diz respeito à imaginação construída pela maioria das crianças em fase de desenvolvimento. O filme mostra como que a liberdade que cremos existir em famílias francesas do século XX oscila de acordo com outras tradições não menos conservadoras, como a imagem da família perante os/as vizinhos/as, no trabalho do pai, etc. Há uma tensão entre a mãe, que se faz liberal e pra frentex, e o pai, que pô, como todo pai, quer um filho macho. Mas essa mesma mãe corta o cabelo de Ludo numa cena, como se ela mesma não aguentasse assim tanta modernidade (o garoto parece mesmo uma menina, mas não há em nenhum momento uma estereotipação do gay, por exemplo, ele não é afetado ou tem trejeitos). Falar de identidade sexual nessa idade é um tema bastante complexo, e poucas pessoas até hoje se arvoraram. É muito mais fácil relacionar a questão sexual à adultos, que já podem, ou pelo menos se acredita, escolher o que deseja. Nas crianças, qualquer tipo de anomalia é tida como biológica, não uma escolha pessoal. E é bem isso que o Berliner discute, se há realmente uma identidade biológica gay, ou isso é construído socialmente. Respostas? Eu tenho as minhas. E vocês, que me dizem?

domingo, março 20, 2005

Sem saída

Eu estava ali, olhando pra ele. Ele também estava olhando pra mim, pelo menos eu acho. Por que eu não ohava dentro dos olhos dele, sabe, eu olhava pra baixo, mas era pra ele, eu queria ter coragem de dizer como ele me fazia feliz o dia, os pensamentos, que depois que ele apareceu eu não mais gritava com o gato velho da vizinha, eu tinha até pena dele às vezes, ora vejam só, logo eu, que sempre odiei gatos, gatos, de todas as espécies, argh. Mas ele, acho, olhava pra mim, mas não olhava como eu queria que olhasse, entende, não, você não entende por que nunca se apaixonou assim, assim de sufocar, de perder e prender a respiração pras idéias não saírem junto com o "bom dia" formal dado à porta do banco. Não, você se apaixonou de pouquinho, devagar, não assim como um vendaval que... mas o que eu estou dizendo? Eu só vim aqui dizer que eu estava ali, olhando pra ele. E ele seguiu caminho, ele não me deu "bom dia". E eu fiquei com o resto do dia só pra mim.

quarta-feira, março 16, 2005

Fora do ponto

- Tudo bem, o que há de errado com o amor, Tony? - O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz a gente se sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outra no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece. - Tudo bem, então devemos fazer o melhor possível. - Certo. Mas mesmo assim devemos entender que o amor é só o resultado de um encontro casual. A maioria das pessoas explora isso demais. Nessa base, uma boa foda não é de se desprezar inteiramente. - Mas também é o resultado de um encontro casual. - Você está certa, porra. Beba. Vamos tomar outro. - Você tem um bom papo, Tony, mas não vai dar certo. C.B. Eu quase parei fora do ponto, longe de casa. Isso mexeu muito comigo, sabe? Verdades, verdades.

terça-feira, março 15, 2005

Banheiro de Cemitério

Vocês já entraram num banheiro de cemitério? Diferente daqueles inscritos que a gente encontra em banheiros de escola, frases "eu te amo" e desenhos não tão pudicos, nesses banheiros eu encontrei pedidos de desculpas, orações, apelos a Deus, santos, Exús e Orixás... alguém que dizia "Dona Lourdes, mulhe boa en vida, qui Deus ti tenha pa sempre e nus fassa encontra" ou "Vilobaldo, descanse em paz". Nenhuma jura de amor, nenhuma promessa. Lavei as mãos na pia e saí, imaginando que, se fosse mesmo verdade que os mortos à noite passeiam, eles já teriam lido tudo aquilo. O que teriam achado, acho que nem Deus, os santos, Exús e Orixás saberiam dizer.

domingo, março 13, 2005

Nós que aqui estamos por vós esperamos

Documentário do Marcelo Masagão - 73 minutos, assiti no sofá de casa. O documentário é legal pacas, mas é preciso lembrar que deve ter sido mesmo muito fácil de ser feito, por que foram captadas cenas de outros documentários e filmes, programas televisivos, etc e etc (tem partes do filme Um cão Andaluz, do Buñuel, que eu quero ver faz um tempo). Não existe também narração, são textos curtos inseridos em cima das imagens que fizeram sucesso no século XX. A música de fundo é clássica, mas há enxertos de vozes, gemidos, suspiros. Aí aparece o nome do Masagão em pesquisa, cenário, roteiro, edição... tsc,tsc. As imagens são fortes, bonitas, e é interessante notar como as guerras no século 20 se tornam o gancho para definir os espaços e tempos (isso foi antes de tal guerra), será que devíamos já ter uma história das grandes guerras nas disciplinas de Humanas? Anote aí, meu rei! Tem uma frase bem legal do Boltonsky: "Em uma guerra, não se matam milhares de pessoas. Mata-se alguém que adora espaguete, outro que é gay, outro que tem namorada... uma acumulação de pequenas memórias..." É a tal história das mentalidades, do eu, do outro, do que é próximo. Eu gosto disso, ir do micro ao macro, ver como a bomba atômica por exemplo, mexeu com a plantação daquele camponês láááááá naquela cidadezinha, saca, isso é o que mais me prende a atenção nestes documentários. Ícones como Freud, Kafka, McLuhan, Mussolini, Mao Tsé-Tung, Guevara, Fidel, Hitler, frases, imagens, mesmo que lentas, vão pouco a pouco construindo a idéia que se construiu (ou destruímos) durante o século 20. O que eu não achei legal, nunca acho, é isso de se contar a história das mulheres separada da dos homens, sei lá, por que não se pode contar a história de qualquer coisa incluindo as mulheres e não como um capítulo à parte? Será que os homens pensam que isso é cavalheirismo, bom tom? Pelamordedeus!

sexta-feira, março 11, 2005

No caminho havia uma árvore. Expunha seu sexo perfume e graça em praça pública sem pudor algum. Quisera eu que também você desse em árvore nascesse de semente para que ao cair de cada tarde colha teu sexo, saliva e febre em praça pública sem pudor algum. Me escreveram isso aí 3 anos faz.

Lavanderia

Ele passa e leva todos os meus pecados. É o cara da lavanderia. Ele passa por aqui só para recolher a roupa suja, repor com roupa limpa. Nunca olhou pra mim, quer dizer, nunca que eu tenha visto, já que eu sempre tenho os olhos baixos quando ele passa. Eu o vejo pelo espelho que fica à minha frente, ele também de cabeça baixa. Será tímido, será meio eu? Duas vezes a gente se esbarrou, se encarou. Num outro dia também ele me pediu pra assinar o pedido da lavanderia. Gestos rápidos, quase um suplício estar perto de alguém que me faz acreditar na vida que eu queria ter. Ele voltou, eu estava suspirando. Ele disse cabelo bonito, e eu nem agradeci. Mas fiquei sorrindo sem querer a manhã inteira.

quinta-feira, março 10, 2005

Tatuagem

Ela tatuou uma estrela azul do lado direito do seio direito. E todas as vezes que se apaixonava, antes de se descobrir inteira, dizia ao amado escolhido que havia um presente no seu corpo para ele. Quando aquela paixão eterna acabava, ela ia embora às lágrimas, fazendo-os sempre mais culpados por conta daquela marca em seu corpo. Até que um dessas paixões arrebatadoras lhe perguntou o porquê da estrela azul, já que era um presente para o namoro, que fosse aquele símbolo que teve a ver com nosso começo, nosso amor. E ela, já chateada, respondeu: "Mas você não se lembra do céu, como estava cheinho de estrelas no dia em que a gente se viu? E aquele carro azul na esquina que você me esperava?". Lhe chamou de insensível e lhe fez jurar nunca mais tocar no assunto.

A mulher do lado

François Truffaut, 102 minutos. Assisti sozinha lá na Paulista. Um casal de amantes se reencontra 10 anos depois de terem terminado uma paixão arrasadora. Agora eles são vizinhos numa aldeia no sul da França, e quando se dão conta, estão passo a passo revivendo aquele amor de tempos atrás. Com um Geràrd Depardieu bem novo (cabelinho pro lado, batidinho na frente, o nariz nem era tão pontudo como é hoje...) e a Fanny Ardant por quem se apaixonou Truffaut via programa de Tv' (sim, o amor tem razão que a própria razão desconhece!), o filme tem um finalzinho bobo demais para a trama. Mas a intensidade do filme em seu começo e meio vale o ingresso (sim, Truffaut adorava a agenda intensa do Depardieu, o que o obrigava a filma freneticamente por uma ou duas semanas, mantendo aceso a idéia primeira do diretor). Claro que eu estou apaixonada e frases como "Nem com você, nem sem você" me fazem derreter igual à manteiga da minha pipoca. Só que eu esperava um pouco mais. Por que a vida é cheia de desencontros sim, encontros sim, sobressaltos, telefones ocupados por que estão se ligando, e tem sofrimento. E não, eu não quero que os filmes sejam cópias de realidades, até por que, mesmo que se pretendam, não conseguirão. Eu só queria um pouco mais de som e fúria.

terça-feira, março 08, 2005

Seu Odair.

Já deu pra perceber só pelo sorriso dele que eu e Seu Odair teremos muito mais em comum, além das cervejas que já tomamos juntos.

segunda-feira, março 07, 2005

io ti amo

io ti amo e se non ti basta ruberò le stelle al cielo per farne ghirlanda e il cielo vuoto non si lamenterà di ciò che ha perso perchè la tua bellezza da sola riempirà l'universo io ti amo e se non ti basta vuoterò il mare e tutte le perle verrò a portare davanti a te e il mare non piangerà di questo sgarbo perchè onde a mille, e sirene non hanno l'incanto di un tuo solo sguardo io ti amo catturerò anche le nuvole e te le porterò domate e su te piovere dovranno quando d'estate per il caldo non dormi.

Nossa Música

Jean Lu Godard - 80 min de filme. Fui ver lá na Paulista sozinha. O filme tem é dividido em três partes. Tem o Inferno, que Godard caracteriza como o tempo das guerras, todas elas, imagens frias, textos curtos. Uma pequena parte, por que guerra é tudo igual mesmo, não se precisa mostrar tanto. Vem depois o Purgatório, que é a fase intermediária, aí ele mostra a reconstrução das cidades dizimadas pelas guerras. A cidade mostrada aqui é Sarajevo, uma das mais atingidas durante a Segunda Grande Guerra. Há então referências fortes às teorias pós-estruturalistas sobre identidade e alteridade, cultura, linguagem. Depois vem o Paraíso, que seria aqui o lugar, guardado por soldados americanos, onde a morte é algo que existe como descontinuação da vida, para onde vão então todas as pessoas de alguma maneira atingidas pelo horror das guerras citadas. Me agradaram algumas frases como "Não vejo o outro numa relação simétrica"; "Não nos sentimos responsável pelo outro". Tem uma expressão muito legal sobre como a cultura pode ser vista nesse processo de destruição-reconstrução: "Imagine que uma casa está pegando fogo, e não se pode salvar os móveis. Tudo está em chamas. Assim está o mundo, e ninguém vai se lembrar de salvar a noção de cultura, aquilo que entendemos como cultura." O Godard aparece no filme no aeroporto de Paris (que por sinal é bem bonito), indo fazer palestras para estudantes, palestras sobre cinema, o que mais poderia ser. E fica em silêncio quando lhe perguntam se as câmeras digitais salvarão o cinema. Como se não tivesse mesmo resposta.

quinta-feira, março 03, 2005

Não me acompanha que eu não sou novela.