Você que me lê, me ajuda a nascer.

quarta-feira, junho 20, 2018

Paraíso do Tuiuti, 2018 (Desfile Completo).

Eu no recesso escolar vencendo os vídeos atrasados do ano.




Samba Enredo 2018 - Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?
G.R.E.S Paraíso do Tuiuti

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti, o quilombo da favela
É sentinela na libertação

Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado
Senhor, eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois

Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz



Eu fui mandiga, cambinda, haussá
Fui um Rei Egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se plantava gente

Ê, Calunga, ê! Ê, Calunga!
Preto Velho me contou, Preto Velho me contou
Onde mora a Senhora Liberdade
Não tem ferro nem feitor

Ê, Calunga
Preto Velho me contou
Onde mora a Senhora Liberdade
Não tem ferro nem feitor

Amparo do Rosário ao negro Benedito
Um grito feito pele do tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor

E assim, quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra a bondade cruel

Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar, não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar, não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Nana e Nilo.


terça-feira, junho 19, 2018

Tentar.

A vida é sobre não desistir. Das pessoas, das coisas e tempos. Mas nem sempre depende só de você. Como não desistir de alguém que desiste logo de cara quando algum obstáculo aparece? O que se deve fazer quando você erra mas ainda quer seguir junto?

Não tem manual, mas acho que não desistir e tentar vale sempre a pena. Só que é preciso parceria nessas horas doridas em que a gente sabe que não está tudo bem, mas ainda quer ficar junto. Eu tenho prazer em me ver incerta, imperfeita. Isso me conecta com a minha humanidade e me redime também das horas que eu passo tentando ser ótima e perfeita em muitas áreas da vida. Alguma parte do meu corpo sorri alegre com as possibilidades que a vida me dá, no encontro com outras pessoas, descobrir aquilo que não consigo ser nem fazer, aquilo em que eu não digo, por medo ou fraqueza, aquilo que eu digo depois que eu não deveria ter feito, tudo isso faz bem pra mim.

Eu sou melhor porque erro. Eu sou melhor porque pessoas continuam me amando mesmo quando nem sempre tudo de mim que é bom aparece. Hoje mesmo me disseram que aprenderam comigo em não ficar com a primeira impressão. Ainda bem, eu também aprendi com a mesma pessoa a mesma coisa. E ela nem sabia, assim como eu.

Ainda quero estar aqui. Vou brigar até o fim por poder dizer das coisas que errei e das coisas que quero que continuem existindo, como amor, companheirismo, alegria. Ainda quero tentar. 

Madison Ryann Ward, Mirror.


O Próximo Convidado Dispensa Apresentação (Dave Letterman convida Jay-Z).


Os Farofeiros.


sexta-feira, junho 15, 2018

Medida.

Tem gente que dá pouco e quer pouco da gente. Tem umas que acham que dão muito e querem tudo. Não dá pra medir? Não, não dá. Mas às vezes cansa e aí você sabe que está demais. Aí para, respira e volta ao centro.

Sempre.

O que não dá para fazer é desistir da vida. De viver, de amar, de se entregar, de conhecer, de aprender, de errar, de cair de novo, de sorrir, eu não vou desistir. Nem de mim, nem das pessoas. Ainda tem muito amor aqui dentro. 

A história oculta: como a Europa se tornou o que é hoje.


Crescendo! The Power of Music.


quinta-feira, junho 14, 2018

Mil coisas.

Minha vida está sempre mudando. E eu tão feliz. Não tenho como não estar. Tudo que pensei para mim está acontecendo. Sempre aconteceu, talvez não no tempo que eu pensei, mas eu já parei de pensar no tempo. Só penso no que quero e acontece. Então, estou em paz.

Eu não posso reclamar muito da vida, não. Porque eu me organizei a vida inteira só pra uma coisa: ser feliz. É pra isso que eu me movo o tempo inteiro. Eu fujo quando a garantia mínima não é essa. Então, tudo sempre fica bem e eu estou feliz de novo e sempre.

E lá vou eu novamente.

Notívaga.

E noite adentro descubro coisas de mim com alguém que já me soube inteira. Tudo eu ali nas letras que eu não queria mais ler por tantos dias a fio. Eu passei fome do beijo, do corpo, do riso.

A gente se desculpou dos enganos que nunca ocorreram por medo de se magoar. A gente fez umas pazes mentirosas e selou com uma amizade endiabrada de desejo.

A gente não é mais, a gente nunca vai ser, eu um dia pensei que fosse. Ele diz que fomos mas eu não acredito. Eu não sinto mais saudades. 

quarta-feira, junho 13, 2018

Eu sou assim.

Eu quero colo. Eu quero perto. Eu quero ficar de calundu e ter colo. Para não ficar madura e apodrecer de tristeza, solidão e tédio. Eu quero um amor calmo e sem pressa. Que saiba acolher minhas incertezas e que me entenda também quando eu não disser nada e só em silêncio seja muito.

Eu não quero precisar sair de mim, porque se isso acontece eu não me encontro. Eu sei que não sou assim, sangue e raiva, eu sou água, escorpião que mata mas não pica. Eu só quero que meus olhos às vezes falem e as sensibilidades encobertas apareçam para quem chegar perto. 

Mas é tudo tão difícil de longe e sem colo. É tudo tão vazio.

O telefone me irrita, ouvir as vozes, ler as letras. Eu não quero mais isso, eu sempre estou longe o bastante para não receber o amor que o meu corpo precisa. Eu não quero mais isso, eu não quero mais isso.

Eu sou feita de tempo e lerdezas. Eu não posso mais do que isso. 

Um amável pão duro.


sábado, junho 02, 2018

Eu não sou um homem fácil.


Clarear, Tim Maia.


Adoro que me mandem músicas com recadinho, ouço todas.

Toda hora.

Sabe a gíria que ele mais fala?

toda hora

Tu tá gostando de mim, é?

toda hora

Tu me quer?

todahora

Tá com saudade?

tô da hora

T O D A H O R A

Ali Wong: Hard Knock Wife.



Uma das melhores coisas que vi ultimamente. Virei fã. Ali não gosta de trabalhar e quer vida boa, tudo que ela não tem hoje, rs. Ter coragem de dizer isso em tempos loucos de gente que acha que trabalhar é realmente algo de valor é maravilhoso. Além disso, Ali fala de amor e feminismo de um jeito não-convencional que é apaixonante. Me identifiquei demais. 

quarta-feira, maio 30, 2018

O amor chegou.

Mas, meu bonitono, pra você quando é que o amor chega?

Você quer em termos técnicos ou quer que eu fale do meu jeito mesmo? Pra mim o amor vai chegar na sexta quando eu te vir aqui perto de mim. O amor chega toda vez que eu vejo o seu sorriso, que eu falo contigo no telefone ou no vídeo. Para mim o amor já chegou. 

Sem mais.

segunda-feira, maio 28, 2018

Dona de Mim, Iza.


Emoção.

Uma chamada de vídeo, uma conversa apaixonada que no meio tinha um jogo com música e palavras. O filhote acorda, ele vai buscar. Ele então aparece de novo no vídeo e agora é ele mais o neném deitado em seu peito. Ele me fala baixinho, para não acordar 

Eu sou isso aqui, tu me quer assim?

Na hora eu quero sorrir e chorar ao mesmo tempo de tão boba que estou ao ver aquele braço que se agarra ao seu pescoço e diz coisas de um sonho com fantasmas e sustos, mas eu só balanço a cabeça e quando eu balanço meus olhos dançam cintilando a paixão que exala, uma onda de amor me invade toda e me aquece mais do que todas as cobertas que eu poderia usar para me cobrir numa noite chuvosa.

Eu sou feliz por poder ver isso. Essa imagem - um neném no colo em cima de um peito nu, seu olhar apaixonado e ele me perguntando

tu me quer assim?

me fazem flutuar igual pipa colorida de criança em cima da laje num dia de sol. 

Nossos olhares cintilados se encontraram no vídeo e a gente desligou. Mas ele escreveu ainda 

quero você, quero que seja diferente de tudo, inesquecível e eterno. demorei pra te encontrar... 

Não pude ser mais feliz, não. O que tenho agora é paz. Uma paz que só vem quando a felicidade não é mais visita e sim mora com a gente, bem dentro do coração. 

Pássaros.

Vi um documentário sobre crianças em Uganda e uma delas diz

Acordei pela manhã e achei que estava na América. Mas ouvi os pássaros e aí tive certeza que eu tinha voltado

Acho que sinto o mesmo quando estou aqui, estudando no meu quarto e ouço uma profusão de pássaros cantando pra mim lá no fundo de casa.

Estou em São Francisco do Conde.

Eu sou uma mulher negra.

Eu não sou uma intelectual.
Eu sou uma mulher negra.
Eu não sou resiliente.
Eu sou uma mulher negra.
Eu não sou uma feminista.
Eu sou uma mulher negra.
Eu não sou uma escrava.
Eu sou uma mulher negra. 
Eu não sou uma identidade fixa.
Eu sou uma mulher negra. 

Para tudo o que me definem, eu sou uma mulher negra. É isso que eu sou, pele, dente e ossos, cabelo e pintas pretas nascendo pelo corpo. 
Lide comigo como você tem que lidar com uma mulher negra. Aprenda a falar comigo como se fala com uma mulher negra. Me olhe como se olha para uma mulher negra.

Ninguém aprende isso. Todos os filmes na TV', todos os livros sobre o amor, todas as histórias sobre mulheres, contam como as mulheres brancas gostam de ser tratadas. As narrativas privilegiam as mulheres vistas como norma. Como se aprende a lidar comigo? Eu não sei, mas também sei que poucos quiseram aprender. 


Eu quero alguém que queira me aprender, só isso. Eu quero alguém que aceite aprender e não tenha nomes para as coisas que ainda vamos inventar. Eu quero alguém que brinque de novos nomes e ache graça da ânsia que vem das coisas que ainda nem existem. 

quinta-feira, maio 24, 2018

Mandacaru.

Tu é agreste demais, Migh. Demais. Parece um mandacaru
[...]
Mas dá uma flor linda... é verdinho o ano todo e quando abre  tem só água dentro
(ABUD, 2018)


segunda-feira, maio 21, 2018

Amar o próximo.

Eu no meio do dia cheia de sono e ele lendo para mim as postagens do blog, com uma entonação que parecia saber do que eu estava falando mesmo sem nem ter acompanhado a história. A voz rouca que poderia ser sexy apenas tinha lugar para uma leitura séria, coisa de quem poderia descobrir além do que estava escrito se se esforçasse um pouco mais e prestasse atenção nas reações que aquela situação me provocava do outro lado do telefone.

Eu adoro surpresas, mas é mentira que estou sempre aberta para o novo e para o que vem. É mentira, às vezes eu fecho para balanço, mas boto cartaz na porta e aviso, não deixo ninguém por aqui sem saber que vai ser duro encontrar-se comigo mesma logo de cara. Eu acho bonito ofertar quem se é para quem chega perto, se ele quiser realmente saber e se interessar, eu vou dizer, é melhor assim, uma conversa franca.

Minha colega disse que eu não tenho paciência de esperar as pessoas me dizerem as coisas, eu quero logo, porque eu digo logo, eu sei, eu me sei, eu passo tempo me aprendendo e organizando as coisas aqui dentro, então às vezes pra mim é um pouco mais simples chegar e falar, para a outra pessoa não, mas eu não levo isso em consideração e já dou logo um xeque-mate nas primeiras jogadas. É verdade, mas ela também disse que minha franqueza acaba sendo o bálsamo para tanta pressa da vida. Será só pressa? 

O que eu não gosto é de ser enganada, ninguém gosta, mas às vezes a gente diz que não gosta e se bota numa situação de 'eu finjo que não sei que você não me prometeu nada e tou aqui esperando você me chamar pra casar', eu não gosto disso, eu quero resolver logo, me diz alguma coisa, me diz até 'não sei o que dizer' e tenta me explicar porque, ensaia uma palavras, mas não joga em cima de mim um silêncio todas as vezes que me vê, não finge que é leve quando a vida está pesando nas suas costas, não diz que o peso é meu, não me engana. 

Eu quero amar o próximo. Ainda mais se esse próximo já chegou. 

No dia que ele estiver mais próximo ainda, direi de novo a ele

pode entrar, fique à vontade. O cadeado do portão está aberto, agora falta conseguir as chaves do meu coração arisco, arestas e espinho. Se você tiver paciência e algumas respostas, daquelas que aquecem o coração na hora de dormir, pode ter certeza, meu sorriso certo vai aparecer pra te ver. E, vai saber, você vai acabar sendo um dos poucos que vai conhecer partes de mim que eu mesma nunca vi, mas que estou louca pra conhecer.