Você que me lê, me ajuda a nascer.

quinta-feira, outubro 19, 2017

Three Little Birds, Gilberto Gil (Bob Marley).



Eu amo Gil e amo essa letra. Toda vez que eu tou assim meio tristinha eu lembro dessa música eu penso que eu sou um desses três passarinhos cantando para mim mesma, minha consciência é um passarinho:

this is my message to you-you-you

E aí eu consigo sorrir e continuar. 

quarta-feira, outubro 18, 2017

Escrever.

É muito bom ter um blog. Todas as vezes em que estou triste, perdida, confusa ou radiante eu venho aqui e escrevo umas tantas palavras, que às vezes nem parecem ter total sentido para mim e nem para quem lê. Depois, lendo lá de longe, eu consigo capturar as sensações que tive ao escrever, eu lembro dos tempos em que escrevi, eu me reanimo, eu vejo que aprendi, eu vejo que superei. Ou eu não vejo nada. Mas o momento mesmo da escrita é maravilhoso. Como agora.

Às vezes a vontade é de dizer algo para alguém, de descobrir coisas, de procurar intriga, de fofocar. De falar mal das pessoas, de reclamar, de pedir atenção e cuidado. Aí eu venho aqui e escrevo e passa. E passa. Aquela dorzinha chata demora um pouco mais, coração apertado de medo de não ter feito a coisa certa, mas a vontade de dizer algo para alguém passa e eu sigo. 

todas essas que aí estão atravancando o meu caminho, elas passarão, eu passarinha
(Adaptado de Mário Quintana)

                                                            (Dona Maya Angelou, me dá forças)

Olhando pra Don.


Força estranha.


Eu sempre gostei dessa música. Sempre. Não sei, eu ouço e sinto tantas coisas. Força estranha mesmo. 

eu pus os meus pés no riacho, e acho que nunca os tirei

Eu nunca aprendi a viver direito as coisas que vem, mesmo querendo dizer que eu vivo as coisas como elas vem. Mas, uma coisa não exclui a outra, eu sigo vivendo as coisas como elas vem, mas eu acho que ainda não sei direito fazer isso. Só isso. 

Eu penso que por isso uma força me leva a continuar, uma força que às vezes é estranha mesmo. Eu não sei de onde ela vem e nem porque ela vem, mas vem. E me mantém de pé. Sei que tem muita gente à minha frente e atrás de mim, por mim, comigo. Eu sinto isso. Mas ainda assim, não sei explicar, não. 

Mas nem acho que tudo é explicável. Tem coisas que eu só quero viver mesmo. Sentir, respirar, tocar, cheirar.

terça-feira, outubro 17, 2017

Black Panthers: Vanguarda da revolução.




Eco.

Não te precipites em tomar decisões agora, não perdes nada por tentar
Ele me disse, além-mar.
Respirei fundo, havia lido aquele email tantas vezes e não tinha me atentado que ele havia escrito algo que meu coração, meu corpo, tinha sentido muito nesses últimos dias.

Serão dos ecos que os meus sentimentos calam essas confirmações, será, será?
Estou aqui, presente, para sentir as dores, vivas pulsantes.
Mas também estou aqui, presente, para receber o amor que me cabe, que me querem dar, que me sentem.
Não fugirei do amor, antes abrirei meu braços, presente.

Não te precipites em tomar decisões agora, não perdes nada por tentar

Outra face.


Desse lugar.


segunda-feira, outubro 16, 2017

Girls on fire, Alicia Keys.


Follow.

É aí que você descobre que o professor que você quer encontrar no pós-doutorado te segue numa rede social internacional acadêmica e você fica boba demais.



Não.

E de repente, eu vi. 
Eu me vi.
Vi uma moça feliz com a certeza de que pessoas bonitas ainda existem no mundo. Mas eu queria parar o tempo e queria que ele fosse inteiro meu. Um "eu te devoro" que não deixava espaço para respirar. E eu dizia que não, eu fingia para ele e para mim que eu não estava sendo pesada, que era só uma intensidade diferente, mas não. Não era.

Era vontade, de verdade, que desse certo. Só que era uma vontade represada de muito tempo, de muitas gente que passaram por aqui e não conseguiram me fazer feliz como ele me faz. Aí eu quis, eu quis demais, quis como se fosse a última coisa, quis como se fosse a primeira vez.

E fiz muita coisa demais. Falei demais, pedi demais, esperei demais... explodi em sentimentos, em lágrimas, em emoções e palavras. Foi tudo demais e eu mesma não me queria assim. Aprendi. Tenho vergonhas, aquelas que a gente sente quando lembra de uma coisa ou palavra que parece não combinar com a gente mas a gente fez, a gente falou e pensou.

Sei que sou mais do que isso, medos e angústias. Sei que sou inteira e não só um pedaço dessa crise. Mas não sei o que poderá ser, não sei. Só posso saber o de agora: agora é paz, por aceitar a crise que fui. Agora é crise, por não saber se poderei ser paz.

Mas, apesar de tudo, agora ainda é vontade, mas com calma e amor.



sexta-feira, outubro 13, 2017

Casa Comigo, Anselmo Ralph.


Me sinto só e Anselmo vem ter comigo. Recupero as forças, eu acredito nele.

Tio Carlinhos.

Faz muito tempo que não o vejo. Hoje recebi a notícia que meu tio, casado com a irmã da minha mãe, morreu. Sim, morreu de um jeito tão doloroso que preciso parar de escrever para limpar os olhos da água que está jorrando deles aqui, no meio do dia, sem pedir licença. 
Meu tio Carlinhos. Eu não vou vê-lo mais. Eu não estou preparada para isso. Ele foi muito importante na minha vida num tempo em que passamos muitas necessidades. Eu ia sempre a sua casa para passar as férias ou algum feriado especial. Ele nunca rejeitou nossas visitas e eu lembro de sua insistência em me ensinar a andar de bicicleta. 
Um dia, ele acordou determinado a fazer isso acontecer. E em frente de casa, com uma bicicleta enorme, teve toda a paciência do mundo para passar um dia inteiro tentando fazer isso. Todas as pessoas riram; meus primos, seus filhos, passavam por mim andando em outras bicicletas e rindo, rindo. Eu estava achando engraçado, mas também me cansei e quis parar. Ele, não. Almoçamos e voltamos a tentar. 
Eu fui bem, mas tinha muito medo. Eu já era adolescente e não acreditava que poderia aprender a andar de bicicleta depois de velha. Mas ele, ele mesmo acreditou em mim. E eu nunca esqueci disso. Se eu aprendi? Tecnicamente, não. Mas entendi a mensagem. 
Se eu tenho lembranças chatas dele? Claro, todo mundo tem lembranças boas e ruins de todas as pessoas com quem convivem. Só que eu, desde lá, me apresso em não guardar o que não gostei e sou habituada a ser feliz e ver o que realmente vale a pena. Apesar disso, eu havia esquecido de algo muito importante é que ele fez por mim também, relembrando a mesma mensagem que me passou quando foi meu professor e bicicletar.
Minha mãe e minha tia, dias desses conversando, relembraram que foi ele quem me levou à prova do vestibular em 1998, quando eu tinha 18 anos e não sabia andar direito pela cidade. Eu não lembrava disso. Dessa época, eu só me lembrava do dia em que fui me inscrever e estive sozinha até às 23h30 na rua com muito medo de voltar pra casa, porque meu pai não se dignou nem a me buscar no ponto, quem dirás ficar na fila comigo. Chorei e fiquei mal por isso. Talvez esse tenha sido o motivo que fez meu tio me acompanhar no dia da prova, vai saber. Só sei que ele foi. Não lembro, mas ainda bem que eu tenho minha mãe para me lembrar dessas coisas e limpar meu coração de qualquer dor que exista aqui dentro, a dor de me sentir só numa fila para inscrição no vestibular. 
A mensagem do meu tio, nessas duas lembranças que agora ficam ainda mais comigo é "eu acredito em você". E isso às vezes é mais importante do que a gente mesmo acreditar na gente. A gente só é a gente mesmo junto de pessoas que nos amam. 
Tio Carlinhos, eu queria que você estivesse aqui agora. Eu ia te contar que ainda não aprendi a andar de bicicleta, mas está nos meus planos comprar uma no mês que vem. É curioso, porque eu tinha imaginado te encontrar ainda esse ano e fazer alguma piada com isso. 
Obrigada.  

quinta-feira, outubro 12, 2017

Eryka Hachebe.

Eu nunca teria um Instagram. Ainda mais depois desse

Aprendências.

Eu não achei que esse ano seria um ano de aprendências. Aprender a viver junto, a fazer coisas, a conversar mais e melhor, a descobrir sobre mim. Claro, parece clichê, todo o dia a gente aprende. Mas eu digo, não achei que com essa mudança toda, de vida, de casa, de trabalho, de relações, eu ia descobrir como eu posso ser esnobe e presunçosa, como eu posso ser burra e exigente e mandona, eu não sabia. Eu sei que eu erro, mas é tão delícia ser contestada, ser confrontada, me dizerem coisas que me calam, é tão gostoso estar errada e poder entender isso e pedir desculpas, no fim eu me sinto mais forte e mais bonita. 

E é não saber que me anima e me desafia a continuar nessa toada, é gostoso ver que as pessoas não sabem de mim e pensam que sabem, eu mesma também me invento, mas gosto de histórias, de conversa e novidade, por isso ainda estou aprendendo sobre como sou com as outras pessoas, com elas e por elas. 

Estou tão feliz. Encontrei paz.


quarta-feira, outubro 11, 2017

Fotos Antigas III.

... sempre doeu...










Fotos Antigas II.

... porque era muito amor...





Fotos antigas I.

Das fotos que nunca publiquei, porque era muito amor e sempre doeu.







terça-feira, outubro 10, 2017

Infantil.

Ela me disse que eu era infantil só porque me pegou dando língua para ela.
Retruquei dizendo que não ligava de ser infantil e ser feliz, que eu era criança mesmo e acabou.

Fiquei matutando isso, conversei com minha amiga de sete anos. Ela sorriu e me disse que ia falar para a mãe dela para ela não falar assim comigo. 

E me deu língua. 

Menina Mulher da Pele Preta.


É quando você acorda pela manhã com uma mensagem de bom dia bem de longe, e pede dengo e você ganha ligações e músicas que dizem o que as pessoas pensam de você que você acredita que amizade vale mais do que dinheiro, de verdade.

Não há o que pague pedir ajuda e ser atendida. Não há como agradecer quando você sempre descobre que nunca fica sozinha. Nunca. 

Caio, Isadora, Alex e Juarez, eu amo vocês. 
Sempre. 

domingo, outubro 08, 2017

Não me procure mais.

Me deixa em paz
Não me procura mais
Finge que eu não existo
Muda de calçada
Não fala comigo
Não me mande mensagens

E nem pense em me visitar

Me deixa em mais
Não me procura paz
Finge que eu não calçada
Muda de existo
Não fala com mensagens
Não me mande comigo

E nem pense em me confundir

Agradeça (e como India Arie me salvou).


Baixei umas músicas num aplicativo no smartphone que eu ganhei (sim, estou adorando isso!) e, nesse final de semana, fui salva por India Arie. O cd' é Songversation: Medicine e eu fiquei sabendo de uma das músicas do cd' por causa de um filme que postei aqui. Pus o cd' e me apaixonei por todas as outras músicas. Eu recomendo: procurem o cd' Songversation: Medicine, ouçam todas as faixas e sejam felizes.

Se salvem, se salvem das mentiras. Se salvem das feridas. Façam suturas com a poesia, a música e o amor. Eu poderia falar de todas as músicas, porque todas me salvaram de algum modo, seja pela dor ou pelo amor de ser quem eu sou ou aquilo que eu quero ser. Mas eu vou escrever umas palavrinhas lindas que na voz de India curam tudo. 

Agradeça
Diga amor
Namaste
Axé 
Agradeça
(da música Give Thanks)

Obrigada, India Arie. O cd' é esse. Corram atrás.

Ah, e just let it go, viu?

A mulher que me salvou, India Arie.

terça-feira, outubro 03, 2017

De que é feito o que vai no coração?

Alguém ou alguma coisa veio aqui e diminuiu a dor. A ansiedade, a incerteza. Veio aqui, arrancou qualquer coisa que poderia me fazer mal e deixou só paz. A quem ou o que fez isso, eu só posso dizer obrigada e fique mais um pouco por aqui. 

Eu tenho muito a fazer mas meu coração não quer descansar. Ele me dá trabalhos extras como me preocupar com alguém que parece não saber que para bater, meu coração precisa desandar. Desandar de ouvir as belezas que é estar viva, que é amar, que é acreditar, belezas que devem ser ditas, sussurradas, confirmadas, todos os dias. Meu coração precisa de um motor feito de palavras também. As ações que o movem são assim todas desenhadas de palavras, ele gosta de texto. 


sábado, setembro 30, 2017

Christian Scott aTunde Adjuah: Tiny Desk Concert: NPR


Esse canal no Youtube é massa demais. A gente encontra cada coisa maravilhosa. Rapaz. A vida é realmente boa (especialmente se você está apaixonada). 

quinta-feira, setembro 28, 2017

quarta-feira, setembro 27, 2017

Labrinth, Jealous.



[não é bem assim, não, mas eu amo a voz desse moço nessa música. e sua cara linda e preta com esse bico]

Inspiração.

Há pessoas e coisas e tempos e eventos e sons e cheiros que me fazem escrever mais. Eu gosto disso, gosto de escrever. Acho mesmo que me ajuda a nascer. Mas há quem pense que pode saber tudo sobre mim lendo coisas aqui. Não. 

Bom, eu sou aqui. Mas eu sou também uma alguém que não se diz aqui. E essa só é possível de saber quando você acorda comigo, falando sobre o mesmo assunto da noite passada sem nem parecer que passou uma noite no meio.

Uma eu fazendo comida e ouvindo música e dançando e tomando cerveja. Uma eu fazendo a unha e durando quatro horas para terminar tudo porque eu converso muito. Uma eu que chora vendo filmes. Uma eu que... bom, uma eu que não está aqui nas letras, que só tem quando você encosta junto de mim e sente meu cheiro, vê meu sorriso e prova do sabor.


Cabelo.

Senti uma mãozinha puxar minha blusa e olhei para o lado.

Ei, você já é grande e seu cabelo é igual ao meu, não precisa alisar quando cresce?

Sorri e expliquei-lhe que não, que ela poderia continuar com ele como ele era.

Tá vendo, ela disse olhando para a amiga, eu disse pra mainha

Continuei meu caminho, sabendo dos motivos pelos quais valem conservar a minha juba.