Você que me lê, me ajuda a nascer.

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Eus.

Vendo fotos antigas, achei umas lindas. Umas saudades, umas eus. Umas umas.








Mapa astral (amostra grátis que bateu certo).

Quer uma amostra grátis de Míghian Danae? Pode ler, isso aí embaixo sou eu introdução:

Sol Em Escorpião, Ascendente Em Áries – Um Campo De Força

Força, intensidade e objetividade de desejos e quereres são a marca registrada do seu mapa, Míghian, graças à combinação dupla de Marte, por conta da associação do Sol em Escorpião com o ascendente em Áries. A sexualidade é forte, e os apetites e quereres particularmente exagerados.

Áries no ascendente tende a ser uma poderosa arma para quem é de Escorpião, pois garante à atmosfera algo de ingênuo e infantil que oculta o profundo poder e astúcia do seu lado escorpiano. Uma pessoa com esta combinação é dotada de grande poder realizador, sobretudo se aprender a cultivar um pouquinho de paciência.

Pra você, Míghian, é tudo ou nada. É preciso aprender a cultivar o caminho do meio, e aprender que nem tudo tem que ser "oito ou oitenta". Na verdade, o que ocorre é que você deseja sorver da vida até a última gota, e por isso mesmo não gosta de nada "mais ou menos". E, de certa forma, as coisas funcionam pra você desta maneira: atirando-se com tudo, sem medo de ser feliz ou de sofrer. Só precisa tomar cuidado com exageros e com o pecado da ira, pois tanto Escorpião quanto Áries são dois signos dados à raiva.

Você, Míghian, gosta de desafios e os procura. Entretanto, quando tudo está indo bem, sem problemas ou grandes crises, você pode se tornar uma pessoa incomodada, e tende a cavar encrenca até quando não precisa. Isso deriva de um lado seu que está tão acostumado a batalhas que, quando tudo está em paz, você estranha. Descarregar este excesso de energia agressiva em práticas esportivas ou artes marciais é mais do que recomendado, Míghian! E como você é uma pessoa muito orientada para desafios, procure dar uma especial atenção ao capítulo do seu mapa que fala sobre a posição de Marte, para você compreender melhor como funciona este seu impulso pelas aventuras.


Wanga, Angela Ferrão.


Indicação de José Roberto Barbosa.

quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Leonel Garcia ft Jorge Drexler, Ella es.


De mi amor Don, nigerian-lisboeta. 

Dançando, dançando.

Eu danço sozinha com a música alta, eu não ligo para ser feliz a toda e qualquer hora.
Sou uma sortuda, a vida sempre me reserva surpresas ótimas.

a descer, a subir, a quicar e rebolar

Não tenho como reclamar, me lamentar, sabe? Sou muito feliz e sortuda. Mesmo, mesmo. Vejo pessoas reclamando da vida que levam, de tudo que passam, eu... não sei o que dizer, mas sou bem feliz, mesmo.

tu vai sentar, tu vai sentar devagar

Envolvimento, MC Loma.


Eu, como sempre, fico sabendo das melhores depois de todo mundo.


segunda-feira, fevereiro 12, 2018

Entenda.

E pra explicar a distância do quase 
é tipo ida e volta daqui até a Marte

Carnaval 2018 (sou filha de preto, mereço respeito).


Popa da Bunda (Elas gostam), Psirico e Attoxxa.


Música maravilhosa! Gente, orgulho de ser baiana demais.
Ah, e vê esse clipe aqui:



Orgulho mode on. Se inscrevam no canal Afrobapho. Ah, bom Carnaval 2018, sem Temer e sem reforma da previdência, Tuiuti.

domingo, fevereiro 11, 2018

Carnaval. Coração fica.

A gente balança no ritmo da música e o suor escorre no corpo. A gente roça, roça no moço bonito do lado subindo a ladeira do Curuzu e cantando sorrindo mostrando todos os dentes da boca, mas o que a gente queria era estar bem longe deitada no colo dele ouvindo seu peito ressonar um sono cansado de uma semana cheia de promessas e saudade.

A gente balança e roça, mas também queria que o coração ficasse tranquilo, como a mente quieta e a espinha ereta. 

A gente não consegue, mas não desanima. 

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

É assim.

Se alguém me vir estudando, não vai acreditar. Eu posso parar no meio de um parágrafo, mandar um email e depois botar pra tocar:


Whitney é massa.

Isso acontece quase sempre. Sinto falta de música e ela vem soprando no ouvido, aí tenho de ouvir. Tem de ser na hora que a vontade vem, aí eu paro, escuto, escrevo aqui, volto pro parágrafo cheio de emoção, pra ler, escrever. A escrita sai melhor, mais bonita, com emoção. 

Quando eu estava escrevendo a tese tinha muito isso, hoje eu abro e não acredito que eu escrevi um monte de coisa que tem ali. Porque acho bonito, bonito mesmo. O jeito que escrevi, as coisas que eu falei. Acabei de ler o resumo de novo e fico pensando onde eu estava quando escrevi aquilo. Foi em Salvador, foi no Porto, foi em São Francisco? Não lembro mais, fiz muitos retoques, refiz tantas vezes.

Sinto saudade de Manela nesse exato momento. Ela tem uma cara desconfiada que só as grandes pesquisadoras tem. Uma cara de desconfiada sem parecer pedante. Só desconfia e está ali, só isso. E te provoca. Você vai pra casa cheia de ideias e com vontade de ter a mesma cara e de ter algo legal pra dizer pra ela quando a encontrar de novo. Pra ver a cara se desfazer, ou se fazer de novo, na sua frente. Uma emoção diferente e boba apareceu aqui. Eu sempre quis ter uma pessoa assim na minha vida acadêmica, encontrei. Não preciso de um monte delas, pra essa vida só Manela já deu conta me fazer entender que esses encontros são possíveis. Depois dela, já apareceram outros. Mas ela foi mesmo maravilhosa. 



quinta-feira, fevereiro 08, 2018

O amor.

Eu aceito amor.
Eu ofereço amor.

Eu não tenho medo do amor.
Eu não tenho vergonha de amar.

Eu não me preocupo em ser correspondida.
Eu me preocupo em ser entendida.

Eu sou feliz por amar e por sentir.
Eu não reclamo de às vezes chorar e sofrer.

Eu preciso aprender mais a viver junto.
E eu queria que fosse com você.


quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Professoras negras importam!

No Texas, nos Estados Unidos, Leigh Bishop, professora do ensino fundamental, decidiu aparecer com o mesmo penteado que sua aluna, August, para mostrar a ela o quanto ela é linda, depois de ter elogiado seu penteado e visto a menina revirar os olhos, como quem não acredita. No dia seguinte, Leigh Bishop apareceu com o mesmo penteado, surpreendendo a garotinha. A foto abaixo simboliza a alegria de August, ao se ver e se reconhecer na professora, que disse no Facebook: "Qualquer chance de fazer um aluno se sentir completo e importante, eu aproveito. Eu realmente amei o cabelo dela".

Foi aqui que eu li.


terça-feira, fevereiro 06, 2018

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Tour pelo rosto dela, Gabi.



Eu me emocionei com esse vídeo. Não tem como não seguir atrás dela. Obrigada, Gabi. 

Tão eu.

Bagunçadamente depois de uma xícara de café (sem açúcar, por favor), eis que me encontro. 
Ao pé da ladeira, e rolando ainda, ladeira abaixo. Ainda tem ladeira pra rolar.
Quero parar mas, se o tempo não para, eu também não posso fazer isso?

Gosto de pensar no tempo. De acreditar que eu poderia brincar com ele. Controlar, não. Eu já sei que não. Eu já sei que não posso controlar o tempo (ou um monte de outras coisas, como meu humor ou se vou precisar me prevenir melhor de dores que chegam com alguma beleza) e nem como as pessoas se comportam. Eu já me perdoo por esperar controlar, eu já me perdoo por não querer controlar um monte de coisas.

Talvez o tempo pare. O tempo parou para coisas que eu não queria que ele parasse.
Faz muito tempo que eu não gosto de ninguém. Então, é assim, de todos estes textos que escrevo aqui, sobre apaixonar-se e estar gostando de alguém, a verdade é que por nenhum deles eu fiz muita coisa ou quis fazer mais. Eu me apaixonei sim, mas só até quando foi confortável para mim. Foi isso. E aí eu penso, que gostar, gostar mesmo, faz muito tempo.

De um tempo lá atrás, em que vi estrelas num céu de São Paulo e um príncipe me apareceu. 
E ele foi embora, eu fui atrás. Mas ele me disse não. E meu coração, embora, finja fazer mil viagens, fica batendo, parado, naquela estação.



A incrível história de Adaline.


segunda-feira, janeiro 29, 2018

Peitinho.

deixa eu ver seu peitinho, vai, tira a mãozinha daí


Ele falava doce, mas firmemente. Ele pedia, mas era um pedido com alguma ordem, acontecia sempre que se falavam à noite, depois da uma da manhã tudo era possível, a mãe dela já não entrava no quarto sem pedir licença e ela sempre tinha voltado do banho quase nua. Ele falava doce, mas às vezes parecia que a paciência estava quase a esgotar, já estavam ali a mais de meia hora e ela, mais velha do que ele, cheia de vergonhas (ou pelo menos fingindo ter ainda alguma, só pra ter algum charme na vida), dizia aquele não que é um sim, mostrando parte do seio e falando não, tocando a auréola por cima da canga que ela deixava sempre escorregar mais um pouco enquanto ele pedia


ajusta a câmera, meu celular não funciona direito, lembra?


E ela respirava fundo, adorava que ele não desistia e pedia de novo, mas sentia uma ponta de vergonha não em se mostrar no vídeo, não era tanto isso, mas uma vergonha boba de não conseguir chamar sua atenção quando o encontrasse pessoalmente tanto quanto pela câmera, ele ali com ela a pedir, a quase implorar com aquela vozinha que parecia ter sede, se ela fosse água que ele precisaria pra beber naquela madrugada, ele queria ela gota-a-gota, ela era a gota d'água.


Ela não sabia muito dele, se soubesse entenderia que aquele peitinho não era só um peitinho, era uma visão para acalmar seu desejo de encontrar com ela num tempo em que ele não poderia e nem ela, era uma imagem pra guardar quando fosse dormir, compondo um cenário de desejo e carinho, era sacanagem mas era carinho também, como explicar, ele achava que gastar horas com ela já dizia muita coisa, ele não sabia que enquanto ele se alimentava de imagens ela precisava de palavras, ela gostava de quando ele dizia, escrevia

deliciosa
gostosa
amore


Era isso que sustentava a vontade dela querer vê-lo de novo pela câmera esperando o dia do amor adormecido, da excitação misturada com os sorrisos todos que se davam enquanto conversavam. Ele, imagem, ela palavra. Era bonito, parecia completo, como uma exposição de arte, tinha luz e som, a arte de viver junto continuava difícil de se conseguir por aí assim, então tentavam com o que tinham, tentavam também com o que não tinham tido ainda, tentavam porque não queriam desistir cedo, ainda eram jovens demais para não insistir na vida e nas sensações que só certos sentimentos provocam.


Ela cobriu-se, ele pediu mais. Ela disse não, enfática, mas ainda sentia prazer no pedido dele, nos lábios dele se movendo devagar na conexão lenta, ela via só uma penumbra, mas sabia que ele estava ali, sua cor e sua forma quase estáticas no vídeo esperando que ela mostrasse mais. Ele fazia perguntas sobre sexo, ela respondia, mesmo achando que sexo é coisa para ser feita antes de ser falada, mas todo mundo se doa um pouco nessa vida, ele doava tempo, sorrisos e elogios, ela doava peitinhos e confissões do sexo que já havia feito e de todos aqueles que ela ainda não havia feito, porque esperava sentir alguma coisa com quatro letras para seguir em frente. 


Desligou, desligaram. Nunca sabiam o que acontecia. Passava sempre das duas da manhã, ela se perguntava como ele conseguia acordar cedo no outro dia, diabo de homem que gosta de safadeza igual a esse eu nunca vi, vai ver é insone e gasta o tempo vendo peitinhos todas as noites. Esse era um pensamento que encontrava dentro da sua cabeça às vezes, mas não era o que assolava; afinal, só havia um peitinho como o dela, e só havia um pedido como o dele, não precisava de mais nada, não importava quantos peitinhos ele tinha visto na vida, importava que agora era ela, o tempo dele era dela, noite adentro. E quantas vezes foi feliz por imaginar que ontem, a essa mesma hora, ele tinha os olhos fixos nela, era com ela que ele falava e para ela que ele sorria e pedia mais peitinhos.


Se tinha uma coisa que estava aprendendo com ele é que pode haver lampejos de amor no desejo. Virou para o outro lado, adormeceu de vez. Foi feliz.



domingo, janeiro 28, 2018

Love, Toni Morisson.

Ganhei de presente de uma pessoa que realmente amo esse livro. Love, uma edição em português, mais Morisson na minha vida.


É a história de várias histórias, como as histórias de Morisson. É Christine, mas também é Heed e May, Junior e Romen. São todas as nossas histórias juntas, mas, se posso falar de uma história central, é a história de uma amizade entre duas meninas que foi ceifada quando o avô de uma delas decide casar com a amiga de apenas onze anos. Meio atônitas na vida, elas tentam continuar vivendo mesmo depois que o Bom Homem morre e leva com ele um monte de segurança da vida e daquilo que construiu.

Eu já aprendi Morisson e sigo lendo sem voltar tantas páginas. Mas, sim, ainda preciso fazer isso e às vezes, dói. Porque, nessas voltas, descubro que não li direito ou não entendi uma virgula ali no meio. Choro, me incomodo, principalmente quando me sinto meio perdida, como agora. 

Não é de nem de longe o melhor livro de li de Toni Morisson. Mas, ainda assim, necessário. Doloroso? Sim, mas também leve e lindo. Não sei como ela faz isso. Como Voltar para casa, o livro antes desse dela que li, dá aquela sensação, depois de terminar de ler, que é preciso mais tempo para entender, para aprender, para capturar sensações, para descobrir o que ela quis dizer. Quando estou lendo, não entendo tudo e não sei porque sigo lendo. Quando fecho o livro, passo alguns minutos como se ruminando o que aprendi e sentindo coisas que só livros nos fazem sentir. 

sexta-feira, janeiro 26, 2018

O silêncio do céu.


Brasil 24/7.

É assim. Eu acho que todo mundo que tem vergonha na cara tem de tomar algum partido atualmente. Quer dizer, sempre. Sempre.

Uma amiga lançou uma pergunta num grupo de amigos: vocês saem com quem vota em Bolsonaro? Fui umas das primeiras a responder dizendo que não saía com reaça. Acontece que nos últimos dias conheci alguns desses. Não foi difícil dizer não, mas espantei-me com a ideia de estar com alguém que acredita que esta é a melhor opção para o Brasil. Me dá repugnância só de pensar.

Conversando com outra pessoa ontem, lembrei de visitar o site do Brasil 24/7 e vi que estão com uma campanha para apoiarem a mídia independente. Acho que é o mínimo que eu devo fazer agora, como brasileira que sou. 15 reais por mês, no mínimo. Acho que todo mundo que conseguiu manter um emprego decente nestes tempos sombrios pode fazer isso sem maiores problemas. A gente tem seguro de vida, seguro de casa, clube de comprar milhas de voo, não vejo porque não apoiar a expressão de outras ideias que não a das mídias escrotas convencionais. 

E não estou deixando de cogitar a possibilidade de me filiar ao PT. Só de sacanagem, mesmo.


Tente outra vez.

Voltando para casa na topic um motorista de ônibus de pele bem escura ouvia um som. Depois de passar a catraca - e me deparar com duas crianças brincando na cadeira em frente à minha - ouvi que a música era Tente outra vez, de Raul Seixas. Nada mais oportuno.

Tente, levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça aguenta, se você parar
Não, não, não, não, não, não
Há uma voz que dança, há uma voz que canta, há uma voz que gira
Bailando no ar

Sorri sozinha, sorri feliz. Sempre estou tentando outra vez, porque não desistir faz parte de estar viva. Faz parte de continuar viva. Nunca achei Raul tão providencial. 

quinta-feira, janeiro 25, 2018

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Lula.

Lula
Lula
Lula
Lula
Lula
Lula
Lula
Lula

Porque eu não me importo nem um pouco em não concordar alguma maioria.

terça-feira, janeiro 23, 2018

“Bons Tempos”, ou Bons Adultos?


Recebi esse texto de um amigo especial, José Roberto Barbosa. Achei bonito demais à época e pedi permissão para publicar aqui. Não editei nada, escrevo como ele me mandou. A vida nos separou e nos juntou, que bom. A vida é assim, eu prefiro que ela seja essa gangorra e tenha emoção e sentido do que uma coisa apática e morna. Eu o amo e nunca mais vou deixar de dizer isso.

“Bons Tempos”, ou Bons Adultos?

Diferente de muitas das pessoas da minha faixa de idade, ou mais velhas, eu nunca me deixei enganar. Sei que minha infância foi feliz não porque aqueles eram “tempos melhores”, mas sim porque eu tive a sorte de conviver com bons adultos que cuidaram de mim nesse período de grande vulnerabilidade que é a infância.
Pensando nas preocupações que tenho para com as minhas sobrinhas e outras crianças e adolescentes, que pertencem ao meu circulo familiar e de amizade, eu penso nas preocupações que meus pais e outros adultos que gostavam de mim tinham para comigo.
Eu tive sorte, pois enquanto eu crescia havia muitas crianças pela minha cidade, pelo Brasil e pelo mundo sendo molestadas sexualmente, espancadas, assassinadas, ou sofrendo (e frequentemente morrendo) pela ausência de alguém para cuidar delas. Enquanto eu crescia, nos postos de saúde ainda colocavam posteres contando os anos sem novos registros de paralisia infantil. Enquanto eu crescia e só tinha de ir para escola, havia crianças trabalhando em pedreiras, carvoarias, dormindo na rua, ou sendo vendidas para a prostituição.
Sim, as pessoas bebiam e dirigiam sem implicações legais. Sim, nós andávamos de carro sem cinto de segurança. Sim, às vezes nós que eramos crianças, íamos no porta – malas. E sim nós sobrevivemos. Só que teve muita gente que não sobreviveu, dezenas de milhares. Se não me engano, no inicio dos anos 1990, teve até uma propaganda sobre ter morrido mais gente no transito brasileiro do que norte - americanos na Guerra do Vietnã. De fato, todos os dias crianças e adultos morriam em acidentes, porque os adultos que dirigiam estavam alcoolizados. Todos os dias crianças e adultos morriam em acidentes, quando podiam ter sobrevivido se estivessem usando cinto de segurança. E quando um carro batia na traseira de outro, o que acontecia com as crianças que estavam no porta – malas? Como crianças que viajaram no porta – malas nós sobrevivemos, não por mérito próprio, por, supostamente, sermos uma geração mais forte (como nossos pais e avós também gostavam de dizer deles mesmos) e nem pela habilidade de quem dirigia, mas simplesmente porque tivemos a sorte de ninguém alcoolizado, desatento, ou com freios ruins bater na traseira dos carros em que estávamos. 
Eu também sinto nostalgia, às vezes muita. Mas o sentimento de nostalgia nunca me enganou. Os chamados anos 50, 60, 70, 80 e 90 não foram exatamente idílicos, como frequentemente afirmam aqueles que passaram por eles como jovens (ao menos aqueles cuja infância e adolescência foram relativamente seguras).
Repare que quem louva tanto os chamados “Anos 80” são aqueles que passaram por eles como crianças e/ou adolescentes. Aqueles que passaram pelos 80 já como adultos cheios de responsabilidade e preocupações não exaltam tanto essa década. Muitos até a chamaram de “Década Perdida”.
Penso que nem tanto para um lado e nem tanto para o outro. Mas a verdade é que os “Anos 80” idílicos só passaram a existir nos anos 2000.
No período de anos entre 1979 e 1990 houve sim (e propositalmente) muitas formas de entretenimento para crianças: Doces; Séries; Filmes; Brinquedos; Programas, com desenhos animados e brincadeiras; Grupos musicais infantis. Mas na mesma época: Houve crise econômica; Havia uma real ameaça de guerra nuclear; O HIV matava gente as pencas, porque não se sabia direito como se pegava; Havia o medo dos militares não saírem do poder; Havia a miséria acentuada pela seca no nordeste; Nos rincões do Brasil, latifundiários matavam (e ainda matam) serigueiros, indígenas, quilombolas e pequenos proprietários; houve o surgimento do crack e as drogas se tornaram uma epidemia.
Na década de 1980 do mundo real, não se falava em pedofilia como nas décadas seguintes, mas ela existia, e muito. E os casos eram, muitas vezes, abafados. E não apenas as crianças corriam riscos de serem sexualmente molestadas, pois as adolescentes não estavam totalmente seguras. Hoje, por exemplo, sabemos que cantoras e/ou apresentadoras adolescentes eram constantemente assediadas por marmanjos do mundo do entretenimento. E não eram só elas. Porque na época, no melhor estilo Roma Antiga, homens de 30 ou mais dando em cima de meninas de 14 era comum. Não que nas baladas, nos carnavais, bailes funk e festas universitárias de hoje não tenha muito disso. Mas hoje isso não é mais socialmente aceito, enquanto que na época você via homens feitos de 28, 29 anos indo de carro paquerar meninas que ainda cursavam a 7ª ou 8ª série e ai “tudo bem”. Os pais e mães que tentavam impedir esses assédios eram vistos pelo estereótipo de “pai ciumento” e/ou “mãe ciumenta” que não enxerga que sua filhinha já é uma “mocinha”.
E a década de 1990, também teve seus muitos problemas, embora, me parece, foram anos menos ingênuos do que os 1980. Menos ingênuos, ou, talvez, mais pragmáticos. Parece - me que, naquela década, “viver o sonho” não era um tema tão forte quanto nas décadas anteriores. Havia, acho eu, uma desilusão com o mundo.
Não estou querendo dizer que aquelas épocas eram melhores, ou piores, que a atual, mas definitivamente, no Brasil dos anos 1990 e nos períodos anteriores, faculdade era coisa para filhos e filhas das elites econômicas e camadas médias. Eu me lembro que, em 2001, quando eu terminei o ensino médio meu pai ficou todo sorridente. Nem ele, nem seu pai e avô puderam ir alem da 4ª série. E o bisavó dele, filho de “Ventre Livre”, nem sequer pode ir à escola, quanto mais o pai deste que chegou a viver na condição escravo.
Mas essa questão de décadas é apenas uma convenção. Afinal na virada de 31 de Dezembro de 1989 para 01 de Janeiro de 1990 o mundo e as pessoas, seres e coisas dele não me pareceram nada diferentes. O mesmo eu posso dizer da virada de 31 de Dezembro de 1999 para 01 de Janeiro de 2000. São apenas números de uma contagem. Nós é que atribuímos valores aos números dessa contagem.
Na minha vida, o que eu tive é sorte de ter pais que não foram ausentes, nem violentos (não além de algumas ocasionais chineladas), nem molestadores. Pais que garantiram que em um mundo de crianças literalmente morrendo de fome eu nunca tenha dormido de barriga vazia, mesmo nos momentos financeiramente mais difíceis. Pais que faziam um grande esforço por mim na época que eu tinha minhas dores de ouvido. Pais que me mandavam vir mais para o raso quando eu me empolgava na praia. Pais que mesmo não sendo milionários me deram uma infância rica, onde eu não tive tudo o que queria, mas muito do que precisava como pessoa em formação. Eu não tive todos aqueles brinquedos caros que via nas propagandas, mas tive a liberdade para brincar na rua e mesmo fabricar alguns brinquedos.
Eu tenho a sorte de ter um bom irmão mais velho, uma boa irmã mais nova, bons primos e primas e bons tios e tias. Minha mãe, meu pai, minhas tias e tios, tiveram infâncias mais difíceis, como os pais, avós e ancestrais antes deles. Mas usaram suas experiencias de vidas para nos dar boas orientações. Eles nos legaram um senso de unidade familiar muito forte, que ainda se mantem e tentamos passar paras novas gerações da família. Por meio de minha família tive acesso a uma grande riqueza cultural. 
Enquanto muita gente cresceu e cresce em bairros violentos, eu tive a sorte de crescer em um local de bairros relativamente seguros. Nós pudemos brincar na nossa rua, na rua de cima, na rua de baixo, em outras ruas próximas e também, vivermos aventuras no “Bambuzal” e no “Verdinho”. Havia festas de rua, como as festas juninas, organizadas pelo pessoal da rua, festas de aniversários nas casas e tudo mais.
Nas férias brincávamos até mais tarde. O único toque de recolher que eu tive na minha rua era o da minha mãe na hora do almoço e do meu pai que a noite assobiava no portão nos chamando. Não havia medo de balas perdidas. Brincávamos de “tiroteio”, mas nunca vimos um tiroteio real, como algumas pessoas que eu conheço. Para nós isso eram coisas que ocorriam em outros locais. Mas nós não eramos tão inocentes, pois os pais, as escolas, os jornais e as musicas de RAP não escondiam de nós que lá fora havia um mundo muito do violento e impiedoso e que não iria nos poupar só porque ainda não eramos adultos. 
Tive professores e professores, mas, felizmente, não tive nenhum daqueles professores, que diziam por ai, que eram perseguidores. Aqueles que, que se dizia que, “ferravam alunos, pelo prazer de ferrar”. Bons ou maus (em minhas ingenuas interpretações juvenis) todos realmente queriam que eu aprendesse alguma coisa.
Realmente, embora eu não pensasse assim na época, para mim, aqueles foram “bons tempos”. Mas não foram “bons tempos” por que na época “o mundo era melhor”, mas sim porque os adultos que viviam naquele lugar fizeram dele um “bom lugar”. O suficiente para que seus filhos, hoje já adultos, se lembrem do lugar de sua infância, como “um bom lugar e uma época boa”.
Comecei a escrever este texto apenas para expressar o que eu estava sentindo enquanto ouvia umas musicas. E agora não sei direito como terminar.
Bem, o que eu queria dizer é que... A nostalgia pode ser tanto benéfica, quanto nociva. É benéfica, quando ela nos traz boas lembranças que nos fazem sorrir e nos dão força. Mas se torna nociva quando nos arrasta para a depressão, por acreditarmos que vivemos numa época decadente em relação aquela época em que “tudo era melhor”. Mas acreditamos assim porque deixamos nossas paixões tomarem conta de nossos raciocínios e então nós idealizamos esses períodos de nossas vidas.
Nunca houve realmente uma época idílica. Problemas sempre houveram para todo mundo. Quando nos lembramos das coisas boas de uma determina época de nossa vida, tendemos nos esquecer que existiram também coisas ruins. E da mesma forma, quando nos lembramos das coisas ruins, nós tendemos nos esquecer que existiam também coisas boas. Por isso é sempre bom o exercício de pensar nos prós e contras. Tanto para os momentos de nossa vida, quanto para os momentos históricos. Isso nos impede de nos iludirmos. Hitler fez o que fez porque queria trazer de volta uma época, um mundo que nunca existiu fora da cabeça dos pangermanistas.
Claro que existem épocas e lugares em que as coisas ocorrem de forma mais favoráveis (embora nunca de forma perfeita) para uma ou mais pessoas e épocas e lugares em que as coisas ocorrem de forma mais desfavoráveis para uma ou mais pessoas. Mas isso é algo que tende variar de individuo para individuo. Quero dizer, o sujeito que outro dia falou sobre a época do Brasil colonial como “áureos tempos do Brasil colonial”, certamente estava falando apenas do ponto de vista dos abastados. Porque para quem era negro, indígena, ou qualquer pessoa sem posses, o Brasil colonial não teve nada de “áureos tempos”.
Por isso não me deixo iludir pelo sentimento de nostalgia. A minha infância e adolescência tiveram coisas boas, mas também coisas ruins. Eu, como todo mundo, passei por dores e tristezas. O racismo, por exemplo, foi e é augo terrivel e se não fosse minha família, particularmente o lado materno, eu seria um negro sem auto - estima. Infelizmente, minhas sobrinhas também estão tendo que lidar com o racismo na escola. Mas na avaliação, na soma entre minhas experiencias positivas, negativas e neutras, o resultado é a felicidade.
Eu não me deixo levar pela ideia de que “naquele tempo as coisas eram melhores” porque eu me lembro que não ocorreu tudo “as mil maravilhas” para mim e nem para ninguém. E porque eu sei que enquanto eu tive uma infância, moderadamente boa, muita gente passou por uma infância terrível.
Fui muito sortudo, acho eu.

José Roberto Barbosa (Contato: mubrotas@gmail.com)

Música.

O lado bom da tristeza é saber que existe a alegria

Essa é uma parte da música do Malê Debalê que ouvi no domingo. Fui jurada do concurso Malezinho 2018, para escolher as crianças - menino e menina - que vão reinar esse ano no bloco. Foi lindo. Uma das coisas mais lindas que a tese pôde me propiciar nesta vida.

Nunca, mas nunca mesmo, vou poder esquecer deste dia. E esse refrão fica martelando na minha cabeça, otimismo mode on, a vida vai dar certo, a vida é boa demais. O lado bom da morte é saber que a gente teve vida. O lado bom de tudo que é muito ruim é saber que não existe só aquilo na vida.